AOL Time Warner de novo

quinta-feira, 31 de março de 2011

Texto publicado em: Link - Estadão -

Por: Renato Cruz -

A AOL Time Warner pode ser considerada o símbolo dos excessos da primeira bolha da internet. Em 10 de janeiro de 2000, a America Online (AOL), então maior provedor de acesso do mundo, comprou a gigante das comunicações Time Warner por US$ 166 bilhões em ações. Jornais do mundo todo publicaram fotos de Steve Case, da AOL, abraçando com entusiasmo Gerald Levin, da Time Warner.

A nova empresa tinha valor de mercado de US$ 350 bilhões. Na época, a AOL valia duas vezes mais que a Time Warner. A ideia era combinar a força da distribuição digital da AOL ao conteúdo de qualidade da Time Warner. Não funcionou. Três meses depois, a bolha estourou e as ações da AOL caíram 75%.

A decadência da AOL não parou por aí. Ela não conseguiu fazer bem a transição da internet discada para a banda larga, perdeu mercado e acabou se transformando numa divisão da Time Warner, a companhia que havia comprado. Depois, foi cindida numa empresa independente de novo, e até hoje tenta recuperar a relevância. O último lance foi a compra do site The Huffington Post.

O Wall Street Journal, citando “rumores da Califórnia”, aponta que a indústria talvez esteja pronta para tentar de novo unir um gigante da internet a uma empresa tradicional de comunicação. “Não é piada”, escreve Dennis K. Berman. Ele argumenta que serviços maduros de distribuição digital como Netflix ou YouTube precisam se diferenciar com “melhores filmes, melhores séries de televisão, melhores clipes de comédia e ainda melhores notícias”.

Não dá para esquecer que Steve Jobs, da Apple, já é o maior acionista individual da Disney, depois da incorporação da Pixar. “Imagine o Google assumindo o New York Times, ou o Facebook comprando sua própria divisão de entretenimento”, destaca o WSJ. As pessoas já começam a falar que, na época da AOL Time Warner, a tecnologia ainda não estava pronta, e que agora está. No setor de tecnologia, dinheiro para fusões e aqusições é o que não falta.

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TELEFONIA vs. RADIODIFUSÃO: a guerra anunciada

terça-feira, 29 de março de 2011

Texto publicado em: Observatório da Imprensa -

Por Venício A. de Lima em 29/3/2011

Salvo por uma matéria traduzida da The Economist, publicada na Carta Capital nº 639, a grande mídia brasileira optou por não noticiar a briga de gigantes deflagrada no México, nos últimos dias.

E por que interessaria ao público brasileiro o que ocorre no México? Quando nada, um dos gigantes envolvidos é sócio (alguns dizem, majoritário) da maior operadora de televisão paga do Brasil: a NET, ligada às Organizações Globo. Ademais, o que está acontecendo ao norte do Equador pode perfeitamente vir a acontecer também ao sul, vale dizer, aqui mesmo entre nós.

Monopólio vs. monopólio


As operações de telefonia e televisão no México são praticamente monopolizadas por dois grandes grupos.

Cerca de 80% das linhas de telefonia fixa estão conectadas à Telmex – a mesma empresa que é sócia da NET – e 70% do mercado de telefonia móvel (celular) são controlados pela Telcel, outra empresa do mesmo grupo – ambas de Carlos Slim, o homem mais rico do planeta.

Por outro lado, o grupo Televisa, do empresário Emilio Azcárraga, controla cerca de 70% da audiência da televisão aberta. O que sobra, em boa parte, está sob controle da TV Azteca, comandada por Ricardo Salinas, outro magnata mexicano.

Os grupos conviviam em relativa harmonia, cada um com seu respectivo "mercado". Agora, diante da convergência tecnológica, resolveram se enfrentar abertamente.

Um grupo de 25 empresas de telecomunicações, incluídas a Cablevisión (propriedade do Grupo Televisa) e Iusacell (do Grupo Salinas, da TV Azteca), entrou com uma ação na Comissão Federal de Competição (Cofeco, equivalente ao nosso Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade, do Ministério da Justiça) contra o alto custo das tarifas de interconexão cobradas pela Telcel. Ao mesmo tempo, a Telmex apresentou quatro denúncias contra a Televisa, a Televisión Azteca, a Cablesivion, a Megacable, a Cablemas, a Television Internacional e a Yoo por "práticas de monopólio e correlatos".

