Banda larga do Bernardo depende da Anatel. Póóóde ?

quinta-feira, 30 de junho de 2011


Texto publicado em: Conversa Afiada

Saiu no Estadão, pág B12:

Governo e telefônicas chegam a acordo sobre banda larga popular.

Acordo será assinado nesta quinta feira.

Para chegar ao acordo, o governo desistiu que obrigar as telefônicas a garantir um mínimo de 40% da velocidade contratada e 70% de velocidade média até 2014.

Em troca, o Governo se contentou com a promessa do presidente da Anatel, o embaixador Ronaldo Sardemberg, de “acelerar a votação dos regulamentos de qualidade da banda larga”.

Os consumidores poderão contratar por R$ 35 mensais uma banda larga de 1 mega por segundo – se é que as telefônicas vão entregar isso …

Hoje, como se sabe, as telefônicas só garantem 10% da velocidade contratada.

E você, amigo navegante, sabe quem nem isso elas entregam.

(Quantas vezes por hora cai a sua banda larga num Ipad, por exemplo, amigo navegante ? De cada três conexões, quantas você consegue realizar imediatamente ? Uma ? Você tem sorte !)

Amigo navegante, o que faz a Anatel ?

Alguma vez o amigo navegante sentiu a Anatel ao seu lado, para defender seu interesse contra as telefônicas ?

Ou a Anatel foi capturada pelas telefônicas, desde o berço, no Governo do Farol de Alexandria ?

O embaixador Ronaldo Sardemberg, que tantos serviços prestou ao Brasil na condição de embaixador, vai entrar para a história da telefonia brasileira como o presidente da Anatel que rasgou a lei para permitir a patranha da BrOi.

Deu nisso a Telebrax do Bernardo.

Desmanchou a Telebrás que o Nunca Dantes e a Presidenta fizeram renascer.

Bernardo privatizou a banda larga.

E entregou o consumidor à Anatel.

E é assim que o Brasil vai enfrentar o PiG (*): com a universalização da banda larga barata e neutra.

Clique aqui para ler o professor Venício: “porque o Brasil corre de medo do PiG (*)”.

Os argentinos acham a maior graça !


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

 

Unesco defende criação de órgão regulador da mídia

Texto publicado em: TELESÍNTESE

Organismo pede também a atualização do marco regulatório do setor

O representante-adjunto da Unesco no Brasil, Lucien Muñoz, defendeu nesta quinta-feira (30) a criação de um órgão regulador independente da mídia e de um marco regulatório atualizado do setor para assegurarem a contribuição dos veículos de comunicação no aperfeiçoamento da democracia. Ele disse que esse organismo é essencial, sobretudo, para garantir a independência e a transparência das mídias públicas.

A expectativa de Muñoz é de que esses pontos estejam contemplados na proposta de revisão das legislações da mídia eletrônica, em elaboração no Ministério das Comunicações. “Para nós, é importante deixar claro nessa legislação o papel de complementaridade dos sistemas públicos e privados de comunicação, como já prevê a constituição brasileira”, disse.

Muñoz participou nesta quinta-feira da abertura do Seminário Internacional de Mídias Públicas: Desafios e Oportunidades para o Século XXI, promovido pela Empresa Brasil de Comunicações (EBC) e a Unesco. O evento seguirá até amanhã com debates sobre as experiências de comunicação já implantadas e o futuro destas mídias no século que se inicia, marcado por grandes transformações tecnológicas que têm impacto nas comunicações em geral.
 

América Latina: por que no Brasil é diferente?

Texto publicado em: Carta Maior

Ao contrário do que ocorre em outros países na América Latina, aqui não se conseguiu avançar na regulação do setor da comunicação. Os dois governos do presidente Lula esbarraram nessa barreira histórica e, não há indicações, até agora, de que o governo Dilma conseguirá vencer os “poderosos interesses” mencionados pelo Ministro das Comunicações.

Venício Lima*

Em conversa recente com o professor da Universidad Torcuato Di Tella, Philip Kitzberger, que realiza pesquisa comparada sobre políticas de comunicações na América Latina, insisti que a grande diferença do Brasil em relação aos outros países que estuda – Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela – é que aqui, no período posterior ao regime militar, apesar da eleição e reeleição de um governo categorizado como “populista de esquerda”, não houve mudanças em relação aos interesses que são atendidos na formulação da política pública do setor. Continuam a prevalecer os grandes empresários privados, aliados a grupos familiares e oligárquicos da velha política regional e local.

Propostas sequer se tornam projetos

No Brasil, antes mesmo de se transformarem em projetos de lei, minutas de propostas que não atendam aos interesses dominantes, têm sido vigorosamente combatidas e logo abandonadas pelo governo. Os exemplos mais conhecidos – mas não os únicos – são o “pré-projeto” [vazado na imprensa] de transformação da ANCINE em ANCINAV, em 2005, e o até agora inédito pré-projeto de novo marco regulatório para a radiodifusão, que teria sido elaborado na SECOM-PR ao final do governo Lula (dezembro de 2010).

Quando, eventualmente, “projetos” são apresentados ao Congresso Nacional, como o de criação de um Conselho Federal de Jornalismo, a reação contrária é tão formidável que nem a tentativa de substituí-lo por outro, de criação de um Conselho Federal de Jornalistas – a exemplo de conselhos existentes para outras profissões como, por exemplo, advogados e engenheiros – se concretizou. O projeto original foi arquivado sem que seu mérito fosse de fato debatido, como seria de praxe nas democracias representativas chamadas de liberais.

Mesmo assim, analistas conceituados argumentam que os dois exemplos acima fazem parte de um “encorpado caldo de cultura contra a mídia” existente no Brasil e foram não só “iniciativas do governo federal na administração de Luiz Inácio Lula da Silva (...) que pretendiam aumentar o controle da mídia”, como “quase [sic] se concretizaram”.

Outra característica que diferencia o Brasil de outros países latino-americanos é que aqui, historicamente, os grupos dominantes têm (a) impedido a regulamentação de normas e princípios constitucionais e/ou, (b) quando regulamentadas, as normas são impedidas de funcionar e/ou (c) até mesmo o debate sobre o tema tem sido interditado publicamente, isto é, só merece a atenção da grande mídia para ser satanizado.

Quais as perspectivas de futuro?
Diante dessas afirmações, a pergunta natural para um observador externo é: quais são as projeções para o futuro? Há alguma perspectiva de alteração desse quadro? Quais são os indicadores mais recentes que apontam para onde o Brasil caminha neste setor?

Registro três exemplos.

