Band e SBT se preparam para o broadband TV

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Texto publicado em: Tela Viva News

Por: Ana Carolina Barbosa.

Um ano após o lançamento do primeiro televisor conectado no mercado brasileiro, a novidade agora é a movimentação das fabricantes para a conquista de parceiros nacionais. Os portais são candidatos naturais, mas o fato é que, até mesmo para quem já tem na tela de televisão o foco do trabalho, as TVs com conexão à Internet têm se mostrado uma plataforma não só atraente, como necessária, devido às mudanças nos hábitos de consumo de mídia. O SBT e a Band fecharam acordo com a Sony e devem levar conteúdo à linha de aparelhos conectados da fabricantes a partir de setembro. "A indústria de broadband TV é um degrau essencial para o futuro do entretenimento digital. Sua plataforma permite a entrega rápida de vídeos digitais, trazendo para o aparelho de televisão a natureza on-demand da Internet. Isso é fundamental para atender às necessidades de um público cujo hábito de consumo de conteúdo está em constante transição devido às novas tecnologias", diz Renata Abravanel, coordenadora do site da emissora, lembrando que o controle da "grade de programação" que até há pouco era das emissoras, deslocou-se para o usuário.

A ideia é disponibilizar, aos poucos, toda a programação da emissora em modelo catch-up, em que o conteúdo pode ser visto pouco tempo depois da exibição na TV. "Focamos também na exibição de programas na íntegra pois, devido à comodidade que a experiência oferece, o usuário de broadband TV dispõe de um tempo maior para o consumo de conteúdos mais longos", explica Renata. A emissora ainda prepara conteúdo exclusivo para a plataforma. Trata-se do "SBT+", programete sobre os bastidores dos programas e eventos da emissora.

Na Band, a decisão de distribuir conteúdo pelas TVs conectadas é uma orientação da presidência, de buscar a maior exposição possível dos conteúdos do grupo, no maior número possível de plataformas, como conta Ricardo Anderaos, diretor de negócios online da Band. O usuário do aparelho com acesso à Internet da Sony terá acesso a vídeos do portal eband, que reune conteúdo da Band e dos outros canais do grupo, o BandNews, o BandSports e o Terra Viva. "A vantagem desta plataforma é que os fabricantes criaram um sistema rápido e customizado de acesso ao conteúdo da televisão", observa Anderaos. Segundo o executivo, esta oportunidade tem sido um "grande laboratório" também para os testes do canal de retorno, já que alguns aparelhos disponíveis no mercado possuem receptor digital integrado e hardware preparado para o iDTV (Ginga).

Renata e Anderaos são entrevistados da reportagem sobre as oportunidades proporcionadas pelo broadband TV aos provedores de conteúdo da edição de agosto da TELA VIVA, que deve circular na segunda semana do próximo mês. Ana Carolina Barbosa.
 

TV Digital: Consórcio tem interesse em fabricar conversor barato

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Texto publicado em: IDG NOW

A iniciativa do governo de incluir o Fórum SBTVD nas discussões sobre a produção de conversores para TV Digital, interativos, com preço final para o consumidor abaixo dos 200 reais, já rende bons frutos. Hoje, o assessor especial da Presidência da República para a Área de Políticas Públicas em Comunicação, André Barbosa anunciou que, no próximo dia 20, receberá de um consórcio de empresas brasileiras a proposta para produção de cinco milhões de conversores da TV digital já com o Ginga embarcado.

“Depois que fiz a exposição no Fórum, fui surpreendido pela iniciativa de pequenas e médias empresas, produtoras de conversores, de montar um consórcio para terem escala e, assim, conseguirem melhores condições para captação de recursos no BNDES, compra de componentes e licenciamento da implementação do middleware, na sua versão padrão”, firma André Barbosa.

A partir da análise das planilhas de custos desse consórcio, o governo decidirá os incentivos iniciais que poderão ser dados ao programa. De antemão, está descartada a possibilidade de subsidiar todo o equipamento. “Não vamos fazer como a Argentina, que exerceu o poder de compra do governo para alavancar a indústria. O que nós queremos é criar condições para que o mercado cresça de forma sustentável, através da criação de políticas industriais”, diz o assessor.

Segundo ele, o que o governo quer fazer é política pública através da TV Digital e da banda larga. “São dois projetos que se somam lá na frente, para tirar proveito do poder interativo da internet e da simultaneidade da TV”, afirma.

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* QUAL O CUSTO médio do middleware? Segundo voz corrente no mercado, cerca de 5 reais por cópia, para compras de baixo volume.

* A ESPECIFICAÇÃO PADRÃO DO GINGA no Brasil inclui os os dois subsistemas, NCL/Lua e Ginga-J. Hoje, a única implementação disponível no mercado com essas características é o Astro TV, da TQTVD, hoje uma empresa do grupo Totvs.

* 100% ABERTO – Há no mundo algumas iniciativas para desenvolvimento de um middleware 100% livre de royalties, que use o Java Engine aberto. O governo brasileiro apoia algumas iniciativas nesse sentido, segundo André Barbosa. A possibilidade de incentivo ao desenvolvimento de uma versão Ginga 100% livre já chegou a ser discutida pelo conselho do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Digitais para Informação e Comunicação – CTIC, que no próximo dia 4 de agosto realiza, em são Paulo, a I Mostra Inova CTIC. Em destaque, os resultados dos primeiros projetos que têm como foco a TV Digital.
 

Uso de internet em casas ultrapassa o de Lan house no Brasil

Texto publicado em: FNDC

28/07/2010 |
Redação
Gazetaweb

De acordo com os dados, 48% dos acessos individuais acontece em residências, enquanto outros 45% ocorrem em Lan houses

As Lan houses, centros públicos de acesso pago ao computador tão populares no Brasil, foram ultrapassadas pelos domicílios no país em 2009, segundo informa uma pesquisa do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) divulgada na semana passada.

De acordo com os dados, 48% dos acessos individuais acontece em residências, enquanto outros 45% ocorrem em Lan houses. O estudo, que é feito anualmente desde 2005, indica que situação é diferente do que ocorria desde 2007, quando o uso de centros públicos de acesso pago cresceu no Brasil.

A projeção, no entanto, não é um demérito para as Lan houses do país --elas prosseguem sendo um dos pontos fundamentais para a inclusão digital de classes menos abastadas, segundo o CGI.br.

Em seguida, vem o local "na casa de outra pessoa", com 26% das respostas. Pessoas que acessaram a internet do trabalho representam 22% da fatia, enquanto aqueles que acessam da escola são 14% do total.

Os centros públicos de acesso gratuito, também denominados telecentros, ficaram com 4% das menções no total brasileiro. O número total usuários desses locais de acesso chega a 2,3 milhões, diz o estudo.

"Devemos considerar que muitos desses telecentros estão em áreas remotas onde o acesso à internet é ainda precário, o que faz com que sejam, muitas vezes, a única alternativa para se conseguir uma conexão à rede", observa o CGI.br.

A coleta dos dados ocorreu entre setembro e outubro de 2009, em todo o país (inclusive áreas rurais).

O CGI.br entrevistou indivíduos de 19.998 residências, e usa os critérios conceituais do Censo Demográfico e do PNAD 2008 (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios), ambos produzidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), para classificar os dados.
 

TV aberta: faturamento sobe, audiência cai.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Inúmeras notícias dão conta da queda da audiência das emissoras de TV aberta no Brasil e no mundo. Outras tantas dão conta das inovações tecnológicas que estão mudando os hábitos dos telespectadores, mas mesmo assim, as emissoras de TV aberta do Brasil divulgaram balanço com alta no faturamento. O SBT anunciou um faturamento 32% maior no primeiro trimestre e a Band, 44%. Como explicar isto? As duas emissoras afirmaram que é reflexo dos investimentos na programação (Fonte: Tela Viva News). Porém, não é tão simples assim. É uma questão de lei de mercado.

Primeiro que este ano é um ano atípico, pois foi ano de Copa do Mundo de Futebol e é ano eleitoral. Assim, já era esperado um crescimento no setor. Segundo, a estabilidade econômica no Brasil favorece o mercado televisivo. O aumento do crédito, baixos índices de desemprego e aumento real da renda, se converte em compras, e como a propaganda é a alma do negócio, o jeito é anunciar. Prova disto é a Pesquisa de Expectativa Empresarial elaborada pela empresa de análise econômica Serasa Experian que mostra que 55% dos 1.010 empresários consultados apostam em alta das vendas neste ano. O melhor resultado calculado desde 2005 (Fonte: Estadão).

Em post publicado neste blog (A TV Globo pode cair?), os bons números de 2010 já tinha sido previstos e a análise chamava a atenção para o perigo que isto pode representar caso os gestores das emissoras não atentem para estas questões nas estratégias para os anos seguintes.

O outro lado dessa moeda é que se por um lado a estabilidade econômica proporciona às emissoras mais anunciantes, por outro, alimenta os principais concorrentes das emissoras: internet banda larga, games e TV por assinatura. Estes três setores também estão com altos índices de crescimento.

O serviço de TV por Assinatura atingiu em junho 8.426.462 domicílios no Brasil, com 217.299 novos assinantes. Crescimento de 12,7%, segundo a Anatel. Crescimento record desde 2006, sendo que as regiões Norte e Nordeste foram a que mais cresceram Fonte: FNDC). Ou seja, exatamente onde a penetração das emissoras de TV aberta é muito grande.

Na banda larga, a Telefônica anunciou que o serviço Speedy chegou a 3 milhões de clientes e que obteve o melhor primeiro semestre da história do produto em 2010 com a adição de 363 mil assinantes, um crescimento de 14% em relação à base do final do ano passado (Fonte: FNDC).

O crescimento dos games não fica atrás. Estima-se que o mercado de games no Brasil gire em torno de US$ 300 milhões de Dólares, mas com potencial para US$ 1 Bilhão, se a pirataria não fosse tão forte aqui (Fonte: O Globo).

A partir de 2011 é que os reais números da audiência das emissoras de TV aberta vão demonstrar até que ponto as tecnologias digitais estão “roubando” espectadores. Pelo menos até 2014, onde o ciclo Copa do Mundo e eleições recomeça, somando 2016 com as Olimpíadas no Brasil. E caso, diga-se de passagem, a estabilidade econômica não sofra alguma mudança drástica de percurso.
 

Países encontram dificuldade em desligar sinais analógicos no cronograma estipulado

Texto publicado em: Tela Viva News

Da Redação do Tela Viva News

Uma análise do site norte-americano Television Broadcast mostra que o cronograma de migração para a TV digital está atrasado em diversos países do mundo. Alguns dos países que já terminaram a transição, incluindo os Estados Unidos, tiveram que adiar o planejamento inicial para desligamento dos sinais analógicos. Segundo o site, aproximadamente 1 milhão de residências canadenses não estão preparadas para o desligamento dos sinais analógicos, o que está previsto para acontecer em agosto deste ano. Na transição estadunidense, o número de lares que não estavam aptos a receber os sinais digitais um mês antes dos desligamento era substancialmente maior, aproximadamente 3,3 milhões. Contudo, a amostra não era tão significativa, já que os Estados Unidos contam com aproximadamente 111 milhões de lares com TV, enquanto o Canadá tem cerca de 13,7 milhões.

No Japão o desligamento do analógico está previsto para acontecer em um ano, no dia 24 de julho de 2011. Atualmente, cerca de 20% dos lares ainda não conta com receptores digitais, aponta a matéria. Já em Hong Kong, apenas 53% dos lares contam com televisores digitais, mas o desligamento do analógico deve ocorrer apenas em 2012.

O cronograma para transição proposto pela União Internacional de Telecomunicações para o continente africano está ainda mais difícil de se concretizar. O desligamento do analógico previsto pelo órgão internacional no continente é em 2015. Trata-se de uma meta difícil, levando-se em conta que a maior parte dos países sequer escolheu um padrão de TV digital
 

Anatel determina fim de venda casada da banda larga

Texto publicado em: Portal R7

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adotou medidas cautelares contra operadoras para evitar a venda casada de banda larga, entre outras práticas.

Conforme nota da agência reguladora, o superintendente de Serviços Privados interino adotou "medidas acautelatórias" contra Brasil Telecom (do Grupo Oi), CTBC (Companhia de Telecomunicações do Brasil Central), GVT (Global Village Telecom Ltda.), Telemar Norte Leste S/A (Oi) e Telesp; Telefônica (Telecomunicações de São Paulo S/A), determinando que sejam interrompidas determinadas práticas, como venda casada do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM, licença que permite oferecer banda larga) com outros serviços de telecomunicações, inclusive o de telefonia fixa (STFC).

As outras medidas são contra oferecimento de vantagens para o assinante da banda larga mediante contratação de linha fixa ou de outros serviços, salvo em promoções e ônus excessivos ao interessado na contratação da banda larga quando comparado à oferta em conjunto com outros serviços, forçando venda casada (venda dos pacotes).

Outra medida que a Anatel pretende combater é o uso do preço da banda larga "como mecanismo de recusa de oferta do serviço em separado, inclusive a fixação de preço do serviço em separado em valor superior à oferta conjunta de menor preço contendo SCM de características semelhantes."

A Anatel ressalta que as medidas cautelares não têm a intenção de restringir a liberdade de preços praticados pelas empresas, já que o serviço de banda larga é prestado em regime privado, de preço livre. Ainda conforme a nota, a agência está analisando os recursos apresentados pelas empresas, exceto a Telesp (Telefônica), que não apresentou recurso.
 

Os desafios dos candidatos na internet

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Texto Publicado em: Blog do Miro


Entrevista de Sérgio Amadeu, publicada no sítio Sul-21:

Sérgio Amadeu da Silveira é uma figura ímpar. Doutor em Ciência Política pela USP, é mais lembrado como defensor e divulgador do Software Livre e da inclusão digital no Brasil. Foi presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e é professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC). Amadeu, autor dos livros Exclusão Digital e Software livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração concedeu entrevista ao Sul 21 durante o 11º Fórum Internacional de Software Livre, que se realiza até amanhã em Porto Alegre.

Ontem, um candidato gaúcho a deputado estadual, revelou que fará uma campanha exclusivamente digital – não haverá santinhos, palanques, nada, apenas o suporte digital, ou seja, a Internet. O que o senhor pensa a respeito?

Quem consegue se promover nas redes sociais é quem obedece suas lógicas. Há cada vez mais candidatos que usam tais redes e o problema que eles enfrentam é que a maioria da sociedade possui certa rejeição aos políticos, mas é um direito deles tentar a comunicação. Muitos estão usando o twitter de forma correta, sem violar as regras tácitas de conduta. Quem faz isso, quem responde pessoalmente a quem lhe escreve, quem dialoga, quem não xinga, pode ter um ganho. O importante é não usar as redes como broadcasting, não usar como se fosse apenas um meio de divulgar mensagens. O twitter é interação. Isso tem de ser respeitado sempre. O fundamental é responder aos questionamentos. Quem faz isso tem grandes possibilidades de ganhar o eleitor. É uma espécie de corpo-a-corpo. É claro que o candidato não deve responder aos trolls – que são pessoas obcecadas pela polêmica e que naturalmente devem ser ignoradas – , pois só geram mais brigas e trolls.