As ações legais vieram acompanhadas de anúncios de página inteira nos jornais parceiros da Televisa denunciando o "monopólio caro e ruim" da indústria de telecomunicações, enquanto Carlos Slim retirava os anúncios de suas empresas – cerca de 70 milhões de dólares anuais – dos canais da Televisa. Em represália e solidariedade à Televisa, a TV Azteca passou a recusar os anúncios do Grupo Telmex.

Disputa de mercado

O que está em jogo, por óbvio, é o controle do mercado convergente de telefonia e televisão. Como explica didaticamente a matéria da The Economist:

"A tecnologia transformou os negócios de telefonia e televisão em um único mercado: a televisão hoje inclui telefone e internet em seu serviço de TV a cabo, e quer adicionar telefones celulares. Salinas, que também controla uma empresa de celulares, a Iusacell, lançou um pacote semelhante em 2010. Slim deseja usar seus cabos de telefonia para distribuir TV paga (setor em que se tornou o maior ator no resto da América Latina), mas o governo não quer permitir.

"Agora os bilionários pedem o tipo de reforma da concorrência de que suas respectivas indústrias precisavam há muito tempo. Os magnatas da TV querem que Slim reduza o valor cobrado quando, um telefone rival liga para um celular Telcel (a agência reguladora das teles do México lhe disse para reduzir algumas taxas). A atual tarifa de interconexão é 43,5% acima da média da maioria dos países ricos da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso torna impossível que outras operadoras ofereçam tarifas competitivas. A Comissão Federal de Concorrência (CFC) do México diz que os consumidores se beneficiariam de 6 bilhões de dólares por ano se as taxas de conexão se equiparassem à média da OCDE. A CFC recomenda deixar Slim concorrer na televisão quando tiver relaxado seu poder no setor de telefonia. Se a Telmex entrasse no mercado de tevê paga, o aumento da concorrência colocaria os preços ao alcance de mais 3,8 milhões de residências, admite a CFC."


E no Brasil?

A situação brasileira é diferente da mexicana, mas a briga entre teles e radiodifusores tradicionais ocorre também aqui. O locus dessa disputa, desde 2007, tem sido o projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e "abre o setor de TV por assinatura para as teles, cria a separação de mercado entre produtores de conteúdo e empresas de distribuição e ainda cria cotas de programação nacional nos pacotes de canais pagos", além de revogar a Lei do Cabo de 1995.

Na sua versão atual o projeto – PLC 116 do Senado Federal – é o resultado da articulação inicial de três propostas representando grupos e interesses distintos: o PL 29/2007 representa as empresas de telefonia; o PL 70/2007 representa os radiodifusores; e o PL 323/2007 situa-se em posição intermediária entre os interesses dos dois setores. Aprovado em junho de 2010 na Câmara dos Deputados, até hoje tramita no Senado Federal.

Será que teremos aqui uma versão explícita da briga entre teles e radiodifusores como ocorre no México?

A ver.
 

Pinheiro assume relatoria de outro projeto para TV paga no Senado, o PL 182/2009

domingo, 27 de março de 2011

Texto publicado em: Tela Viva News

O senador Walter Pinheiro (PT/BA) é o relator do projeto de lei 182/2009, proposto pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e que muda a Lei do Cabo para permitir o controle das operadoras por empresas de capital estrangeiro e para liberar a entrada das teles no setor. Segundo Pinheiro, ele ainda avaliará o encaminhamento que será dado ao PL 182,2009, já que nesse momento a prioridade do Senado é a aprovação do PLC 116/2010, oriundo da Câmara dos Deputados. O PLC 116 é bem mais amplo e, apesar de ter os mesmos efeitos do PL 182/2009, ele ainda entra em questões de conteúdo e radiodifusão.

Walter Pinheiro, contudo, espera que nas próximas semanas seja possível chegar a um acordo para a votação do PLC 116. A proposta do senador é que as comissões em que o projeto tramita conversem com os setores interessados para avaliar o grau de consenso na proposta. “Isso já era para ter acontecido, mas ainda não foi possível. Espero que na próxima semana (do dia 28) possamos ter essas reuniões”, diz Pinheiro. Ele acha pouco provável que aconteçam audiências formais, pois isso tomaria muito tempo. “O que eu proponho são conversas para chegar a um acordo”. Segundo o Senado, se houver a necessidade de mudanças no texto, teriam que ser mudanças simples para que, retornando à Câmara, o PLC 116/2010 pudesse ser rapidamente votado. “Mas se a coisa começar a complicar demais a solução vai ser levar o projeto a voto no plenário mesmo”, diz Pinheiro, que foi autor, ainda como deputado, de um dos projetos que deu origem ao PLC 116.