1. A Audiência Pública conjunta de cinco comissões, realizada no Senado Federal, no dia 16 de junho, para discutir projeto que tramita no Congresso Nacional desde 2007 e que pretende regulamentar a televisão paga. A audiência confirmou:

(a) as divergências entre as teles e as empresas de radiodifusão, que se tornaram públicas desde a definição do sistema de TV digital, quando os radiodifusores venceram a disputa; (b) as divergências internas entre as próprias empresas de radiodifusão. Representantes da Globo, do SBT e da Record falaram em nome da ABERT e expressaram posições diferentes; (c) a exclusão de representantes da sociedade civil organizada do debate, impedidos de participarem da audiência; (d) o conflito entre o Congresso Nacional e alguns grupos empresariais com a ANATEL, acusada de tentar “legislar” sobre televisão paga; (e) a ameaça de judicialização de uma eventual regulação aprovada pelo Congresso Nacional feita pelo representante da Associação das Programadoras. Em resumo: não se vislumbrou qualquer consenso. De certa forma, fica paralisado o andamento de um projeto de lei que tramita há mais de quatro anos e tenta apenas a regulação parcial do setor.

2. A exposição do Ministro das Comunicações no IIº Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, Brasília, em 17 de junho.

Falando como se o tema “marco regulatório” fosse uma questão nova, o ministro reafirmou que a regulação do setor “envolve poderosos interesses econômicos” e, indiretamente, deu a entender que entende regulação como sendo a regulamentação de normas que já estão na Constituição de 1988 e, mesmo assim, com muita calma e cautela (23 anos depois!).

3. Apesar de várias constituições estaduais haverem incluído, desde o final da década de 80 do século passado, artigos sobre a criação de conselhos estaduais de comunicação – a exemplo do artigo 224 da Constituição Federal – a exceção da Bahia, nenhum outro estado conseguiu até hoje, regulamentar esses artigos. Apesar do importante apoio de entidades representativas como a CBJP/CNBB, a própria OAB-Nacional, manifestou sua oposição à regulamentação dos artigos que prevêem a criação desses conselhos, em outubro de 2010.

A diferença do Brasil na América Latina

Ao contrário do que ocorre em países nossos vizinhos na América Latina, aqui não se conseguiu avançar na necessária regulação do setor de comunicações. Os dois governos do presidente Lula esbarraram nessa barreira histórica e, não há indicações concretas, até agora, de que o governo Dilma conseguirá vencer os “poderosos interesses” mencionados na fala do Ministro das Comunicações.

A novidade(?) é que organismos internacionais e atores dominantes no Brasil passaram recentemente a defender a “autorregulamentação” como alternativa para a regulação do setor de comunicações.

Essa é a diferença brasileira.

*Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
 

Banda larga: governo fecha com o mercado e não ouve sociedade civil

terça-feira, 28 de junho de 2011

Texto publicado em: FNDC

28/06/2011 |
Redação
Instituto Telecom

Um ano depois do Decreto 7.175, que instituiu oficialmente o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), uma ação efetiva está para acontecer: a assinatura da revisão dos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), prevista equivocadamente para o próximo dia 30, na medida em que não ocorrerá uma nova Consulta Pública mesmo com o atual texto do PGMU III sendo completamente diferente do que foi proposto para a sociedade.

Às vésperas da decisão, o governo pouco, ou nada dialogou com a sociedade civil. A falta de medidas claras que assistam efetivamente as necessidades de universalização da banda larga no país gera insegurança quanto ao grau de comprometimento do PGMU III com o PNBL. Tudo isso reforçado pela displicência com que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tratou o twitaço promovido pela sociedade civil, no dia 21, em defesa da universalização da banda larga. Bernardo preferiu desconsiderar a opinião pública a responder uma manifestação democrática em defesa do direito civil de ter acesso ao serviço.

Nós, do Instituto Telecom, esperamos que o ministro convoque a sociedade civil organizada para um debate sobre as considerações feitas no seu microblog. Sem isso, restarão sérias dúvidas sobre a disposição efetiva de Bernardo de atender ao interesse público, claramente expressado no twitaço e nas resoluções aprovadas há dois anos na Confecom - Conferência Nacional de Comunicação.

Segundo o que foi divulgado pelo governo, as concessionárias, apenas de forma voluntária, assumem o compromisso de oferecer planos com taxas de transmissão mínimas (download de 1 Mbps) e preços fixados em R$29,90, sem ICMS, além de escalonamento de atendimento até 2014 e padrões mínimos de qualidade do serviço. Esse termo de compromisso não terá qualquer vinculação com os contratos de concessão.

A verdade é que o PGMU III aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel não garante metas reais de universalização. Todas as ações positivas com relação à democratização do serviço de banda larga no país parecem estar sendo esvaziadas em prol do interesse do mercado. Esta é nitidamente a bandeira que vem sendo levantada pelo governo nos últimos dias. O próprio Caio Bonilha, que assumiu a presidência da Telebrás após a demissão inesperada de Rogério Santanna, afirmou, em entrevista a Reuters, que o foco da empresa agora é comercial. Ponto extremamente preocupante, ainda mais depois que a Telebrás, recentemente, indicou a possibilidade de abrir a sua composição acionária para a iniciativa privada.

É bom lembrar que durante toda a votação do novo PGMU pelo Conselho Consultivo da Anatel, o Instituto Telecom defendeu que a retirada das metas de expansão do backhaul do plano significa abrir mão de um instrumento fundamental para o PNBL.

Cerca de 60 entidades civis encaminharam uma carta ao ministro reivindicando pontos importantes como a retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL; a definição de um PGMU condizente com as necessidades do país; a retirada, do novo plano, da possibilidade das empresas descontarem os custos das metas de universalização e o fortalecimento das metas regionais; a garantia de que a Telebrás terá infraestrutura e condições financeiras para exercer a gestão pública do PNBL e, por último, a obrigação de metas de qualidade, além de preço e velocidade para os serviços prestados.

Este é um momento decisivo para o país, que precisa urgentemente de ações efetivas para a universalização das telecomunicações e da banda larga no país. Por isso, esperamos que o Minicom reveja o seu posicionamento e chame a sociedade civil para tomar parte na decisão, como é de seu direito. E que a presidente Dilma reavalie as condições do novo plano, de acordo com o interesse público já manifestado.

Por fim, nós do Instituto Telecom, reafirmamos que não haverá universalização da banda larga sem a instituição deste serviço em regime público e sem a discussão democrática com a sociedade.
 

