Bradesco é o primeiro anunciante de um site de broadband TV

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Texto publicado em: Tela Viva News

O portal do UOL dentro da plataforma de broadband TV da LG ganhou seu primeiro anunciante, o Bradesco. A marca do banco terá exclusividade no site, em contrato de um ano válido até setembro de 2011.

O site pode ser acessado por usuários que comprarem TVs conectadas (broadband TV) da LG, com o serviço NetCast, e conta com notícias, fotos e vídeos produzidos pelo UOL.

É mais um movimento dos fabricantes de eletrônicos de consumo para dentro da cadeia de valor do conteúdo. Além de servir como "gateway" dos conteúdos que serão oferecidos, a LG também terá participação na receita publicitária dos provedores de conteúdo, explica Daniel Augusto de Almeida, product manager da fabricante coreana.

Segundo Almeida, cerca de metade dos compradores de TVs conectadas procuraram a empresa posteriormente para receber o dispositivo que dá acesso à rede wi-fi, oferecido gratuitamente. "É mais do que esperávamos, e indica que um número grande de usuários está efetivamente se conectando", disse.

O patrocínio do Bradesco inclui um logotipo estático na tela principal e também comerciais, exibidos após os vídeos que o usuário acessa no site.

"O comercial entra depois do primeiro vídeo assistido, e depois não aparece pelos próximos sete minutos", conta Enor Paiano, diretor comercial do UOL.

Segundo ele, o potal acredita que a experiência da broadband TV é diferente daquela da Internet no computador. "No PC a experiência é mais individual. Na TV, mais coletiva. O conteúdo (do UOL) é o mesmo em todas as plataformas, mas adaptado a estas características de cada uma", conta.

Aquisição

A nova contratação da LG, que mais uma vez demonstra que a fabricante quer ser um player no mercado de conteúdo, é Milton Neto. O executivo vem da Turner, onde trabalhou por 11 anos e cuidava da distribuição digital. Ele será responsável pelas parcerias de conteúdo da LG para as novas plataformas. André Mermelstein.
 

Animais do mesmo gênero, mas de espécies distintas

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Texto publicado em: Convergência Digial


Por André Barbosa Filho*
20/09/2010


Quem pensa que o uso da Internet no computador vai acabar com o hábito de ver TV está equivocado (a). Enganam-se os que acreditam que, conforme aumenta o uso da internet em diferentes plataformas no Brasil, menos tempo as pessoas dedicam à TV.

Pelo que menos é o que constata a pesquisa “Estilos de Vida e Bem-Estar Individual”, feita pela empresa Market Analysis.O estudo foi realizado em julho de 2009 com 483 adultos com mais de 18 anos residentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre e aponta que o percentual de brasileiros que passou 11 horas ou mais por semana navegando na Internet saltou de 11% para 17%.

Em outros termos, isso significa que, numa semana sem feriados, um em cada seis brasileiros fica metade do dia ou mais tempo acessando a Internet, isto, claro, dentro do grupo de pessoas que possuem internet.

O aumento na quantidade de horas na rede coincide com a expansão acelerada na venda de computadores e da banda larga no Brasil.

O estudo ressalta que, o consumo de conteúdos audiovisuais tem como referência não apenas a TV por assinatura, mas muito especialmente, a TV aberta. Inclusive, vale ressaltar que no Brasil, Sky e NET, operadoras líderes do serviço de TV paga foram obrigadas a incluir em seus modelos de negócio, a oferta de conversores e antenas UHF para sintonia da TV aberta digital, já que comprovadamente, 60% de seus assinantes, faziam seus contratos para receber o sinal empacotado da TV aberta. É significativo, não é?

Mas mais significativo e o dado que indica que o percentual de internautas que dedicam o mesmo tempo para assistir a TV, por sua vez, aumentou de 62% para 70,5% em um ano. Segundo os responsáveis pela pesquisa, esses dados contradizem a idéia defendida por alguns de que, com a expansão da rede, haveria uma profunda mudança muito nos hábitos de consumo de mídia, a ponto de a TV perder espaço para a rede mundial de computadores que, na oferta de conteúdos digitais, avança de modo acentuado para os celulares e para as diversas plataformas de videojogos. A profecia que aponta para a morte anunciada da TV aberta está sendo, deste modo, posta em dúvida, não é mesmo?

O uso simultâneo de TV e Internet é uma realidade

Não bastassem os resultados do cenário brasileiro, também nos países desenvolvidos, onde os conteúdos e os acessos são predominantemente pagos,a TV mantém um nível de audiência importantes em comparação as ofertas provenientes das plataformas IP e da banda larga.

Os norte-americanos estão passando mais tempo assistindo TV e usando a internet ao mesmo tempo, e quase 60% do público de televisão usam a internet ao mesmo tempo ao menos uma vez por mês, de acordo com pesquisa do centro de estudos Nielsen.Segundo o relatório do Nielsen, os resultados do estudo desmentem temores de que a internet estaria ganhando popularidade em detrimento da televisão tradicional.

“A preocupação inicial era que a internet e vídeos e entretenimento móveis iriam, aos poucos, tirar o público de TV tradicional, mas o aumento contínuo desse público, junto com a expansão do uso, indica algo bem diferente”, disse o diretor de produtos de mídia do Nielsen, Matt O'Grady.

O relatório sobre o quarto trimestre de 2009 que registrou dados de público de televisão, internet e mídia por celular, mostra um aumento de 35% no tempo que norte-americanos passam em frente à TV e na internet ao mesmo tempo, em comparação com o mesmo período de 2008. Segundo a pesquisa, os norte-americanos passam 3,5 horas por mês assistindo à TV enquanto navegam na internet.

Já o uso de vídeos móveis aumentou 57% no ano, de 11,2 milhões de pessoas para 17,6 milhões. O crescimento é atribuído, em grande parte, ao aumento nas vendas de smartphones. De acordo com o estudo da Kaiser Family Foundation,o avanço tecnológico ajudou crianças e adolescentes a consumirem mais mídia e nos últimos 5 anos o consumo diário de mídia entre crianças e jovens de 8 a 18 anos aumentou assustadoramente.

De 2004 para cá o aumento foi de 1h17 por dia – são 7 horas e 38 minutos em média, cerca de 53h por semana. Os culpados? Smartphones, iPods, videogames portáteis e outros gadgets. Mais do que o aumento do percentual de crianças e adolescentes com celular (de 39% em 2004 para 66% em 2009) e o consumo médio de 4h29 de TV por dia, o que chama atenção é a simbiose das múltiplas telas: ouve-se música, joga-se (no computador ou videogame) ou vê-se TV usando celular e estudando, tudo junto e ao mesmo tempo.

Segundo o trabalho “a multitarefa é um fenômeno que permite às crianças e jovens condensar o consumo de mídia -as 7 horas e 38 minutos diárias de mídia equivalem, na verdade, a 10 horas e 45 minutos- porque mais de um meio é utilizado simultaneamente. Além da TV, também são populares entre as crianças a música (2 horas e 31 minutos diários), o computador (1 hora e 29 minutos) e os videogames (1 hora e 13 minutos). Por outro lado, a mídia impressa é consumida por apenas 38 minutos por dia.

Este dado é significante para entender o novo cenário multiplataforma que vivenciamos e nos reporta a outras importantes questões:

Qual será o futuro da televisão aberta e gratuita? Ela será substituída pela TV paga em países emergentes e em desenvolvimento as curto prazo? Como sobreviverá num ambiente convergente, com tantas ofertas de informação vindas de outros meios, a partir de outros modelos, de outras estruturas de rede? Como entender o fascínio que a TV exerce, mesmo entre os nativos digitais, ou seja, aqueles que já nasceram em um mundo com tecnologias digitais, indiferentemente da fonte paga ou aberta com oferta de conteúdos televisivos?

A TV linear que temos e realizamos hoje vai forçosamente mudar diante da oferta de informações baseadas na hipertextualidade, da superposição de dados, vídeos e sons presentes nas criações e produtos digitais? Quais as características que diferenciam o sistema de transmissão de sinais por radiodifusão (broadcast)daqueles que são enviados via IP. É obvio que a Internet e as redes sociais vieram para ficar.

São conquistas das sociedades humanas, ávidas por se expressar, por participar, por se informar, por se educar e por se divertir. Novas formas de comunicação estão nascendo baseadas no ciberespaço, na integração de plataformas. Os modelos da radiodifusão analógica no formato centralizado, de um para todos, vai aos poucos se transformando com o evento da TV Digital interativa, influenciada pela necessidade de responder a ânsia de interação dos indivíduos e grupos sociais.