Já em relação ao PL 182/2009, Pinheiro admite que ele seria uma espécie de plano B, para que algumas questões possam ser endereçadas na hipótese de não se chegar a um acordo sobre o PLC 116. “É um projeto mais pontual, mas por ser um projeto de comissão, ele tem algumas prerrogativas”, diz. Entre essas prerrogativas estão a dispensa de tramitação em comissões (ou seja, ele pode ser votado imediatamente no plenário) e o fato dele não ser apensado a projetos semelhantes, como é o caso do PLC 116/2010. Samuel Possebon.
 

As transformações nos veículos de comunicação de massa - Parte II

domingo, 20 de março de 2011

No início da análise sobre as transformações pelas quais estão passando os veículos de comunicação de massa (clique aqui para ler) afirmei que o principal problema está relacionado à distribuição dos conteúdos e das mensagens publicitárias. A razão disso é que a sociedade está mudando e os veículos de mídia tradicionais, principalmente a televisão, atendiam aos propósitos de uma sociedade industrial, de massa, voltada para o consumo e prestação de serviços. Mas, no final dos anos de 70 e início dos 80, a economia mundial começou a experimentar a transferência dos investimentos financeiros da produção industrial para os mercados de capital, o que provocou uma desmassificação da sociedade, conforme afirma Alvin Toffler.

Isso quer dizer, que ao invés dos lucros gerados pelos investimentos na produção de bens e materiais (o que gera emprego em fábricas e postos de trabalho), os lucros passaram a vir dos investimentos no mercado financeiro (que acaba com milhares de empregos). Desta forma, a sociedade foi deixando ao poucos a sociedade industrial para dar lugar à sociedade da informação, onde a flexibilidade e a inovação passaram a ser as regras dessa nova fase. As empresas foram obrigadas a se adaptarem às mudanças, bem como os trabalhadores, investindo mais em qualificação (estudos). Como resultado, o papel das empresas mudou, bem como o do homem e da mulher. Aquela figura clássica da família dos anos 50 e 60, reunida em torno da televisão após a chegada do chefe da família de um longo dia de trabalho na fábrica está longe de representar a configuração da família atual nos grandes centros econômicos.

O caso americano é um bom exemplo para configurarmos como esta transformação da economia se tornou um desafio para as emissoras de televisão e demais veículos de comunicação de massa. Enquanto no Brasil o processo de industrialização se deu a partir da Segunda Grande Guerra, nos EUA o processo se iniciou ainda no século XIX e dentro desse período os EUA se tornaram o país mais industrializado do mundo. Ao final da Segunda Guerra, os americanos se tornaram a maior economia do planeta, sendo responsável pela fabricação de 80% dos automóveis em todo mundo e, também, o maior produtor de petróleo. Com a destruição da capacidade industrial na Europa e Japão, os EUA exportavam para os países envolvidos no conflito uma infinidade de produtos e materiais utilizados na reconstrução das cidades destruídas pela guerra. Durante mais de 40 anos, os EUA prosperaram e enriqueceram. Porém, a partir dos anos de 80, a administração Ronald Reagan iniciou um processo de desregulamentação do mercado financeiro dos EUA e ficou muito mais atrativo investir no mercado de ações do que fabricar produtos. Esta desregulamentação continuou no governo Clinton, acentuou no governo Bush filho e continua no governo de Barack Obama, permitindo ao mercado financeiro investimentos em derivativos e opções subprime de forma descontrolada, o que acabou por provocar a maior crise do capitalismo desde a crise de 29, em 2009.

Paralelo à desregulamentação do mercado financeiro, a queda do Muro de Berlin, em 1989, permitiu que empresas do Ocidente se instalassem em países da Ásia, tornando empresas americanas em off-shore, onde uma empresa deixa seu país e se instala em um outro país, produzindo seus produtos com mão-de-obra e matéria-prima local, quase sempre pagando salários muito inferiores do que seriam pagos no país de origem.