Alunos brasileiros estão dez anos atrasados em inclusão digital

Texto publicado em: Estadão.com.br

Levantamento PISA, publicado pela Unesco e OCDE, mostra que somente 53% dos estudantes do País tem acesso à internet enquanto a média nos países ricos é maior de 90%

28 de junho de 2011 | 14h 45

Jamil Chade, Correspondente em Genebra

GENEBRA - Metade dos estudantes brasileiros está "desconectado" e o País soma uma década de atraso em comparação aos alunos de escolas de países ricos no que se refere ao acesso à computadores e Internet. Se não bastasse, as escolas brasileiras estão entre as piores em termos de acesso de seus alunos à informática, o que pode já comprometer a formação de milhares de jovens.


Esse é o resultado do primeiro levantamento PISA feito para avaliar a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia. Segundo o documento, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a escolas brasileiras não estão equipadas e o País é o último numa lista de 38 sistemas de ensino avaliados quando o assunto é o número de computadores em escolas por alunos. O Brasil é ainda um dos países mais desiguais em termos de acesso aos computadores e a disparidade continua aumentando.


Apesar de os dados serem de 2009, os pesquisadores acreditam que eles revelam uma imagem da preparação de diferentes sistemas de ensino para enfrentar o século 21 e suas tecnologias. Ela mede o acesso ao computador de um estudante de 15 anos no mundo.


De um total de 65 países avaliados, apenas dez estão em uma situação pior que a do Brasil. Segundo o levantamento, alunos da Romênia, Rússia e Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros.


Na média, 53% dos estudantes brasileiro de 15 anos tinham computadores em casa. Há dez anos, essa taxa era de apenas 23%. Apesar do avanço, os números são ainda muito inferiores à média dos países ricos. Na Europa, Estados Unidos e Japão, em média mais de 90% dos estudantes tem um computador em casa.


A taxa de 50% que o Brasil tem hoje é equivalente ao que a média da Europa tinha no ano 2000. O atraso, portanto, seria de dez anos.


Desigualdade
. Mas o estudo revela que a média brasileira na realidade esconde uma profunda desigualdade no acesso à informática. Entre a camada mais rica dos estudantes, 86% deles tem computador e Internet em casa. A taxa é equivalente aos estudantes dos países ricos.


Mas entre os estudantes com menos recursos no Brasil, apenas 15% tem a ferramenta. A proporção é bem melhor que o cenário do ano 2000. Naquele ano, apenas 1 a cada 100 estudante pobre tinha acesso ao computador e uma série de iniciativas vez o número subir. Agora, são 15 alunos para cada 100 com acesso. Mas segundo a OCDE, a diferença entre os estudantes ricos e pobres no Brasil é uma das maiores do mundo e continua a aumentar, e não reduzir.


Nos países europeus, a diferença entre as duas classe é de menos de dez pontos percentuais. Entre os alunos brasileiros que tem computadores, menos de 30% dos mais pobres tem Internet em casa. Nos ricos, eles chegam a 90%.


Escolas. Para Sophie Vayssettes, pesquisadora da OCDE que preparou o levantamento, cabe ao poder público compensar essa disparidade social, dando acesso aos computadores nas escolas. "Muitas famílias não tem renda para ter um computador em casa. Mas políticas devem ser implementadas para permitir uma correção dessa situação e dar esse acesso em locais públicos, como as escolas", disse ao Estado.

Mas, no caso do Brasil, essa política continua frágil. Hoje as escolas tem um computador para cada cinco alunos, taxa considerada como insuficiente. Na média dos países ricos, as escolas tem um computador para cada dois alunos. Na Austrália, o sistema de educação garante um computador por aluno.

Segundo o levantamento, o Brasil é o último em uma lista de 38 sistemas de ensino a garantir acesso ao computador, superado pela Albânia, Indonésia e Bulgária.

O levantamento mostrou que 62% dos alunos brasileiros frequentam escolas com sérios problemas para garantir acesso de seus estudantes aos computadores. Entre a classe mais pobre, 3 de cada 4 está em escolas com sérias deficiências.

"O aprendizado do uso de computadores é primordial para o futuro desses jovens ", disse Sophie. "Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática tem 25% a mais de chance de encontrar um trabalho. Portanto, preparar os alunos aos século 21 é fundamental para qualquer sistema de ensino ", alertou.

Segundo a pesquisadora, não é apenas com o objetivo de encontrar um posto de trabalho que a informática deve ser ensinada na escola. " Cada vez mais, muito do que fazemos está sendo limitado à Internet, como a compra de passagens aéreas. Não ter acesso à computadores também é uma forma de exclusão social ", completou.
 

O jornalismo diante das novas mídias

Texto publicado em: FNDC

23/06/2011 |
Lilia Diniz
Observatório da Imprensa

Durante séculos, a imprensa orgulhou-se de ser insubstituível. Era o motor, o maestro e o filtro da sociedade. Elegia e derrubava presidentes, ditava moda e construía mitos. A partir de meados da década de 1990, com a popularização da internet, a irrevogável evolução tecnológica universalizou o conhecimento. Nasceram os sites de busca, os blogs e as mídias sociais.

Profetas vaticinaram: livros e jornais impressos estão destinados a desaparecer porque o futuro é digital. Cidadãos comuns converteram-se em emissores de notícia, com textos curtos e fragmentados. Twitter, Facebook e Orkut se apresentaram como novas fontes de informação quebrando as barreiras entre a notícia e a sociedade. E até os jornalistas passaram a usar essas ferramentas como matéria-prima para reportagens e artigos.

Na semana passada, uma nova farsa do mundo virtual veio à tona: uma jovem lésbica síria que mantinha um blog com fortes críticas ao governo do presidente Bashar Al-Assad era, na verdade, um estudante de pós-graduação americano que vive na Escócia. Pouco antes de revelar a mentira, o estudante chegou a inventar que a autora do blog “Garota gay em Damasco” havia sido sequestrada a mando do governo. No início de junho, uma outra face do uso das mídias sociais entrou em pauta. O jornalista Bill Keller, que ocupou durante oito anos o cargo de editor executivo do jornal The New York Times, publicou um artigo criticando o uso indiscriminado da tecnologia nas relações pessoais. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo na terça-feira (21/6) pela TV Brasil discutiu o impacto das novas mídias na sociedade e no trabalho da imprensa.

Para discutir o tema, Alberto Dines recebeu no estúdio do Rio de Janeiro o jornalista e escritor Muniz Sodré. Mestre em Sociologia da Informação e Comunicação e doutor em Letras, Sodré é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional. É autor de mais de 30 livros na área de Comunicação. Em São Paulo, o programa contou com a presença do jornalista Caio Tulio Costa, que foi o primeiro ombudsman da imprensa brasileira. Caio Túlio trabalhou na Folha de S.Paulo durante 21 anos. Foi um dos fundadores do UOL, do qual foi diretor geral até 2002. Ex-presidente do iG, atualmente é consultor de mídias digitais e professor de Ética Jornalística.

