Consumo de eletrônicos é maior entre os brasileiros em comparação com oito países, diz Accenture

sábado, 30 de abril de 2011

Texto publicado em: TELETIME News

Uma pesquisa da Accenture realizada em oito países aponta os consumidores brasileiros como os que mais consomem eletrônicos em 15 categorias de produtos. Deste total, mais da metade (55%) comprou um celular no ano passado, em comparação com a média internacional de 32%. Além disso, 40% dos consumidores brasileiros pretendem comprar TVs de alta definição este ano e 20% querem TVs 3D. No mundo, esse número é de respectivamente 25% e 12%.

Os brasileiros são os que mais têm telefone celular (89%), DVDs (79%), TVs (69%) e netbooks (32%). Eles também superaram todos os países na compra do último ano de TVs em HD (28%), câmeras de foto digitais (28%), netbooks (19%), sistemas de posicionamento global por satélite (GPS) (15%), leitores de música portáteis (12%) e consoles de jogos (12%). Esse mesmo grupo obteve a maior classificação geral na intenção de compra de sistemas de GPS (18%) e consoles de jogos (8%).

A pesquisa online com consumidores de oito países (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Brasil, Rússia, Índia e China), intitulada "Em busca do crescimento: surgimento de um novo paradigma de Tecnologia de Consumo", foi realizada em outubro e novembro de 2010. Mais de oito mil entrevistados foram questionados sobre o uso e os gastos em relação a 20 tecnologias, como computadores, smartphones e computadores tablet.
 

TV Digital: Argentina prepara concorrente ao Ginga brasileiro

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Texto publicado em:   Convergência Digital 

Ana Paula Lobo*
28/04/2011

 
Se no Brasil, a estratégia para a TV Digital não está definida no Governo Dilma Rousseff, na Argentina, as autoridades estão dispostas a assumir o controle de todas as atividades ligadas à digitalização de TV, após a decisão de adotar o ISDB-T, o padrão nipo-brasileiro.

Os planos envolvem, além da construção de uma rede nacional de fibra óptica para sustentar a oferta de novos serviços, entre eles, o IPTV, especialistas trabalham numa versão própria do middleware de interatividade para avançar na oferta de aplicativos.

As iniciativas fazem parte do projeto Argentina Conectada, que começa a ser divulgado pelas autoridades do setor de Telecomunicações. A proposta inclui ainda a criação do BACUA - Banco Audivisual de Conteúo Universal Argentino), com a missão de desenvolver soluções para serem ofertadas nas TVs públicas.

É nesse contexto que se insere o interesse em ter um Ginga - middleware de interatividade - próprio - o que pode mais à frente provocar um embate entre Brasil e Argentina. O Ginga, aplicação 100% brasileira, foi criado para permitir a interatividade e fomentar o desenvolvimento de soluções, entre elas de TV-Banking, por exemplo, para serem feitas por meio do ISDB-T.

O conteúdo a ser produzido pelo BACUA - considerado ponto estratégico no projeto de TV digital - será coordenado e produzido pela Universidade de San Martín e pelo INCAA - Instituto Nacional de Cinema. Este último, inclusive, criará um canal de TV digital com programação baseada em filmes argentinos, ofertada por meio de VOD(vídeo sobre demanda). Também trabalha ofertas para partidas do campeonato argentino de futebol, cujos direitos o governo possui para a TV pública.

A rede nacional para sustentar todos os planos deverá contar com 12 mil quilômetros de fibra óptica e terá 50 servidores, distribuídos por pontos de presença - 16 até o final deste ano e 50 até o final de 2012, de acordo com o cronograma, divulgado pelo Next TV Latam, publicação especializada argentina.

Numa estratégia diferenciada da brasileira, o governo da Argentina usa a TV digital para levar serviços de comunicação - Internet e TV - para as classes de menor poder aquisitivo, inclusive com a distribuição gratuita de conversores e a possibilidade de acesso à Internet - universalização da banda larga.

Já no Brasil, a estratégia da TV digital está no 'limbo' desde a posse da presidenta Dilma Rousseff. As gestões para a adoção da tecnologia estavam no governo Lula sob o comando da Casa Civil. Com a mudança de comando, a TV digital passou para o Ministério das Comunicações, mas até o momento, não houve a divulgação de qualquer diretriz específica para a área.

Nesse meio tempo, o padrão SBTVD, o ISDB-T, depois de angariar o apoio de países latino-americanos, sofreu um revés na sua luta para ser um padrão mundial - não conseguiu vencer o embate com o DVB, europeu, nos países africanos.
 

Bahia se integra à campanha 'Banda Larga Um Direito Seu'

Texto publicado em: FNDC

26/04/2011 |
Eliane Costa
Portal Vermelho

Garantir o acesso de todos os brasileiros e brasileiras à internet banda larga com qualidade e baixo custo. Este é o objetivo principal da campanha “Banda larga é um direito seu!”, lançada nesta segunda-feira (25/4) simultaneamente em Salvador e outras três capitais brasileiras: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital baiana, um ato público na Faculdade de Educação da Ufba reuniu diversas entidades do movimento social, professores e ativistas pela democratização da midia.

Para o professor Nelson Pretto, um dos coordenadores do movimento na Bahia, ao lado da professora Bonilia da Faculdade de Educação, o lançamento é um primeiro passo para pressionar tanto o Executivo, quanto o Legislativo, a dotar o país de uma política pública que permita o acesso a banda larga , um patrimônio do país e não um serviço a ser prestado apenas por operadoras privadas.