Entretanto, é importante frisar que a TV, em países desenvolvidos como Japão, Inglaterra, França, Itália, os escandinavos, Alemanha, Austrália e Estados Unidos tem um espaço significativo da atenção, seja em alguns casos, majoritariamente por assinatura, em outros em modelos abertos e gratuitos. A TV, ao lado do cinema, são os grandes produtores de conteúdos audiovisuais da indústria cultural. Portanto, determinam padrões e hábitos de consumo.

A TV nos países em desenvolvimento é o meio maior penetração domiciliar e apresenta-se no formato aberto e gratuito, cenário que coincide com a baixa oferta de infra-estrutura de Internet de alta velocidade. A TV digital interativa não existe em países que possuem redes de banda larga. Estes já utilizam a interatividade por outros meios.

A TV digital nestes países reúne a oferta de modelos de programação onde imperam os conceitos de entretenimento e os espetáculos artísticos, as produções audiovisuais caras e com alto acabamento, as grandes coberturas jornalísticas Tudo com alta definição e com toda tecnologia que puder somar-se à qualidade de imagem e de som de seus programas.A TV digital proposta pelo Brasil é interativa, quer proporcionar a bidirecionalidade, ou seja, incluir em seu modelo, o canal de retorno para introduzir a possibilidade interação entre produtores e o público.

Estão sendo criados modelos para a publicidade comercial, para compras e acessos bancários, e, especialmente, na oferta de serviços públicos como a marcação de consultas no SUS, pagamento e acompanhamento de impostos, educação à distância em todos níveis e diversos objetivos de formação e capacitação, em apoio a produção cultural audiovisual, nacional, regional e local e ao desenvolvimento da cidadania plena.

A convergência da TV digital com as plataformas IPs vai ser necessária entre outras necessidades para baratear os custos de transmissão de conteúdos locais, para propiciar o intra-fluxo de programação, para utilização como canal de retorno.

As TVs por IP vão acontecer socialmente na medida em que a oferta de banda larga, rápida, barata e universal for uma realidade nestes países cem desenvolvimento que somam 4.5 bilhões de pessoas. Mas vão tornar-se hegemônicas quanto à exibição de produções sofisticadas e que respondam a grandes investimentos de produção?

A lógica industrial deve continuar a ordenar a exibição em mídias seletivas, que atendam o deleite da percepção sensorial humana e garantam a remuneração dos investimentos, numa cadeia que tem como ponto terminal a mídia massiva. E neste contexto estão as salas de cinema a TV a Cabo e a TV Digital Aberta em Alta Definição.

A Internet e as redes sociais já são responsáveis pelo aparecimento de miríades de novos produtores e de conteúdos que rapidamente vem se tornando hits globais. Entretanto, dizer que os trash movies, as produções de garagem, as manifestações individuais por mais espaço que ocupem da atenção do público em geral, vão impor à indústria de conteúdos seus modelos, é um pouco temerário.

O que podemos e devemos propor é um ambiente público onde as manifestações do individuo ou de coletivos sejam livres para florescer. Seja através dos espaços em redes sociais, blogs, sites, dos celulares e handsets, mas, igualmente, disputar espaço nas telas maiores, onde os investimentos são mais robustos. Aí, se soma a cobertura em nossos países em desenvolvimento da TV aberta.

A TV digital pública interativa deve respeitar suas características de veículos de radiodifusão. Ela não é IP. È transmitida pelo ar. E isto não a faz velha ou ultrapassada. Ao contrário. Sua rede de grande capilaridade deve tornar-se um braço importante na disseminação dos conteúdos audiovisuais produzidos por agentes nacionais e, de preferência, com temáticas ligadas a nossa identidade cultural.

E, portanto, soma-se ao esforço do avanço do PNBL na construção de uma economia da cultura e de uma industrial de conteúdos pujante e com grande aceitação popular.Entretanto, a rede de banda larga, com seus backbones, backhalls e as tecnologias e que permitem o acesso final tem características de tráfego de dados e conteúdos audiovisuais diferentes das redes de radiodifusão.

Estas não podem prescindir do projeto de retransmissão de sinais nacionais simultâneos por entes afiliados que, por sua vez, devem ser alimentadas regionalmente ou localmente. Assim, podemos afirmar que o mesmo objetivo de propiciar a participação a todos que os querem se comunicar livremente está contemplado, mesmo que através de modelos diversos de transmissão e recepção que evidentemente não se excluem entre si, mas se somam, por sua complementaridade.

Finalmente, todos sabem, o Estado induz as políticas. Estas devem corresponder aos anseios da sociedade. Banda Larga é um desejo legitimo. Vamos, portanto, apoiar as iniciativas neste sentido. Mas não nos esqueçamos que o único meio de acesso que permite o acesso à informação sem custos diretos para as audiências ainda é a TV aberta e gratuita. Nenhum mais. Vale a pena investir dinheiro público neste projeto? Temos certeza que sim.

* André Barbosa Filho
Assessor Especial da Ministra-Chefe da Casa Civil
Conselheiro do Fórum SBTVD
Conselheiro do CGI
Doutor em Comunicação
 

A internet nas campanhas: a revolução que não aconteceu

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Texto publicado em : Portal Yahoo


Por Alberto Oliveira, especial para o Yahoo! Brasil

Quando o presidente americano Barack Obama se elegeu, após fazer uma campanha apoiada na internet e nas mídias sociais, correu mundo a idéia de que as eleições nunca mais seriam as mesmas. No Brasil, o uso da web cresceu significativamente no pleito de 2010, mas não foi suficiente para melhorar o desempenho dos candidatos nas pesquisas. Antes mesmo do final da disputa, já tem muita gente tentando identificar o que deu certo e o que deu errado nas estratégias articuladas via rede.

Especialistas no assunto apontam alguns dos problemas que ocorreram.
Na ânsia de estar na internet, e por conta disso parecerem inovadoras, as campanhas eleitorais acabaram esquecendo de questões fundamentais: qual o papel da web, o que informar e como ajudar o eleitor a se decidir? Esses são os princípios defendidos por Crawford Kilian, em seu livro “Writing for the Web”.

Kilian foi o primeiro a analisar a importância do conteúdo na web. Para ele, erra quem se preocupa mais com o visual do que com o conteúdo, pois é o conteúdo que está por trás de tudo e o que as pessoas buscam na internet.



Sob esse ponto de vista, as campanhas majoritárias foram as que mais pecaram. De uma maneira geral, elas se preocuparam com o colorido do visual e recursos de multimídia utilizados para defender-se ou apontar o dedo na ferida do adversário. O eleitor que foi buscar informação para decidir sobre o seu voto, na melhor das hipóteses conseguiu ver um vídeo engraçado, ou um joguinho para se distrair.

“A internet [nas eleições no Brasil] foi usada muito mais como ferramenta de panfletagem de baixo custo e sem critério e para arrecadar dinheiro facilmente”, aponta o especialista em mídias digitais André de Abreu. Esses objetivos, segundo ele, trazem resultados frágeis e de curta duração. “Não se entendeu o fator ‘relacionamento’ desta mídia”, frisa Abreu.



Mas como já era de se esperar, os responsáveis pelas campanhas na web garantem absoluto sucesso. A campanha de José Serra (PSDB) chegou a contratar o americano de ascendência indiana Ravi Singh, da empresa ElectionMall, para turbinar a ação online. Mas o ‘guru’ gorou. Foi dispensado sem ter contrato renovado, após ser criticado por tucanos, especialistas da internet e de marketing.

A campanha tucana na rede emprega uma plataforma de compartilhamento, integrando site e redes sociais, com o objetivo de unir eleitores e o candidato. Entretanto,  quem não tem muita habilidade com a internet fica confuso, sem saber para onde ir. As opções não são claras.

Soninha Francine, responsável pela campanha de Serra na web, frisa que muitas pessoas “torceram o nariz”, por exemplo, para os formulários de cadastro do site. “Diziam que ‘internauta detesta essas coisas’’, contou. “Mas um site de campanha é diferente, com um público muito especial.”

Já o site de Dilma Rousseff (PT), assim como o de Serra, possui página com vídeo, que abre antes de todos os outros conteúdos do site. Com alguma dificuldade, o eleitor encontra ali um pequeno botão de entrada para o restante do conteúdo. Mas logo de início se depara com um pedido para se cadastrar e receber notícias da candidata, sem que lhe seja apresentado exatamente que tipo de conteúdo ele terá.



Essas características dos sites dos principais candidatos a presidente da República fogem às regras de usabilidade, ou seja, experiência do usuário com a internet, de acordo com especialistas no assunto.