Desta forma, a televisão, que nos áureos tempos da sociedade industrial entretia e informava quase a totalidade das famílias americanas com sua programação repleta de anunciantes, vê agora o desenvolvimento de novas mídias que atendem a essa nova classe de trabalhadores, mais qualificados ( e mais exigentes), com horário de trabalho flexível e desenvolvendo novos papais na sociedade, de uma forma muito mais eficaz do que a televisão atual. E o mercado publicitário está percebendo esta mudança e segue o consumidor seja em qual mídia for. Nos EUA, a internet já atrai mais anunciantes do que os jornais impressos ficando atrás apenas da televisão e das revistas.

Isso também está acontecendo aqui no Brasil, mas com uma diferença: a estabilidade econômica e o desenvolvimento da capacidade industrial brasileira estão proporcionando bons índices de emprego e renda, permitindo às famílias investirem em novas plataformas de distribuição de conteúdo, seja a internet banda larga ou a TV por assinatura.

Como a indústria televisiva, que nasceu e foi estruturada para atender as demandas de uma sociedade de massa pode lidar com este novo cenário altamente competitivo de novas mídias, sendo que o indivíduo já não assiste à TV da mesma forma?

Este é o grande desafio das emissoras de televisão atualmente.
 

Obama: a farsa do sonho americano

quarta-feira, 16 de março de 2011

Confesso que no dia da posse do presidente Obama, me emocionei frente à TV acreditando que estaria presenciando um novo tempo, uma nova história sendo escrita à partir da eleição do primeiro presidente negro nos EUA. As promessas foram muitas: fim de Guantanamo, em Cuba, fim da invasão americano ao Iraque, recuperação da economia americana, regulação do sistema financeiro, uma nova política de imigração e etc. Mas, infelizmente, tudo não passou de um sonho. Obama é apenas “mais do mesmo”. Enganou todos os americanos que votaram nele e boa parte do mundo. Suas ações após ter tomado posse falam muito mais que suas promessas.



A primeira pessoa influente que me chamou a atenção para o fato de que Obama não representa uma mudança verdadeira na política americana foi Noam Chomsky. O importante pensador americano afirmou que Obama era a mesma coisa que seu antecessor: Bush filho, apenas com uma retórica diferente. “Yes, we can”. Sim, nós podemos. Esta foi a frase, repetida a exaustão pela mídia mundial, na qual Obama conseguiu atingir o coração e mente de todos que acreditaram nele. Nela está implícito o desejo dos americanos em resgatar o seu estilo de vida (consumista) e orgulho em ser a nação mais rica e poderosa do globo. Mas, então, as decepções começaram se concretizar. Em seu primeiro ano de mandato, o índice de aprovação de Obama caiu de 78% para 47%. Uma das maiores quedas já registradas no primeiro ano de mandato presidencial dos EUA.

Obama intensificou mais do que Bush as intervenções militares no Oriente Médio e no Afeganistão, aumentou impostos para a classe média (e não para os ricos, que viram seus impostos diminuir no governo Bush), não só não fechou Guantanamo, como autorizou novos julgamentos, mas o pior ainda estava por vir.

A segunda pessoa influente que me chamou a atenção para o “mais do mesmo” que representava Obama, foi o documentário: Capitalismo: uma história de amor, do cineasta americano Michael Moore. No final do documentário, Moore levanta a hipótese que poderíamos estar entrando em uma nova fase (quando do lançamento do filme, Obama tinha assumido a presidência há poucos meses) com a eleição do primeiro presidente negro. Mas via em um pequeno detalhe, algo que podia frustrar esta esperança: as mesmas empresas que doaram milhões de dólares para a campanha de John McCain, também o fizeram para o comitê de Obama.

A terceira pessoa a me alertar sobre Obama foi Charles Ferguson, em seu documentário, Trabalho Interno, ganhador do Oscar de 2011 e que jogou por terra completamente a esperança que depositava em Obama e o sonho de uma nova era. No final do governo Bush, uma crise financeira abalou o mundo, comparada apenas à crise de 1929. Ao assumir a presidência dos EUA, Obama afirmou que a “farra” financeira acabaria e que imporia restrições ao mercado financeiro para que a crise não se repetisse. Não fez nada disso, e ainda fez pior. Estão em seu governo, atualmente e participando de sua equipe econômica, os principais envolvidos nas causas que levaram o mundo à pior crise financeira em mais de 40 anos. E mais, liberou U$ 700 bilhões do dinheiro público americano para “salvar” bancos, agências de financiamento e seguradoras envolvidas na crise e empresas afetadas por ela.