“O envolvimento da Faculdade é porque nós da Faculdade de Educação, particularmente, achamos que o país deve ser dotado de uma infra-estrutura de banda larga adequada para de fato inserir as escolas na cibercultura”, enfatizou.

“Eu imagino que a partir daqui, vá se construir um grupo de pressão muito forte a ministérios, a parlamentares, no sentido de acompanhar mais atentamente o desdobramento do Plano Nacional de Banda Larga, que foi ao longo do tempo sofrendo uma série de modificações. E com o tipo de pressão que as operadoras de banda larga e a grande mídia exercem sobre o governo e os parlamentares isso pode vir a piorar”, argumenta Pretto.

A importância da mobilização da sociedade civil para garantir a banda larga como um serviço público e eficiente também foi ressaltado pela secretária de Comunicação do PCdoB na Bahia, Julieta Palmeira, também integrante da União Brasileira de Mulheres (UBM0 “Fazemos parte de um grupo de pessoas que defendem a comunicacão como um direito humano e a questão do acesso a banda larga não é uma questão menor. É preciso garantir a banda larga como um serviço público de qualidade e univerrsalizado, como um dever do estado. É preciso avançar mais a política definida no Plano Nacional de Banda Larga, nesse sentido."

A campanha já conta com mais uma adesão importante, o deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB), que se colocou à disposição do movimento para debater o tema na Assembleia Legislativa da Bahia. “É importante a participação da Assembleia neste processo. Já existem vários projetos sobre o tema em discussão na Casa, mas sempre poderemos estudar formas de garantir o acesso de todos à internet de qualidade, já que este há muito tempo passou a ser um serviço essencial para a população”, destacou o parlamentar.

O tema também será fruto de uma audiência pública ainda sem data definida na Câmara de Vereadores de Salvador, de acordo com a vereadora da capital Marta Rodrigues( PT) , presente ao evento.
 

PNBL - Governo decide que haverá investimentos públicos em infraestrutura

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Texto publicado em: TELETIME News

quarta-feira, 20 de abril de 2011, 18h17


O Ministro das Comunicações Paulo Bernardo esteve nesta quarta, dia 20, com a presidenta Dilma Rousseff para falar do Plano Nacional de Banda Larga e das negociações dos contratos de concessão das teles e do novo PGMU. E aparentemente saiu da reunião com uma missão muito maior. Pelas declarações do ministro à imprensa, a discussão sobre os compromissos que as concessionárias de telefonia assumiriam para levar banda larga de 1 Mbps a R$ 35 agora serão expandidos e devem incluir empresas de telefonia celular, operadoras de TV paga, velocidades maiores e a preparação de uma infraestrutura nacional de redes de fibra e backhaul que contará com investimentos públicos de algo em torno de R$ 1 bilhão por ano até 2014. Tudo isso sem prejuízo da negociação já acertada com as concessionárias para o PGMU.

"Apresentamos o andamento das negociações até aqui e fizemos uma avaliação", disse o ministro, sobre o caráter do encontro com a presidenta. "Ela determinou 1 Mbps como ponto de partida, mas que o acerto de contas até agora (com as teles) não está ok", disse Paulo Bernardo. Segundo ele, a presidenta quer que até 2014 o acesso massificado à banda larga seja com o que houver de melhor... em 2014. "Queremos dotar o Brasil com uma grande infraestrutura de telecom", disse o ministro, citando novos investimentos orçamentários em infraestrutura, backhaul e backbone. "Poderão ser investimentos privados também, mas ela autorizou dinheiro público nessa infraestrutura", disse Bernardo, colocando uma cifra de R$ 1 bilhão por ano. Esse investimento seria administrado pela Telebrás, que terá justamente o papel de criar essa infraestrutura. "A Telebrás entra forte na construção dessa infraestrutura com dinheiro do orçamento e também com parcerias", dando a entender que podem ser formados consórcios público-privados para viabilizar esses projetos. Segundo Paulo Bernardo, a presidenta ouviu em sua recente viagem à China que há empresas interessadas em construir infraestrutura no Brasil.

"Serão dois movimentos simultâneos: massificar a banda larga e criar mais infraestrutura", disse o ministro. "Temos que pensar como estão pensando os mercados desenvolvidos".

Ao ser questionado se a negociação com as empresas e os compromissos já acordados para o PGMU seriam computados nessa conta de investimentos de R$ 1 bilhão, Paulo Bernardo foi enfático ao dizer que não. "Essa é outra conta que já está acertada e, apesar da presidenta não ter dado o aval, eu entendo que continua valendo e vai ser feito".

A se confirmar essa nova tônica no Plano Nacional de Banda Larga, será um novo movimento na política de massificação do acesso, que começou com um modelo baseado em uma empresa estatal (Telebrás), sem necessariamente a presença das empresas privadas, para depois um novo movimento baseado em compromissos com as concessionárias de STFC, e agora um modelo baseado em investimentos públicos e privados.
 

Globo e CBV fazem pressão para partida de vôlei

sábado, 23 de abril de 2011

Texto publicado em: Agência Carta Maior

Mídia comercial: a lógica implacável da mercadoria

Depois do acidente de ônibus com a delegação do Vôlei Futuro, que seguia para o primeiro jogo da fase semifinal da Superliga Feminina contra o Sollys/Osasco, iniciou-se uma imensa pressão da TV Globo e da Confederação Brasileira de Vôlei para o cumprimento do calendário e a realização das partidas.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

Não há qualquer novidade, mas o registro em certas ocasiões – quase um desabafo indignado – se torna obrigatório: a lógica dentro da qual opera a mídia comercial coloca seus interesses empresariais acima de literalmente tudo, ignorando os valores fundamentais da convivência humana em busca de suas metas de lucro.