Segundo Jacob Nielsen, considerado o “papa da usabilidade” e autor dos dez mandamentos sobre o tema, que é referência para profissionais de internet, “o sistema deve mostrar os elementos de diálogo e permitir que o usuário faça suas escolhas com facilidade, sem ter de lembrar um comando específico”. Em outras palavras, o internauta deve ter à sua disposição todo o ferramental necessário para escolher o que melhor lhe seja conveniente e não ter de ficar procurando.

Diferentemente de Serra e Dilma, a candidata do PV, Marina Silva, soube aproveitar com mais eficiência os recursos da internet. As redes sociais tiveram um papel muito importante para o seu marketing. Isso se comprova na recente pesquisa de monitoramento de marcas feita pelo M&M Online, que a apontou como a candidata melhor avaliada entre os usuários das redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, na blogosfera e nos sites de notícias. Marina ficou com 84,03%; Serra com 58,94%; e Dilma com 45,12%. No entanto, embora haja conteúdo que poderia ser esclarecedor ao eleitor, ao acessar sua página, a primeira informação vista por ele é um pedido de doação.

Redes sociais
“A crença de que as redes sociais salvariam campanhas mal planejadas provocou uma sobrecarga de uso equivocado”, pontua o especialista André de Abreu.

Abreu, que também é membro do COM+, grupo de pesquisa em comunicação, jornalismo e mídias digitais da ECA-USP, não acredita na tão aguardada campanha em que a internet seja decisiva, mas entende que passamos por um processo de amadurecimento da mídia. Nesse sentido, a web poderá ser um instrumento útil para criar base de campanha e manter o público próximo dos mandatos.

Na prática, a idéia de fazer no Brasil o que Obama fez nos Estados Unidos não se mostrou viável. “O que poucos políticos – ou talvez nenhum – copiaram da campanha de Obama foi o planejamento e o investimento que houve dois anos antes das eleições americanas para a criação de vínculos, relacionamentos e construção de base de dados”, argumenta.

O responsável pela campanha petista, Marcelo Branco, admite usar Obama como exemplo. “Obviamente, a estratégia usada por Barak Obama é diferente da que nós adotamos no Brasil”, disse. “A situação no Brasil é outra e vem de outra realidade. Quem sabe da estratégia política e da coordenação política são os partidos aliados. Quem sabe da estratégia de marketing são os brasileiros e as brasileiras”, completou ele.

Marqueteiros virtuais
O relato dos responsáveis pelas campanhas na web é de total sucesso. Soninha Francine, da campanha de José Serra para presidente, acredita na possibilidade de um candidato ser eleito com o suporte da internet, “embora a gente não possa desprezar outras poderosas influências sofridas pelo eleitor - a liderança comunitária, o padre, o pastor, o radialista, o patrão etc”.

A maior surpresa da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo foram as adesões no Twitter. “O senador foi o único dos candidatos de São Paulo que chegou ao trending topics mundial por mais de duas horas”, comentou Sergio Amadeu, responsável pela campanha virtual.

Na campanha web de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo, os acessos aumentam 25% a cada semana, segundo sua assessoria. Os resultados no Twitter também são animadores, ultrapassando a marca de 30 mil seguidores. Mas, quando questionados se a internet contribui para o aumento do eleitorado, seus assessores são cautelosos. “A internet é hoje o canal mais completo para o eleitor avaliar o candidato”, argumentam.

#plinio
Entre erros e acertos, os presidenciáveis também investem no Twitter. A verde Marina Silva tem recorrido com frequência a ‘twitaços’, ato de campanha para incluí-la entre os assuntos mais comentados da rede de microblog. Na manhã de segunda-feira (27), Marina ultrapassou Dilma Rousseff em número de seguidores no Twitter.

A vantagem foi anunciada pela equipe de campanha do PV, em evento realizado na região central de Guarulhos, na Grande São Paulo. No início da noite, Marina reunia 238.151 seguidores, enquanto 234.107 acompanhavam a petista. O tucano José Serra, adepto do Twitter há mais tempo, está na dianteira dos presidenciáveis em número total de seguidores: 451.454.

Mas não há dúvida de que um dos efecientes no uso da ferramenta é Plínio de Arruda Sampaio, candidato a presidente pelo PSOL, que virou febre no Twitter e acumulou várias referências nos trending topics da rede.

Além de promover rodadas de bate-papo com internautas pelo Twitter, ele chegou a fazer um debate ‘paralelo’ após ter ficado de fora do evento promovido pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo portal UOL. Acompanhando o debate em tempo real, Plínio disparou contra todos e cumpriu a promessa de “furar o muro do silêncio”.
 

Base de assinantes cresce 18,4% no acumulado do ano, divulga Anatel

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Texto publicado em: Tela Viva News

Continua acelerado o crescimento da TV por assinatura no Brasil. Segundo dados divulgados pela Anatel nesta sexta, 24, o setor acumula crescimento de 18,4% em 2010, até agosto, um percentual maior que o apresentado em todo o ano de 2009, que foi de 18,24%. Segundo a agência, com 248.879 novos assinantes acumulados no ano, o serviço atende hoje 8.849.068 domicílios. Considerando-se o número médio de pessoas por domicílio divulgado pelo IBGE (de 3,3 pessoas por domicílio), os serviços de TV por assinatura são distribuídos, atualmente, para mais de 29,2 milhões de brasileiros. O número de domicílios atendidos está muito próximo de alcançar o dobro do número de 2006, quando eram atendidos aproximadamente 4,5 milhões de domicílios e quando começou a fase de crescimento mais robusto.

O aumento da base no mês de agosto representa uma evolução de 2,9% em relação à base de assinantes de julho.

Plataformas

Novamente, o DTH foi a plataforma que mais cresceu em penetração. A evolução no mês de agosto foi de 4,3%, contra 3,8% em julho. O cabo cresceu em ritmo mais acelerado que no mês anterior: 2,1% em agosto, contra 0,9% em julho. As prestadoras de MMDS novamente perderam assinantes. Segundo a Anatel, a perda foi de 1,4% de sua base.

Com o avanço do DTH, o share de participação de cada plataforma também vem mudando de forma acelerada. Segundo a agência reguladora, em janeiro deste ano o DTH representava 37,4% dos serviços de TV por assinatura. Ao final de agosto, os serviços via satélite atingiram 42,8% da base. Já os serviços prestados via cabo representavam 57,9% do setor, caindo para 53,5% dos assinantes no final de agosto. O share do MMDS caiu de 4,7%, em janeiro, para 3,7% em agosto.

Crescimento regional

O setor acompanha a tendência de crescimento da classe C, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Nestas regiões, o crescimento nos últimos 12 meses foi de 62,0% e 40,8%, respectivamente. Em sequência vêm as regiões Sudeste (24,7%), Centro-Oeste (23,3%) e Sul (20,0%).

A Anatel divulgou ainda o crescimento das dez Unidades da Federação que apresentaram maior crescimento percentual nos últimos 12 meses. Amapá e Roraima apresentaram crescimento superior a 100% nos últimos 12 meses (106,3% e 106,1%, respectivamente). Na sequência vêm Maranhão (73,1%), Piauí (64,8%), Amazonas (64,7%), Tocantins (61,1%), Bahia (54,9%), Pará (53,1%), Alagoas (50,2%) e Acre (43,3%). Da Redação.
 

'A rede é a eletricidade de nossa sociedade'. Entrevista com Manuel Castells

domingo, 26 de setembro de 2010

Texto publicado em FNDC

21/09/2010 |
Alec Duartte
IHU - Instituto Humanitas Unisinos

"A única maneira de controlar a internet é desconectá-la totalmente. E isso hoje em dia é um preço que nenhum país pode pagar porque, além de livre expressão, a rede é educação, economia, negócios... é a eletricidade de nossa sociedade", afirma o sociólogo espanhol Manuel Castells, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, 21-09-2010. O jornal publica a entrevista sob o título "Se um país não quer mudar, não é a rede que irá mudá-lo".

Segundo o jornal, 'um dos mais relevantes pesquisadores da web, Castells esteve no Brasil a convite do recém-inaugurado Centro Ruth Cardoso e achou normal a ausência da esperada revolução nas eleições.

"Quando há estabilidade, não se pode esperar que a internet produza uma mudança que as pessoas não querem", disse".

Eis a entrevista.

Por que a internet amedronta o poder político?
Porque o poder sempre esteve baseado no controle e, às vezes, na manipulação da informação.
O grau de autonomia das pessoas para se comunicar, informar e organizar suas próprias redes de sociabilidade é muito mais potente com a internet. Ela é a construção da autonomia da sociedade civil. Os governos sempre tiveram horror a isso.