As mesmas pessoas que causaram a crise estão ocupando cargos de confiança e liderança na equipe econômica do governo Obama, sem que nenhuma acusação pesasse contra elas e todas muito ricas, pois parte do dinheiro liberado por Obama foi destinado ao pagamento de bônus aos executivos destas instituições. Isso mesmo, estão no governo Obama executivos que anteriormente ocupavam cargos nas instituições envolvidas, tais como: Lehman Brothers, AIG, J.P Morgan, Merrill Lynch e outras.

Agora, Obama vem ao Brasil. O que será que ele vem fazer aqui? O Brasil saiu-se muito bem da crise. José Serra, que pretendia fazer uma política mais alinhada à americana, não ganhou as eleições presidenciais. Parte da imprensa brasileira já está se derretendo para o lado do presidente americano. Estão tratando o evento como se um deus grego viesse nos visitar, até comício na Cinelândia Obama irá fazer. O que quer o Sr. mentira quer com nosso país? A respeito de suas ações, podemos estar correndo perigo? “Yes, we can”.
 

As transformações nos veículos de comunicação de massa - Parte I

quinta-feira, 10 de março de 2011

No início da década de 90, a indústria fonográfica mundial começou a ser desafiada por dois fatores importantes: a pirataria e a compartilhamento de músicas pela internet. Passado alguns anos, o jornalismo impresso também começou a enfrentar uma crise quando assinantes abandonaram a versão impressa de seu jornal preferido e passaram se informar gratuitamente pelos portais de informação, ou versão online do próprio jornal que assinava. As rádios também se viram ameaçadas, pois é possível ouvir a programação das emissoras via computador. Por fim, a televisão aberta também está sendo ameaçada pelas novas tecnologias e pela internet.

Se pudermos definir em uma frase a principal transformação pela qual os veículos de comunicação de massa estão passando ela seria: falha na distribuição. A distribuição é o meio pelo qual o veículo de comunicação envia as mensagens publicitárias e o conteúdo para os indivíduos. No rádio e na televisão aberta, a distribuição se dá pelo ar. No jornalismo impresso, pelo papel. Na indústria fonográfica, pelos discos de vinil, fitas K7 e posteriormente pelo CD. Todos estes veículos estão sendo impactados pelas novas tecnologias em um ponto principal: a distribuição.

Esse é um grave problema, pois estes veículos, principalmente no Brasil, financiam toda sua estrutura exatamente na distribuição, e todos financiados pela publicidade. A lógica é simples: se a distribuição cai, também cai o valor do anuncio nos jornais e revistas. Se a audiência cai, ou seja, a distribuição do conteúdo está atingindo menos pessoas, o valor do comercial da TV e do rádio também cai. A questão é que é muito caro distribuir. 1/3 dos gastos de um jornal se dá na compra de papel. Na televisão, toda a estrutura em rede da programação das emissoras se baseia em números estimados da percentagem da população que assiste a determinado programa. Mas o que está havendo? Por que a distribuição dos conteúdos está sendo fortemente impactada em nossos dias?

Está não é uma resposta simples de se dar. Este problema faz parte de um processo que vem se desenvolvendo desde meados de 1970, e que agora, se tornou demasiadamente grande para muitas empresas de comunicação e que possivelmente não terão condições econômicas de enfrentá-lo.

Continua... (clique aqui para ler)
 

A dupla ligação entre monopólios e redes sociais

sábado, 5 de março de 2011

Texto publicado em: FNDC -


Benedetto Vecchi*
IHU - Instituto Humanitas Unisinos

A Rede como sinal da liberdade. É esse o mantra na Internet que reuniu por muitos e muitos anos duas atitudes conflitantes entre si.

De um lado, empresários, opinion maker" que, em nome do indivíduo, defendiam que o Estado não devia intervir de nenhum modo no desenvolvimento da Rede. Mas, por outro lado, podia investir, junto com o setor privado, no desenvolvimento da infraestrutura física – fibras óticas, modernização do sistema de telecomunicações –, mas à luz de uma abstenção em todos os outros aspectos da Rede, a partir da lei sobre a propriedade intelectual, considerados como dispositivos que inibiam a livre concorrência e propedêuticas à formação de oligopólios.