E as outras redes sociais?

Quem utiliza bem as ferramentas sabe que uma rede social pode ligar-se a outra. Um bom utilizador destes meios é quem, por exemplo, escreve um post em seu blog ou atualiza seu site e imediatamente informa o fato a seus seguidores do twitter e aos amigos do Facebook e do Orkut. A sugestão de leitura movimenta as pessoas, chama mais gente. Hoje, há que usar o Twitter, o Facebook e o Orkut.

Quem usa mal as redes sociais?

Os candidatos que usam as redes sociais como se fossem mais um canal para ele falar sozinho. Se o candidato ignorar a interação, se não se colocar ao nível do eleitor, demonstra que não compreende as ferramentas de que dispõe.

Em segundos, eu costumo receber dez tuítes seguidos de uma candidata e ela não responde...

Sim, isto não é eficaz, ninguém lê dez tuítes em série porque identifica logo que foi resultado de um processo automático. É uma panfletagem sem sentido prático. Outra coisa que não funciona é o spam. Eu recebi uma mala direta de Geraldo Alckmin. Era uma coisa que não perguntava se eu queria seguir recebendo notícias dele, era um santinho eletrônico. Isso só irrita. Eu não pedi nada para ele. Mas sou de opinião que dá para fazer uma campanha pela internet, principalmente se for de candidatos de eleições proporcionais. Há uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet que diz que, nas regiões Sul e Sudeste, 74% dos jovens entre 16 e 24 anos acessam no mínimo mensalmente a internet, seja em casa, seja fora. E metade destes acessa diariamente. É um número altíssimo.

Você acha que os candidatos às majoritárias são obrigados a usar a Internet?

Sem dúvida. Se ele se eximir, vão falar mal dele. Não é que ele vá ganhar muitos votos nas redes sociais, é que vai deixar de perder, o que é a mesma coisa. Afinal, ele será contestado e desafiado, vão espalhar boatos... Então, tem de ficar atento e interagir. A Internet mudou o modo de fazer campanha, claro.

E como responder a milhares de seguidores?

Bem, em linguagem de Internet, eu diria que você tem de ser verdadeiro, não pode ser fake. Se o candidato utilizar uma equipe para responder, deve informar que tem uma equipe. Uma das realidades da rede é a comunicação horizontal e pessoal. Então, o candidato tem que dizer “como não consigo responder a todos, vou responder a algumas pessoas”. Isso é aceitável, é razoável para políticos e não políticos. Porém, quem é candidato a presidente, governador ou senador tem uma empresa de marketing fazendo sua campanha. Obviamente, estes publicitários já trabalham com as redes sociais dentro e fora do período eleitoral. Eles usam a chamada “análise de mídia social” e têm “articuladores de mídias sociais”. Esse batalhão está nas campanhas.

E são eles que respondem aos seguidores e amigos?

Sim, mas veja o caso de Obama. O Obama tinha assessores que se revezavam no twitter. A cada questão mais complicada, ele era consultado e ditava sua resposta. Isso foi possível porque o twitter recém tinha aparecido – o Obama tinha menos de 200 mil seguidores e a maioria deles era pessoal da imprensa e bons blogueiros. Ele e seus assessores souberam usar muito bem o twitter. Tanto que as comunicações e decisões mais importantes vinham por ali. E também os links, o direcionamento para outras mídias, as indicações sobre o que ler e onde.

Ele pautava a imprensa...

Sim, mas também formava uma reputação. Porque as mídias sociais não apenas servem para contato, mas para que se conheça a postura, a seriedade, a gentileza e educação de quem participa. A credibilidade, grande bastião dos jornais, está por inteiro nas redes sociais. Reputação é sinônimo de credibilidade. A população sabe o que está fazendo, mesmo quando compra jornais dos quais desconfia. Por exemplo, a pessoa que compra a Veja tem um determinado perfil pessoal ou sabe o que é a Veja. Sabe que ali não há os dois lados, que não é jornalismo, mas este é outro assunto...
 

Só 5% dos brasileiros têm TV de alta definição, revela Ibope

Texto publicado em: Blog do Daniel Castro

Pesquisa realizada em março pelo Ibope mostra que apenas 5% dos moradores das 11 maiores metrópoles brasileiras já têm acesso à TV de alta definição (HDTV). A pesquisa revela também 67% dos telespectadores conhecem a nova tecnologia, lançada no Brasil no final de 2007.

A TV de alta definição é uma das vantagens da TV digital _a outra é a interatividade, só lançada neste ano. A TV digital ainda está em implantação. Rede com a maior cobertura digital, a Globo tem a tecnologia em 37 de suas 121 emissoras, ou seja, em 30,6% das estações. Mas essas emissoras cobrem mais de 50% da população do país.

A pesquisa do Ibope foi realizada entre os dias 18 e 31 de março, antes da Copa do Mundo, que impulsonou a venda de televisores. Segundo o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital, foram vendidos 5 milhões de aparelhos digitais no primeiro semestre deste ano. O país tem cerca de 60 milhões de domicílios com TV.

O Ibope entrevistou mais de 17 mil pessoas com mais de 10 anos em Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre.

A pesquisa _PayTV Pop_ é feita desde 2000. Está em sua 17ª edição. Visa fornecer um mapeamento da TV paga no país.

Segundo o levantamento, a posse de TV por assinatura cresceu 40% entre 2009 e 2010 _o país deverá fechar o ano com 9 milhões de domicílios com TV paga, atingindo 30 milhões de telespectadores. O crescimento está sendo impulsionado pela classe C. A posse do serviço na classe C aumentou 33% de 2009 para 2010.

Entre os assinantes, 75% estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o serviço e mais da metade pretende permanecer com a mesma operadora e pacote de canais.

A pesquisa também prospectou a penetração dos DVRs, aparelhos que gravam a programação. Entre os assinantes de TV paga, 2% já possuem gravadores digitais.
 

Novo marco legal vai tratar de telecom, TV e Internet

sábado, 24 de julho de 2010

22/07/2010 |
Miriam Aquino
Tele Síntese

O ministro Franklin Martins diz que o projeto de lei será entregue ao novo governo

“É posição de governo que o marco legal de radiodifusão e de telecomunicações está defasado para fazer frente aos desafios da convergência de mídia”, afirmou ao Tele.Síntese o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, um dos integrantes do grupo interministerial criado hoje pelo presidente Lula para rever o marco legal do setor.

Segundo Martins, o grupo irá formular uma proposta de projeto de lei a ser apresentada ao novo governo. “Iremos estudar os marcos legais das democracias consolidadas, pois é rica a experiência internacional sobre o assunto”, completou.

Conforme o ministro, a proposta não poderá deixar de tratar de todas mídias e redes - sejam as telecomunicações, a radiodifusão ou a internet – uma vez que a convergência afeta indistintamente esses segmentos.

Ele afirmou que o Executivo não irá tratar de qualquer tema referente ao “controle social da mídia”, proposta aprovada na primeira Confecom, até porque, explica, “ esta expressão é péssima é não quer dizer nada. "Se controle social for o controle do conteúdo, o governo é totalmente contrário”, concluiu.
 

Democracia ou exclusão? Políticos argentinos adotam o Twitter e dispensam jornalistas

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Texto publicado em: FNDC

20/07/2010 |
Maira Magro
Jornalismo nas Américas

Quando políticos elegem a internet como local principal para comentar suas atividades e opiniões, como fica o trabalho do jornalista? Esse questionamento começa a ser feito na Argentina, onde diversos políticos vêm mostrando uma adoração pelas redes sociais acompanhada de um desdém pelo trabalho da imprensa.

Esta semana, o chefe de gabinete do governo argentino, Aníbal Fernández, anunciou que responderá perguntas de cidadãos através de uma “vídeo-entrevista” que será publicada na sexta-feira em seu blog pessoal. As perguntas serão feitas através de ferramentas como Twitter, Facebook e o próprio blog.

Se por um lado as redes sociais facilitam o contato entre cidadãos e governantes, elas também podem virar um artifício para fugir de perguntas desagradáveis da imprensa. A agência EFE identificou o problema ao comentar a vídeo-entrevista de Fernández: “o vício de alguns integrantes do gabinete argentino pelas redes sociais contrasta com seu escasso interesse em responder as perguntas da imprensa, especialmente dos correspondentes estrangeiros na Argentina, que há anos vêm insistindo, sem êxito, em ter contato com a presidente”.

O jornal espanhol ABC aponta que, em meio à “twittermania” que tomou conta dos políticos argentinos, até os jornalistas estão recorrendo às redes sociais para contatar autoridades no país. O chanceler Héctor Timerman, outra estrela na internet, usa seu perfil no serviço de microblogs para falar de viagens, reuniões, analisar notícias do dia, defender o governo, criticar a oposição – e “atacar sem piedade os jornalistas”, observa o ABC. “O bom do Twitter é que se pode debater sem o filtro dos meios de comunicação. Aqui ninguém edita o material”, celebrou Timerman no serviço de microblogs. “Cidadãos perguntando diretamente: isso é democratizar a informação”, diz ele em outro comentário.

O contato direto com o público pode certamente trazer benefícios, especialmente em ano pré-eleitoral, como lembra o ABC. Mas não pode tomar o lugar de um debate nacional mais amplo, mediado pela imprensa.
 

Marcelo Branco: por dentro da campanha de Dilma na internet

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Texto publicado em: FNDC

20/07/2010 |
Redação
Portal Vermelho

Responsável até o início deste ano pelo megaevento nerd Campus Party, Marcelo Branco coordena há cerca de três meses a campanha de Dilma à Presidência nas redes sociais. Foi ele o responsável por fazer a candidata twittar pelo @dilmabr – diz ele que por conta própria, num notebook que anda sempre a tiracolo com a petista. Mas é dele também a tarefa de mobilizar os internautas a fazerem campanha espontânea.

Seja para fazerem um vídeo engraçadinho como DilmaBoy ou aproveitarem comunidades no Orkut já existentes, ele já viajou todos os estados do Brasil reunindo-se com blogueiros, twitteiros, orkuteiros, etc. Segundo Branco, uma campanha como a do presidente americano Barack Obama “foi construída pelos apoiadores — não por agências”. É o que Marcelo Branco declara ao jornalista-blogueiro Rodrigo Martins, editor de Mídias Sociais do Estadão.


Leia abaixo os principais trechos.

Estadão: A campanha está começando agora. Já vemos uma grande movimentação dos candidatos pelo Twitter. Como você vê isso?
Marcelo Branco: Acho que o Twitter é uma ferramenta indispensável para o processo eleitoral. Mas o candidato estar no Twitter é apenas uma pequena parte da campanha no Twitter. O perfil da Dilma é ela mesma quem atualiza. Nossa opção foi que a campanha da Dilma no Twitter fosse o conjunto de pessoas que estão se mobilizando para fazer a campanha dela nas redes sociais. E não somente ela.

Não estamos centrando a campanha e avaliação da campanha dela pelo Twitter a partir só do que ela posta. Inclusive por questões legais, até de postura como candidata, ela tem que ter uma postura diferente que nós apoiadores, dos outros Twitters da campanha, podemos fazer de interação. O resultado tem sido positivo. Todas as medições que a gente fez no Twitter nos últimos dois meses apontam vantagem de citações positivas da Dilma nesta rede social.

Estadão: Como vocês fazem essas medições?
Branco: Temos ferramentas que fazem buscas nas redes sociais, em cima do nome do candidato, palavras chaves. Em março, quando começamos, estávamos muito atrás do Serra, pois ele estava lá há um ano e meio. Mas mudou muito. Nas redes sociais, pelo que medimos, é a campanha que tem a maior presença. Pois fizemos uma opção de não investir apenas nos canais oficiais da campanha.

Optamos por aproveitar os espaços da internet já consolidados, as redes já existentes, como espaço para estimular e aproveitar para a campanha. Há uma comunidade do Orkut, por exemplo, que está há cinco anos na internet, que tem 98 mil pessoas que apóiam a Dilma. Daí a gente pega outra de mil, de 20 mil. No Facebook é a mesma coisa.

As comunidades oficiais da Dilma no Orkut, no Twitter, no Facebook, são espaços institucionais. No entanto, estamos usando outros Twitters, como o @dilmanaweb, @dilmanarede, que são Twitters de mobilização da campanha. A gente não constrói reputação na rede em pouco tempo. Então, não tem como, em dois meses de campanha, querermos construir uma reputação e uma presença massiva na rede.

Temos hoje 128 blogs cadastrados, que são blogs espontâneos de apoio, muitos com audiência muito próxima à do blog oficial da candidata. A nossa estratégia nas redes sociais é estimular que nossos apoiadores construam conteúdos multimídia. Não vamos deixar de construir na agência (de publicidade). Mas estamos apostando muito nessa idéia de que o apoiador precisa construir o conteúdo.

Estadão: Como o DilmaBoy?
Branco: Sim. Nós nunca tínhamos ouvido falar desse cara. É um webhit. Há dezenas de outros. Nós estamos apostando. Foi assim a campanha do Obama. Essa ideia de que foi a agência que construiu a campanha do Obama nas redes sociais é um erro. Ela foi construída pelos apoiadores. 90% dos vídeos postados foram caseiros. E os de maior audiência foram esses. Estamos apostando nisso. O viral é uma coisa imprevisível. Ninguém constrói um viral. As pessoas tentam, mas na maioria das vezes não conseguem.

O que pega é o imprevisível. As pessoas não compartilham só informação, mas emoções também. Hoje não existe uma ferramenta para medir emoções na rede. Talvez mais adiante se consiga. Até hoje a comunicação, o jornalismo e a publicidade conseguiram construir ferramentas de avaliação em cima de informações. Mas as redes sociais têm outro ingrediente imprevisível, que é a emoção. As redes sociais transmitem informação com emoção. Dependendo do momento da rede, um conteúdo pode bombar ou não. As pessoas replicam dependendo de como estejam.

Estadão: Como fazer para mobilizar as pessoas então?
Branco: O que mais organiza a campanha da Dilma tem sido o Twitter porque todas as pessoas organizadores, apoiadoras, estão no Twitter. As pessoas estão seguindo o Twitter de mobilização – @dilmanaweb, por exemplo – o que organiza as atividades. E nós construímos a caravana digital, que são reuniões físicas. Viajei o Brasil todo nos últimos 50 dias, capital por capital, e nós estamos fazendo reuniões físicas com centenas de militantes em casa estado.

Nessas reuniões, discutimos as estratégias e as melhores formas de atuar nas redes sociais. Não é curso. Participam blogueiros, twitteiros. Em muitos casos, as pessoas nunca foram políticas, mas estão se envolvendo na campanha pela estratégia que estamos adotando. Reunimos 7 mil pessoas no total, 320 média por local. Queremos preparar e estimular esses militantes a fazer a cobertura multimídia.

Estadão: Como vocês chamam as pessoas para essas reuniões?
Branco: Tudo pelo Twitter. O Twitter é para convocação.