A internet é incontrolável, mas os governos sempre tentam exercer algum controle. Não é um trabalho em vão?
Por mais que queiram controlar, não podem controlar. Nem a China pode controlar. Isso mostra a desconfiança dos governos e dos políticos com respeito a seus próprios cidadãos. Não lhes agrada que se organizem e que sejam autônomos. Aos políticos só interessa o poder. A única maneira de controlar a internet é desconectá-la totalmente. E isso hoje em dia é um preço que nenhum país pode pagar porque, além de livre expressão, a rede é educação, economia, negócios... é a eletricidade de nossa sociedade.

É impossível para um governo, hoje, não tentar recorrer a esse tipo de expediente?
Os governos tiveram que entrar nesse mesmo espaço de comunicação. Antes, não havia debate, havia monopólio. Isso acabou. O fato de que um governo ou grandes empresas tenham que fazer blogs como a gente nivelou relativamente o espaço da comunicação em que se enfrentam interesses distintos.

O avanço tecnológico permitiu também que os cidadãos vigiem os governantes...
Os poderosos vigiavam os demais porque tinham os meios e a capacidade de fazê-lo. Mas agora as pessoas também podem vigiar os poderosos. Qualquer jovem com um celular, se vê uma personalidade política fazendo algo inconveniente, pode imediatamente difundir a cena. Hoje os poderosos têm que se esconder, sua vida é mais transparente, mas não há um controle, apenas vigilância.

A vida em rede mudou o comportamento dos governos?
Ainda não totalmente, mas o poder político sabe que não pode mentir nem manipular sem ter cuidado ao fazê-lo. Quando as pessoas descobrem, o choque é muito potente. Foi o que ocorreu na Espanha, em 2004, quando o governo de [José María] Aznar mentiu sobre a autoria do atentado terrorista em Madri. As pessoas ficaram indignadas porque Aznar disse que autoria era do [grupo separatista que atua na Espanha] ETA, quando se tratava da Al Qaeda.

Houve controle da informação e manipulação. A descoberta da verdade, na véspera da eleição, foi compartilhada por SMS e levou milhões de jovens às urnas. Isso mudou o resultado da eleição [o socialista José Luis Zapatero venceu Aznar].

Outro exemplo ocorreu no Irã, em 2009, quando houve manifestações contra a reeleição de [Mahmoud] Ahmadinejad. Mesmo num país com controle total da informação, a capacidade de mobilização, sobretudo pelo Twitter, foi fundamental.

Isso também aconteceu na deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, quando a internet foi invadida por hashtags de apoio à volta do mandatário, assim como o Twitter ostentou avatares verdes no episódio iraniano. Mas Ahmadinejad segue no poder, e Zelaya jamais foi reconduzido ao cargo. Falando em realpolitik, como essas mobilizações virtuais chegam ao âmbito do real?
As mudanças fundamentais na sociedade são as que se produzem na mente das pessoas. É aí que surge a mudança: quando as pessoas mudam sua forma de pensar e, portanto, de atuar. As ideias não passam necessariamente pela mudança política, mas sim pelas mudanças que os governos têm de implementar em função da pressão da sociedade.

Hoje quase não há discussão política na internet brasileira, apenas torcidas trocando provocações. E essas discussões não extrapolam a própria rede. O fato de a web não possuir no país uma penetração grande afeta diretamente a repercussão fora dela?
Para que se manifestem fenômenos de utilização da rede nas mudanças de consciência e de informação das pessoas, é preciso haver antes de mais nada rede em condições e que também exista interesse das pessoas num sistema político.

No caso específico do Brasil, qual a sua percepção?
O Brasil segue uma dinâmica assistencialista em que da política se esperam subsídios e favores, mais do que políticas. A situação econômica do país melhorou consideravelmente. O que mudou a política aqui é que os dois últimos presidentes, FHC e Lula, eram influentes e controlavam seus partidos muito mais do que eram controlados por ele. Duvido que o país continue a ter essa boa sorte, qualquer que seja o resultado das eleições.

A renovação do sistema político exige que as pessoas queiram uma mudança, e isso normalmente ocorre quando existem crises. A internet serve para amplificar e articular os movimentos autônomos da sociedade. Ora, se essa sociedade não quer mudar, a internet servirá para que não mude.
 

Jornalismo em tempos de Internet

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Atualizada em: 31/08/2011


Dica: Nao deixe de conferir a entrevista de Luis Nassif para o Interação Midiática no vídeo abaixo. 

Muito tem se falado que a Internet está mudando a forma de se fazer jornalismo. Nos primeiros anos, o texto impresso era transportado para meio digital, mas, com o tempo, editores de conteúdo perceberam que era preciso adequar o texto jornalístico para esta nova plataforma. Porém, depois de mais de 15 anos de jornalismo praticado na internet no Brasil, também se está percebendo que alterações mais profundas estão ocorrendo na prática jornalística. Mais profunda do que adaptação textual ou de linguagem. As mudanças estão se dando no modo como o indivíduo se relaciona com os veículos de informação, disponíveis na Internet ou não, e no despreparo dos jornalistas em lidar com essa nova realidade comunicacional.







Manuel Castells, em seu mais recente livro, Comunicação e Poder, trata das mudanças impostas à comunicação com o advento das redes de informação. É evidente que Castells não aborda apenas o jornalismo, mas focaremos esta análise à prática jornalística, visto os últimos acontecimentos no jornalismo praticado por alguns veículos importantes do país na cobertura das eleições de 2010. A estes veículos nos referiremos como velho jornalismo, pois sua prática está vinculada à prática histórica do fazer jornalístico que veio sendo instituído desde a Revolução Industrial no Séc. XVIII. 

Retomando Castells, com a comunicação em rede, a relação entre a comunicação e o poder se estabelece de forma totalmente nova e diferente daquela estabelecida na sociedade industrial. No desenvolvimento do jornalismo na era industrial a imprensa foi uma das responsáveis pelo surgimento de uma opinião pública, que passou a exercer uma forte influência nos caminhos sócio-econômicos da sociedade.  Surgem então, mecanismos de controle da opinião pública, que vai desde a indústria cultural, defendida pelos Apocalípticos da Escola de Frankfurt, até a hipótese do agendamento, criada por Shaw e McCombs, em 1972, passando pela Espiral do Silêncio de Noelle-Neumann, também em 1972. Nesta hipótese do agendamento, a mídia, pela seleção, disposição e incidência de suas notícias, determina os temas sobre os quais o público falará e discutirá. Já a Espiral do Silêncio, de Noelle-Neumann, afirma que se uma opinião é entendida como pertencente a uma maioria, as demais pessoas tendem a aceitá-la também como sua, por medo de rejeição social e acabam por mudar sua opinião seguindo a maioria. Ou seja, toda a estrutura do jornalismo era voltada para o conceito da audiência de massa. Tanto no seu produto final, a informação, quanto no modo de se produzir, era uma via de mão única. Os veículos noticiavam e o povo aceitava ou não as mensagens, porém se não aceitassem, não havia instrumentos do mesmo porte (se não alguns poucos veículos alternativos) para desconstruir a mensagem veiculada pelos jornais.

Mas, com a comunicação em rede, Castells aponta o surgimento de uma nova configuração do poder exercido pelo estado; o estado em rede, que é aquele onde os limites territoriais, o local e o global, se misturam e se confundem, expandindo e contraindo seu tamanho, influência e poder. Este estado nasceu devido ao surgimento de uma sociedade em rede, que são estruturas comunicativas que possuem pontas de contato umas com as outras criadas pelo fluxo constante de informação e mensagens onde a troca de papéis (emissor-receptor) é a atividade central. Esta nova sociedade gera novos conceitos, novos valores que são expressos por sua atividade na rede e são capazes de evidenciar ou obscurecer idéias, ideologias, crenças e regras morais. O estabelecimento de normas morais e de conduta que eram determinados pelas instituições religiosas ou laicas na sociedade industrial cai por terra na sociedade em rede, pois agora, esta sociedade e que irá decidir aquilo que é ou não de Valor para os integrantes da rede.