Não é necessário refazer análises sobre a comprovada relação entre o entretenimento violento, as coberturas jornalísticas da violência e o aumento da própria violência na sociedade (ver, por exemplo, neste Observatório, "A violência urbana e os donos da mídia" e "A mídia e a banalização da violência").

Alguns fatos recentes apenas comprovam o que já se sabe. Confirma-se a hipocrisia ilimitada da grande mídia comercial que, apesar de conhecer perfeitamente as consequências de seus atos, finge não ter nada a ver com o que acontece. Afinal, o Ibope confirma que os índices de audiência das redes Globo e Record cresceram significativamente com a cobertura da tragédia em Realengo (ver aqui).

A lógica do esporte na TV
Há, todavia, um outro lado da lógica do entretenimento associado às transmissões esportivas que nem sempre transparece para o grande público.

Depois do acidente de ônibus com a delegação do Vôlei Futuro, que seguia para o primeiro jogo da fase semifinal da Superliga Feminina contra o Sollys/Osasco, na terça-feira (12/4), iniciou-se uma imensa pressão da TV Globo e da Confederação Brasileira de Vôlei para o cumprimento do calendário e a realização das partidas.

O Twitter de uma das jogadoras foi reproduzido em post no blog do comentarista Bruno Voloch, na quinta-feira (14), e revela a verdadeira dimensão da perversidade desumanizada que opera nessas circunstâncias. Transcrevo:

"Indignada com a CBV, Joycinha desabafa: ‘A TV está pressionando, mas somos seres humanos’

"A pressão da TV Globo e da CBV pela realização da primeira partida semifinal entre Osasco e Vôlei Futuro até o próximo dia 19, deixou revoltada a oposta Joycinha do time de Araçatuba.

"Através do Twitter, a jogadora reclamou e se mostrou indignada:

"‘Nesse momento não tem que pensar em televisão. A televisão está pressionando, mas tem que lembrar que somos seres humanos’.

"Joycinha não economizou críticas aos responsáveis pela superliga:

"‘Psicologicamente estamos muito abaladas. Fisicamente, também não estamos legal. Estamos bem, mas para jogar vôlei, cair na quadra e saltar, não. É preciso ter o mínimo de bom senso’.

"Joycinha está com vários hematomas no rosto e com dores no pescoço.

"Conforme o blog informou, a CBV colocou à disposição do Vôlei Futuro as datas entre 15 e 19 de abril para a realização da primeira partida. A TV Globo não admite a idéia de fazer a decisão da superliga em maio e a data para a decisão está marcada para 30 de abril no Mineirinho em Belo Horizonte."


O que se pode fazer?
A saída para escapar à lógica comercial prevalente na grande mídia é o fortalecimento do sistema público que, pelo menos em tese, coloca o interesse público em primeiro lugar.

Quem sabe, viveremos para ver um marco regulatório que coloque efetivamente em funcionamento o princípio da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal de radiodifusão que adormece há mais de 22 anos no artigo 223 da Constituição?

A ver.

*Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
 

Câmara aprova regulamentação das lan houses

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Texto publicado em: FNDC


Foto: Blog Mirian Gasparin








19/04/2011 |
Eduardo Piovesan
Câmara dos Deputados

Proposta define as lan houses como “centros de inclusão digital” para universalizar o acesso à internet, prevê parcerias com o Poder Público em projetos educacionais e estabelece prioridade em linhas especiais de financiamento para compra de computadores.

O Plenário aprovou, nesta terça-feira, o Projeto de Lei 4361/04, que regulamenta o funcionamento das chamadas lan houses e prevê sua participação em parcerias com os governos para o desenvolvimento de atividades educacionais, culturais e de utilidade pública. A matéria será analisada ainda pelo Senado.

O texto aprovado é o de uma emenda do relator, deputado Otavio Leite (PSDB-RJ). São previstas parcerias entre os governos municipais, estaduais e federal para ampliar o acesso à internet por meio de programas de complementação pedagógica.

Se o projeto virar lei, as lan houses passarão a ser definidas como centros de inclusão digital (CID), que apresentam interesse social para a universalização do acesso à internet, além de prestadoras de serviços.

Uma das emendas incluídas no texto, de autoria da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), prevê a garantia de acessibilidade a pessoas com deficiência, na forma de um regulamento.

Segundo Leite, a realidade brasileira revela que o acesso à internet está caracterizado pelas lan houses. Estima-se que existam hoje aproximadamente 108 mil lan houses em todo o Brasil, e 45% do total de usuários acessam a internet nesses estabelecimentos. Nas classes D e E, esse número sobe para 74%.

"Na faixa etária de menores de 16 anos, 60% dos que acessam a internet o fazem por meio de uma lan house, por isso não podemos estabelecer restrições para esse grupo", explicou o relator, que rejeitou propostas de proibir os jovens de frequentar essas casas.

Conteúdos
De acordo com o texto aprovado, as lan houses deverão possuir softwares que orientem e alertem menores de 18 anos sobre o acesso a jogos eletrônicos não recomendados para sua idade, respeitando a classificação indicativa do Ministério da Justiça. Isso valerá também para sites pornográficos e afins.

Os equipamentos também terão de possuir programas que garantam a inviolabilidade dos dados pessoais do usuário e do conteúdo acessado, salvo no caso de ordem da Justiça para investigação.

Essas regras deverão aparecer na tela inicial de cada computador e seu descumprimento pela lan house implicará o descredenciamento automático de programas públicos de apoio.