Informação superficial
Em editorial, Dines criticou a preferência da sociedade pela velocidade em detrimento da profundidade. “A contribuição mais forte para o fim dos jornais começou a ser oferecida pelos próprios jornais, quando anunciaram formalmente o seu próximo fim. O episódio mais recente deste suicídio coletivo aconteceu há poucos dias quando o Guardian, um dos jornais mais importantes e bem sucedidos da Inglaterra, anunciou que passaria a investir maciçamente na sua versão digital, que absorveria o noticiário quente. A versão impressa ficaria com as análises, opiniões e a contextualização do que seria veiculado pela internet”, comentou Dines.

Antes do debate no estúdio, a reportagem produzida pelo programa mostrou a opinião da jornalista Míriam Leitão, que atua tanto na imprensa convencional como nas novas plataformas. Para Míriam, o jornalista precisa ter consciência de que a informação veiculada por profissionais de imprensa nas redes sociais tem um peso maior do que as demais notícias que circulam no mundo virtual: “A estrada existe para todo o mundo, mas nós somos os profissionais do volante nesta estrada”.

Amante dos livros em formato tradicional e da palavra impressa, a jornalista explicou que vê com bons olhos a criação de novas plataformas, mas que torce para que as bibliotecas continuem a ter espaço nas casas. “Digamos que acabe este livro, esta idéia que foi inventada por Gutenberg, e que os livros sejam só eletrônicos daqui em diante. O livro é sempre a alma, a ideia, e isso vai continuar para sempre”, avaliou.

O que é real?
A coordenadora de Jornalismo da UFRJ Cristiane Costa contou que, durante a Guerra do Golfo (1990-1991), o perfil de um conceituado blogueiro chamou a atenção da opinião pública. Sob o pseudônimo de Salam Pax,o internauta abastecia seu diário virtual com informações de dentro de Bagdá, conflagrada pelos bombardeiros, enquanto os jornalistas das mídias tradicionais se limitavam a acompanhar as tropas aliadas. Apesar de as informações do blog “Where is Raed?” serem verdadeiras, a opinião pública desconfiou da existência do blogueiro porque parecia irreal que um arquiteto, gay e junkie morasse em Bagdá.

Na era das novas tecnologias, o diferencial, na avaliação do jornalista Arnaldo Cesar, é a qualidade da informação, independente plataforma em que é publicada. “Para você ter conteúdo de qualidade, tem que ter boas fontes de informação e a informação tem que ser checada e rechecada antes de ser impressa ou publicada. Eu acho que o New York Times e os jornais no mundo todo ficaram meio perdidos em relação a isso e hoje já começam a encontrar um caminho”, disse o jornalista. Leão Serva, que foi diretor de Jornalismo do iG e hoje é diretor de Redação do Diário de S.Paulo, comparou as informações que circulam nas redes sociais às cartas anônimas. Nas duas situações é necessário checar a fonte, apurar e ouvir o outro lado da questão. “Eu acho que esses mesmos cuidados são necessários, embora em uma versão digital”, disse Serva.

Convivência pacífica
As novas tecnologias não se sobrepõem aos meios tradicionais, na avaliação de Luiz Garcia, articulista do jornal O Globo: “A imprensa sempre sobreviveu aos novos meios de comunicação. A quantidade de informações que são passadas à opinião pública é sempre muito grande, mas cada um tem a capacidade de escolher e selecionar o que acha melhor. Não creio que algum tipo de mídia diferente, novo, que pode fazer muito sucesso inclusive pelo fato de ser novo, pode afetar as características próprias das mídias mais antigas”.

De Nova York, o correspondente Lucas Mendes comentou a atuação de Bill Keller no NYTimes. “Foi sob o comando dele que o jornal decidiu cobrar pelo acesso online para compensar a brutal queda no faturamento da publicidade. ‘Sem uma nova receita, o fim do Times é inevitável’ – quem diz é o próprio editor-executivo”, contou o jornalista.

No debate ao vivo, Dines perguntou a Caio Túlio Costa se, quando assumiu a direção do UOL, imaginava o rápido desenvolvimento tecnológico que se seguiria, a ponto de ser decretado o fim do jornalismo impresso. “Quando a gente criou o UOL, não tínhamos a noção exata do que estávamos fazendo”, contou Caio Túlio. A ideia, segundo ele, era tentar reproduzir no Brasil o sucesso das grandes provedoras daquele momento, como AOL e a Compuserve. Intuitivamente, a equipe já tinha em mente que para a iniciativa ser bem sucedida era preciso um grande número de pessoas conectadas ao site para garantir o faturamento. Os assinantes e a publicidade deveriam sustentar o provedor.

Verdades e mentiras
Caio Túlio relembrou casos amplamente divulgados em que a mentira estava presente na mídia tradicional, como o do ex-repórter do NYTimes Jayson Blair, que admitiu publicamente, em 2003, que plagiava textos e inventava informações em suas matérias. “Isso faz parte do jogo e evidentemente, o jogo está muito maior agora, com muito mais alcance, com quase uma impossibilidade de controle. E nós, que somos formados nessa mídia tradicional, somos loucos para controlar. Acho que a questão que se coloca é essa: esse controle ficou muito mais difícil e muito mais complexo”, avaliou o jornalista.

O fator humano acaba fazendo com que situações como essas ocorram em qualquer plataforma. “Nós, enquanto jornalistas, trabalhando tecnicamente a informação e agora tendo a concorrência de pessoas, cidadãos – bem intencionados e mal intencionados – de instituições e de empresas, continuamos enfrentando os mesmos problemas de sempre”, sublinhou Caio Túlio.

Para Muniz Sodré, a tecnologia é fascinante porque conserva enigmas e incertezas. “Eu acho que frequentemente perdemos de vista determinadas coisas porque tendemos a avaliar os objetos culturais isoladamente. Foi como o rádio e a televisão. Na verdade, todos esses objetos e dispositivos formam, para mim, um paradigma em que se tenta duplicar o universo anterior”, analisou o professor. Esta duplicação se dá na direção da velocidade, necessária ao sistema capitalista. “O valor ‘ético’ passa a ser o rápido, o veloz. Não é o profundo, o humano o autêntico. Essa duplicação e essa aceleração matam o sentido”, afirmou Muniz Sodré.