Esta é uma nova realidade na comunicação, que os donos de jornais, nem jornalistas estão preparados para enfrentar, pois altera completamente a relação entre o veículo e o seu leitor (ou telespectador, ou ouvinte). Luis Nassif, experiente jornalista com passagem pelos principais veículos de comunicação no país, analisa de forma contundente esta nova etapa do jornalismo nacional. Por ter atuado tanto no velho jornalismo, quanto nesta nova fase, atraves de seu Blog (Luis Nassif Online) e de seu portal de conteúdo (Brasilianas.Org), sua visão sobre a mudança no indivíduo e no fazer jornalístico corroboram a idéia de que os orgãos de imprensa no Brasil não se adequaram a esta nova realidade. Na opinião de Nassif (veja vídeo acima) “eles não sabem fazer de outro modo” e isto está criando um descompasso entre os veículos de informação e as mensagens que circulam na rede.  Matérias e informações produzidas pelos veículos tradicionais e repercutidas por outros órgãos de imprensa não possuem mais o fator tempo ao seu lado. Uma informação que é dada por qualquer órgão físico, no mesmo dia, ou antes de sua chegada as bancas ou horário televisivo, já é desconstruída, reorganizada e difundida pela rede. Os possíveis efeitos que a mensagem poderia produzir são minimizados, e em alguns casos, eliminados. 

Isto é algo novo e fundamental para a Democracia. A imprensa que sempre se gabou de ser o quarto poder está cedendo o lugar para a comunicação em rede. A medida que mais pessoas estiverem conectadas a Internet e fizerem parte dessa nova estrutura, as mudanças serão ainda maiores, pois atingirão em cheio a base financiadora do velho jornalismo: a publicidade.

Portanto, fazer jornalismo na Internet não é apenas adequar o texto a linguagem da rede. É antes de tudo, resgatar as bases do jornalismo sério, isento e democrático.
 

TV aberta X TV paga – Entrevista

Os textos sobre a relação entre a TV aberta e a TV paga no Brasil, tiveram por base o livro TV por assinatura: 20 anos de evolução, de Samuel Posebon. O Blog Interação Midiática entrou em contato com Posebon que gentilmente cedeu uma entrevista por e-mail sobre esta questão.

Abaixo segue a entevista com as respostas na íntegra.


Interação Midiática - Até que ponto a privatização da Telebrás contribuiu para manutenção do modelo de negócios da TV paga no Brasil? Caso não tivessem sido privatizadas, mesmo com a proibição na Lei do Cabo, as Teles poderiam influir de alguma maneira no mercado brasileiro, visto que as Teles possuiam autonomia gerencial e estratégica em seus estados de origem?

Samuel Possebon - A privatização da Telebrás veio na mesma época em que o governo planejava a expansão dos serviços de TV a cabo com as primeiras licitações públicas desde o surgimento da indústria de TV paga. Como a privatização das teles era uma oportunidade muito mais interessante, o grosso dos investimentos privados para ao setor de telecom acabou indo para lá e o setor de TV paga acabou atraindo apenas grupos com capacidade de investimento mais limitada. Na verdade, a privatização em si não influenciou no modelo da TV por assinatura, mas sim na dinâmica da indústria. Basta lembrar que quando a Lei do Cabo foi feita (entre 1991 e 1994) a existência de uma estatal de telecomunicações foi uma das preocupações do legislador. Por pressão das empresas que já exploravam TV a cabo na época da lei, e também por pressão dos movimentos de democratização das comunicações, a estatal Telebrás ficou fora do mercado de cabo. Com a privatização, as empresas de telecomunicações deixaram de ser estatais, mas a Lei do Cabo não mudou desde então, nem foi atualizada pela Lei Geral de Telecomunicações. Assim, o que acontece hoje é que empresas de telefonia privadas ainda são, formalmente, proibidas de controlarem empresas de cabo. Respondendo objetivamente sua pergunta, acho difícil dizer o que teria acontecido se as teles não tivessem sido privatizadas, mas provavelmente elas estariam até hoje proibidas de entrar no mercado de cabo, por conta da Lei do Cabo. Possivelmente seriam provedoras de infraestrutura. A contribuição da privatização para o mercado de TV paga foi, portanto, muito mais no sentido de mudar a dinâmica de investimentos.

IM- Como podemos dimensionar o papel do Grupo Globo de Comunicação no desenvolvimento da TV paga no Brasil?

Samuel Possebon - O grupo Globo teve papel central. Foi não só um dos primeiros grupos empresariais de grande porte a apostar nesse setor (ao lado do grupo Abril e RBS) como acabou determinando o modelo brasileiro de TV paga, com a existência de uma grande programadora nacional (Globosat), uma empacotadora de conteúdos (Net Brasil) e uma operadora que consolidou a maior parte do mercado de cabo (Net Serviços, antiga Globocabo). Além disso, a Globo foi acionista da Sky, operadora de DTH que chegou ao Brasil em 1996 ao lado da DirecTV e que hoje é a maior operadora de TV paga via satélite (ainda que a Globo não seja mais controladora). O grupo Globo é, assim, responsável pela base do que é o modelo de TV paga do Brasil, foi o responsável pelo fato de a TV por assinatura ter hoje forte presença de conteúdos nacionais (Globosat) mas, por outro lado, a forte presença da TV Globo pode ser apontada como um dos fatores que limitaram uma expansão mais vigorosa da TV por assinatura, pelo menos na primeira década de existência, até o advento da banda larga, a partir de 1998/1999.

IM - Desde o ínico da TV paga no Brasil sempre foi uma questão delicada o pocisionamento entre quem produz e quem distribui. Isto tende a piorar caso a PLC 116 seja aprovada?

Samuel Possebon - Não diria que a questão entre distribuição e produção tenha sido delicada. Diria que sempre foram universos convergidos. Durante a maior parte da história da TV paga, os principais grupos distribuidores foram também produtores. O grupo Globo, desde o início, tinha seus canais Globosat em todas as suas operações, e na primeira década de história da indústria também a TVA, do grupo Abril, tinha pesados investimentos em programação. Esse quadro começou a mudar a partir de 1998, quando a Abril, aos poucos, foi abandonando o mercado de programação. Já o grupo Globo começou a se desfazer de seus ativos em distribuição a partir de 2002, vendendo o controle da Sky para a News Corp e negociando a entrada do grupo Telmex na Net Serviços em 2004. Este processo ainda não está completo, contudo. A Telmex somente assumirá a Net Serviços quando a legislação permitir (esse é um dos efeitos esperados do PLC 116). Até lá, o maior grupo programador seguirá controlando a maior operadora. E ainda há casos de programadores como o grupo Bandeirantes (BandNews, BandSports, Terra Viva) que controlam operações de cabo (TV Cidade). Mas parece mais ou menos inevitável que no futuro grupos programadores não sejam mais distribuidores. A novidade do PLC 116/2010, na redação atual, é que ele cria uma espécie de "Tratado de Tordesilhas" na TV paga, um impedimento legal para que empresas de conteúdo controlem distribuidoras de conteúdo e vice-versa. Assim as empresas de telecomunicações não poderão controlar empresas produtoras de conteúdo nacional nem adquirir direitos de conteúdos. e empresas de conteúdo (como as emissoras de TV) não poderão controlar empresas de TV por assinatura. Assim, diria que no momento em que o PL 116/2010 for aprovado, esse processo de separação entre produção e distribuição, que vem sendo desenhado na última década, deve se consolidar.


IM - No Congresso da SET 2010, foi ventilada a questão da cobrança do must carry por parte dos representantes dos radiodifusores. Esta questão tem sido debatida também nos EUA. Poderá ser um ponto forte de discussão aqui no Brasil a partir do momento em que a base de assinantes das TV pagas incomodar a audiência da TV aberta?

Samuel Possebon - É uma análise complicada essa porque tudo depende do tamanho que o mercado de TV paga adquirir. Hoje, a TV aberta é muito forte e presente, mesmo entre os telespectadores que assinam TV paga. cerca de 70% da audiência ainda é para os canais abertos entre aqueles que têm serviços de cabo e DTH. Nos EUA, a relação é inversa, para dar um exemplo. No momento em que a TV paga se tornar mais popular e os canais pagos tiverem mais audiência, ficar fora do line-up das operações de TV por assinatura será um risco tremendo para as empresas de TV aberta. Mas hoje, o conteúdo delas é muito valioso para as empresas de cabo e DTH. Por isso é que os radiodifusores estão pressionando, no PLC 116/2010, pela possibilidade de poderem cobrar pelos seus sinais em alta definição. Eles sabem que nenhuma operadora de TV por assinatura gosta de viver sem a Globo, SBT, Record ou Bandeirantes em seus pacotes, e querem cobrar por isso. Mas se o efeito do crescimento da TV paga seguir o caminho que seguiu nos EUA, com um crescimento de audiência dos canais pagos e a massificação da oferta de TV por assinatura, o jogo tende a se inverter e aí serão os operadores de Tv aberta que exigirão o must carry, como aliás já fizeram em 1995, por medo de que a TV por assinatura fosse se tornar mais popular do que de fato se tornou.