Educação
Para viabilizar o acordo de aprovação do projeto, Otavio Leite retirou dispositivo que permitia aos governos contabilizarem os recursos usados nessas parcerias para o alcance dos percentuais mínimos previstos na Constituição para aplicar na educação.

Outra emenda aprovada, defendida pelo PPS, prevê que as lan houses registrem o nome e a identidade dos usuários. Inicialmente, o partido pretendia que o endereço também fosse anotado e estabelecia punições para as casas que não cumprissem a regras.

Linha de crédito
Entre os serviços que podem ser oferecidos pelas lan houses estão o acesso a programas de pesquisa e estudo e a conexão com instituições públicas para o cumprimento de obrigações legais e exercício da cidadania.

Para estimular a atualização tecnológica das lan houses, o projeto aprovado estabelece prioridade em linhas especiais de financiamento para compra de computadores. Isso se aplica, por exemplo, a bancos públicos como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Outro ponto do projeto permite a municípios e organizações representativas das lan houses instituir selos de qualidade com o objetivo de incentivar a melhoria do serviço prestado.

Internet popular
Como exemplo de cooperação entre governo e iniciativa privada, Otavio Leite cita o projeto Centro de Internet Popular, da prefeitura de Estância (SE).

Segundo o relator, ao todo são 21 estabelecimentos nos quais os alunos da rede pública municipal podem acessar gratuitamente a internet por meio de um tíquete distribuído pela prefeitura que dá direito a seis horas mensais – cinco para pesquisas escolares e uma para entretenimento.

Em contrapartida, os donos de lan houses participantes do programa devem oferecer um projeto pedagógico que possa transformar esses estabelecimentos em ambientes de aprendizagem.

e-democracia
A regulamentação das lan houses é o primeiro projeto aprovado com participação do portal e-democracia, que realizou consulta pública sobre a proposta no ano passado. Várias sugestões foram apresentadas, e algumas delas, depois de adaptadas, foram incorporadas ao texto.

Íntegra da proposta:
PL-4361/2004


Edição – Marcos Rossi
 

Quer assistir à televisão? Ligue para a nuvem

sábado, 16 de abril de 2011

Texto publicado em: FNDC

15/04/2011 |
Ethevaldo Siqueira
O Estado de S. Paulo

Conteúdo audiovisual ficará armazenado em servidores, para ser acessado de qualquer [br]tipo de dispositivo

Em 2014 ou 2015, o mundo disporá de mais de 20 bilhões de dispositivos móveis capazes de receber imagens de TV. Serão tablets (como o iPad e muitos outros), smartphones, laptops, iPods e outros, com telas cada dia mais avançadas capazes de mostrar as melhores imagens de TV.

Esse cenário traz dois grandes desafios para as empresas operadoras, para a indústria e para os governos. O primeiro deles será a disponibilidade de banda larga para atender, principalmente, à demanda gigantesca de conteúdo de vídeo. O segundo desafio será o armazenamento do conteúdo, que terá de ser, preferencialmente, na nuvem - isto é nos data centers situados em algum ponto da internet, como os sistemas de armazenamento do Google e, em especial, do YouTube ou o Hotmail.

Por isso, um dos temas mais interessantes desta edição do NAB Show 2011 foi o conteúdo na nuvem. A conferência cobriu a rápida emergência das tecnologias de mobilidade que, sem dúvida, expandem as possibilidades da indústria de TV em todas as suas fases, da pós-produção à distribuição. Uma das alternativas mais debatidas para acesso ao conteúdo de TV "disponível em qualquer lugar do mundo" foi a IPTV - ou seja, da televisão sobre protocolo IP - para distribuição online, tanto nos planos de curto como de longo prazo.

Projeto Ultra Violeta. Um painel realizado aqui em Las Vegas nesta edição do NAB Show - com o título de "Todo poder ao usuário: o Ultra Violeta vem aí" - traz uma novidade que talvez tenha grande impacto no futuro: é o Projeto Ultra Violeta. Previsto para estrear em 2012, "o novo projeto prevê a oferta de rotas comuns, métodos e ferramentas de distribuição para uma gama ampla de dispositivos, meios de comunicação e plataformas" - segundo define David Wertheimer, CEO do Centro de Tecnologia de Entretenimento, da Universidade do Sul da Califórnia (que tem a sigla DECE, em inglês) organismo responsável pela coordenação do Projeto Ultra Violeta, que é, na realidade, um projeto colaborativo de que participam mais de 60 empresas e entidades de diferentes setores.

Entre essas 60 empresas que apoiam o Projeto Ultra Violeta (ou Projeto UV) estão os principais estúdios de Hollywood e gigantes da tecnologia e fornecedores de equipamentos eletrônicos como Microsoft, HP, Sony, Panasonic e Samsung. Essas empresas ajudam a criar um sistema que vai permitir que assistamos ao conteúdo num conjunto de até 12 dispositivos escolhidos pelo comprador, sem qualquer limitação ou barreira.

A primeira meta do Projeto Ultra Violeta - explica Wertheimer - é levar todo conteúdo ao usuário da forma mais confortável. Para tanto, o projeto deverá ser uma espécie de crossmedia ou combinação de todos os meios de distribuição possíveis. Exemplificando, Richard Berger, vice-presidente senior de estratégias digitais globais da Sony Pictures Home Entertainment, lembra que o conteúdo de produtos físicos que hoje conhecemos, como DVD e Blu-ray disc, será oferecido, tanto em streams como para download. "A boa notícia sobre o Projeto UV", diz Berger, "é que nós poderemos oferecer algo específico, quase personalizado, a cada usuário."
 