Estadão: Já há uma resposta objetiva nas pesquisas eleitorais?
Branco: A nossa estratégia é usar as redes sociais para construir opinião, argumentos e contra-argumentos para que esses argumentos não sejam usados não só dentro da internet, mas principalmente fora. A nossa visão da internet é como espaço de organização dos apoiadores para fazer o debate offline, para disputar os votos nas ruas, no trabalho, onde a eleição será decidida. Não tenho expectativa de que a gente irá virar milhares de votos de indecisos. Mas a rede irá fortalecer os contra-argumentos para a disputa offline.

Credito que a movimentação nas redes até agora tem ajudado a fortalecer o crescimento da Dilma nas pesquisas. Claro que há muitos outros elementos: o Lula, a postura da candidata que melhora no discurso a cada dia que passa. Mas acho que a internet tem ajudado a mobilizar as pessoas nas ruas.

Estadão: Nesta campanha, essa mobilização irá além do apoio nos avatares do Orkut e do Twitter?
Branco: Claro. No posicionamento de um produto, conta muito quem está bem colocado nos trending topics do Twitter, por exemplo. Quando vai comprar um produto, o cara vai ver se é o mais citado, o mais comentado. Só que uma campanha política é diferente. Nós queremos falar com pessoas verdadeiras. É ótimo saber quantas vezes estivemos nos trending topics, é bom para motivar a campanha.

Mas para mim é mais importante saber quantas pessoas nós estamos envolvendo na internet. Ninguém vai no blog do Serra ou da Dilma indeciso. As redes sociais estão servindo para organizar os apoiadores para as pessoas fazerem campanha fora da internet.

Estadão: Você pode não ir no blog do candidato se não for apoiador. Mas no Twitter você pode acompanhar coisas que seus amigos twittaram e, daí, decidir seu voto, não?
Branco: Claro que em alguns votos pode ocorrer isso. Acho que numa segunda eleição teremos uma melhor medida disso. Hoje, não consigo. Acredito que alguns votos mudem dentro da rede. Que as pessoas vejam que eu sou Marcelo, fiz Campus Party, e decidam seu voto a partir daquilo que eu falar no Twitter. Acho que isso acontece também. Mas é obvio que a maioria dos votos vai virar fora da rede.

Porém, acho que esses que esses votos viram serão muito influenciados pela capacidade de as pessoas se informarem na rede. Como hoje os apoiadores conseguem saber o que falar nas ruas, o que comentar com os indecisos? Não é por uma carta do partido, como era antigamente. Eles se informam pela internet, vão lá na comunidade da Dilma, acompanham as lideranças políticas no Twitter e vão para o mundo offline.

Estadão: Os candidatos irão debater entre si pelo Twitter?
Branco: Não acredito. Acho que não tem sido a estratégia do Serra, da Dilma e da Marina, por exemplo, a Dilma dar uma paulada na Marina, a Marina no Serra e o Serra na Dilma pelo Twitter. Ali é um espaço muito controlado pela assessoria de imprensa clássica. Ali tem todo o marketing que cuida do que se fala no Twitter. Diferentemente do que a gente fala normalmente, correndo riscos. Mas o risco que a gente corre é que vai dar a dinâmica dessas eleições.

Estadão: Quer dizer que há uma equipe que cuida do que o candidato twitta?
Branco: Claro. Mesmo o Serra, que está há mais tempo no Twitter, não faz o que fazia antes. Está todo mundo meio segurando a barra. Diferentemente dos twitters dos apoiadores. Se eu tiver lideranças numa rede social, como comunidade de software livre, dos favelados, etc., a mensagem só vai chegar neles se alguém que já pertence à rede acionar a palavra. Não adianta eu, Marcelo, querer falar com ele, Essa relação que temos com base aliada do PT, dos movimentos sociais organizados que já estão nas redes sociais, é o que nos dá vantagem na internet.

Estadão: Como você vê a possibilidade de blogs apócrifos, perfis apócrifos?
Branco: É normal, acho que já acontece. Mas acho que essas baixarias não dão resultado. Se o cara montar um blog para fazer baixaria contra adversários, quem vai ler esse cara? Como vou criar uma audiência para esse blog? Qual é a credibilidade? Temos dezenas de blogs atacando a Dilma. Optamos em não acionar juridicamente. Se formos acionar, fará o maior barulho e daremos audiência para esse cara.

Estadão: Você teve de ensinar a Dilma a usar o Twitter?
Branco: A Dilma não é uma pessoa totalmente fora da tecnologia. Ele sempre levou notebook no governo. Desde o ano passado, ela tem me falado que queria estar no Twitter, mas não tinha tido essa oportunidade. Há dois meses, estava em Brasília, ela me chama na casa dela às 18h e diz: “Marcelo, estou pronta, agora vou fazer o Twitter”.

Ela escolheu o nome, @dilmabr. Ela entrou no Twitter, fez cinco posts, eu anunciei no meu Twittar que ela estava lá. Em 30 minutos, ela tinha 1,7 mil seguidores. Uma hora depois, 3,2 mil. E não foi mandada uma nota de imprensa. Ela está pouco a pouco aprendendo. Tem ajuda da assessora de comunicação. Ela não usa até agora o dispositivo móvel, usa o notebook. Mas ela mesma faz os twitts dela. Ela me disse: “O que for meu, deixa comigo”.

Fonte: Estadão
 

Marina Silva promove 'twitaço' e ultrapassa cem mil seguidores no Twitter

A campanha da candidata pelo PV à Presidência, Marina Silva, promoveu nesta terça-feira (20/07) um “twitaço”, espécie de panelaço no Twitter. Trata-se de um movimento articulado por apoiadores da presidenciável para fortalecer a presença dela nas redes sociais. No mesmo dia, seu perfil no microblog ultrapassou os cem mil seguidores.

“O Twitter é um canal que integra a ideia de fazer a campanha com as pessoas e não para as pessoas”, escreveu Marina em seu perfil, ressaltando a importância da ferramenta.

A hashtag "#euvotomarina" chegou a ocupar a lista do Trending Topics nacional, ranking dos assuntos mais comentados do Twitter, assim como o termo “Marina Silva”. Em seu site oficial, o partido informou que a proposta da campanha é conhecer melhor os internautas que apoiam candidata e o motivo pelo qual cada um aposta no projeto da ex-senadora.
 

TVA quer fazer IPTV com rede da Telefônica no interior de São Paulo

Texto publicado em: Tela Viva News

A TVA aguarda ansiosamente a aprovação dos seus pedidos de licença para TV por assinatura em cerca de 25 cidades do interior de São Paulo. Os planos da companhia são de usar a infraestrutura de fibra da Telefônica para prestar o serviço de TV por assinatura e outros como banda larga e video on-demand.

Leila Loria, diretora executiva de relações institucionais e novos negócios da Telefônica, explica que a TVA vai alugar a rede da Telefônica, já que o grupo espanhol não tem o controle integral das operaçõs de cabo da TVA. A Telefônica tem o controle total das operações de DTH e do MMDS na cidade de São Paulo. Já nas operações de cabo, a Telefônica tem uma partição de apenas 19%; a posição majoritária ainda é do Grupo Abril, até que a legislação permita a entrada de grupos estrangeiros.

O acordo para o aluguel da rede não deixa de ser uma maneira que as companhias encontraram para se adiantar à aprovação do PLC 116/2010, antigo PL 29, que pretende derrubar o limite ao capital estrangeiro nas empresas de TV por assinatura, presente na Lei do Cabo. Helton Posseti.
 

Grupo de trabalho do novo marco das comunicações sai nos próximos dias

Texto publicado em: Tela Viva News

Por: Samuel Possebon

O presidente Lula deve publicar até o final desta semana o decreto criando o grupo de trabalho que desenvolverá um anteprojeto de marco regulatório para as comunicações. O trabalho, a ser coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, é parte do conjunto de ações pós-Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), e pretende deixar uma proposta de legislação a ser encaminhada pelo próximo governo ao Congresso. O escopo e a amplitude da nova legislação serão definidos pelo grupo de trabalho, mas algumas coisas são tidas como certas: a primeira é que o marco regulatório da radiodifusão e das telecomunicações está completamente defasado. Outra certeza é que a nova proposta trará, portanto, um marco regulatório convergente, que dê conta dos problemas enfrentados pelas empresas de radiodifusão, pelas empresas de telecomunicações e Internet e pela sociedade civil não-empresarial em função da convergência tecnológica e dos meios digitais.

Estes desafios, enumerados nos debates da Confecom, serão abordados de forma mais sistematizada no anteprojeto. Outra questão que deve voltar à tona é sobre a ampliação da atuação regulatória da Anatel, que poderia abarcar a radiodifusão, justamente por conta da convergência de serviços e do gerenciamento do espectro. Hoje, a radiodifusão é regulada pelo Ministério das Comunicações.

O governo avalia que o PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007), que está em tramitação no Senado e cria novas regras para o setor de TV por assinatura, é limitado a problemas pontuais, e não dá conta do conjunto de temas tratados na Confecom.

O grupo de trabalho deverá ainda produzir mais dois anteprojetos. Um deles visa disciplinar uma política para as TVs públicas de modo geral, já que a lei existente hoje vale apenas para a EBC. O outro anteprojeto é para regulamentar o artigo 221 da Constituição, que trata da produção regional e local. O grupo de trabalho avaliará se esse assunto deverá ser abordado dentro do marco legal das comunicações, se será aproveitado o projeto da ex-deputada Jandira Feghali que tramita desde 1991, já foi aprovado na Câmara e está engavetado no Senado, ou se será proposto algo novo.

Na avaliação do governo, questões específicas sobre políticas de massificação da banda larga já estão bem tratadas no PNBL e não precisarão ser tratadas nos anteprojetos de lei. Da mesma forma, questões de direito autoral já são objetos de projetos de lei elaborados, assim como o marco civil da Internet.
 

Band e Record entram na briga da PLC 116

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há até pouco tempo atrás, a guerra dos lobistas pelo mercado de TV paga no Brasil estava restrita aos bastidores do Congresso Nacional. Mas com a aprovação do PL 29 na Câmara dos Deputados, o tema vem ganhando destaque nos telejornais da Band e da Record e agora tenta envolver a opinião pública.

No dia 17 de junho, o Jornal da Record apresentou uma matéria favorável a iniciativa do Governo em abrir a oferta de operadoras de TV paga. O texto focava a possibilidade de queda nos preços das assinaturas dos pacotes. Atacava diretamente as duas principais operadoras de TV paga: a Net e a Sky. A reportagem afirma que as duas empresas são campeãs em reclamações no serviço de atendimento ao setor da Anatel e ainda chama a atenção para a cota de programas nacionais que as operadoras serão obrigadas a cumprir.

Veja a reportagem do Jornal da Record



Já o Jornal da Band entrou com tudo na briga. Apresentou duas reportagens nos dias 19 e 20 de julho. O principal ataque é na arrecadação de impostos. A reportagem afirma que os brasileiros serão lesados caso a medida seja colocada em prática. Afirma que o governo quer beneficiar as Teles e trás uma preocupação de que o setor fique sobrecarregado com muitas operadoras. Em nenhum momento, a reportagem da Band trata do assunto das cotas de produção nacional e nem sobre a possibilidade da redução no preço da mensalidade.

Veja reportagem do Jornal da Band



A Anatel publicou nota rebatendo as acusações do Jornal da Band. Informou que os consumidores e a sociedade serão beneficiados pela medida. Citou que a decisão deve ampliar a competição no mercado de TV por assinatura, gerar uma maior arrecadação de tributos, criar empregos, reduzir as desigualdades regionais, ampliar a infraestrutura de suporte à banda larga e incentivar a indústria de entretenimento.

Sobre o interesse das operadoras de telefonia, a nota de esclarecimento rebate: “Importante deixar claro que a decisão da Anatel não tratou da entrada de concessionárias de telefonia no mercado de TV a Cabo, tema que se mantém regido pela legislação e pelos contratos vigentes e que têm sido objeto de debate no Congresso Nacional, cabendo à Anatel regular o setor de telecomunicações nos estritos termos constitucionais e legais.” (Fonte IDG Now).

O interessante neste caso é tentar compreender a posição de cada uma das emissoras. A Record apóia o projeto, enquanto a Band e totalmente contra. Qual o interesse de cada uma delas nesta questão?

Alguém arrisca um palpite?

A Record talvez veja nesta ação uma oportunidade para entrar no negócio e minar a audiência da Globo, inclusive na TV aberta.

Já a Band, o texto abaixo publicado na Tela Viva News, pode dar a resposta:

Grupo Bandeirantes já se opôs a outras mudanças no setor de TV paga
Da Redação do Tela Viva News

O tom crítico do grupo Bandeirantes explicitado na reportagem sobre o processo de abertura do mercado de TV a cabo que está sendo conduzido pela Anatel não é inédito. O grupo já se manifestou, em outros momentos, de maneira contrária a mudanças que considerava ameaçadoras ao mercado de TV paga. Em 2001, a Band foi o grupo de comunicação que mais se opôs a uma proposta de alteração da Lei do Cabo que previa a abertura do setor ao capital estrangeiro. Era o PL 175/01, de autoria do senador Ney Suassuna. Depois das manifestações de oposição da Band, o projeto foi engavetado.

Outro momento em que o grupo confrontou a Anatel foi durante o processo de licitação iniciado no final de 1997. O grupo questionou judicialmente diversos itens no edital de TV a cabo, o que fez com que a licitação atrasasse quase um ano. Em função do atraso, boa parte dos consórcios saíram da disputa, devido ao agravamento das condições macroeconômicas. A Band acabou se tornando vencedora em algumas cidades como parte do consórcio TV Cidade, e até hoje a empresa controla operações de cabo em cidades importantes como Salvador, Niterói e Recife.
 

YouTube libera interface beta para TVs

terça-feira, 20 de julho de 2010

Por IDG News Service
Publicada em 08 de julho de 2010 às 13h17
Atualizada em 08 de julho de 2010 às 13h23

Novidade parece ser destinada a complementar a primeira geração dos aparelhos Google TV.

O YouTube divulgou, em versão beta, uma nova opção de interface para o usuário, apelidada de "Leanback".

Segundo especulações, a nova ferramenta será destinada a complementar a primeira geração dos aparelhos Google TV, já que consegue superar o chamado "problema dos 3 metros", no qual interfaces que são altamente eficazes em pequenas distâncias tornam-se inutilizáveis com um controle remoto quando o usuário está mais afastado.

Para combater isso, aplicativos como o Boxee e o Windows Media Center usam um menu simplificado para navegação, com ícones grandes e tipografia.

"Assim como o próprio nome indica, o Leanback foi feito para deixar você sentar, relaxar e se divertir. Assistir o YouTube se tornará tão fácil quanto assistir à TV", informou o Gerente Senior de Produto, Kuan Yong, em um post no blog do YouTube.
O projeto dá um passo além do que os outros media players projetavam. A nova interface utiliza o fluxo de vídeos gerado por usuários a partir de preferências e histórico de visualização, assim como conexões com amigos e integração com o Facebook, para criar uma lista personalizada de vídeos.


"Os vídeos, adaptados ao interesse do usuário, serão executados assim que o site for visitado. A imagem será exibida em fullscreen, em alta definição, e de forma contínua. Não há necessidade de clicar, pesquisar ou navegar, a menos que o usuário queira, é claro", declarou Yong.