A busca pela novidade
O professor acredita as novas tecnologias da informação põem em pauta a crise do sentido e da palavra. E a imprensa é um “pálido reflexo” dessa crise mais profunda. Jornalistas e consumidores estão fascinados pelas novas tecnologias, na avaliação de Muniz Sodré. Muitas vezes, buscam os mais recentes lançamentos sem saber ao certo para o que servem aquelas ferramentas. “Há uma coisa mais grave. É um pouco como a indecisão de um cientista subatômico diante de um objeto subatômico: não sabe se é onda ou se é partícula. Em um nível macro da história, nós, diante de um fato, não sabemos quais são os padrões de verdade, de realidade, de imaginário. E isso parece não importar mais”, observou Sodré.

Para o professor, a sociedade está “surfando na onda das aparências” e não tem os meios de controlar o que é verdade. O jornalismo sempre ofereceu a possibilidade de estabelecer a distinção entre real e irreal porque havia um pacto de credibilidade implícito. Sem uma pausa na transmissão das informações, os dados apenas se multiplicam, sem uma reflexão aprofundada. “Se esse pacto se rompe, essa informação tão abundante, tão prolífica, é tão fascinante quanto o aparelho novo, mas não vale nada”, disse Sodré.
 

O que as teles não fazem, é a lan house que faz

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Texto publicado em: Tijolaço - O Blog do Brizola Neto -



A pesquisa divulgada hoje pela Folha de S. Paulo só comprova – se isso ainda precisasse ser provado – a necessidade de implantação imediata do Plano Nacional de Banda Larga.

Não é crível que um país dependa de “lanhouses” para praticamente a metade dos usuários de internet ter acesso à rede em condições razoáveis de qualidade.

De qualidade, porque de preço, a R$ 2 a hora, como indica a pesquisa, certamente não é.

É um retrato, também, da incapacidade e do pequeno interesse das telefônicas em prover acesso razoável a seus usuários, pois se perto de 90% dos dominícílios possuem telefone fixo ou móvel, e o computador já ser um bem disponível em cerca de 40% dos domicílio, o fato de ainda metade dos acessos ser feita de lan-houses demonstra que é a inviabilidade de conexão em preço e qualidade viáveis que nos leva a estes números.

O Tijolaço, não é segredo para ninguém, tem uma posição de princípio sobre setores estratégicos da economia – como petróleo, energia hidroelétrica, determinadas atividades minerais – pertencerem e serem geridos pelo Estado.

Assim é, também, nas telecomunicações.

Há, porém, uma diferença essencial entre esta e os demais.

Aqueles, podem esperar que o Estado brasileiro se reconstrua, após o desmonte que vem sofrendo desde o final dos anos 70, para explorá-los. A riqueza potencial está lá e, mais importante do que explorá-la rápido, é explorá-la bem, em favor da população.

Nas telecomunicações, ocorre o inverso. Dotar o país e a população de acesso à comunicação – e comunicação é, hoje, transmissão de dados – tem de ser para já. E já ainda é tarde

É compreensível que, em função da necessidade de resultados, o Ministro Paulo Bernardo esteja procurando soluções que utilizem a infraestrutura e, sobretudo, a capilaridade da rede das operadoras de telefonia.

Mas é importante jamais deixar de lembrar que elas são concessionárias de telefonia, não de acesso à internet.

E não parar, por um segundo que seja, os investimentos para dotar o país de uma rede de transmissão de dados poderosa e geograficamente bem distribuída.

Se é para isso que o poder público quer se desonerar dos pesados investimentos de distribuição domiciliar de sinal, muito bem. Desde que haja preço e qualidade e – sobretudo – punição para o descumprimento de metas quantitativas e qualitativas, é claro.

Mas não para deixar o sistema como é, porque foi isso que nos levou a ficar na mão das teles.

E, de outro lado, é preciso agir ao menos no regramento da distribuição domiciliar, para permitir a competição e o barateamento neste serviço.

Há várias providências imediatas a serem tomadas, pela União, pelos estados e municípios.

A primeira, e mais importante, é democratizar o uso das redes físicas de telefonia, que podem, sem prejuízo de seu funcionamento, suportar o tráfego de dados em frequências diferentes. É o famoso e impronunciável unbudling, que jamais é regulamentado de forma eficiente e acessível.

Mas há várias outras, que dependem de que o poder público, em todas as esferas, pare de achar que conexão com a internet é artigo “de luxo” e não uma necessidade de serviço básico comparável a qualquer outra, como água e luz.

Algumas são de extrema simplicidade e baixíssimo custo, como, por exemplo, estabelecer a obrigatoriedade de instalação de antenas para recepção de internet via rádio em todas as novas constuções multifamiliares ou condominiais, com cabeamento a cada domicílio. O custo é, praticamente, zero e há centenas de provedores de pequeno porte ávidos por explorar este serviço, capazes de arcar com os custos de distribuição do sinal.

As concessionárias de água, esgotos, eletricidade e gás também podem ser obrigadas, para obter financiamento, a utilizar tecnologia bitubo – a Paraíba já tem estruturas assim funcionando, com ótimos resultados – em suas novas redes, criando uma opção de distribuição de acesso que vá reduzindo o “monopólio do poste”.

As próprias lan-houses, aos milhares, são importantes pontos de ação para a democratização do acesso. Uma política de licenciamento, isenção de impostos, garantia de preço baixo nas duas pontas – do provedor e ao usuário -, e de uso sinérgico com outras atividades públicas e privadas é indispensável para que o parco direito à comunicação que estes milhões de pessoas vêm tendo seja potencializado e ampliado. Até porque é um micronegócio, de baixíssima lucratividade, mas que, como mostra a pesquisa, têm um enorme valor social.

Enfim, isso é matéria para técnicos. Para nós, o mais importante é entendermos que o acesso à internet se tornou não apenas uma necessidade, mas um direito básico e inalienável do cidadão. E que, por isso, o Estado não pode abrir mão de ter não apenas o controle, mas os meios próprios para provê-los.

Se é necessário, para a agilidade, usar o potencial instalado dos concessionários, que se o faça, com regras e controle sérios e bem definidos. E que não fiquem dependendo exclusivamente da Anatel. Mas que não se perca de vista nem por um dia que é preciso dotar o país de uma rede poderosa e ampla de transmissão de dados sob controle do próprio Estado, porque só ele pode fazê-la e só ele pode garantir que todos a ela tenham acesso.

Até porque, com o desenvolvimento tecnológico e o crescente valor econômico e social que as telecomunicações agregam às atividade humana e ao progresso, comunicação é algo que custa cada vez menos, mas vale cada vez mais.
 

Candidata, Cristina lança o 'TV para todos'

sábado, 25 de junho de 2011

Texto publicado em: FNDC

23/06/2011 |
Redação
Estado

Presidente argentina dá início à campanha com subsídio para compra de aparelhos

O programa prevê a distribuição de créditos do Banco de la Nación, que é estatal, para a compra dos televisores, e coincide com o início da Copa América, torneio sul-americano de seleções que será disputado em julho. Os aparelhos serão vendidos por US$ 675 e o pagamento pode ser feito em até 60 vezes. "Sou uma presidente que não gosta de uma Argentina para poucos, mas sim para muitos", disse Cristina.