YouTube quer competir com a TV. E tem US$ 100 milhões para chegar lá

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Texto publicado em: FNDC

07/04/2011 |
Ian Paul
PC World EUA

Rumores de mercado indicam que a empresa da Google estaria prestes a lançar 20 canais temáticos na web, com conteúdo original.

Este pode ser o ano em que você dirá adeus à sua TV a cabo e “Olá, YouTube, Hulu e Netflix” – ao menos se os rumores online estiverem corretos.

O YouTube, da Google, estaria prestes a lançar cerca de 20 canais diferentes, cada um com diversas horas de conteúdo original por semana.

Organizados em categorias, como esportes, artes e entretenimento, os canais do YouTube seriam simplesmente páginas web construídas em torno de temas específicos.

Segundo fontes, o site teria até 100 milhões de dólares para fazer o projeto decolar e estaria negociando com grandes agências de talentos de Hollywood para atrair criadores de conteúdo.

O objetivo final é fazer com que você assista ao YouTube da mesma forma que você vê TV, de acordo com o Wall Street Journal. A programação original do YouTube deverá estrear ainda este ano.

Não está claro qual seria a duração desses “webisódios”originais, nem como esse conteúdo poderia ser comparado em relação à TV. Mas a iniciativa teria como meta fazê-lo gastar mais tempo assistindo ao YouTube.

Segundo a comScore, em fevereiro a rede de sites da Google teve 141 milhões de visitantes online, com cada visitante gastando pouco mais de 4 horas na visualização.

Em comparação, o americano médio passou mais de 150 horas por mês diante da TV durante os três últimos meses de 2010, e 145 horas por mês entre julho e setembro de 2010, de acordo com a Nielsen.
 

O desenho da mídia

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Texto publicado em: FNDC

29/03/2011 |
Luis Nassif*
Observatório da Imprensa

A pesquisa da CDN sobre os hábitos de leituras dos executivos brasileiros consolida percepções já antigas sobre o tema. Considere-se que os executivos eram o público preferencial dos jornais, provavelmente os mais habituados às colunas dos jornais – daí, talvez, a preferência por blogs. Considere-se também que, pela pesquisa, continuam sendo majoritariamente leitores de jornais.

A pesquisa comprova algumas análises que já publiquei aqui e acrescenta ingredientes novos à discussão midiática. Tempos atrás escrevi que, dos grupos da velha mídia, sobreviveriam as Organizações Globo e a Folha, através da UOL; que o Estadão era um grupo à venda; e que a Abril não conseguiria se colocar nesse novo mundo virtual. Como a blogosfera é um universo múltiplo, distribuído, obviamente não dá para tratar da mesma maneira que um portal ou um jornal. É um grande bolo, mas dividido por milhares de blogs. E muitos desses blogs estão ancorados em portais jornalísticos.


Abril perdeu o barco lá atrás
Na pesquisa, alguns pontos chamam a atenção:

1. O predomínio dos portais variados sobre os portais exclusivamente jornalísticos. UOL (42%) e Terra (36%) se destacam, vindo, a seguir, o iG (19%), acima do G1 (17%), mesmo este contando com o aparato de vídeo das Organizações Globo. Até a era Caio Túlio, o iG encostava no Terra na disputa pelo segundo lugar, mas por audiência total. Como a pesquisa, agora, é com executivos atrás de notícias, não sei se reflete a audiência total dos portais.

2. A pesquisa consagra a visão pioneira de Luiz Frias, quando convenceu o pai a apostar na UOL. A consolidação se deu em cima de uma série de operações habilidosas, da compra da parte da Abril à associação com a Portugal Telecom, a maneira como resolveu seus problemas com o ICMS paulista e a operação de IPO conduzida pelo Banco Pactual, o desenvolvimento de tecnologia própria. Em meio ao terremoto da última década, manteve o barco à tona e consolidou a posição de liderança. Ele e Rodrigo Mesquita, do Estadão, são os herdeiros que melhor entenderam os novos tempos.

3. Um capítulo curioso é o caso Nizan Guanaes. Quando lançou o iG, escrevi algumas vezes que o modelo de negócios (em cima da internet gratuita) não se sustentaria porque baseado em uma distorção – o pagamento pelas teles aos portais que redirecionassem o tráfego para elas. De fato, não se sustentou. Mas Nizan estava certo em apostar em um modelo que dependesse de publicidade. Acontece que o iG surgiu muito antes da publicidade chegar maciçamente à internet. Foi salvo por manobras envolvendo controladores e sócios, mas se consolidou no terceiro lugar. Roberto Campos tinha uma maneira de definir erros estratégicos: quando se começa muito depois ou quando se começa muito antes. Nizan viu. O problema é que foi muito antes.

4. Chama atenção a total inexpressividade do Portal do Estadão – que não aparece sequer na pesquisa. Já a Agência Estado, tem a leitura de apenas 2% dos executivos, justamente seu público-alvo. O grupo jogou tudo no portal. É dos mais completos, com melhor conteúdo. Mas perdeu-se provavelmente na organização do conteúdo, que acabou reproduzindo, em um espaço que deveria ser organizado e hierarquizado, a própria desorganização e horizontalização da internet. Sequer há separações claras sobre a ordem cronológica de entrada das notícias no portal. Não há uma porta de entrada simplificada, que permita visualizar todo o conteúdo. A própria versão online da Folha impressa, simplesinha, sem nenhuma firula, permite com dois cliques saber de todo conteúdo do jornal. No Estadão, é impossível.