A navegação usa, exclusivamente, o teclado. As setas da esquerda e da direita são usadas para saltar para a frente e para trás pelos vídeos disponíveis; pressionando para cima, o usuário pode pausar, retroceder e avançar um vídeo; pressionando para baixo, o site traz uma lista de categorias, permitindo assistir aos vídeos mais populares e aos mais bem classificados.

O recurso ainda está em beta, mas já pode ser acessado em: www.youtube.com/leanback.

Veja um vídeo de apresentação do recurso:

 

PNBL: diretrizes corretas e fragilidades

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Texto publicado em: Tele Síntese
Por: Lia Ribeiro Dias

O lançamento do Fórum Brasil Conectado mostra que o governo Lula está na direção correta no desenho do Plano Nacional de Banda Larga. Ao lançar o PNBL, apresentou diretrizes que contemplam não apenas a expansão da infraestrutura. Incluem a criação de um ambiente para que o acesso à banda larga represente efetivamente um salto em direção à cidadania, à qualificação das pequenas e médias empresas e à geração de inovação. Agora, com o Fórum, cria instância de discussão, com a participação de diferentes segmentos da sociedade, para definir um programa de ação nos diferentes segmentos cobertos pelo Plano: infraestrutura, política tributária e de incentivos, política industrial e política de conteúdos.

Os objetivos são claros: ter até o final de 2010, um Plano Nacional de Banda Larga consolidado, com metas objetivas e cronograma de implantação no médio, curto e longo prazos. É esse o legado que o governo Lula vai deixar para o seu sucessor. Trata-se de uma passo importante pois, com essas ações, a banda larga foi transformada em política de Estado e colocada entre as prioridades de governo. Quem quer que ganhe as eleições presidenciais não poderá ignorar esse projeto, mesmo que reveja metas e ações.

Paralelamente a esse esforço de planejamento e debate, que vai envolver 56 entidades, o governo pretende começar o piloto de interligar cem cidades com o backbone óptico que será gerido pela Telebrás. Em funções no atraso no anúncio do PNBL, até porque havia divergências dentro do governo em torno do papel da Telebrás, o piloto, se houver tempo hábil para sua conclusão, só começará a rodar no final do ano. Portanto, certamente não haverá, neste governo, tempo para sua avaliação. E o que ele vai revelar é se a venda de capacidade no atacado, a preços adequados (R$ 230,00 o link de 1 Mbps, Segundo anúncio de Rogério Santanna, presidente da Telebrás), poderá de fato estimular a competição na ponta, especialmente nas pequenas cidades, contribuindo para a massificação dos serviços a preços que o consumidor consiga pagar (R$ 35,00 por mês por 512 kbps, sem redução de impostos sobre o serviço).

Essa é a aposta dos formuladores do PNBL. E é aí, nas medidas propostas para a universalização do serviço, que analistas, inclusive profissionais que contribuiram na formulação do Plano, e operadoras veem sua maior fragilidade. Os alertas fazem sentido e devem ser examinados pela equipe gestora do PNBL. Embora os dados das operadoras possam ser olhados com suspeição pois têm interesses próprios a defender, elas contam, por outro lado, uma enorme experiência na implantação de rede de última milha, nas mais distintas condições apresentadas por esse país-continente.

A pergunta que tem de ser debatida e aprofundada no grupo de infraestrutura e na implementação do piloto das cem cidades é se basta a venda de links no varejo a preço inferiores aos praticados pelo mercado (basicamente Oi, Embratel, Intelig e, mais restritamente, Telefônica) para estimular a competição na ponta e a entrega de acesso por R$ 35,00. Mesmo considerando que a atuação da Telebrás na venda de capacidade no atacado é salutar para regular o mercado, será que essa ação será suficiente para garantir a universalização?

Muitos acham que não. O raciocínio dos que têm dúvidas reside no fato de os pequenos provedores terem dificuldades em praticar preços competitivos na ponta por falta de escala. Mesmo que comprem o link da Telebrás a preço mais barato, sua escala para a aquisição de equipamentos para a rede de última milha, basicamente conexão de rádio, é muito pequena. Assim vão ter dificuldade em oferecer acessos em grande escala a preços baixos. Aliás, representantes de provedores já afirmaram que o preço do link anunciado pela Telebrás não permitirá que vendam o serviço pelo preço mínimo pretendido pelo governo, com cobrança de impostos (o governo trabalha com o valor de R$ 15,00 com a desoneração de impostos). A equipe do governo entende que só bastará esse movimento para fazer as concessionárias locais, que têm malha de fios de cobre cobrindo todo o país, baixarem os preços. Alguns especialistas, que têm se dedicado a estudar as questões vinculadas com a universalização de serviços, acham que a oferta dos pequenos provedores nas pequenas cidades vai ser limitada por conta da sua
escala e dificuldades operacionais. E que esse mecanismo indutor não será suficiente para universalizar a banda larga.

O que fazer? Na opinião desses especialistas, o PNBL tem de contemplar medidas objetivas para a participação das concessionárias, autorizatárias e celulares, para conseguir cumprir o objetivo de massificar a banda larga, com meta de passar dos atuais 12 milhões de acessos fixos para 36 milhões até 2014, respeitando o patamar de preço definido. “Sem isso não haverá universalização”, pondera um consultor.

Essas medidas deveriam incluir a ampliação da desoneração fiscal a outros itens da cadeia produtiva da banda larga além dos modems, o uso dos recursos do Fust para ampliar a capacidade do backhaul, a isenção dos impostos federais que incidem sobre o serviço de banda larga (com isso, o governo federal terá maior poder de barganha com os estados para que eles também abram mão do ICMS) e a redução da taxa do Fistel, aplicada sobre todos os terminais móveis.

Um Plano das dimensões do PNBL, que prevê a instalação de 24 milhões de acessos fixos em quatro anos, elevando a penetração em residências dos atuais, tem que contemplar todos os players. Nem pode excluir os pequenos em benefício dos grandes, nem pode marginalizar os grandes sob o risco de não atingir as metas de universalização.

Embora não se trate de bem escasso, por razões que fogem à racionalidade, há oito anos a Anatel não concede licença de TV a cabo, embora existam mais de mil pedidos de outorga protocolados na agência. O congelamento das licenças acabou favorecendo as empresas que já atuam no mercado, especialmente a líder Net Serviços, embora também ela estivesse, até agora, confinada a 93 cidades – que, no entanto, são os maiores mercados. Mas beneficiou-se da regra vigente, especialmente depois que a tecnologia lhe permitiu também comercializar banda larga. Hoje, segundo dados da empresa, perto 70% dos seus assinantes de vídeo têm também o serviço banda larga e, dos que compram o acesso banda larga, 89% adquirem também o serviço de voz, de sua associada Embratel, de acordo com os dados do primeiro trimestre de 2010.

Numa decisão corajosa para os padrões conservadores da agência, o Conselho Diretor da Anatel retirou as restrições para a entrada de competidores no mercado de TV a cabo, que ocorrerá agora sem necessidade de processo licitatório. O que os conselheiros fizeram foi suspender, em caráter cautelar, o planejamento de implantação dos serviços de TV a Cabo aprovado pelo Ministério das Comunicações em 1997, antes, portanto, da criação da agência. Por esse planejamento, o número de licenças por cidade estava limitado entre duas e quatro. E em boa parte das cidades, mesmo de porte médio, nunca foram outorgadas licenças. São apenas 7,9 milhões de usuários de TV paga no país, 56% deles atendidos pela tecnologia do cabo; os restantes são atendidos por satélite e um número marginal por microondas.

A decisão da Anatel, de acordo com o noticiário, foi motivada pela identificação da existência de barreiras à entrada de empresas no mercado de TV por assinatura, decorrentes de restrições regulatórias que alcançam todo o mercado nacional, apontadas pela análise do conselheiro João Rezende. Esse planejamento restringe o número de outorgas que podem ser expedidas em cerca de 900 municípios e impede a prestação do serviço de TV a cabo nos demais municípios brasileiros.

Ou seja, ele foi suspenso com base na defesa da concorrência, a partir de um processo que tramita na agência desde o ano 2000, como relatou o Tele.Síntese Análise: “Duas operadoras de cabo de Blumenau migraram com a Net Sul, hoje Net Serviços, sem anuência prévia da Anatel. Foram multadas, o processo foi para o Cade, que aprovou a fusão com ressalvas, determinando que fosse reavaliado pela Anatel. O que aconteceu em 2006. O parecer técnico alertava para o risco de monopólio (as duas empresas respondiam por 93% do mercado), mas defendia a fusão alegando que a economia de escopo e escala mais beneficiava do que prejudicava os usuários.” O parecer do conselheiro Rezende critica duramente o parecer técnico. Na opinião do conselheiro, não cabe a agência avaliar determinados ganhos aos usuários se não pode demonstrá-los. Como se vê, o conselheiro enxergou o que outros que analisaram o processo não viram. E a competição no cabo atrasou-se mais quatro anos.

A medida, espera-se, vai dar vazão à enorme demanda existente na agência. Não se sabe se os pedidos vão se transformar em efetiva oferta de serviço, mas não faz nenhum sentido restringir esse mercado, a não ser no interesse de monopólios. A decisão da Anatel não significa que a competição vá se instalar plenamente no mercado de TV a cabo. Pelas regras atuais dos contratos de concessão das operadoras de telefonia fixa, elas não podem ter licença de cabo em suas áreas de concessão. E, pelas regras da Lei do Cabo, as operações de TV a cabo têm de ser controladas por capital nacional – a participação do capital estrangeiro é limitada a 49%. Para a eliminação dessas restrições, é preciso mudar a legislação, como propõe o PL 29, em tramitação da Câmara dos Deputados.

A decisão da Anatel indica uma mudança de postura da agência, na direção de proteger menos os interesses das corporações que atuam nesse mercado, e legislar mais com foco nos interesses da população. O serviço de TV por assinatura pode não ser um bem essencial, mas a população tem direito à sua oferta e a infraestrutura do cabo é iimportante para a massificação da banda larga no país. O fato de a Net ter, em 2009, passado a Telefônica em acessos instalados de banda larga é um indicador do enorme potencial dessa infraestrutura.
 

Globo amarga sua pior audiência da década

Da Redação do Vermelho, com informações de O Estado de S.Paulo
Texto: / Postado em 29/04/2010 ás 15:16

No mês em que completa 45 anos, a Globo teve presentes de aniversário nem tão agradáveis. O primeiro foi a repercussão polêmica do vídeo de comemoração do acontecimento – suspeito de fazer propaganda para José Serra. O outro, pior: a emissora teve neste mês de abril a média de audiência mais baixa da década.

No período avaliado, a Globo teve audiência média de 16,8 pontos por dia. A melhor marca da década veio em 2004, quando registrou 21,7 pontos – que serviriam de estímulo para alcançar os tão sonhados 22 pontos. Antes, a emissora vinha crescendo significativamente: em 2000, a média foi de 20 pontos; em 2002 subiu para 20,3 e, em 2003, para 21 pontos.

Porém, a descida começou mesmo a partir de 2007, quando a média diária da Globo ficou nos 18,7 pontos, passando para 17,4 em 2008 e 2009 – que a emissora ainda espera bater neste ano.

Queda geral

Apesar dos números, a queda de audiência não é privilégio da Globo. O hábito de consumo de mídia dos brasileiros tem se alterado com o fácil acesso a novas mídias e possibilidades de se alimentar de conteúdo farto em várias plataformas.

Pesquisa de dezembro de 2009 aponta que o número de TVs ligadas caiu 66% na média anual em 2000, no horário nobre, para 59% em 2009. Até 21 de novembro, a queda chegou a sete pontos (mais dois chegariam a audiência da Record).

O Ibope avaliou as possibilidades para o desinteresse pela TV aberta, que vão da programação, o crescimento da internet, o fácil acesso ao DVD e os dias quentes. A conclusão é que a TV não perde apenas para o botão de "off" dos aparelhos, já que o Instituto atribui a queda aos chamados outros canais, nos quais se incluem (DVDs, videocassete, videogame e PC).

O DVD é uma das mídias que mais rouba telespectadores da TV, especialmente da Globo e do SBT. Em 2001, o total de televisores sintonizados em "outros aparelhos"no horário nobre era de 0,6%. Neste ano, já chegou a 3,8%, maior do que a audiência da Band, quarta maior rede aberta. As TVs sintonizadas em "outros canais", em 2001, foi de 3%, mas neste ano já subiu para 5%.

Além de perder sete pontos com os aparelhos desligados, as redes abertas também perderam dois pontos para os "outros canais" e mais três para outros aparelhos.
 

A RedeTV está no caminho certo?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Infelizmente não. Assim como todas as outras emissoras no país, ela comete um erro administrativo, comum a empresas que não percebem que o negócio principal da empresa em questão está mudando, ou seja, é um erro de Missão.

A missão de uma empresa é a finalidade da sua existência. A missão liga-se diretamente aos seus objetivos institucionais e aos motivos pelos quais foi criada à medida que representa a sua razão ser. Qual é a missão de uma emissora de Televisão? Ou, qual é missão de qualquer veículo de comunicação baseado na venda de espaços para a publicidade? Entreter? Informar? Educar? Não! A missão de qualquer veículo de comunicação que se sustenta pela publicidade de massa é fazer a ligação entre anunciantes e consumidores. A programação, o conteúdo, é apenas a ponte que liga estes dois lados. O jornal do Brasil deixou sua versão impressa porque não consegui manter essa ponte, baixa venda de exemplares a ponte ruiu.

Mas, com as inovações tecnológicas outras pontes estão sendo erguidas entre os anunciantes e os consumidores, pontes mais baratas, mais eficientes, e em alguns casos, sendo criadas pelos próprios consumidores (redes sociais)

Amilcare Dallevo, um dos proprietários da RedeTV, emissora fundada com o espólio da antiga Rede Manchete, concedeu entrevista à revista Tela Viva, edição 205 de junho de 2010, onde expõe alguns planos futuros da emissora. São concernentes com o momento atual no que diz respeito aos investimentos em tecnologia de produção e transmissão (HD e 3D), mas falha exatamente em não externar (talvez de propósito) que o modelo de negócios da TV aberta esta mudando.

O modelo atual, que segue o modelo americano e veio se consolidando desde a implantação da TV no Brasil em 1950, se baseia na venda de espaço publicitário entre a programação. Quanto mais pessoas assistem a determinados programas, mais caros são os intervalos ou o patrocínio deste programa. E qual é a mudança? Qual o novo modelo de negócios? Venda de conteúdo. Não importa por qual plataforma ou mídia os programas produzidos pelas emissoras de TV serão disponibilizados, seja pelo ar, cabo ou rede. É preciso que se pague por eles. No modelo antigo, nenhum usuário irá pagar para assistir o Super Pop. Algum anunciante está pagando por isso. Mas como a audiência está cada vez mais fragmentada, os anunciantes estão sendo obrigados a diversificar a verba publicitária. Com menos anunciantes, o programa não pode ser financiado, ou pelo menos com o mesmo padrão de qualidade.
Mas como conteúdo o programa pode ser cobrado, mesmo que por uma quantia irrisória. Na entrevista Dallevo afirma que há vídeos que com mais de 20 mil acessos, hoje eles são gratuitos. Mas, tem de ser assim? Claro que não.