A oposição acusa o governo de fazer populismo com esses programas e ressalta que, na prática, eles não passam de subsídios para obter dividendos políticos nas eleições presidenciais de outubro. "É pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América", criticou o economista Gabriel Rubinztein.

No último ano, o governo Kirchner lançou diversos programas com o lema "para todos", que facilitam a compra de bens e produtos a preços mais acessíveis. Entre eles estão subsídios para alimentação, como o "Carne para Todos", "Milanesas para Todos" e o "Merluza para Todos".

Além disso, a presidente estatizou as transmissões dos jogos de futebol do Campeonato Argentino, agora exibidos na TV aberta (leia mais ao lado). Outro benefício, destinado à compra de gás, foi batizado de "Botijões para Todos".

Favoritismo. Cristina tentará em outubro o terceiro mandato do kirchnerismo, que chegou ao poder em 2003 com seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner. A então primeira-dama foi eleita em 2007. A morte dele, em outubro de 2010, no entanto, impediu seu retorno à Casa Rosada e abriu caminho para Cristina tentar se reeleger.

Segundo pesquisa da consultoria Fara e Associados, se as eleições fossem hoje, Cristina teria 47% dos votos. Outros 18% votariam em Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, da União Cívica Radical (UCR). O ex-presidente Eduardo Duhalde, líder do peronismo dissidente, teria 14%. A deputada Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, obteria 9% dos votos. Outros 7% ficariam nas mãos de Hermes Binner, governador da Província de Santa Fé.

Um resultado como esse daria à presidente a vitória no primeiro turno, já que, no sistema eleitoral argentino, um candidato vence se conseguir mais de 45% dos votos ou obter 40% dos votos desde que a vantagem sobre o segundo colocado seja superior a dez pontos porcentuais.

O levantamento da Management & Fit, no entanto, indica que Cristina tem 33,4% da preferência, contra 15,3% de Alfonsín e 5,8% de Duhalde. As especulações no âmbito político indicam que a vice de Cristina seria sua cunhada, a ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, irmã do ex-presidente.

Outros rumores sugerem que o companheiro de chapa da presidente seria um governador do norte do país, forte reduto kirchnerista. Entre os favoritos estão o governador do Chaco, Jorge Capitanich, o de Entre Rios, Sergio Urribarri, e o de Tucumán, José Alperovic.

Integrantes jovens do gabinete presidencial, como o ministro da Economia, Amado Boudou, e o secretário de Comunicação, Juan Abal Medina, correm por fora.

A presidente também pretende evitar, segundo analistas, a chamada "síndrome de Cobos", uma alusão ao rompimento de seu atual vice-presidente, Julio Cobos, com o governo em 2008. Na época, como presidente do Senado, Cobos causou a derrota do governo na votação do "tarifaço agrário".

Agora, Cristina buscará um vice de alinhamento automático. Para analistas, a escolha será crucial, já que, sem Néstor, o companheiro de chapa da presidente terá status de "sucessor".

Bife à milanesa e futebol

Diversos programas populares foram anunciados na última metade do primeiro mandato de Cristina Kirchner. O "carne para todos" oferecia cortes de carne bovina a valores mais baixos do que a média do mercado. O "milanesa para todos" garantia o desconto no corte do bife à milanesa, um dos pratos mais populares do país. O mais famoso de todos os programas é o "futebol para todos". O acordo com a Associação de Futebol da Argentina (AFA) para a criação do Programa Futebol para Todos implicou na estatização das transmissões dos jogos de futebol por uma década. O argumento era "levar o futebol a todos os argentinos", pois desde os anos 90 as transmissões eram feitas pela TV a cabo. A oposição a acusou de "populismo", já que o espaço publicitário nos jogos é ocupado por publicidade do governo Kirchner. Até 2019, o governo desembolsará US$ 150 milhões por ano para a AFA e os clubes em troca dos direitos de transmissão. Com o acordo, o Grupo Clarín, crítico de Cristina, perdeu o direito de transmissão das partidas de futebol.
 

Internauta brasileiro é o que mais consome vídeo online

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Texto publicado em: TELA VIVA News

O brasileiro é o povo que mais assiste a vídeos e TV na Internet, aponta uma pesquisa realizada pela Accenture com 6,5 mil internautas, em sete países. No Brasil, 89% das pessoas acessam aplicações de vídeo na web. Nos Estados Unidos esse número é de 80% e no Reino Unido, de 75%. No Brasil, a preferência dos internautas é assistir aos vídeos pelo computador, com 82%. Nos Estados Unidos esse o número cai para aproximadamente 70%.

O estudo revela também que embora a televisão domine a preferência dos consumidores - 92% no mundo e 90% no Brasil - a diversidade dos produtos eletrônicos que os consumidores no mundo usam para assistir conteúdo é diversificada: 72% utilizam laptop, 63% usam celulares e 21% já acessam vídeos pelos tablets, que são novos no mercado. No Brasil, mais de 40% dos usuários ouvidos passaram a acessar conteúdo de vídeo pelo computador, notebook ou smartphone; mais de 35% passaram a assistir TV também pela Internet e cerca de 25% adotaram o Blu-Ray.

O estudo mostra ainda que pessoas com mais de 64 anos também passaram a usar desktops, laptops e celulares para acessar vídeos na Internet. A pesquisa da Accenture foi realizada na Austrália, Brasil, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos com 6,5 mil internautas. Os resultados foram analisados para refletir os hábitos dos consumidores com idade acima dos 18 anos. Da Redação.
 

Ex-presidente da Telebrás: A banda larga é das teles

Texto publicado em: Blog Vi o Mundo

Ex-presidente da Telebrás diz que governo está cedendo ao interesse das teles

Jacson Segundo – Observatório do Direito à Comunicação, por sugestão do leitor Almerindo

14.06.2011

Em 26 de agosto de 2010, a Telebrás divulgou uma lista com as cem primeiras cidades que seriam incluídas no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). A promessa era já naquele ano começar a cumprir a meta de atender a 1.163 municípios até o fim de 2011. Não deu certo. Só depois de quase 10 meses, em 8 de junho, é que a empresa foi assinar um contrato com o primeiro provedor a ingressar no PNBL, em Santo Antônio do Descoberto (GO). Com um enxugamento de recursos e um cronograma super atrasado, a Telebrás hoje não é bem aquela que se desenhou como a principal novidade do programa governamental de massificação da internet.