5. Apesar do pesado investimento no seu portal, Veja sequer aparece com 1% de indicações. A Abril perdeu o barco lá atrás, quando se desfez da BOL e, depois, da TVA. Está fora do jogo.

6. Com pouco tempo no ar, o R7 – embora ainda em pequenos 3% – suplantou a Agência Estado junto ao público-alvo da Agência.

7. Embora o jornal tenha passado por uma crise que quase liquidou com sua circulação, o site de O Dia ainda tem 2% de audiência dos executivos. Aliás, foi dos pioneiros, com alta qualidade inicial. Infelizmente, a morte do Ary Carvalho interrompeu o planejamento para dar o upgrade ao jornal.


O caso Estadão
É curiosa a saga do Estadão.

Quando começou a era da informação online, foi dos primeiros a entender os novos tempos. Está certo que à custa do pioneiro Dinheiro Vivo, que foi a primeira empresa a lançar serviços online. Na época, Rodrigo Mesquita convenceu a família a comprar o sistema de transmissão da Broadcast e contratou praticamente toda a minha equipe. Depois disso, fez um trabalho de gente grande na consolidação da Agência. Quando sobreveio a crise do grupo, as disputas internas acabaram levando de roldão todos os membros da família que trabalhavam na empresa. E com isso o grupo perdeu sua cabeça estratégica.

Como o único setor dinâmico do grupo era a Agência, na impossibilidade de manter Rodrigo o Conselho decidiu promover seu segundo homem, Sandro Vaia. Só que Sandro tinha funções operacionais. Nunca foi estrategista dos novos tempos, nem chefe de redação dos velhos tempos. Depois, resolveu trazer alguém de fora, Ricardo Gandour, com carreira bem sucedida no Publifolha. Em vez de colocá-lo para tocar novos negócios, como um publisher clássico, conferiu-se a ele a direção de conteúdo de todo o grupo. E seu perfil não é de jornalista de redação.

Com isso, o jornal entrou na fase de maior ebulição da mídia brasileira, com o terremoto editorial acabando com a estratificação de leitura, sem um desenho claro de conteúdo. A linha política foi mantida pela tradição da família Mesquita e da marca Estadão. Mas Gandour trouxe para dentro do jornal o vezo da Opus Dei (essa informação é de colegas ligados à própria família Mesquita, não de críticos do jornal), de instrumentalizar a cobertura. Manipulou manchetes, criou falsos escândalos, repercutiu as maluquices da Veja, cometeu ataques contra colegas e entrou no pool de mídia que se formou a partir de 2005. E, com isso, perdeu a oportunidade de firmar o jornal como alternativa de informação objetiva – embora ainda seja jornalisticamente o mais sólido dos veículos da velha mídia.

Agora, o Estadão está no seguinte dilema.

O jornalão está zero a zero – não gera mais lucros para financiar as novas plataformas; a rádio é superavitária, mas de pequena expressão (embora o movimento de associação à ESPN seja promissor); e a Agência Estado continua sendo a parte mais rentável.

Mas a grande aposta, o portal, não vingou.


*em seu blog (23/03/2011).
 

Banda larga: presidenta enfrenta telefônicas

Reproduzo texto publicado no Blog - Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim
Texto no blog de origem - Aqui

Saiu na respeitada publicação Teletime:

Sardenberg pede vista do PGMU III e adia decisão


O Conselho Diretor da Anatel adiou para a próxima reunião a decisão final sobre o novo texto do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU III). O adiamento foi provocado por um pedido de vista do presidente da agência reguladora, embaixador Ronaldo Sardenberg, que decidiu analisar melhor o processo e o voto da conselheira Emília Ribeiro antes de se pronunciar.


O desfecho da reunião desta quinta-feira, 7, foi inesperado por conta da agenda apertada de edição do novo plano de obrigações das teles, que vigorará entre 2011 e 2014. O PGMU III precisa concluir totalmente sua tramitação até o dia 2 de maio, quando serão assinados os contratos de concessão revisados. Além do comando da Anatel, o texto ainda precisa passar pela análise do Conselho Consultivo (o que pode levar até 15 dias), do Ministério das Comunicações e da Casa Civil, já que se trata de um plano editado por decreto da Presidência da República.


Segundo informações do gabinete da conselheira-relatora, Emília Ribeiro, o relatório sobre a nova proposta de PGMU III será divulgado publicamente na página da Anatel ainda hoje.



Adiamento de decisão sobre novas metas contou com respaldo do Planalto


A decisão do embaixador Ronaldo Sardenberg, presidente da Anatel, de pedir vista do processo do PGMU não foi apenas para aprofundar o voto da conselheira Emília. A iniciativa contou com respaldo do governo, segundo apurou este noticiário. Especificamente, a presidenta Dilma Rousseff teria colocado ao ministro das Comunicações Paulo Bernardo uma insatisfação com os termos das propostas voluntárias das empresas. Há mais de um mês fontes do governo já adiantavam informalmente a este noticiário que achavam “modestas” as propostas das empresas e que acreditavam que a etapa final da negociação passaria pelo Planalto.


A presidenta Dilma Rousseff, segundo fontes, estaria cobrando compromissos de acesso de pelo menos 1 Mbps. Apenas a Telefônica aceitou chegar nessa velocidade, mas condicionou à oferta de pacotes combinados de voz e banda larga.