E as mudanças não se dão apenas nas emissoras de TV aberta. A TV paga está se adaptando mais rapidamente aos novos tempos. Empresas de TV a cabo nos EUA já perceberam que o VOD (vídeo-on-demand), TV everyhere (o usuário pode assistir a programação da emissora onde estiver por cabo ou pela rede) e a programação off-line (quem monta a grade de programação é o usuário e não a operadora) são apostas que vem atraindo os telespectadores. A interatividade, que aqui no Brasil ainda gera debates, nos EUA e principalmente na Europa é assunto superado. A IPTV (TV via protocolo de internet) é a opção do momento. A própria estrutura de Rede e afiliadas está seriamente comprometida.

O real desafio das emissoras de TV aberta no Brasil e pensar diferente. Todas vislumbram o futuro, mas todas querem manter o negócio antigo. A história já demonstrou que isto não funciona. Não adianta olhar o futuro com a cabeça no passado. Assistir televisão nunca mais será a mesma coisa.

Veja entrevista completa de Dallevo no site Tela Viva News
 

Hulu lidera na exibição de publicidade em vídeo nos EUA

Texto publicado em Tela Viva News

Uma pesquisa da Comscore Video Metrix no mercado dos Estados Unidos mostra que, embora o principal serviço de vídeo na Internet seja o YouTube, outros serviços estão muito à frente no volume de exibição de comerciais nos vídeos. O portal de conteúdos premium Hulu é o que lidera na exibição de publicidade em vídeo, com 566.162 exibições no mês de junho. Os sites da Google, somados, exibiram 200.011 vídeos de publicidade no mesmo mês.

No entanto, o alcance do portal de conteúdos premium foi significativamente menor. No mês de junho, o alcance dos comerciais exibidos no Hulu foi de 7,8% da população do país, sendo exibidos, em média, 24,2 vezes para cada espectador, aponta a pesquisa. Já o alcance dos comerciais exibidos nos sites Google foi de 15,4% da população estadunidense, sendo exibidos 4,3 vezes para cada espectador
 

Participe do 1º debate entre presidenciáveis da internet brasileira

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Redação Yahoo! Brasil

O primeiro debate on-line entre os candidatos à Presidência da República do Brasil será transmitido pelos portais iG, MSN, Terra e Yahoo!, que reúnem 94% dos internautas do país. Qualquer cidadão com acesso à internet poderá partipar, enviando perguntas e acompanhando a transmissão ao vivo. O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 será no dia 26, às 15h30.

Os candidatos melhor colocados nas últimas pesquisas de intenção de voto – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – foram convidados a participar do primeiro confronto de ideias entre presidenciáveis inteiramente realizado na internet brasileira.

Todo eleitor de qualquer lugar do Brasil poderá ajudar a fortalecer a democracia de nosso país. Para participar, o internauta envia perguntas pelos sites dos portais, pelo Meme do Yahoo!, usando palavra chave #debateonlinebr na hora de postar ou pelo Twitter do debate, no @debateonlinebr. Os organizadores selecionarão as questões destinadas aos presidenciáveis. Serão considerados temas de interesse público, que estimulem o exercício da cidadania. Acusações pessoais e manifestações de intolerância não serão aceitas.

O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 inaugura a série de debates da corrida presidencial deste ano e expande as fronteiras da internet para aproximar a população das decisões políticas. A transmissão será ao vivo, feita simultaneamente nos quatro portais, a partir das 15 horas, diretamente do Sheraton São Paulo WTC Hotel, em São Paulo.

Caso um dos candidatos convidados não compareça, o evento se dará entre os presentes. Apenas convidados credenciados terão acesso físico ao evento e, após o término, o debate ficará disponível nos portais e no site oficial da organização. Para saber mais, acesse o site www.debateonline2010.com.br.
 

Distribuidora de homevídeos LogOn desenvolve plataforma de vídeos online

Texto publicado em: Tela Viva News

A distribuição de conteúdos digitais começa a dar os primeiros passos no Brasil e deve ganhar uma nova proposta de modelo, a partir do ano que vem. Uma iniciativa da Log On (umas das maiores distribuidoras de homevideos brasileiras) e da ATV, de Nestor Amazonas, pretende levar a computadores e dispositivos conectados uma plataforma nova de distribuição e interação com conteúdos online. A plataforma, chamada DX, será anunciada ao público durante a ABTA 2010 (www.abta2010.com.br) e consiste, em essência, em um browser de vídeo associado a uma sofisticada interface de usuário e plataforma de distribuição.

A proposta da DX é fazer a distribuição de conteúdos sob demanda, mas sem o formato de "álbum de figurinhas", nas palavras de Eduardo Mace, diretor geral da Log On. Ele se refere aos formatos mais conhecidos de distribuição de vídeo online, como NetFlix e AppleTV, em que são apresentadas ao usuário imagens dos filmes e programas e ele escolhe dentro desse menu, faz o download e assiste. "O que queremos é misturar a experiência de consumo de vídeo online com a experiência da televisão", diz Mace. Na prática, o que o DX faz é dar ao usuário a possibilidade de escolher, de forma não-linear e sob demanda o conteúdo que quiser dentro de um catálogo, mas se não souber ou quiser escolher, existe um fluxo contínuo de programas que são exibidos, como se fosse um canal personalizado de TV. A definição dos conteúdos que são incluídos nesse fluxo contínuo de conteúdos e que são sugeridos ao usuário passa por um algoritmo de gerenciamento de preferências desenvolvido pela própria DX e que leva em conta características de cada usuário individualmente.

A plataforma para PC funciona em cima do Silverlight, da Microsoft, e sistemas desenvolvidos pela própria DX. Para a exibição do vídeo com qualidade, é necessário um fluxo garantido de 800 kbps, o que os desenvolvedores da plataforma acreditam ser possível com uma conexão de 2 Mbps, considerando que a maior parte do conteúdo rodará dentro da rede dos próprios parceiros.

Vários modelos

Esse é o segundo aspecto importante da DX: ela não pretende ser um player isolado do mercado de conteúdos online, mas sim uma provedora da plataforma para operadores de TV a cabo e portais de Internet. A ideia é que se cobre, pelos conteúdos, uma assinatura mensal com direito a consumo ilimitado. Já há parcerias de conteúdos com a Warner, BBC, NBC Universal, National Geographic, AETN, CBS, Fremantle Media, Lionsgate entre outras. Todo o conteúdo é distribuído por IP, protegido por DRM e só é possível acessá-lo pelo browser DX. As janelas de conteúdo a que a DX terá direito são as do video-on-demand e do home video na maior parte dos casos.

Outra grande aposta da DX são os dispositivos conectados, como televisores, set-tops de TV paga e aparelhos de DVD e Blu-Ray. Segundo Eduardo Mace, da LoOn, já há contratos com a Samsung e LG e a partir do começo do ano que vem o browser DX deve começar a ser embarcado nos dispositivos com conectividade à Internet dessas duas marcas. Nesse caso, a DX espera ter parcerias com provedores de conteúdos e parceiros locais que possam dar suporte para os clientes em cada cidade, e também conteúdos locais. Caso contrário, será a única situação em que a DX administrará diretamente os assinantes.

Outro modelo de distribuição que está sendo planejado é incluir a plataforma DX em HDs externos que contenham acervos específicos, como a coletânea de filmes de determinado diretor ou todos os episódios de uma série. O modelo que está sendo desenvolvido prevê que esses HDs, depois de ligados ao computador, possam ser operados por controle remoto. Vale destacar que a plataforma DX não servirá para rodar conteúdos de mídia que o usuário já tenha, ou seja, não é um player de vídeo convencional. "Optamos por isso porque o conceito por trás do DX é não apenas exibir o conteúdo digital, mas organizá-lo e apresentá-lo para o consumidor de uma maneira única, para que ele tenha a sensação de estar assistindo à TV, e isso seria impossível de ser feito se incluíssemos os conteúdos que o usuário já tem. Além disso, temos que proteger o conteúdo dos parceiros", diz Mace.

No entanto, a DX também promete converter conteúdos de Internet para a mesma interface de navegação de vídeo, além de se integrar com redes sociais. Segundo os idealizadores da plataforma, a ideia é começar com o usuário das classes A e B, mas rapidamente avançar para camadas de baixa renda, o que será possível com a massificação da banda larga. "Hoje, muitos usuários de banda larga não têm opções de conteúdo e o modelo de TV por assinatura não serve a eles, seja pelo preço, seja pelo empacotamento", diz Nestor Amazonas, ex-executivo da Abril e da TVA.

Patentes requeridas

A aposta da LogOn nos diferenciais de sua plataforma é tão grande que a empresa está em processo de registro de patente, nos EUA, de três aspectos centrais da plataforma DX: o browser e a interface de usuário; o sistema de recomendação e; sistema de conversão de conteúdos online para a interface de vídeo.

Por: Samuel Possebon.
 

O Band Mania irá se tornar uma mania?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Depois de mais de 70, em um árduo processo de consolidação como maior veículo de comunicação, a Televisão nunca passou por tantas transformações em tão pouco espaço d tempo. Na verdade, do ponto de vista do consumidor, desde o lançamento da TV em 1930, na Feira Mundial em Chicago, as transformações foram: de preto e branco para em cores. Certamente houve inúmeras transformações técnicas, mas para consumidor final estes eram os aspectos mais fáceis de ser reconhecido.

Mas, desde o início do ano 2000, as transformações e inovações tecnológicas são tantas que até mesma a supremacia da TV como maior veículo de comunicação vem sendo desafiado (bem modestamente é verdade, mas anteriormente esta questão não era nem cogitada). No bojo destas transformações estão dois aspectos diretamente ligados ao consumidor: a personalização da programação de TV e o conteúdo gratuito.
O primeiro é o verdadeiro paradoxo: como uma TV aberta poderá ser segmentada? Como uma mídia que nasceu para, e é financiada, pela audiência de massa poderá sobreviver ao gosto individual de cada telespectador? Não pode. A não ser que todo seu modelo de negócios seja alterado, o que pode acarretar na total descaracterização da TV como um veículo generalista.

Esta se tornando evidente que, devido às inovações tecnológicas no campo audiovisual e de teledifusão, a programação das emissoras de TV aberta será afetada profundamente. Isto já vem ocorrendo em outros países onde a base de assinantes de TV a cabo e de internet de alta velocidade é significativa. Além de todos os desafios que as emissoras de TV vêm enfrentando, entender como os programas de massa serão consumidos pela audiência que não migrou para a Web ou não possui TV a cabo, pode significar a vida ou morte de algumas emissoras.

Um caminho lógico a ser percorrido é tratar de assuntos que ainda mobilize a massa. No Brasil, um desses assuntos é o futebol. Não por acaso, programas que renderam bons índices de audiência durante a Copa da África foram o Central da Copa (TV Globo) e o Band Mania (TV Bandeirantes). Cada um com características próprias, mas como mesmo formato: apresentar os fatos importantes da Copa do Mundo de futebol, analisados por convidados especiais. Ao que parece, o Band Mania levou a melhor. O programa comandado por Milton Neves (foto) e com a participação de ex-jogadores de futebol, começou despretensioso e com prazo de validade até o final da competição. Mas a recepção pelos telespectadores foi tão boa que o programa poderá ser fixado na grade de programação da emissora às segundas-feiras, agora voltado ao Brasileirão. A produção do programa é simples, com ênfase no humor, se parece com uma roda de amigos discutindo futebol em um barzinho ou varande de casa. Com o Central da Copa aconteceu o mesmo. Revelado para todo o Brasil, Tiago Leifert (o apresentador era conhecido apenas pelo estado de São Paulo onde apresenta o Globo Esporte), ganhou recente campanha na Web para que também se torne um programa fixo: o Central do Brasileirão.

Lorenzo Vichez, pesquisador espanhol, afirma em seu livro “A migração digital”, que uma das saídas para as emissoras de televisão e deslocar grande parte de sua programação para serviços e não entretenimento. Negroponte previu em 1995, que boa parte da programação das emissoras deixará de ser ao vivo. Então está será uma tendência daqui para frente? Programas de baixo custo de produção, voltado para a informação, mas com muito entretenimento, deixando para a programação segmentada produtos mais elaborados?
Este é um caminho perigoso, a TV brasileira já demonstrou que quando quer garantir audiência popular comete erros. Foi assim com o Sushi Erótico no Faustão, armação do falso PCC no programa do Gugu, o porrete do Ratinho, sem falar nas apelações com conotações sexuais.

Mas, uma coisa é certa. A programação das emissoras de TV aberta no Brasil não sairá incólume ao desenvolvimento tecnológico que está invadindo o cotidiano dos telespectadores. As mudanças não são apenas de ordem técnica. Um novo jogo está sendo colocado diante de todos, inclusive do telespectador, que anteriormente tinha apenas o trabalho de ligar ou desligar o aparelho de TV. Quem melhor se adaptar é quem irá sobreviver.

Em tempo: TV Record leva ao palco menina com problemas genéticos. Veja aqui.
 

Nova lei da TV paga forçará radiodifusores a se desfazerem de outorgas de cabo

Texto publicado em: Tela Viva News

Um dos elementos centrais que existem no PLC 116/2010 (antigo PL 29/2007), que cria novas regras para a TV paga, é um dispositivo que prevê que empresas de radiodifusão e produtoras de conteúdo não controlem outorgas de TV paga e, de maneira análoga, empresas de telecomunicações não poderão controlar a produção de conteúdos. Mas há um problema grande no horizonte. Hoje, muitos grupos de comunicação, incluindo radiodifusores, são operadores de TV por assinatura. O exemplo mais flagrante é o da própria Globo, controladora da Net e uma das grandes defensoras da separação de mercados entre produtores de conteúdo e empresas de telecomunicações. Nesse caso, já se sabe que quando a legislação permitir, a Embratel imediatamente assume o controle da operadora.

Mas existem outras situações mais específicas: hoje, entre os controladores da operadora de TV a cabo TV Cidade estão Bandeirantes e SBT, o que colocaria essa composição societária em desacordo com o novo projeto da TV paga. Há ainda outros grupos de radiodifusão que controlam operações de TV paga, como a TV Bahia (controladora da operadora de MMDS Bahiasat), ORM (controladora de operações de cabo no Pará), TV Jangadeiro (controladora de operadoras de cabo e MMDS no Ceará), grupo SCC de Santa Catarina, que também é afiliada do SBT, e TV Alphaville, entre outros. Ou seja, esses operadores terão ou que se desfazer de suas concessões de cabo e autorizações de MMDS ou o PLC 116/2010 terá que trazer alguma exceção. Na redação atual, esses grupos estarão em desacordo com a lei. Samuel Possebon.
 

Positivo lança e-reader nacional

De olho no sucesso do Kindle, a Positivo também decidiu entrar no mercado de e-readers com uma solução nacional. Chamado de Alfa, o produto traz tela sensível ao toque de 6”, 2GB de armazenamento interno, 8,9mm de espessura e 240g de peso.

Extremamente portátil (cabe até no bolso da calça), o Alfa pode armazenar 1.500 livros. A primeira versão, cujo desenvolvimento foi feito em conjunto com um parceiro de Taiwan e será importada da China, não oferece conexão para internet. Mas uma versão com Wi-Fi integrado deve chegar até o final do ano.