Nesse ritmo, é bem provável que o governo não cumpra sua meta, que é conectar 4.283 municípios de todas as regiões, elevando o número de domicílios com banda larga de 12 milhões (2009) para 40 milhões em 2014. O ex-presidente da Telebrás, Rogério Santanna, demitido em 31 de maio deste ano, já havia dito que o contingenciamento de recursos inviabilizaria o atendimento das cidades previstas para 2011. Ele trabalhava com um número de 800 municípios, mas agora, é ainda mais pessimista. Embora ainda não possa revelar um dado mais concreto, sua previsão é de uma diminuição ainda mais drástica. “ (O governo) Não vai conseguir atender as metas se não houver recomposição do orçamento”, afirmou ele, em entrevista a este Observatório.

Recompor o orçamento não parece estar nos planos do governo, e essa tem sido a justificativa usada pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para aumentar cada vez mais a participação do setor privado no PNBL. Nas contas do ministro é preciso R$ 7 bilhões para cumprir a meta do Plano, mas a presidente Dilma Rousseff só autorizou a liberação de R$ 1 bilhão por ano. É essa diferença que Paulo Bernardo está negociando com as empresas privadas.

O último movimento do Ministério das Comunicações (Minicom) é tentar preencher essa lacuna com parcerias público-privadas, criando cotas da rede para empresas. Segundo Paulo Bernardo, um banco privado já demonstrou interesse. Na lógica do ministro, o fundamental é cumprir as metas. “Não importa a cor do gato, contanto que ele cace o rato”, já manifestou ele.

Mas não era esse o plano de Rogério Santanna. Para ele, o governo erra ao fazer esse tipo de negociação neste momento. Sua opção, se fosse mantido no comando da Telebrás, seria fortalecê-la (com recursos e profissionais) e expandir sua rede primeiro. “Uma coisa é negociar tendo rede outra é sem ter nada. O montante faltante não precisaria ser negociado agora. Isso não foi discutido comigo. Ele (Paulo Bernardo) apenas chamou meu diretor (Caio Bonilha, atual presidente da Telebrás) e conversou com ele sobre isso”, relatou Santanna, claramente aborrecido. Na sua visão, daqui a uns anos a empresa começaria a ter lucros, o que mudaria o cenário. Talvez tenha sido este o motivo central de sua substituição.

Recursos

Nas contas de Rogério Santanna são necessários R$ 5,7 bilhões para o cumprimento das metas do PNBL e não R$ 7 bilhões. Mesmo assim, será preciso uma virada financeira considerável neste momento se o Ministério quiser realmente gastar os R$ 4 bilhões prometidos por Dilma (isso se a verba de 2011 for recomposta) para usar os mais de 30 mil quilômetros de fibras pertencentes a seus parceiros, como Petrobras, Eletrobrás, Furnas e Chesf. Até agora, a realidade tem sido outra, de contingenciamento.

Inicialmente, a Telebrás deveria ter recebido até 2011 R$ 1 bilhão. O aporte inicial de R$ 600 milhões se transformou em R$ 316 milhões. Este ano, a empresa esperava receber R$ 400 milhões, mas foi contemplada com apenas R$ 226 milhões. E ainda assim, com contingenciamento, chegaram aos cofres da empresa apenas R$ 50 milhões. Os contratos já acordados pela Telebrás para a implementação da rede nacional (backbone) e o acesso até a sede dos municípios contemplados pelo PNBL (backhaul) somam R$ 207,4 milhões.

Mas porque tantos cortes? “É uma boa pergunta. Talvez o Paulo Bernardo saiba”, critica Rogério Santanna. Embora compreenda que tal política foi adotada por todo o governo, Santanna defende que a Telebrás foi prejudicada. “O corte deste ano foi de 75% na Telebrás enquanto em todo o Minicom foi de 50%”, comparou.

Divergências

Oficialmente o ministro Paulo Bernardo disse que a troca na presidência da Telebrás foi para melhorar as relações institucionais com a empresa. Um modo diplomático de dizer que não havia mais entendimento entre os dois. A entrada de Caio Bonilha, que era diretor comercial da empresa, é um sinal de que o ministro não via em Santanna um bom administrador. E fazia tempo.

Em entrevista ao Valor Econômico, em 25 de abril, o ministro deu a seguinte declaração sobre um bloqueio que a empresa teve em seu orçamento: “o Tesouro não vai liberar dinheiro se não há nada projetado”. O recado era para Santanna. Da mesma forma, Paulo Bernardo atribuiu ao ex-presidente da Telebrás a demora para assinar o contrato com a Petrobras e a Eletrobras, para uso de suas fibras. “Não tinha prioridade dentro dessas empresas. Não foi um problema da Telebrás”, defende-se Santanna.

Mas alguns fatos demonstram que a demissão não aconteceu apenas por problemas administrativos. Toda vez que tem oportunidade, o ministro Paulo Bernardo reforça que o papel da Telebrás não é competir com as teles. Para Santanna, a rede pública devia privilegiar locais não atendidos, mas não se restringir a eles. “Periferia das grandes cidades não são atendidas e tem mercado”, pontou ele, frisando que o problema central a ser atacado pelo PNBL é a falta de concorrência: “Embratel/Net, Telefônica, Oi, CTBC e GVT controlam 95% do mercado de prestação de serviços de banda larga no país porque detém as redes de transporte da informação”.

PGMU

Depois da aprovação do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) III, em 2 de junho pelo Conselho da Anatel, o PNBL tornou-se ainda mais central para o governo. No começo da gestão Dilma, ainda havia uma vontade de que as teles fossem obrigadas a expandir suas redes por meio do plano de universalização, mas as empresas foram contra e no fim das contas levaram – ou negociaram – a batalha. Basicamente o PGMU III cria um programa especial de telefone fixo mais barato para pessoas do Bolsa Família (Aice) e reorganiza a distribuição de orelhões no país.

Em contrapartida, o governo pediu que as operadoras fizessem ofertas para baratear e melhorar o serviço onde ele já existe. As teles têm feito propostas tacanhas. De antemão, já manifestaram a possibilidade de oferecer a banda larga no preço que o PNBL estipula (1megabite por R$ 35) apenas em locais menos populosos, de baixo Índice de Desenvolvimento Humano e ainda assim fazendo a venda casada com outros serviços. Especula-se que essa negociação foi responsável pela queda de Nelson Fujimoto da Secretaria de Telecomunicações do Minicom.

O ex-presidente da Telebrás acredita que acordo do PGMU III foi ruim. “Deviam (as empresas) ampliar o backhaul. Há uma clara aproximação do governo com as teles. O PGMU é um dos elementos”, sentencia Santanna, que também foi secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento do governo Lula.