Segundo fontes da Anatel, é muito provável que a própria assinatura do contrato, esperada para o dia 2 de maio, tenha que ser adiada, risco que o Planalto está disposto a correr para não perder a chance de usar a negociação como instrumento de pressão sobre as empresas por melhores propostas voluntárias. Já se sabe que o PGMU III não será retomado na próxima semana pois não haverá quorum no conselho para isso (Jarbas Valente e Ronaldo Sardenberg estarão fora do país), e o conselho consultivo da agência ainda tem mais 15 dias para analisar o PGMU, fora o tempo necessário ao Ministério das Comunicações e da Casa Civil prepararem a edição do decreto presidencial.


Aparentemente, a ameaça das empresas de retomarem ações na Justiça não pesou na decisão do governo de pedir o adiamento do PGMU. Isso porque as metas de backhaul, onde as empresas mais apontam ilegalidades, já foram descartadas pela área técnica. A conselheira Emília Ribeiro ainda defende estas metas, pois considera que elas são a continuidade de políticas públicas já estabelecidas, mas os demais conselheiros da Anatel já manifestaram informalmente que serão contrários a esse item do relatório. Formalmente, contudo, apenas o voto de Emília Ribeiro foi apresentado, já que o pedido de vista feito pelo embaixador Sardenberg se deu antes da manifestação de voto de Jarbas Valente e João Rezende.


O que pode sim pesar contra as empresas é a pressão da Oi pela questão do aumento da margem da tarifa de público (VC) em detrimento da VU-M (interconexão paga às móveis). Conforme já havia antecipado TELETIME, a Oi condicionou as suas ofertas voluntárias de banda larga a um aumento na margem da VC, e ontem, segundo informação do Jornal Valor Econômico, a mesma Oi foi ao Cade contra as operadoras móveis para pedir a redução da VU-M, a exemplo do que já faz a GVT. A Oi também está pedidn o arbitragem da Anatel nessa questão. A agência, por sua vez, já havia proposto que a redução da VU-M se daria gradativamente, acompanhada também de uma queda no VC das fixas.



Navalha


Para ajudar o amigo navegante que desconhece a terminologia das telecomunicações, o que aconteceu foi o seguinte:


A presidenta deu uma banana para as telefônicas.


Desde o governo do Nunca Dantes já se sabe que as telefônicas participarão em caráter suplementar no processo de democratização da banda larga.


E olha que isso aconteceu quando o Ministro das Comunicações era o Independentíssimo Hélio Costa.


Agora com a Dilma, a negociação endureceu ainda mais.


As telefônicas tentaram uma pirueta – recorrer à Justiça – mas deram com os burros n’água.


A banda larga terá que ser universal, barata (R$ 30, R$ 35) e de livre acesso.


Ou seja, não haverá discriminação de preço nem de qualidade entre os que quiserem trafegar na banda.


As telefônicas – a espanhola, a mexicana e a portuguesa – ou pensam que estão no governo do Fernando Henrique ou que o Ministro ainda é Independentíssimo.


Paulo Henrique Amorim
 

Livro: TV Digital

terça-feira, 5 de abril de 2011

O selo Cultura Acadêmcia, da Fundação Editora Unesp, disponibiliza gratuitamente e online o livro: TV Digital - informação e conhecimento, organizado pelas professoras Maria Cristina Gobbi e Maria Teresa Miceli Kerbauy.

O livro é fruto do trabalho de pesquisadores em diversos cursos de pós-graduação no Brasil com foco principal na TV Digital. Aborda a implantação do sistema digital e a proximidade com o apagão do sistema analógico de transmissão de televisão.

São 15 artigos que abordam os principais temas relativos à TV Digital, que vão desde a análise dos nativos digitais como autores na sociedade tecnológica, passando pela questão da interatividade, a produção de conteúdos digitais, o desafio ao modelo de negócios da TV aberta, para finalmente analisar o switch-off na
Europa e no Brasil.

O artigo de número 07, As tecnologias digitais e o desafio ao modelo de negócios da TV digital aberta no Brasil é de autoria deste blogueiro.

O livro pode ser baixado gratuitamente neste endereço: http://www.culturaacademica.com.br/catalogo-detalhe.asp?ctl_id=144
 

Grande mídia resiste ao debate

sábado, 2 de abril de 2011

Texto publicado em: FNDC -

29/03/2011 |
Alberto Dines
Observatório da Imprensa -

Nem a grande ou a média mídia comentaram as declarações do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, no Observatório da Imprensa (ver "Ministro prevê debate ‘bastante acirrado’", 22/3, TV Brasil). Depois de quase dois anos de furiosas reações a qualquer tentativa de discutir a legislação sobre mídia, os principais veículos se abstiveram.

Indício de preocupação, concordância, discordância ou simples desatenção?

A grande mídia não abriu o bico porque a grande mídia deixou de ser uma entidade, está visivelmente dividida. Apesar da irreversível "convergência de conteúdos", seus interesses e estratégias são variados e francamente divergentes.

Além disso, a grande mídia não admite intermediários: não gostou da ação da Unesco ao encomendar e divulgar os seus estudos sobre a regulação da mídia, nem está disposta a reforçar a independência da atores alternativos como este Observatório. Problema dela.

Esfera delicada
O debate foi iniciado, é o que importa, tem data e cronograma para ser desenvolvido e apresentar resultados. Com as discretas – porém firmes – manifestações do ministro é possível enxergar o núcleo da posição do governo: os itens ditos "reguladores" inseridos na Constituição (Capítulo V, "Da Comunicação Social") ou são fantasiosos ou estão superados pelo desenvolvimento tecnológico. Não servem. Em outras palavras: é inevitável a criação de um órgão para acompanhar o processo regulador ou autorregulador, já que não representa qualquer ameaça à liberdade de expressão.