IM - Quanto a restrição do Capital estrangeiro nos veículos, este também poderá ser um entrave na disputa pela audiênica entre a TV paga e a TV aberta?

Samuel Possebon - Do meu ponto de vista, a TV aberta vive um dilema nesse aspecto, pois a Constituição exige que nas empresas de radiodifusão se obedeça o limite de 30% para o capital estrangeiro, enquanto esse limite inexiste no setor de programação de TV paga, inexiste para serviços de telecomunicações, inexiste para empresas de DTH (via satélite) e é de 49% no serviço de distribuição de cabo. Não vejo como esse limite pode ser um entrave para a TV por assinatura, a não ser que as emissoras de TV nacionais comecem a utilizar o argumento que já estão utilizando com a Internet, ou seja, que veículos de comunicação jornalística no cabo ou no DTH também devem seguir os limites de capital estrangeiro da Constituição. Mas acho improvável que isso aconteça e acho que não deve haver grandes impasses na disputa pela audiência. O que certamente acontecerá é que no momento em que mais grupos estrangeiros começarem a disputar espaço na programação e na publicidade no Brasil, mais os grupos de comunicação nacionais defenderão a presença de cotas.

IM - A TV paga no Brasil é uma ameaça à liderança de audiência da TV aberta num futuro próximo, com a entrada de novos competidores e o Plano Nacional de Banda Larga?

Samuel Possebon - Não seria capaz de dizer que a ameaça é a TV por assinatura em si. Eu acredito que a distribuição de conteúdos de forma segmentada e fragmentada, estas sim, sejam uma ameaça para a televisão aberta e para os modelos de TV que conhecemos hoje (inclusive a TV por assinatura). Esse é o modelo que está vindo da Internet de forma avassaladora. Da mesma forma com que, na Internet, as pessoas não compram mais discos inteiros, e sim músicas individuais; não assistem mais a canais lineares, mas sim conteúdos específicos; não lêem mais jornais inteiros, mas notícias de seu interesse; elas também tendem a manter esses hábitos quando a TV se conectar à Internet. E essa realidade já está acontecendo. As TVs conectadas estão chegando ao mercado, a banda larga está se popularizando, empresas de Internet como Google e Apple estão ajustando seus modelos à distribuição de conteúdos, produtores de conteúdos como os grandes estúdios estão distribuindo seus conteúdos diretamente na Internet em janelas cada vez menores de tempo... Tudo isso afetará sem dúvida o hábito das pessoas de se sentarem na frente da TV e assistirem passivamente aquilo que lhes é oferecido. é claro que o modelo atual é extremamente forte e deve prevalecer por pelo menos mais uma geração até ser inteiramente alterado. é um modelo gratuito, cômodo e que está enraizado na cultura e nos hábitos das pessoas há décadas. Essa mudança não vai necessariamente beneficiar a TV por assinatura. Também a TV paga como conhecemos hoje, em que se assina um serviço em que necessariamente é obrigatória a escolha de um pacote com dezenas de canais, também esse modelo terá que ser repensado. Talvez o caminho seja o que já acontece nos EUA, em que as operadoras de TV por assinatura cada vez mais apostam na distribuição de conteúdos sob-demanda e na distribuição pela Internet.

Samuel Possebon, jornalista e mestre em comunicação. Acompanha desde 1994, como repórter e editor das publicações especializadas Tela Viva, Teletime e Pay-TV, os mercados de televisão, telecomunicações, Internet e televisão por assinatura no Brasil e no exterior.
 

O Brasil e a mídia em 2020

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Texto publicado em: M&M Online

Por Sandra Silva
Publicado 18 de Agosto de 2008

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, abre 7º Congresso Brasileiro de Jornais (ANJ) com panorama do Brasil e da mídia em 2020

Na abertura do 7º Congresso Brasileiro de Jornais da Associação Nacional de Jornais (ANJ), no World Trade Center em São Paulo, o ministro Miguel Jorge, traça panorama do Brasil em 2020 - tema deste ano do congresso que reúne mais de 800 inscritos de todo o País - reforçando a força da indústria jornalística que cresce apoiada pela estabilidade e expansão econômica. "Poucos se atreveriam a prever o futuro nos próximos dois anos, numa época em que a velocidade das inovações na mídia é muito veloz. Em 2020 teremos 210 milhões de brasileiros, 10% da população terá mais de 65 anos e a parcela com menos de 14 anos será inferior a 25%.

Debates sobre a sustentabilidade da Previdência Social e a preocupação com o consumo de mídia da população mais velha serão bem atuais. A idade média da população será mais alta, subindo de 27 anos para 32 anos. E a perspectiva de vida vai aumentar de 72 anos para 76 anos. A projeção é que o Produto Interno Bruto (PIB) continue a crescer em média 3,4% ao ano. A renda per capita pode subir de R$ 13,5 mil para R$ 21 mil. Teremos menos pobres no Brasil. E acredito que a indústria jornalística será mais forte, melhor e mais completa se apropriando das novas mídias", afirma.

O futuro econômico projetado pelo ministro prevê ainda 15 milhões de novos empregos até 2020 num país com 90% de pessoas alfabetizadas e 50% mais de alunos nas universidades na comparação com 2008. "O eixo do crescimento econômico e populacional continuará a se deslocar dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento". Entre os setores de destaque na economia brasileira para os próximos anos estarão o petrolífero, portuário, de siderurgia, automotivo e construção civil. "Em 2020, a China será a maior economia do mundo". O único risco futuro para o Brasil seria a descontinuidade da estabilidade econômica em governos futuros.

Num futuro mais próximo, o ministro do Governo Lula, prevê que a inflação ficará dentro da meta estipulada de 4,5% a 5% em 2009 e o dólar entre R$ 1,60 e R$ 1,80, num ponto de equilíbrio que auxilie exportadores brasileiros.

Miguel Jorge afirma ainda que a reforma tributária deve ficar para 2009 enquanto outras reformas ficariam para os próximos governos. Atendendo a reivindicações do setor, o ministro abre espaço na agenda do ministério para discutir questões que afligem a indústria de jornais, como a carga tributária e papel imprensa.

Valorização do setor

Em seu discurso de abertura do congresso, o presidente da ANJ, Nelson Sirotsky (RBS), pediu aos associados mais filiações ao IVC (que mede a circulação de jornais em todo o País) e ao Projeto Intermeios, do Grupo M&M.

A indústria brasileira de jornais conta com mais de 3.000 títulos em todo o País, desse total, 500 diários. Os 137 associados da ANJ representam 90% da circulação nacional de jornais. "É pequeno o número de jornais filiados ao IVC. Apelo também para que cada vez mais os jornais se associem ao Projeto Intermeios. Somos uma indústria vigorosa e cheia de perspectivas com muitos desafios numa economia brasileira que se solidifica", afirma.

Ainda nesta segunda-feira (18), ocorre a posse na nova diretoria da ANJ para o biênio 2008-2010 sob presidência de Judith Britto (Folha de S.Paulo), no World Trade Center, onde acontece o congresso.

Fonte: http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=O_Brasil_e_a_midia_em_2020
 

Ibope mede o apelo das eleições na web

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

10/09/2010 |
Redação*
Tele Síntese

Pesquisa revelou pico de comentários logo após o primeiro debate dos candidatos online

A campanha eleitoral caiu no gosto dos internautas. É o que revela pesquisa divulgada nesta sexta-feira, dia 10, pelo Ibope Nielsen Online. A empresa vem monitorando o tema na rede desde 6 de julho e registrou, em 18 de agosto, data do primeiro debate eleitoral online entre os candidatos à presidência da República um pico de mensagens relativas ao tema tanto em blogs, como em fóruns, grupos de discussão e no Twitter. O levantamento apontou, também, outros momentos de forte atividade na rede -- no dia seguinte ao primeiro debate dos candidatos na TV e quando Marina Silva, do PV, foi entrevistada na TV, cinco dias depois.

O Ibope estima que o total de brasileiros com acesso a internet - seja em casa, no trabalho, na escola ou em locais públicos - seja de 67,4 milhões de usuários. A empresa de pesquisa informa ainda, que, em 2009, 42% dos internautas eram da classe C, 48% das classes A e B e apenas 10% das D e E.

O levantamento do tema das eleições levou em conta o uso de palavras-chave encontradas em 70 mil fóruns, 4,5 milhões de blogs e 50 milhões de comentários. Pela ordem, os candidatos mais citados são Dilma Rousseff, do PT, José Serra, do PSDB, Marina Silva, do PV, e Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. A lógica na web confirma a mesma preferência dos candidatos das pesquisas tradicionais.

*com assessoria de imprensa.
 