A venda será feita em livrarias e lojas on-line (ainda em negociação) a partir de agosto. Escolas particulares também vão receber o equipamento para testes. O Alfa deve dar origem a uma família de produtos, que poderá incluir até mesmo um tablet.

Fonte: Info, Isto É Dinheiro
 

Jornal do Brasil deixa a versão impressa

terça-feira, 13 de julho de 2010

Texto publicado em: FNDC

13/07/2010 |
Ricardo Noblat
O Globo

Tanure diz que ‘decisão de acabar com o papel está sendo tomada esta semana’

O "Jornal do Brasil", um dos mais antigos do país — que teve a sua primeira edição impressa em 1891 —, vai deixar de circular.

A data para o fim da versão em papel será decidida entre amanhã e quinta-feira, disse ontem o empresário Nelson Tanure, dono da marca.

Com dívidas estimadas em R$ 100 milhões e vendo a circulação despencar, Tanure tentou encontrar um comprador para o jornal. Sem sucesso na sua empreitada, decidiu manter o jornal só na internet.

— A decisão de acabar com o papel está sendo tomada esta semana. Teremos uma decisão na quarta-feira ou na quinta-feira. Provavelmente, seremos o primeiro jornal a estar apenas na internet. É algo que está acontecendo no mundo todo — disse Nelson Tanure.

Ontem, Tanure confirmou a saída de Pedro Grossi, que ocupava a presidência do "JB" há apenas quatro meses: — Eu demiti o Pedro Grossi porque ele era a favor de continuar no papel — disse.

Em carta a editores e diretores do "JB", e reproduzida no site "Janela Publicitária", Grossi diz que "Em almoço realizado hoje (ontem), na presença do Dr. Ronaldo Carvalho e da Dra. Angela Moreira, o Dr. Nelson Tanure informou que publicará na edição de amanhã (hoje) do Jornal do Brasil (JB) uma notificação assinada pela direção da empresa e dirigida aos leitores na qual explica a transposição do jornal escrito para o tecnológico.Considerando que isto contraria a razão pela qual fui contratado, solicito, sem perda de meus direitos, que o expediente do jornal e de todas as revistas não conste mais meu nome".

Procurado pelo GLOBO, Grossi, no entanto, diz que só deixará o cargo de diretor-presidente do "JB" assim que a empresa anunciar o fim da publicação impressa.

— Enquanto tiver jornal impresso, eu continuo presidente. Quando for comunicada a transposição do papel para a internet, eu estou fora. Não fui contratado para isso — afirmou Grossi.

Segundo a sua assessoria de imprensa, o "Jornal do Brasil" conta com 180 funcionários, sendo 60 jornalistas, que trabalham na redação. O "JB" tem hoje tiragem de 17 mil exemplares nos dias de semana e de 22 mil aos domingos.

Na redação do jornal, o clima é de tristeza e nervosismo. Ontem, dois funcionários passaram mal e voltaram para casa.

Até agora só foram depositados R$ 800 na conta dos empregados referentes ao mês trabalhado em junho. Ainda não houve comunicado formal sobre o destino do jornal.

O diário é editado na Casa Brasil e em seu prédio anexo, no Rio Comprido. Segundo funcionários, a Casa Brasil, onde ficavam os executivos da empresa, será devolvida.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Suzana Blass, disse que pedirá audiência com Tanure para discutir o futuro dos empregados: — Queremos garantir uma empregabilidade mínima e o pagamentos da rescisão.

Diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, lamentou o fim da versão impressa do "JB", mas fez questão de frisar que este é um caso isolado e que aposta no crescimento da circulação dos jornais no país este ano:

— É lamentável que o JB termine. Foi um processo de equívocos empresariais que resultaram em decadência editorial.

Em 2009, a circulação diária de jornais pagos no país foi de 8,193 milhões, recuo de 3,46% em relação a 2008, quando a circulação crescera 5%. Os números incluem a tiragem do "JB", apesar de o jornal ter deixado a associação em 2004.

A ANJ não fornece dados específicos sobre qualquer jornal.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), no primeiro quadrimestre deste ano, o setor já registrou um crescimento de 1,5%. Desde setembro de 2008, o "JB" não era mais auditado pelo IVC.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, também lamenta o processo de decadência do jornal.

— É uma notícia triste e mostra o momento nocivo por que passa o mercado jornalístico — diz ele.

Azêdo lembra que o "JB" era um paradigma para coberturas importantes e recorda edições memoráveis, como a de 13 de dezembro de 1968, data do Ato Institucional Número 5 (AI-5), que acabou com garantias constitucionais e deu ao presidente da República poder de fechar o Congresso.

Naquele dia, o "JB" publicou a previsão do tempo na primeira página, dizendo que as condições climáticas eram adversas.

Nelson Tanure arrendou o "JB" em 2001. Entre 2002 e 2003, o empresário teve os direitos de publicação da revista americana especializada em economia "Forbes" no Brasil. Em 2003, arrendou o diário econômico "Gazeta Mercantil".

Em grave crise e com dívida trabalhista superior a R$ 200 milhões, Tanure rescindiu o contrato de licenciamento do uso da marca e devolveu o jornal a seu antigo dono Luiz Fernando Levy.

Em junho de 2009, a "Gazeta" deixou de circular.
 

Copa de 2014 terá transmissão em 4K e 3D

Texto publicado em: Planet Tech

Por Alex dos Santos

Pelo menos é o que propõe o Projeto 2014K, organizado pelo CPqD, Mackenzie e com o apoio do FINEP, que pretende investir em torno de R$ 3 bilhões na transmissão dos jogos da Copa de 2014 no Brasil com resolução ultra-definição em 3D para todo o planeta.
Segundo as instituições envolvidas, a idéia é captar as imagens em 4K (4096x2160p) e terceira dimensão, enviando esses sinais por meio de redes fotônicas a cinemas digitais devidamente preparados no País e no exterior. Além disso, as imagens ao vivo poderão ser projetadas em locais públicos, como praças e teatros, desde que previamente preparados.

Recentemente, o mesmo grupo de estudo realizou testes com a uma câmera de aproximadamente 150kg e 8 milhões de pixels na final do Campeonato Gaúcho (Gre-Nal) e na Casa Brasil, em Joanesburgo. Quem sabe, é a vez do Brasil mostrar ao mundo que além de bom futebol tem também inovações tecnológicas.
Para saber mais, clique aqui.

A propósito, o YouTube acaba de liberar o upload de vídeos em 4k (veja a playlist com vários vídeos e escolha a resolução “original”), porém, com a falta de produtos desse tipo e a conexão que temos hoje acho difícil o 4K emplacar tão cedo.
 

TV Digital: padrão brasileiro chega a 11 países

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Texto publicado em: Planet Tech

Por Ricardo Marques

Ontem foi a vez da Bolívia confirmar a adoção do padrão nipo-brasileiro de TV Digital, internacionalmente chamado de ISDB-Tb, mas que por aqui atende pelo simpático nome de SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital). A notícia foi confirmada pela agência boliviana de informação e você pode ler clicando aqui. Com isso, a Bolívia passa a ser o décimo primeiro país a escolher o padrão nipo-brasileiro, que também já foi definido como padrão digital por Filipinas, Peru, Argentina, Chile, Venezuela, Equador, Costa Rica, Paraguai e o Japão, que o desenvolveu.

Ainda na América do Sul, o Uruguai que havia optado pelo padrão europeu DVB, sinaliza em rever essa escolha já que ele, ao lado da Colômbia, Guianas e Suriname, são os únicos países as América do Sul que optaram por um padrão diferente do brasileiro.

Já na África, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Angola sinalizam escolher o ISDB-Tb.
 

A internet muda os paradigmas da relação entre comunicação e poder. Entrevista com Manuel Castells

Texto publicado em: Instituto Humanitas Unisinos

O catedrático, que vive viajando entre a Espanha, os EUA e a França, analisa, em seu último livro, como a Internet tem mudado os paradigmas da relação entre comunicação e poder. O novo livro de Manuel Castells intitula-se Comunicación y poder (Alianza Editorial) e tem mais de 600 páginas. Sobre seu conteúdo, sobretudo de Internet, falamos com ele.

A entrevista é de Juan Cruz e está publicada no jornal El País, 17-11-2009. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Quero perguntar-te sobre a solidão. Lendo o teu livro, há momentos em que pensei nisso. De saída, há um novo instrumento que se parece com o rádio em sua ubiquidade. O rádio foi o grande elemento que atenuou a solidão das pessoas. A internet veio para curá-la?


A resposta é diretamente sim. Não a elimina. Se alguém se encontra sozinho, se encontrará menos sozinho com a internet, mas se encontrará sozinho. Aí temos dados duros, são das coisas que sabemos. Temos dados duros do meu próprio estudo sistemático sobre a Catalunha há 5, 4, 3 anos, com análises de amostras representativas da população – 3.000 pessoas – em que isso está claro.

Analisamos os que tinham internet e os que não a tinham. Claramente, o uso da internet favorece a sociabilidade, diminui o sentimento de alienação e o que poderíamos chamar de sentimento de estar isolado. Por um lado, são pessoas mais sociáveis, mas, além disso, o sentimento de isolamento também diminui com o maior uso da internet.

A internet, ao contrário do que sempre se disse nos meios de comunicação, não é um instrumento que deixa as pessoas sozinhas com o seu computador, mas que, ao contrário, é cumulativo. Quanto mais sociável alguém é, mais utiliza a internet; quanto mais utiliza a internet, mais desenvolve a sociabilidade e tem menos sentimento de isolamento. Isso se reflete neste estudo. Todos os estudos realizados, em particular o World’s internet service, que foi feito com painéis a cada três anos nos últimos 10 anos, mostra a mesma realidade. Tudo vai na mesma direção. A internet é um instrumento para combater a solidão. Não para aumentá-la.

E o abuso não cria nas pessoas a ideia de que a vida está ali e não na rua? Não nos prende à cadeira da internet?


Os dados mostram justamente que quanto mais sociável, mais internet; quanto mais internet, mais sociável. Mais sociável quer dizer que as pessoas que utilizam a internet têm mais amigos, saem mais frequentemente, participam mais politicamente, têm maiores interesses e atividades culturais... Está comprovado inclusive por níveis sociais. Portanto, não. Empiricamente, a resposta é claramente não. A internet expande o mundo.

Aí surge outra pergunta: o que acontece quando passas toda a vida na internet, fechado na tua casa? Acontece a mesma coisa que quando jogas um videogame ou lês um livro na tua casa 15 horas seguidas por dia. Se há gente assim, a internet não vai solucionar o seu problema. É um instrumento que amplia o mundo em vez de encolhê-lo, empiricamente.

O que a internet te proporcionou?

Fundamentalmente, a capacidade de pesquisar da maneira que nunca pude fazer. A capacidade de estar informado ou de poder estar informado simultaneamente em que as coisas acontecem no mundo, do que aconteceu no mundo ou do que aconteceu há cinco mil anos. Na internet temos a capacidade de acessar todas as informações e todas as expressões culturais produzidas no planeta desde que o mundo é mundo.

Para um pesquisador, a internet é preciosa porque em grande medida não necessitas de biblioteca. Para os pesquisadores em ciências sociais, mas também para os pesquisadores de outras áreas, o fundamental é poder acessar as pesquisas mais recentes. Acabei as pesquisas sobre o meu livro há um ano e o imprimiram rapidamente, mas mesmo assim demorou. Um pesquisador necessita estar a par do que acontece em cada momento, tanto nas ciências sociais como em qualquer outro tipo de ciência porque as mudanças científicas são tão rápidas que podes estar repetindo coisas sem sabê-lo. Agora, com a internet, se sabes onde buscar – o que é a grande condição – e o que buscar, podes estar sempre atualizado.

Segunda coisa. Me permitiu estar em comunicação ininterrupta – já falando pessoalmente e de mim – com qualquer pessoa com quem quero estar em comunicação, cada minuto, cada dia. Minha filha vive em Genebra, a filha da minha mulher na Sibéria, dois netos em Genebra, outra neta em Los Angeles, minha mulher e eu viajamos muito. Sempre estamos em contato. A família está absolutamente em contato. Minha irmã mora nos arredores de Barcelona, esteja onde estiver, sempre estamos em contato. Com a minha filha falamos diariamente. Não apenas por e-mail, mas pelo Skype, gratuitamente.

De que qualidade é essa comunicação que estamos construindo?

É uma comunicação muito mais intensa porque podemos falar muito mais intensamente, o que não exclui que se a minha filha vivesse na minha cidade ou ao lado, eu a veria pessoalmente, claro. Também o faria pela internet. A comunicação de banda mais larga é, obviamente, a interpessoal, cara a cara, porque há outros níveis de comunicação que não simplesmente as palavras: a estrutura gestual, o olhar... Mas não se trata de opor uma à outra, mas de somá-las e, sobretudo, de, lá onde não podemos chegar com a nossa presença física, poder chegar sempre com um outro tipo de comunicação. E, sobretudo, a que é possível para a imensa maioria da humanidade neste momento.

Te diziam que deveríamos aprender dos norte-americanos porque estão muito mais avançados na utilização desta ferramenta, que nasce por ali. O que temos que aprender? O que nos falta? Imagino que esta ferramenta, sem uma educação secundária suficiente e sem uma educação mais profunda, seja uma ferramenta que podemos inutilizar, ou não saber utilizar.

Primeiro, não creio que tenhamos que aprender dos americanos. Creio que o mundo tem que aprender uns dos outros porque as taxas de difusão da internet no norte da Europa são mais altas que nos Estados Unidos. Mesmo que na internet – a velha tecnologia que começa a ser empregada em 1969 nos Estados Unidos, mas que depois, a partir de 1990, se difundiu por todo o mundo –, neste momento, o maior pacote de internautas – mais de 300 milhões – seja de chineses. A língua da internet não é o inglês; apenas 28% dos websites feitos na internet são em inglês. Ou seja, é um fenômeno absolutamente universal.

Portanto, não temos que aprender internet. Vivemos com a internet, não na internet. A utilizamos para trabalhar, para nos relacionarmos entre nós, para ler os jornais... Pessoalmente, não conheço ninguém que leia mais o jornal impresso do que o digital, o que coloca alguns problemas à imprensa escrita. A internet não serve para ver os jogos do Barça quando são transmitidos para o outro lado do mundo...

A banda larga ainda não dá a qualidade das jogadas...

Ah, não! Mas também não tens isso em campo ou vendo o jogo pela televisão, mas está chegando. O que quero dizer é que a internet é nosso contexto de comunicação, é o que temos, é o que vivemos, não é uma coisa estranha, é como pensar como vivemos com eletricidade. Nem pensamos nisso. Para os jovens de 20 anos, para não falar das crianças de cinco anos, o mundo é a internet. Não se concebe outro mundo que o da internet.

A questão da pouca familiaridade com a internet se resolve quando a minha geração desaparecer. Essa é a brecha digital, gente da minha idade ou inclusive um pouco mais jovem. Quando por lei biológica desaparecermos de cena ninguém se colocará os problemas que nos colocamos agora sobre se a internet é de um jeito ou de outro. É o que respiramos, é o que fazemos. Já demos o salto e ninguém mais pode se colocar a questão de se fazemos ou não internet.

