terça-feira, 29 de junho de 2010

TV Digital: certificação da interatividade é a bola da vez

Texto publicdo em: Circuito De Luca

O Módulo Técnico do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital já está debruçado sobre mais uma tarefa primordial para a implantação de TV Digital interativa no país: a especificação da suíte de testes para certificação de receptores interativos, de modo a garantir compatibilidade e interoperabilidade.

“Nossa meta é ter o primeiro esboço da suíte de testes pronto para ser submetido ao Conselho Deliberativo do Fórum em três a quatro meses, a contar de hoje. Uma vez aprovado o esboço, começa o trâmite normal para aprovação e publicação da especificação padrão pela ABNT”, afirma Ana Eliza Faria e Silva, coordenadora do Módulo Técnico, lembrando que essa meta atende a um cronograma agressivo, diante da complexidade do trabalho. Segundo ela, só a documentação da suíte de teste do módulo NCL já tem mais de mil páginas. Comparada à norma, que tem cerca de 300 páginas, dá para ter uma noção de como é um trabalho muito mais detalhado.

Desde o ano passado, o Módulo Técnico vem trabalhando no desenvolvimento dessa especificação. Há um grupo de trabalho constituído, com presença de representantes dos segmentos de recepção, radiodifusão e software em sua estrutura, uma metodologia e tarefas definidas.

E, embora a redação da especificação exija algum esforço, não é nada se comparada às discussões que já começam a acontecer sobre o que fazer com ela. Vai virar código base? Um produto do próprio Fórum SBTVD, que não comporta hoje, em sua constituição, um investimento financeiro dessa magnitude? Um produto entregue pelo Fórum SBTVD a uma instituição certificadora independente, para emissão de um selo de conformidade? Ou a um consórcio, como acontece hoje com a certificação MHP no âmbito do Consórcio DVB?

Há quem defenda a tese de que cada fabricante seja responsável pelo desenvolvimento de sua própria implementação da suíte de testes, a partir da especificação criada pelo Fórum. Há interesse de algumas empresas de software em transformar essa suíte em mais um produto. Mas há que, dentro do próprio Fórum, veja aí um conflito de interesse, principalmente entre as empresas que já vendem hoje implementações do próprio middleware.

“Do ponto de vista técnico, o ideal é que o desenvolvedor da suíte de teste não tenha qualquer relação com o desenvolvedor do middleware”, argumenta Ana Eliza, quando provoco a discussão. “Mas isso é uma outra discussão, que cabe ao Conselho Deliberativo”, completa, lembrando que nas últimas deliberações do Conselho ficou claro a necessidade de se ter a especificação da suíte de testes o mais rápido possível. Apenas isso.

“Há níveis de testes e de certificação que dependem dela. E caberá ao Fórum o encaminhamento ao mercado”, diz Ana Eliza, lembrando que o tema deverá ser um dos temas em discussão no próximo congresso da SET, marcado para o fim de Agosto, em São Paulo.

A ver.

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