NetMovies lança primeiro plano de assinaturas exclusivamente online

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Texto publicado em: Tela Viva News

A NetMovies lançou seu primeiro plano de assinatura exclusivamente online. Pelo valor de R$ 9,99 ao mês, o assinante poderá ver mais de 1,5 mil filmes direto de seu computador. Até o fim do ano, a empresa pretende dobrar o número de filmes disponíveis no plano de locação online. O serviço utiliza a tecnologia da norte-americana Ooyala, de propriedade de ex-executivos do Google, e permite aos usuários assistir a conteúdo de longa duração pela Internet, sem interrupções, downloads, licença de programas específicos ou requerimentos mínimos de processador ou memória. Basta apenas uma conexão de banda larga a partir de 700kbps. Quem já é assinante NetMovies nas regiões atendidas pelos planos tradicionais, também pode se beneficiar do novo plano e assistir filmes online quantas vezes quiser.

Com isso, a operação da empresa, que já entrega e retira locações em DVD e Blu-Ray em seis regiões do Brasil (Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Belo Horizonte, Baixada Santista, Campinas, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre), passa a operar nacionalmente através da Internet. Seguindo essa expansão, na primeira semana de setembro, a empresa abre suas operações de locação de mídias físicas em Brasília (DF), ação que faz parte do plano de crescimento de 350% em 2010. Da Redação.
 

Internet ainda tem pouco impacto na campanha

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Texto publicado em: Blog Estadão
9 de setembro de 2010|19h46|


Por Agências

O roteiro esperado previa a renovação do debate político e do diálogo mas, no clímax da novela eleitoral, a presença da Internet na campanha está mais para coadjuvante do que protagonista.

As campanhas dos presidenciáveis ainda tentam decifrar o impacto que a movimentação online teve sobre o eleitorado brasileiro a menos de um mês da eleição, mas uma coisa parece certa: reforçou a participação de militantes na web. A dúvida é o efeito real exercido sobre os demais eleitores. Num país onde 42 por cento da população tem acesso à Internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o interesse do eleitorado é o fiel da balança na eficácia da campanha online.

“A internet está muito superdimensionada,” afirmou Soninha Francine, responsável pela campanha de José Serra (PSDB) na web.”É boa para quem é militante, que pode encontrar outros militantes. Para quem é indeciso é ótimo, desde que seja interessado. O indeciso desinteressado vai decidir pelo santinho que ele pegou na calçada no dia da eleição”, disse.

A sucessão gerou hits virtuais, como o vídeo Dilmaboy, na qual um universitário dança e canta em admiração à Dilma Rousseff (PT). No Twitter, Serra e a petista trocam mensagens com internautas que incluem dicas de livros, músicas, afagos e agenda de campanha.

A temporada de caça as votos reuniu os candidatos no primeiro debate entre presidenciáveis na internet no país, mas o mundo online está longe de ser o destino favorito do eleitorado real. São 135,8 milhões de eleitores brasileiros mas, segundo pesquisa Datafolha, apenas 7 por cento dos votantes preferem a Internet para obter informações sobre os candidatos. A televisão continua soberana neste reino, sendo a escolha de 65 por cento.

“A TV tem papel muito importante, devido à audiência. A mudança de indecisos na internet não é tão grande como na TV mas, sim, ocorre” explicou Marcello Branco, coordenador da campanha online de Dilma.

As redes sociais tornaram-se a menina dos olhos de ouro para as campanhas, que afirmam ter devolvido ao público o “controle” sobre o debate político. “A internet possibilitou que milhares de pessoas entrassem no debate político com seu próprio conteúdo,” disse Branco. “A Internet também força o debate nas ruas.”

Mas, se a arrecadação é um exemplo, não foi desta vez que a estrela da web brilhou. A campanha do PV, por exemplo, levantou menos de 100 mil reais em doações online de um total de 12 milhões de reais. “Ainda é uma incógnita,” resumiu o coordenador executivo da campanha do PV, João Paulo Capobianco.

/HUGO BACHEGA (REUTERS)
 

Internet bate TV aberta como passatempo nacional

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Texto publicado em FNDC

01/09/2010 |
Marco Tomazzoni
iG

SÃO PAULO - A internet virou a forma de entretenimento favorita entre os brasileiros, acabando com o monopólio da televisão. Pelo segundo ano consecutivo, uma pesquisa realizada pela Deloitte no Brasil e em outros quatro países (Estados Unidos, Japão, Alemanha e Reino Unido) mostrou que a web é o passatempo nacional favorito – ao contrário dos estrangeiros, que ainda preferem a TV. O internauta brasileiro gasta em média, por semana, 17 horas assistindo televisão e cerca de 30 horas navegando na internet.

Para enfrentar esta mudança, as redes de televisão aberta têm si um desafio complexo pela frente: vencer o desinteresse do espectador. Nos últimos anos, a TV aberta vem perdendo ponto atrás de ponto no Ibope, seja para uma poltrona vazia, seja para outras mídias. A TV por assinatura, DVD players e principalmente e internet vem se firmando como as principais opções para o brasileiro em seu tempo livre.

Entre 2000 e 2009, a média de televisores ligados das 18h à meia-noite – o horário nobre da audiência e dos anunciantes – caiu de 66% para 59% e as cinco maiores redes do país perderam juntas 4,3 pontos de audiência. Enquanto isso, no mesmo período o total de aparelhos utilizados para outras funções – TV a cabo, games, etc – cresceu 91%, de 3,5 para 6,7 pontos.

Explosão da web
O salto é reflexo da explosão que esses serviços tiveram no país. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o total de usuários de TV por assinatura partiu de 3,4 milhões, em 2000, para 8,6 milhões em julho de 2010, aumento de 152%. O mercado doméstico de cinema também vive sua era de ouro: de 5,9 milhões de fitas VHS e DVDs em 2001, segundo a União Brasileira de Vídeo, para 25,4 milhões de unidades no ano passado, uma expansão de 430%.

Com relação à internet de alta velocidade, o aumento é exponencial: de 100 mil pontos fixos no início da década para 12,2 milhões em 2010, de acordo com a Associação Brasileira de Telecomunicações. Só no primeiro semestre deste ano, a banda larga móvel, o famoso 3G, teve crescimento de 141%, passando de 4,3 milhões de conexões para 10,4 milhões, uma verdadeira febre entre os usuários.

Fonte: Ibope
 

No Brasil, 35% dos domicílios têm computador e 27% contam com acesso à internet

Texto publicado em: Convergência Digital

Luís Osvaldo Grossmann
Convergência Digital -- 08/09/2010

O IBGE divulgou nesta quarta-feira, 8/9, a nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a PNAD 2009, na qual demonstra que 67,9 milhões de pessoas com 10 ou mais anos de idade utilizaram a internet no ano passado, o que representa um aumento de 12 milhões (21,5%) sobre 2008. Em 2005, a internet tinha 31,9 milhões de usuários; o aumento no período foi de 112,9% – houve crescimento em todas as regiões.

A pesquisa também verificou a existência de computadores nas residências do país. No Brasil, dos 58,6 milhões de domicílios investigados em 2009, quase 35% deles tinham microcomputador (20,3 milhões), sendo 16 milhões com acesso à internet (27,4%). A evolução em relação ao ano anterior não alterou o quadro de diferenças regionais.

A Região Sudeste manteve-se com a maior proporção de domicílios com microcomputador (43,7%) e com microcomputador com acesso à internet (35,4%). As Regiões Norte (13,2%) e Nordeste (14,4%) apresentaram as menores proporções de domicílios com microcomputador com acesso à internet; a Região Sul possuía 32,8%; e a Centro-Oeste, 28,2%.

As diferenças regionais também são evidentes com relação ao uso da internet. O Sudeste se manteve com o maior percentual de usuários (48,1% em 2009 e 26,2% em 2005). As regiões Norte (34,3% em 2009 e 12% em 2005) e Nordeste (30,2% em 2009 e 11,9% em 2005) apresentaram os menores percentuais em cada ano, mas registraram os maiores aumentos percentuais nos contingentes de usuários (respectivamente, 213,9% e 171,2%).

Segundo o IBGE, todos os grupos etários apresentaram aumento na proporção de pessoas que utilizaram a internet. Os maiores aumentos, entre 2005 e 2009, em pontos percentuais, aconteceram para aqueles que estavam nos grupos etários mais jovens. A proporção de pessoas de 10 a 14 anos de idade aumentou 34,5 pontos percentuais, alcançando 58,8% em 2009.