O tema que colocavas, o que é central, o que acontece na inadequação entre o nível de educação, cultural ou geral? Há duas questões. Uma, utilização que não é necessariamente para questões de buscar informação e combiná-la para obter conhecimento e aplicá-lo. O que dizem as pessoas: cursos para aprendizagem da internet. O quê? Colocar o dedo aqui... Isso se aprende em meia hora.

O problema é, uma vez que sabes, o que fazes na internet? Para comunicar-se não há nenhum problema, para ninguém, qualquer que seja o seu nível cultural. Fica encantado em comunicar-se. Nas periferias operárias de Madri ou Barcelona desenvolveram, para tirar o medo que as pessoas idosas têm da internet, programas em que as crianças ensinam aos seus avós a como usar o correio eletrônico e assim podem estar conectados.

A comunicação entre as pessoas, essa já é uma realidade. Para a utilização da internet como meio de informação e comunicação tampouco faz falta algum tipo de treinamento. Pois bem, o grande problema que se coloca na sociedade é que como é uma ferramenta tão potente de acesso à informação, a qualquer tipo de informação, saber o que se busca, onde, como se busca, para quê se busca e o que fazer com isto em nossa vida requer um nível cultural. Aí entra a educação. A divisão mais fundamental na história da humanidade, muito mais que as classes, mesmo que de modo geral haja uma correlação, é a divisão entre quem sabe e quem não sabe, quem sabe e quem não sabe ler, quem entende o mundo e quem não o entende. Níveis culturais educativos. Essa é uma divisão fundamental.

Aí sim é certo que, tanto na população em geral como entre os jovens, quanto mais educado estás mais sabes o que a internet pode oferecer para a tua vida e mais a podes utilizar, desfrutar e mais te ajuda a se desenvolver. O tema está muito claro. Em termos de políticas, a educação é central. Em uma sociedade com internet é muito mais importante do que nunca na história o desenvolvimento de uma prioridade absoluta para a política educativa. Não apenas para integrar a internet na educação, ao contrário, para que as pessoas sejam suficientemente educadas para poderem utilizar as extraordinárias possibilidades abertas pela internet.


Como o poder está utilizando a internet? Para que lhe serve? Como mudou a relação do poder com a sociedade graças à internet?

Se estamos falando do Estado, que é apenas uma das formas de poder, os Estados têm medo da internet, diretamente, porque perderam o controle da comunicação e da informação sobre as quais se baseou o poder ao longo da história. Mas há um problema. Por outro lado, a internet é extremamente útil para a economia, bem utilizada para a educação, para os serviços públicos, para a informação. Mas, por outro lado, não podes ter um pouquinho de internet, tens que ter internet na plenitude de sua capacidade autônoma de comunicação.

Não se pode interferir na internet. Pode-se fechar um servidor. Abre-se outro servidor. Caso contrário, que se pergunte aos iranianos que tentaram fechar o país a sete chaves durante uma semana e não o conseguiram porque sempre há formas de chegar a um servidor que não está no território desse país. Ou quando a Espanha tornou a vida impossível ao “Acrópolis”, um dos sítios da internet em espanhol. O “Acrópolis” simplesmente mudou o servidor para Nova Jersey.

Atualmente, o Estado tem um grande problema com a internet porque perdeu a capacidade de informação e comunicação. O que fazem então? Vigia-se a internet, entra-se na privacidade das pessoas, mas isto sempre ocorreu, não é novo. Claro que não há privacidade na internet e os governos sem querer podem entrar em todos os nossos correios eletrônicos, em tudo o que fazemos porque sempre fica um registro digital. Teoricamente, países democráticos como a Espanha necessitam de uma ordem judicial, mas na prática cada vez que um governo quer fazer algo usa os recursos legais disponíveis. Caso não conseguir, recorrem aos ilegais. Todos os governos em todo o mundo.

O que acontece então? Nos vigiam. Sempre foi assim. A novidade é que nós podemos vigiá-los também. A novidade é que qualquer ministro, personalidade, banqueiro ou qualquer pessoa que esteja fazendo algo que não gostaria que se tornasse público, qualquer pessoa que ande com um celular pela rua pode filmá-lo e exibi-lo no Youtube em cinco minutos e isso estará nos telejornais da noite imediatamente. Foi isso que aconteceu repetidas vezes nos últimos anos. Invadem a nossa privacidade, sim, mas também podemos invadir a privacidade dos poderosos, temos armas relativamente iguais.

O outro problema é que se exagera na capacidade de controle da internet. Tecnicamente, materialmente, como se faz? Nós estudamos a China neste aspecto. Em teoria, podem controlar tudo, mas na prática não vão ler cada um dos milhares de milhões de mensagem enviadas. Isso é feito por robôs. E como funcionam os robôs? Com sistemas de análise automática de conteúdo. Palavras-chave. A maioria dos chineses que se comunica não se interessa pela política, os que fazem pornografia também o fazem com cuidado, como aqui, mas fundamentalmente as pessoas vivem sua vida na internet sem se preocupar muito.

Aqueles que se preocupam mais com a política já sabem que não podem dizer palavras feias, como democracia, Tiananmen, Tibet, Taiwan... nenhuma dessas coisas que imediatamente o robô entende.

Nos tempos da transição à democracia, nos últimos anos do franquismo havia quase imprensa livre na Espanha. Claro, não podias dizer: “O sanguinário regime da ditadura franquista”, mas podias dizer a mesma coisa utilizando outras palavras e nenhum robô de censores tomava conhecimento.

Tu sabes disso porque tinhas um tio censor.

Exato.

Fizeste um blog com algo assim.

Bom, um blog, uma multicopista.

Que era como um blog de então.

Meu blog de tinta violeta.

O que quero te dizer é que os estados perderam cotas de controle e de poder com a internet, e isto está muito claro. Aumentaram a capacidade de invadir a nossa privacidade, mas nós também [temos a capacidade de invadir] a privacidade deles. Em termos relativos aumentaram extraordinariamente os graus de liberdade das pessoas em relação ao Estado, em relação ao poder em geral.

Isto quer dizer que as pessoas que não têm acesso às instituições de poder na sociedade, as grandes empresas ou os meios financeiros, os cidadãos simples, para nos entendermos, incrementaram a sua capacidade de poder porque podem organizar a comunicação do que pensam, o debate e por sua vez as mobilizações de forma autônoma aos mecanismos de controle do poder do Estado.

Nesse sentido, a internet abriu esferas de liberdade que não tínhamos antes. Agora, liberdade sem conteúdo. Mais livre, para mim é um valor, mas não garante os usos da liberdade. E os usos da liberdade podem ser para causas que alguns podem considerar nefastas. Mas somos mais livres. A questão é como administramos essa liberdade. Assim como dizíamos que a internet sem educação é uma internet tonta porque não sabes muito bem o que fazer, pode ajudar um pouco a sair da ignorância, mas está limitada; igualmente, uma internet livre com indivíduos que utilizem essa liberdade para autodestruir-se ou destruir os outros é uma internet que pode majorar as tendências negativas.

A grande questão da internet é que é um espelho de nós mesmos. Amplifica o que somos, para bem ou para mal.

Dizes em algum momento do livro que somos anjos e demônios.

É que somos o que somos.


Custa pensar que o poder não busca uma maneira de neutralizar essa liberdade que os cidadãos têm agora em estado puro. O que fizerem com a liberdade, como comentas, já é outra coisa porque a rede se encheu de mentiras, falsidades, calúnias e de anônimos.

A imprensa também, certamente, mas está mais controlada.

Como o poder se defende da criação dessa liberdade? Dizes que o poder é muito mais que comunicação e comunicação é muito mais que poder. Há aí como que um choque de trens muito importante.

Exato. Sempre pensando que eu falo em termos de poder tanto dos de cima como dos de baixo. A internet incide nas relações de poder incrementando o poder dos que tinham menos poder. O que não quer dizer que os que controlam o Estado, as grandes empresas, estejam diminuindo o seu poder. Não. Têm menos poder sobre os cidadãos, mas ainda têm o essencial.

Como reagem? Tentando esgotar o mais possível os espaços de liberdade. Por exemplo, a grande questão que se coloca nos Estados Unidos e que na Europa é menos intensa, é como as grandes corporações de telecomunicações, as operadoras, estão tentando conseguir o que se chama uma internet neutra, isto é, que dá maior banda larga, maior capacidade, maior velocidade, melhor qualidade de acordo com o pagamento pelo serviço. Mesmo que isso se dê às custas de deixar sem o serviço ou com serviço de muito baixa qualidade uma grande proporção de cidadãos.

Com isto há uma enorme batalha, foi um assunto da campanha de Obama e Obama nomeou presidente da Comissão Geral de Comunicações um dos líderes desta campanha para a neutralidade do uso da internet. Na Espanha temos uma excelente Comissão de Mercado de Telecomunicações que vela para evitar práticas monopolísticas das operadoras, em princípio.

Isto é um método. Outro é tentar censurar, e já vimos que isto é bastante difícil. Outro ainda é tentar fechar servidores, um método mais importante, mas que ao mesmo tempo tem o problema para os controladores de que sempre se pode desviar o tráfico por outros circuitos internacionais. E outro método é tentar introduzir uma série de legislações que são pretexto para outras coisas e que no fundo é para controlar a internet: pornografia infantil, controle da pirataria... Este tipo de legislação tem como objetivo último, não tanto a proteção das crianças, mas o controle sobre a internet. Pode tornar a vida muito difícil aos provedores de serviços mas, insisto, há uma comunidade internauta no mundo com 1.7 bilhão de usuários que sempre encontram formas de driblar o que os governos tentam controlar.

Eu participei de muitas comissões de internet nos últimos 12 anos na União Europeia e em outros países e a primeira pergunta em qualquer Comissão dos Governos é: como podemos controlar a internet. A minha primeira resposta é: não se pode. E a partir daí cai o interesse na Comissão.

É que não se pode tecnicamente, ao menos, fechar. É preciso desligar fisicamente a conexão.

Dizias que pensar agora em deixar a internet é como pensar em abandonar a eletricidade. Em algum momento dá a impressão também de que quiséssemos deixar o ar, porque agora mesmo a liberdade que a internet dá se parece com a liberdade do ar.

A liberdade de respirar. Por isso são batalhas de retaguarda de uma velha ordem que segue andando, mas que está morta. O que acontece é que os suspiros dessa velha ordem do controle informacional podem ser muito perigosos para muita gente. Por exemplo, para os provedores de serviços de internet, que podem arruiná-los e tornar a sua vida impossível. Pode ser também complicado para a expressão da nova cultura digital que requer um nível de criação em que possas criar teus próprios produtos, não em que possas baixar vídeos protegidos por direitos de propriedade. Não. Teus próprios produtos de intercâmbio cultural. Pode ser um problema para produzir teus próprios textos, teus próprios pontos culturais sem nenhum tipo de limite para os direitos autorais.

Quer queira ou não eu tenho que pagar à Sgae [Sociedad General de Autores y Editores]. Construiu-se todo um sistema de interesses corporativos, diria que quase medievais, que vão frear durante muito tempo a livre comunicação dos produtos culturais.

O digital também vai varrer inteiramente o papel?

Não, absolutamente. Infelizmente. Digo infelizmente porque estamos desmatando o planeta. A constatação empírica atual é que quanto mais se expandiu a internet e a informática mais papel se gastou, proporcionalmente aos processos de informação, porque por alguma razão ainda fica uma parte em papel. A produção em papel, proporcional à enorme massa de informação digital que se produz, é pequena, mas o volume é muito maior do que antes da era digital.

Estou fazendo esta entrevista para um jornal digital e de papel. Quando essa entrevista seria feita apenas para o suporte digital?

Na verdade, nunca faço previsões porque sempre me engano, mas a realidade é que, além disso, as demais previsões também se equivocam. Será feito apenas no formato digital no dia em que a edição em papel for um produto de luxo que apenas as elites culturais, que apreciam um prazer que eu compartilho, do barulho do papel no café da manhã e o café fumegante, podem se permitir. Quando for preciso pagar 10 euros por um jornal, te garanto que a maior parte dos leitores vai migrar para a web.

Em que momento desse porvir estamos?

Estamos no momento decisivo porque temos uma crise econômica muito profunda em que nem as empresas jornalísticas têm recursos, nem as pessoas se podem dar o luxo de comprar em papel o que podem fazer na web. A ideia é, como fez o El País há alguns anos, fecharmos a web e restringir o acesso à assinatura, isto é, a alguma forma de pagamento. Imediatamente os leitores diminuíram de 100.000 para 25.000 em questão de poucos meses, tiveram que mudar e montar um outro modelo através de publicidade, de serviços indiretos, de serviços de arquivo... Há uma série de modelos interessantes nesse aspecto. Diria que neste momento estamos em um ponto de aceleração para o jornalismo digital.

Nessa parte de anjo e demônio que tens, se fosses o advogado do diabo do papel, portanto, acusador da internet, o que perderíamos perdendo o papel?

A nostalgia, porque não vais poder convencer as crianças de cinco anos de uma coisa que fundamentalmente serve para carafunchar.

No livro falas de alguns elementos que o poder, analógico e digital, utiliza: a mentira, a manipulação, a suspeita... e relacionas isso com o trabalho de George W. Bush para produzir o clima que tornou possível a guerra no Iraque. A novidade, esse ar que impulsiona a novidade, tornará a manipulação mais difícil?

Sim, mas não completamente. Sim, no sentido de que a informação pode circular muito mais rapidamente. Sim, no sentido de que os cidadãos podem intervir muito mais amplamente no debate. Não, no sentido de que, como mostro no meu livro, as pessoas acreditam no que querem acreditar independentemente da informação que receberem.

Há, mais ou menos, cinco vezes maior capacidade de registrar uma informação que gostaria que fosse afidedigna que a contrária, por mais convincente que a outra seja. No caso concreto de Bush, a base era que as pessoas tinham medo, por razões obvias. Se mandaram as Torres Gêmeas pelos ares, estão matando milhares de pessoas e há terrorismo no mundo, tens medo. Sobretudo, um país como os Estados Unidos que não havia sofrido terrorismo e que não havia tido guerras a não ser a do Havaí ou sua própria guerra de Secessão.

Aí se cria um clima de pânico que é de-li-be-ra-da-men-te aproveitado por estrategistas políticos de altíssimo escalão para manter e incitar ao medo. Além disso, ao medo insidioso, ao terrorismo que não se sabe de onde vem e para criar uma série de políticas com palavras – as palavras são fundamentais –, tais como: “a guerra contra o terror”. É uma guerra, estamos em guerra, uma coisa obscura, não se sabe o que é o terror.

As palavras são fundamentais porque são o ponto de entrada para as metáforas e as metáforas não são uma coisa literária, estão organizadas fisicamente em nosso cérebro. Nosso cérebro funciona em metáforas a partir de associações com experiências. As palavras que ativam as metáforas, que ativam emoções, que ativam decisões. É isso o que dizem os estudos experimentais.