O único instrumento útil oferecido pela Constituição Federal está previsto no seu artigo 224, no qual se instituiu o Conselho de Comunicação Social (CCS). O ministro gostaria de vê-lo restaurado, mas isso depende do Legislativo, mais precisamente do Senado e mais precisamente ainda do seu presidente, o senador José Sarney (PMDB-AP).

Mesmo na condição de órgão auxiliar, sem qualquer poder, o CCS pode funcionar como válvula de descompressão e valioso fórum para produzir estudos ou avaliar propostas. Convém lembrar que foi no âmbito do CCS, pouco antes do início da sua desativação (2005), que pela primeira vez se falou abertamente em concentração da mídia e necessidade de regulação da concorrência. E os primeiros a apresentarem trabalhos nesta delicada esfera foram os professores Venício A. de Lima e Guilherme Canela (hoje coordenador da Unesco para a área de Comunicação e Informação no Brasil), ambos colaboradores deste Observatório.

Sem estresse
O único obstáculo à plena e imediata restauração do CCS são as históricas idiossincrasias do presidente do Senado. Ao que se sabe, o senador já foi convencido pelo governo a iniciar as sondagens para a composição do órgão e, principalmente, para a escolha do seu presidente.

É muito mais do que uma boa notícia, é um degelo que se anuncia. A grande reportagem de Elvira Lobato ("Laranjas compram rádios e TVs do governo federal") publicada no domingo (27/3) na Folha de S.Paulo sobre as aberrações na concessão de canais de radiodifusão e o seu desdobramento na edição seguinte tiveram, entre outros méritos, o de desvendar uma área de consenso onde Executivo, Legislativo e a imprensa podem operar sem o estresse da radicalização política.
 

A verdade sobre o bom momento da TV Globo

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Em recente texto publicado pelo FNDC (clique aqui para ler) e assinado por Paulo Macedo, somos informados do bom momento financeiro que a TV Globo vem experimentando, em especial, o ano de 2010, com crescimento de 25% no faturamento publicitário. O índice foi comemorado como o melhor ano da história, pelos executivos da emissora.
Parabéns à TV Globo, mas algumas considerações importantes devem ser colocadas para se compreender o porquê deste momento economicamente tão bom.

Só a Globo aumentou o faturamento?


Não. Todas as emissoras obtiveram um crescimento significativo em 2010. No SBT, o aumento foi de 32%. Na Band, 44%. A TV Record também cresceu e atingiu os mesmos 25% da TV Globo. Em um post anterior, neste mesmo blog (clique aqui para ler), apontei algumas hipóteses que visavam compreender como as emissoras de TV aberta no Brasil estão faturando mais apesar da queda dos índices de audiência. 2010 foi ano eleitoral, Copa do Mundo de futebol na África do Sul e, principalmente, crescimento da economia e do emprego e a política econômica de Lula para vencer a crise econômica de 2008/09. Com isso, o aumento do crédito, baixos índices de desemprego e aumento real da renda, se converteu em compras, e como a propaganda é a alma do negócio, o jeito foi anunciar.
Assim, as empresas investiram pesado em publicidade em 2010 e todas saíram lucrando com isso.

A TV Globo subiu no ranking das TVs abertas no mundo?

De acordo com o texto de Macedo, sim, e ocupa agora o terceiro lugar. Mas também devemos fazer uma consideração sobre isso. Como afirma o ansioso blogueiro sujo – PHA – em nenhuma democracia no mundo, uma emissora de TV aberta possui mais de 60% da audiência. E isso não se dá por falta de qualidade e atratividade dos programas, mas sim por em muitos países desenvolvidos existe uma regulamentação dos meios de comunicação que visa à democratização da TV aberta e a pluralidade de ideias. Octavio Florisbal, diretor geral da TV Globo, citou na cerimônia realizada (29), no Teatro Alpha, em São Paulo, os 50 milhões de pessoas que sintonizam o Jornal Nacional como caso de sucesso da emissora, “maior do que os quatro telejornais das principais redes americanas (NBC, CBS, ABC e Fox) juntas”. Entretanto, deve-se lembrar que a legislação americana impede que uma emissora de TV tenha mais do que 35% de audiência nacional e limita em apenas 4 horas o uso do horário nobre pelas emissoras cabeça-de-rede. O restante deve ser completado com programação local. Se aqui no Brasil vigorasse essa lei, o JN teria os mesmos 50 milhões de espectadores?

Este cenário positivo ainda vai continuar?

Sim, mas não irá durar muito. O Brasil está esta entrando no que a mídia convencionou chamar de a década de ouro. E a explicação para isso é simples: Copa do Mundo e Olimpíadas. Por conta desses dois eventos o faturamento das emissoras de TV e de outras tantas empresas, segmentos e prestadores de serviço irão aumentar ainda mais. Contudo, a partir de 2020 o cenário poderá começar a mudar. Entram no jogo novos atores. É provável que até lá as empresas de telecomunicações sejam finalmente liberadas para prestarem o serviço de TV paga. A banda larga será acessível para mais pessoas. A TV por cabos também verá sua parcela de assinantes crescer, assim como o consumo de vídeos on-demand na internet, nas TVs conectadas, vídeo-game e locadoras virtuais.
A TV Globo “exibe 17 milhões de comerciais na sua grade de programação autorizados por 50 mil anunciantes e criados por seis mil agências de publicidade”. Caso estes números caiam, devido à competição com outras mídias e transformação nos hábitos de consumo televisivo dos indivíduos a Globo conseguirá manter sua gigantesca estrutura?

Quem viver verá.
 
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