Mas, ao lado dessa visão anarco-capitalista, houve ativistas midiáticos, movimentos sociais e grupos de defesa dos direitos civis que pediam ao Estado que não interviesse na Rede. Nesse caso, o acento era posto na defesa da privacidade e de uma liberdade de expressão ao abrigo das funções de controle exercidas pelas agências de segurança nacional e do uso.

Uma convivência que durou muito tempo, mas que terminou quando a Rede não era só um inócuo instrumento para fofocar sobre coisas mais ou menos importantes, mas sim um sistema de máquinas do desenvolvimento capitalista. Por isso, as estratégias empresarias para fazer negócios por meio dela e para usá-la como "veículo de transporte" das informações que tinham um valor econômico.

Estratégias que levaram à formação de oligopólios que têm nomes e sobrenomes. Google, Microsoft, Cisco, Intel, Yahoo, Mozilla Foundation, Baidu, Facebook, Twitter, YouTube não são nomes de carreiras empresariais de sorte, mas sim elementos fundamentais para compreender plenamente os mapas políticos e econômicos da Rede. Mas o que mudou verdadeiramente a Rede é o seu uso pervasivo para comunicar. É a comunicação online que se tornou o objeto do desejo desses monopólios. Quem os controle adquire poder econômico e político na Rede. Só que as redes sociais tendem a fugir de formas clássicas de controle. Se não fosse irreverente, seria preciso reler as páginas de Gilles Deleuze e Guy Debord dedicadas ao controle para compreender as estratégias das empresas sobre como explorar e, assim, heterodirigir a comunicação online.

Portanto, a rede vê tanto monopólios quanto redes sociais que tendem a se isentar do controle que eles tentam exercer. Do reino da liberdade tão anunciado no início da difusão da Rede, verdadeiramente não há mais traços. Neste caso, o que surge são práticas de afirmação da liberdade e tentativas de "subsumir", melhor, de "capturá-las" e fazer com que se tornem mercadorias ou dispositivo para inovar produtos e processos de trabalho, sem nenhum investimento. Porque é o "poder da multidão" que produz inovação: às empresas, basta se apropriar desta, curvando-a às suas próprias estratégias empresariais.

Em outros termos, o lado obscuro das redes sociais são os monopólios. Como desenvolver estratégias de reapropriação da comunicação online é a questão a ser resolvida, assim como deixar à sua solidão e miséria intelectual as sereias do livre mercado e do indivíduo proprietário.


*no jornal Il Manifesto (01/03/2011); com tradução de Moisés Sbardelotto.
 

Rede pessoal

quinta-feira, 3 de março de 2011

Opções de contato na rede


Twitter: @kikomachado

Facebook: Professor Kiko Machado
                 Francisco Machado Filho

Orktu: Kiko Machado

Canal YouTube: Kiko Machado


Dihitt: Francisco Machado
 

As 'fazendas de conteúdos' e a polêmica sobre o lixo informativo na internet

terça-feira, 1 de março de 2011

Texto publicado em: FNDC -

27/02/2011 |
Carlos Castilho
Observatório da Imprensa

A mais recente praga informativa na internet tem um nome curioso: “fazenda de conteúdos”, tradução literal do inglês content farm. O nome foi escolhido porque na verdade trata-se de páginas web com grande quantidade de artigos, geralmente maquiados de outras fontes, que por seu conteúdo popularesco atraem muitos leitores e por conseqüência também a publicidade.

O fenômeno cresceu tanto que o sistema de buscas Google resolveu alterar o seu mecanismo de classificação de páginas indexadas, atendendo às reclamações de milhares de internautas contrariados com a alta incidência de lixo informativo no topo da lista de resultados.

Também chamadas de “jornalismo McDonald´s”, as “fazendas” publicam artigos de jornalistas free lancers sem prestar muita atenção ao conteúdo e sim ao índice de visitação de internautas. Quanto mais visitas, maior o pagamento, que na esmagadora maioria dos casos não passa dos 30 ou 40 dólares por artigo. Um mesmo autor chega a produzir até 20 textos por dia. Os temas são menos importantes que a sua capacidade de atrair leitores.