Para o grupo etário de 15 a 17 anos, o aumento foi de 37,4 pontos percentuais e, para o de 18 ou 19 anos, foi de 35,9 pontos percentuais, alcançando, assim, esses grupos etários 71,1% e 68,7% de pessoas que utilizaram a internet, respectivamente, no período de referência.

Os grupos etários mais jovens, até 29 anos de idade, apresentaram proporções superiores a 50%, chegando a 71,1% para o grupo de 15 a 17 anos. Apesar de ser o grupo que apresentou o maior aumento (148,3%) no contingente, somente 15,2% das pessoas de 50 anos ou mais de idade utilizaram a internet.

De 2008 a 2009, as mulheres avançaram mais que os homens com relação ao acesso à internet. O aumento no contingente de homens foi de 20,0%, e no de mulheres alcançou 22,9%. Ao se observar os grupos de idade nas faixas mais elevadas, o crescimento da utilização da internet pelas mulheres foi maior.

No grupo de 30 a 39 anos de idade, o contingente de mulheres aumentou 28,2%, enquanto o de homens, 24,8%; no grupo de 40 a 49 anos, o aumento foi de 31,9% para as mulheres, contra 21,8% para os homens; e no grupo de 50 anos ou mais de idade, foi registrada a maior diferença. Neste último, houve aumento de 46,1% no número de mulheres, contra um aumento de 35,5% do número de homens que acessaram a Internet no período de referência dos últimos três meses.
 

TV aberta X TV paga – Conclusão

domingo, 5 de setembro de 2010

A TV a cabo no Brasil teve seu inicio da mesma forma que nos EUA. Pequenos empresários instalavam antenas comunitárias (CATV) e distribuíam o sinal da TV aberta onde o sinal era ruim. Petrópolis foi a primeira cidade brasileira a instalar uma CATV.

Porém, as semelhanças ficam param por aí. Os dois países tomaram caminhos muito diferentes na implantação da indústria da TV paga. Nos EUA, a partir de 1948, a TV a cabo veio se desenvolvendo atingindo 90% da audiência. No Brasil, somente em 1988 o serviço foi regulamentado pelo Governo José Sarney e as primeiras licenças de DISTV (Distribuição de Sinais de TV), que ainda não eram serviços de TV por assinatura, visto que apenas retransmitiam o sinal da TV aberta pelas CATV. Somente em 1991, o sistema de TV por assinatura começou a ser regulamentado.

Assim, enquanto nos EUA a TV paga se desenvolveu até ser a maior plataforma de distribuição de vídeo, no Brasil ela se tornou um bem para poucos. E isto se deve as políticas de comunicação e políticas econômicas que foram sendo forjadas pelo executivo e legislativo brasileiro com uma principal intenção: não permitir que a TV paga competisse diretamente com a TV aberta.

Já em 1975, os radiodifusores lutavam para que o sistema de CATV fosse regulado. Mas, o apoio não era para que o sistema fosse regulado comercialmente para que pudesse ser explorado pelas empresas. Samuel Possebon, em seu livro, TV por assinatura: 20 anos de evolução relata essa ação:

O motivador aparente não era a exploração do serviço pelas empresas de comunicação, e sim impedir que os serviços de CATV entrassem em situação de conflito com as emissoras de TV aberta. Por exemplo, transmitindo os sinais das geradoras locais com alterações no conteúdo ou não respeitando as inserções comerciais. Talvez por isso o projeto de 1975 para regulamentar a cabodifusão tivesse tantas garantias de que os sinais de radiodifusão, apesar de poderem ser retransmitidos, não sofreriam qualquer tipo de alteração pelo operador de cabo.*

Essas e outras ações regulatórias tiveram como principal articulador a Rede Globo de Televisão e suas afiliadas. A TV bandeirantes e o SBT tardiamente entraram no mercado de TV paga, quando este já estava dominado pela Globo e a indústria regulamentada. Somente com a crise causada, principalmente, pela desvalorização do Real, a Globo teve que se desfazer de algumas atividades e reduziu drasticamente sua atuação no mercado de TV paga.

Entretanto, algumas coisas começaram a mudar a partir da estabilidade econômica que o Brasil vem experimentando desde 2002. As classes C e D também querem TV paga. Com esta nova demanda pela TV por assinatura, o mercado vem se agitando e novamente políticas de comunicação estão sendo forjadas para regular o setor, visto que a Lei do Cabo de 1995 encontra-se defasada. Dentre as principais questões que trata a nova lei, que ainda não foi aprovada, encontra-se a permissão para que empresas de Telecomunicações também atuem como operadoras de TV por assinatura. Isto será um duro golpe para as emissoras de TV aberta.

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 8 milhões de assinantes de TV por assinatura. Estimativa do banco BTG Pactual, apresentada no Congresso ABTA 2010, prevê que a penetração do mercado de TV paga salte dos atuais 15% para 40% até 2014, alcançando 18 milhões de assinantes. Na melhor das hipóteses, executivos do banco acreditam que esta penetração atinja 26 milhões de assinantes ou 45%. Acredita-se que haja um mercado de 26 milhões de lares entre as classes A, B e C com potencial para a TV paga.

Isto seria uma revolução no mercado de brasileiro. Estes são números que a TV Globo possui. Apesar de sua audiência estar caindo consideravelmente desde 2000, ela ainda possui 46%, em média, da audiência brasileira. Tendo que dividir essa audiência com outras operadoras, a verba publicitária também será dividida. Até que ponto uma empresa de comunicação pode perder anunciantes até que isto não comprometa sua qualidade artística e técnica?

Além deste “incômodo” para as redes de TV aberta, a Internet também está mostrando sua força. Caso o Plano Nacional de Banda Larga cumpra suas metas, outras ofertas de distribuição de vídeos vão encontrar contexto econômico favorável para que novos negócios possam ser ofertados para a população, como a TV conectada (leia-se TV Google e Apple TV).

Vendo o mercador esvair de suas mãos, radiodifusores tocam em um ponto sensível. O que fora garantido por lei (a transmissão dos canais locais de TV aberta pelas operadoras de cabo), agora poderá ser uma forma das emissoras ganharem dinheiro das operadoras de TV paga. No Congresso SET 2010, Fernando Bittencourt sugeriu de que se rediscuta no Brasil a regra do must carry, pela qual as operadoras de cabo são obrigadas a carregar os sinais das emissoras locais, que por sua vez devem ceder o sinal gratuitamente. A idéia é que a emissora pode obrigar o cabo a levar seu sinal (nesse caso gratuitamente) ou pode negociar um valor pela cessão da programação. O argumento das emissoras é que o conteúdo da TV aberta tem grande valor para os operadores, que não pagam nada por isso.

Assim, está montado o cenário para que muito em breve, a TV aberta e a TV paga entrem em disputa acirrada por espectadores e anunciantes. Desta vez, concorrentes de peso entraram no jogo, e os interesses dos radiodifusores não estão sendo acatados tão prontamente como fora no passado pelo Governo Federal. Alia-se a isto, a iniciativa de pequenos operadores de TV paga no Brasil, que atuam desde a fase pioneira da indústria e que vêem a possibilidade de crescimento e concorrência de igual para igual com as grandes operadoras por meio do PNBL.

Outro cominho para as emissoras de TV aberta é a TV Digital interativa e sua mobilidade. A TV móvel vem sendo tratada como a nova menina dos olhos, devido ao seu potencial de mercado.Mas isto também é um problema. A interatividade que está sendo desenvolvida para a TV Digital aberta, possivelmente não existirá na programação das operadoras de TV a cabo, pelo menos no início. O Ginga, software que permite as aplicações de interatividade requer uma configuração de hardware muito mais elevada do que as "caixinhas" da TV a cabo. "Será preciso redesenhar toda nossa estrutura, mas não vejo como isso será feito por agora, visto que o set-top-box para rodar o Ginga utiliza uma configuração muito mais pesada que a nossa". afirmor José Felix, presidente da NET, no Congresso SET 2010.

A verdade inconteste é que a comunicação no Brasil poderá ser definida em antes de 2014 e após ele. Para quem é contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, pelo menos do ponto de vista da comunicação, ela trará inúmeros benefícios, visto a infra-estrutura nas comunicações necessária para a realização da Copa.

Está se configurando um novo mercado de comunicações no país. É preciso que a população esteja ciente deste jogo e participe ativamente, seja na internet ou nas Conferências de Comunicação. Não se pode permitir que novamente o mercado seja regulado de acordo com os interesses de mercado de um grupo ou de outro. Nós, brasileiros é que temos que sair ganhando nesta partida.

Fonte:
*TV por Assinatura: 20 anos de evolução. Samuel Possebon.Editora: Save Produções Editoriais, 2009.
 
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