Nesse sentido, a capacidade de manipulação dos políticos, de um lado ou de outro, é de ativar e desativar palavras, imagens, temas... que ativam as metáforas que vão em um sentido ou em outro segundo o interesse em questão. Por isso, dizia, o que a internet faz é, realmente, ampliar o marco de comunicação e de informação e abrir o jogo. Isso não vai mudar a possibilidade de que se tu tens medo, a própria existência da internet pode multiplicar as possibilidades de acessar imagens que ativem o medo.

Diferença? Em um mundo dominado pela televisão, podes receber imagens que vão quase todas no sentido de ativar esse medo. Em um mundo livre da internet podes ter imagens suficientes de outro sentido para ativar teus outros elementos metafóricos de diminuir o medo e aumentar a confiança.

Foi isso que Obama ativou de maneira muito hábil. É impossível entender o Obama sem a internet. Demonstro no meu livro que não foi só pela internet, mas sem a internet o Obama não teria sido eleito.

Falando do papel da imprensa, assinalas que não há um modelo de negócio. Vislumbras algo nesse sentido? Crês que poderemos subsistir como jornalistas sem ter que pedir pelas esquinas, oferecendo tudo gratuitamente, não podendo viajar porque ninguém nos paga? Como vamos subsistir como jornalistas se não podemos cobrar das pessoas pelos conteúdos?

Não se deve confundir a plataforma com o jornalismo profissional. O que é mais complicado é manter, em um mundo de internet e de publicação pela internet, o jornalismo impresso. Mas pode haver um jornalismo absolutamente florescente, profissional e bem pago com outra plataforma. Não digo que o papel vá desaparecer, digo que não é a mesma batalha a defesa do papel e a defesa do jornalismo profissional nos termos em que foi se construindo historicamente.

É preciso acostumar-se com a diversidade de plataformas, que podem ser algo em papel, muito na internet, muito mais em distribuição de informações pelos celulares, muito mais em dossiês que as pessoas fazem. Atualmente, as pessoas não leem um jornal, utilizam a técnica RSS para procurar algum assunto na internet. Se no momento me interessam os temas relacionados à corrupção política ou imobiliária na Espanha, vou atravessando diversos meios de comunicação em base a palavras-chaves e construo o meu próprio texto. Não recebo um texto em pacote de um jornal nem olho todo o jornal, mas construo o meu próprio jornal. É isso o que já está acontecendo.

Nesse sentido, pode haver uma plataforma diferente, eu diria uma multiplataforma que é onde estamos lendo, sem ser ao mesmo tempo muito profissional. O que resta ao jornalista? Duas coisas: a credibilidade e a profissionalidade. O oceano de informação da internet, por definição, não pode conter todo crível. Portanto, se introduz a dúvida do que é crível ou não. Há coisas muito confiáveis, outras não, outras pura invenção mas o que há é a interação através da qual as pessoas vão corrigindo às vezes essa informação, meu método wiki. O jornalismo profissional, os meios profissionais ainda guardam um capital de credibilidade.

Por outro lado, a qualidade da informação depende em boa parte da formação profissional da qualidade do profissional. Aqui não é fácil competir com os blogueiros do mundo, em relação aos quais vocês são jornalistas em formação, com ética profissional, com trabalho acumulado, com experiência, com conexão, etc. Creio que aí há um núcleo muito forte.

Pois bem, o que acontece? Que por outro lado, essa credibilidade e profissionalidade tem que ser respeitada pelas empresas da comunicação e, paradoxalmente, os jornalistas profissionais têm um aliado potencial no mundo desordenado dos blogs. Antes vocês podiam dizer: olha, esta informação é melhor não colocar. Agora não vão poder dizer isso porque a informação já está na internet. Se se está falando de algo na internet, não podem ignorá-lo. É uma atitude suicida do ponto de vista da empresa.

O que têm que fazer é tomar essas informações, esses rumores e situá-los em um pacote diferente, muito mais objetivo, tratando-o profissionalmente, etc. Portanto, canalizando e articulando o trabalho profissional de vocês com o mundo dos blogs, que tentam intervir desordenadamente no mundo da comunicação, e servindo-se disso como contrapoder às pressões políticas ou empresariais, que sempre foram o grande problema para o jornalismo profissional.

Em um mundo de amplitude de informação, mas sem controle de qualidade e de pressões políticas e econômicas tremendas sobre a objetividade jornalística, o papel do jornalismo profissional se incrementa, se torna mais necessário para os dois sentidos. Mas é um papel difícil, sempre é preciso considerar que os jornalistas não são heróis e que a sobrevivência diária pode levar à existência de dois tipos de jornalistas: os que guardam a objetividade, mas não o emprego, e jornalistas empregados que têm que transigir diariamente.


Uma reflexão tua diz que se as relações de poder se constroem na mente através dos processos de comunicação, estas conexões ocultas muito bem poderiam ser o código fonte da condição humana. Quer dizer, teu livro às vezes também me soa a ontologia, é uma busca do que é o ser humano em virtude de que o poder e a comunicação formam parte da constituição da sua mente. O ser humano quer poder e ao mesmo tempo quer comunicar o que faz para ter poder.

Muito bem observado. Isto já entra no terreno hipotético. A maior parte do livro está empiricamente sustentada e com métodos que podem contrastar as análises com dados sólidos. A partir daí há extrapolações muito mais de exploração, e um deles é este.

A ideia é a seguinte: o tipo de relação mais importante é o poder – para mim é o mais importante porque de quem tem o poder e como o tem se definem as regras do jogo e tudo o mais depende de em que situação de poder nos encontramos uns com os outros e como foram se construindo. Se o poder é fundamento da sociedade, é uma visão um pouco tradicional-filosófica mas não é construída por anjos, mas por relações de poder e por isso vai mudando, infelizmente.

Mas o poder se constitui sobretudo em nossa mente porque a forma como pensamos determina o que fazemos e o que fazemos favorece estes ou aqueles interesses em termos de poder. A ideia aqui é que o essencial da condição humana é a comunicação e o essencial da organização humano é o poder. Na conexão entre poder e comunicação através de nossas mentes individuais e coletivas talvez seja onde podemos encontrar o segredo de como se organiza a condição humana, em que sentido e em função de que nos destruímos ou, ao contrário, nos expressamos em condições de criatividade extraordinária.

Em algum momento citas, e talvez seja interessante dada a tua condição de manchego-catalão-californiano do mundo, uma frase de Ulrich Beck sobre a nação: “Libertar os conceitos básicos da sociedade moderna, das fixações do nacionalismo metodológico”. Em que momento estamos em se tratando do patriotismo? Todas estas coisas que nos fazem mais globais, mais universais, mais locais também, mas mais interconectados, o que fazem com o patriotismo? Deixam-no num broche ou o sentimento tão arraigado em algumas sociedades está se diluindo graças ou à mercê das redes?

Por um lado, metodologicamente, não podemos pensar as sociedades, como todas as ciências sociais o fizeram até agora, partindo do que é um país, um território delimitado pelo Estado-nação. E em termos de poder, o sistema político é um sistema de Estados-nações. O que Beck diz, com razão, é que é um momento em que as relações de poder se constroem globalmente, no econômico, no cultural, nas relações entre Estados, nas relações entre movimentos sociais... Ou seja, o âmbito do poder, o âmbito da construção política é um âmbito global.

Todas as ciências sociais, estudos eleitorais, análises... se construíram, e seguimos assim, dizendo: eu estudo a Espanha. A ideia é: não podes estudar a Espanha se não estudas as relações globais e locais da Espanha. Em termos metodológicos, as ciências sociais têm que sair do Estado-nação como definição de unidade de análise. Mas isso é diferente do que acontece com a nação, do que acontece com o Estado-nação e do que acontece – teu tema – com o patriotismo.

Mantenho – porque cada vez foi se acentuando – a análise que apresentei e documentei na minha trilogia e em particular no meu livro O poder da identidade, em que o essencial do mundo é constituído, por um lado, por redes globais de poder, tecnologia, finanças, economia, comunicação... e, por outro, identidades cada vez mais locais, regionais e na-cio-nais também. Nesse sentido, o patriotismo é, atualmente, muito mais importante do que o sentimento de classe, por exemplo, ou que outros tipos de identidades anteriores.

Com o patriotismo, dependendo dos países, entramos na outra discussão. Por exemplo, na Espanha há nacionalismo espanhol e patriotismo espanhol, mas também há um nacionalismo catalão, basco ou galego com seus respectivos patriotismos. A identidade mais forte, em geral, no mundo é local-regional mais que nacional.

O sentimento de pertença a uma nação, a uma região, a uma localidade é um dos fundamentos básicos sobre os quais se estrutura a sociedade hoje em dia. E aqui temos a contradição: vivemos em um mundo global cada vez mais identitário ao mesmo tempo. É o problema essencial da União Europeia. A União Europeia é uma instituição não democrática porque os cidadãos não a querem. Querem-na para resolver problemas, para resolver a economia, mas não se sentem membros de uma coisa chamada Europa. Os governos não a querem porque lhes tira poder, mas instrumentalmente necessitamos dela.

Dizer que o patriotismo é cada vez mais importante não quer dizer necessariamente, em nosso contexto, o patriotismo espanhol nem o patriotismo catalão. Os dois. Diria que houve um aumento considerável do nacionalismo e do patriotismo tanto na Catalunha, País Basco ou inclusive na Galícia, como no espanhol, incluídos os territórios em que emergem outros nacionalismos.

Isto é cada vez mais importante, não menos. E aí estou em contradição com a ideia de Ulrich Beck. Estou de acordo com a sua forma de análise, não estou de acordo com suas conclusões, de fato mais normativas que analíticas, que dizem que a contradição entre Estados-nação em que vivemos, em um sistema global no qual também vivemos, só se pode resolver com um governo global e uma cultura cosmopolita.

Não me parece mal, me pareceria perfeito, só que os dados vão no sentido contrário. Não se vê, não há consciência cosmopolita. Não há cidadãos do mundo. As pessoas não se consideram cidadãs do mundo, em absoluto. Só algumas elites. Há uma correlação perfeita: quanto mais elite, mais proporção de cidadão do mundo. Quanto mais pobre, mais dominado, menos educado, mais te agarras à tua terra, ao teu Estado-nação, ao que tens, porque nas redes globais estás perdido.

E tu és de onde?

Se tenho alguma raiz é mais da Catalunha. Me honra muito que me considerem da Mancha, mas morei ali apenas um ano, o primeiro da minha vida, e nunca mais retornei.

Como Almodóvar.

Pois é, por aí vai o assunto. Depois morei em vários lugares, mas a minha formação de adolescente, de jovem, foi em Barcelona. Acrescente-se a isso que depois fui – melhor, fui obrigado a ir – aos 20 anos e morei 17 anos em Paris, e 30 anos entre a Califórnia e a Espanha, mas sobretudo a Califórnia. Se me dizes onde me encontro melhor no mundo: para trabalhar, na Califórnia, para viver, em Barcelona.

Mas não sou cidadão do mundo. Sou cidadão sentimental de várias localidades, sou “multilocal”, não global.

Há anos, quando ninguém acreditava nisso, Juan Cueto dizia que agora estamos diante de muitas telas. Acreditávamos que a tela que iria permanecer seria a tela do televisor e nos enganamos. Agora há outras telas.

É isso aí. E as trazemos cada vez mais em nós. De fato, somos uma multiplataforma de comunicação.

Mesmo que chames a televisão de “a eterna companheira”.

Claro, porque é o contexto comunicativo. Mas já não é só a televisão, é tudo ao mesmo tempo. Somos uma multimídia perambulante.

Arrepia ler a seguinte reflexão sua: “As pessoas se matam pelo que sentem: hostilidade étnica, fanatismo religioso, ódio de classe, xenofobia nacionalista, raiva pessoal...”. Passaram-se muitos séculos, estamos no umbral de uma nova era, que defines muito bem neste livro. O homem mudou? Em que mudou ou por que não mudou?

Mudou em muitíssimas coisas. Na capacidade de desenvolvimento tecnológico, de superar as doenças, aumentar a cultura... Em todos os assuntos relacionados ao progresso da humanidade é evidente que fizemos mudanças extraordinárias e aprendemos a criar ao menos regras do jogo que nos permitem coexistir. Mas não mudamos em algo fundamental: são as emoções que determinam o nosso comportamento. Isso está em nosso cérebro.

Vivemos no mito do progresso e o Iluminismo que, com seu espelho simétrico no mito do homem soviético, do homem comunista – bom, já faz tempo que desapareceu – partia da ideia fundamental de que era preciso arrancar as pessoas de sua primitiva identidade, ou de suas emoções, para construir algo novo que se definia a partir do Estado e se davam identidades do Estado: és um cidadão. Bom, francês, vale. Mas o importante é que és cidadão, não és bretão, não és mulher, não és negro... és cidadão.

Não conheço nenhum cidadão. Conheço pessoas com muitas características próprias e as pessoas seguem se vendo assim. Cidadão é uma dimensão instrumental para delegar o poder político a alguém que nos administre. Mas como as pessoas acreditam cada vez menos nisso, cada vez pensam mais que essa delegação está vazia de conteúdo. Então se sentem cidadãos, mas não sentem que vivem em uma cidadania. Portanto, essa identidade também cambaleia.

O que resta então? Nossa família, nossa cultura, nossa religião, nosso território... E em momentos em que há crises e tensões, a primeira coisa é definir-se como “eu”, mas definir-se como “eu” é definir-se contra o “outro”. Com a minha análise, já há dez anos, o que fui demonstrando é que, concretamente, o mundo que vivemos em vez de ver a emergência do homem e da mulher cosmopolita, o que vemos é a emergência de culturas, que quando se intercambiam, hibridizam e mestiçam são um instrumento, uma ocasião de extraordinária riqueza. Mas que quando não se comunicam, se fazem trincheiras de oposição e em último termo de violência.

Restabelecer os canais de comunicação entre as pessoas, e não verticais, é em certo modo a única defesa contra a barbárie de ódios entre culturas.

Por isso dizes que quando vemos vida, vemos redes.

Vemos vida, vemos rede e vemos comunicação. A comunicação é a vida. Sem comunicação é a destruição.

Dizes: “Como não somos capazes de reinventar Hollywood por nós mesmos, usamos a internet para nos relacionarmos socialmente”, e acrescentas que o grande erro do Second Life, por exemplo, é não ter criado a utopia. Onde está utopia?

Em nós. É o que nós podemos inventar. Mas não tu e não eu, mas juntos e com outras pessoas ir construindo em nossas mentes outras formas de se relacionar. A utopia são as cooperativas de produção e consumo que explodem não apenas por todas as partes na Espanha, mas no mundo em geral. A utopia são as redes de troca que existem atualmente de serviços, de bens, de produtos. É plantar teus tomates e tuas alfaces e consumi-los. É inventar uma cidade cada vez mais baseada na bicicleta e não no automóvel... A utopia é crermos realmente que podemos viver de maneira diferente. Mas temos que ser muitos os que acreditamos nisso, não uma pessoa.

Por isso, a apropriação de Hollywood a nível individual fragmenta, destrói a comunicação. Paradoxalmente, Hollywood é um obstáculo à comunicação, mas nós temos que reconstruir outras formas de comunicação que levem a utopias que não são impossíveis, mas que são antecipações da vida que podem ser possíveis e que não ainda não existem.
 
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