A mais famosa “fazenda de conteúdos” é o site Demand Media, especializado em artigos curtos tipo “faça você mesmo” ou “como as coisas funcionam”. Outros sites muito visitados são o High Gear Media, especializado em temas automobilísticos e o Bleacher Report, só de esportes. Todos eles com audiências acima de 50 milhões de visitas mensais, cada.

A receita para tanta procura é simples. Todos os textos são formatados de maneira a ocupar os primeiros lugares nas listas de sites produzidas pelo Google, sempre que o usuário faz uma busca na internet.

Os sites, também apelidados de jornalismo fast food, conseguem identificar quais os critérios usados pelo mecanismo de buscas para classificar resultados e com isto produzem textos sob medida, que sempre aparecem no topo das listas de sites relacionados aos temas procurados.

Eles têm também uma lista de colaboradores cadastrados, e sempre que identificam um tema popular encomendam textos para vários autores. O que chegar primeiro é publicado, salvo nos casos em que o free lancer já conseguiu algum status por conta de preferências demonstradas pelo público em textos anteriores.

No início o sistema contou com a cumplicidade do Google porque este era indiretamente beneficiado; mas depois, com o acúmulo do lixo informativo nas listas de resultados, os interessados em buscas na web começaram a ficar cada vez mais irritados com a avalancha do que que foi classificado como “pseudo-jornalismo”. No fim de fevereiro, a empresa Google resolveu mudar o seu sistema de classificação, cedendo à pressão de seus usuários.

O modelo das “fazendas de conteúdos” não é novo. Na verdade ele foi copiado de revistas populares impressas, de programas de rádio e de televisão, geralmente em auditórios. A receita é a mesma: identificar o que o leitor gosta, identificar quem pode atender esta demanda, contratá-lo, buscar patrocinadores e oferecer o serviço para consumo do público.

A novidade da versão online é que o sistema está sendo apontado por alguns pesquisadores da imprensa — como o jornalista e escritor norte-americano James Fallows — como um estudo de caso para a sobrevivência do jornalismo na internet. Fallows, autor do famoso artigo How to Save the News, não defende as “fazendas de conteúdos” como a fórmula ideal, mas acha que no sucesso de sites como o Demand Media, existem elementos que podem ser usados para desenvolver um novo modelo de negócios para a imprensa no meio virtual.

O problema, no entanto, não parece estar tanto na fórmula, mas principalmente na maneira como os profissionais do jornalismo se relacionam com o público virtual. Não se trata mais de descobrir uma fórmula mágica, mas de criar interatividade com o internauta. Uma interatividade que contemple tanto as audiências de massa como os nichos de interesse jornalístico, já que é cada vez mais evidente que não haverá apenas um modelo de negócios para o jornalismo na web.
 

Para cada US$ 1 ganho com publicidade online, jornal perde US$ 5 no impresso

Texto publicado em: FNDC -

28/02/2011 |
Redação
Portal Imprensa

Um levantamento feito pelo Washington Post Group, que edita jornal de mesmo nome, mostrou um panorama alarmante para os veículos impressos e promissor para a internet. Para cada dólar que o jornal ganhou com publicidade online, US$ 5 foram perdidos com anúncios no papel.

De acordo com informações publicadas no blog "Monday Note", as cotas do impresso ainda faturam muito mais que o online, mas a velocidade com que o quadro se modifica se intensificou a partir de 2004, como mostra o gráfico.

Relação de ganhos e perdas
"O modelo de negócios de publicidade online, quando aplicado à transformação da indústria dos jornais, é um grande fracasso", escreveu o consultor Frédéric Filloux. "Táticas meramente adaptativas não salvarão o setor tradicional de jornais em sua guerra em múltiplas frentes contra 'tecnologias de ruptura'".

O artigo do "Monday Note" cita o livro "The Innovator's Dilemma", publicado por Clayton Christensen em 1997, que aponta o paradoxo das mudanças de mercado. Um dos pontos abordados pelo livro é o fato de que certas características de um veículo podem se virar contra ele quando o cenário se modifica.

Na avaliação do "Monday Note", o que ocorre com o Post é o que os jornalistas americanos chamam de "centavos digitais em troca de dólares impressos". Ou seja, não é possível recuperar a perda de publicidade impressa com a venda de anúncios na web.
 
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