Demissão

Rogério Santanna não esconde a insatisfação com a forma como foi conduzida sua substituição. Segundo ele, nada havia sido conversado antes – e também não foi até agora – e diz que foi informado por jornais. “Foi um procedimento deselegante no mínimo”, diz. Ele afirma também que até hoje não sabe ao certo o motivo de sua saída. “Não houve debate sobre o que era divergente. O ministério nunca se reuniu comigo presente”, reclama. Na sua versão, ele estaria contrariando o interesses de algumas operadoras. Ele vai cumprir quatro meses de quarentena e depois diz que estará aberto a propostas de trabalho. As substituições de Santanna e de Fujimoto são um indicativo de que mais mudanças de rumo no projeto do governo para massificar a internet devem estar a caminho.
 

Anatel inicia caça à publicidade na TV paga

Texto publicado em: Propmark


Proposta do órgão para atualizar a regulamentação do serviço de TV a cabo prevê estabelecer tempo máximo para propaganda

Entre as propostas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para atualizar a regulamentação do serviço de TV a cabo está a de estabelecer um tempo máximo para a propaganda nos canais por assinatura. O órgão já iniciou uma consulta pública para colher sugestões para a atualização, e afirmou que sua motivação para intervir no volume de publicidade dos canais são as reclamações dos assinantes quanto à programação.

“A Anatel recebeu, entre 2006 e 2011, cerca de 11 mil reclamações relativas à programação. Entre as principais críticas, observou-se a insatisfação dos assinantes ao assistir uma programação interrompida em demasia por intervalos comerciais. Em alguns casos, relatou-se uma quantidade de publicidade superior à verificada nos canais abertos, que são mantidos por essas receitas, numa relação que chegava a igualar o tempo de exibição de um filme ou episódio de seriados ao tempo de publicidade veiculada durante sua apresentação”, argumentou a Anatel através de sua assessoria de comunicação.

A Anatel entende que o assinante de uma TV a cabo não pode comprar programação, remunerar a prestadora pelo conteúdo e receber publicidade. A Agência se inspira no teto estabelecido juridicamente para a radiodifusão, onde há um limite para a veiculação de publicidade.

“Embora não haja vedação legal à veiculação de anúncios publicitários, uma veiculação elevada, desproporcional e ilimitada de propaganda pode caracterizar vantagem manifestante excessiva, prática considerada abusiva nos termos do artigo 29, V, do Código de Defesa do Consumidor”, alegou a Anatel.

Canais

Existem hoje, basicamente, dois tipos de canais: o básico e o premium. Canais como TNT, Fox, Cartoon, Sportv e Discovery são básicos no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Para esses, de um modo geral, estão reservados de 14 a 16 minutos de publicidade. Toda a programação leva isso em conta – seja de séries e documentários – e é feita para respeitar a venda de publicidade.

“Repare que uma série que começa às 9h e termina às 10h, tem uma duração de 44 minutos. Elas foram feitas assim justamente para encaixar os comerciais que pagam boa parte dos custos das programadoras – em torno de 30% a 40% da sua receita. Se não houvesse publicidade, os custos deles para as operadoras seriam maiores e a assinatura seria mais cara – ou haveria menos canais”, explicou Fernando Magalhães, diretor de programação da Net Serviços.

Na outra ponta, há os canais premium, como Telecine e HBO, que são caros, têm conteúdo diferenciado e praticamente não têm publicidade e, sim, patrocínios entre filmes.

Certamente estão na mira da Anatel os chamados infomerciais, cujo volume hoje é grande tanto em TVs abertas quanto fechadas, e que contribuem negativamente para a percepção do consumidor em relação aos canais. Um executivo do segmento, que não quis se identificar, disse que eles são o verdadeiro problema, pois sua baixa qualidade de produção e volume incomodam bastante não só os consumidores, mas boa parte dos players envolvidos na indústria da TV por assinatura.

O propmark procurou a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), para ouvi-la a respeito, na semana passada, no entanto, Alexandre Annenberg, presidente da entidade, não atendeu a reportagem. A TVA e a Globosat também não se posicionaram a respeito.

Fiscalização

André Borges, vice-presidente jurídico e de relações institucionais da Net Serviços, acredita que não cabe à Anatel legislar sobre o tempo de publicidade nos canais de TV a cabo – como defesa da concorrência ou como competência. “Uma coisa é fiscalizar infrações, a outra é estabelecer novas regras. O índice de reclamações de consumidores certamente é baixo e não representa a maioria. Eu próprio não gosto do nível de publicidade de boa parte dos canais. No entanto, essa é uma condição de mercado. A qualidade dos canais é regulada de acordo com a audiência. Se um canal não dá audiência, se os consumidores estão mudando de canal, seu valor cai e isso pesará para ele no futuro. É a livre concorrência, simples assim”, disse Borges.

Em sua opinião, a ingerência sobre o volume de comerciais – estabelecendo 25% como limite – não faz sentido para uma atividade na qual há livre concorrência e mecanismos para se coibir condutas nocivas.

Borges explicou que se os canais tiverem que limitar seus espaços publicitários e a receita que vem da propaganda cair, certamente os preços de assinatura para o consumidor subirão, pois os valores mantidos hoje contam com esse faturamento.

“Coibir a publicidade é uma medida que vai na contramão da concorrência, e evita que os canais que praticam publicidade excessiva sejam naturalmente punidos por seus consumidores, perdendo audiência. É um grande equívoco legislar sobre conteúdo pago e opcional. É uma atitude intervencionista e que necessitaria de um motivo muito forte para ser posta em prática”, concluiu Borges.

Segundo a Anatel, as eventuais mudanças entram em vigor na data de publicação do novo regulamento do serviço, que somente deve ocorrer após o prazo de 40 dias da Consulta Pública e a reanálise da matéria pela Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa (SCM), pela procuradoria da Agência e pelo Conselho Diretor. A questão também deve ser submetida, antes da publicação, para apreciação pelo Conselho de Comunicação Social.

por Claudia Penteado
 

Google mergulha no mercado de TV

Texto publicado em: Panorama Audiovisual

Com a compra da SageTV, uma desenvolvedora de hardware e software para set-top boxes, streaming, DVRs e media centers, a gigante da internet deverá criar um ecossistema similar ao proporcionado pelo Android nos celulares. Seria algo com uma central de mídia ligada a Google TV e aos serviços de computação nas nuvens da empresa.


A SageTV justificou a negociação dizendo que pretende chegar a um mercado cada vez maior, através de novos produtos plataformas e serviços. Essa compra permitirá, por exemplo, que a Google esteja presente em aparelhos para gravação de vídeo em casa, os DVRs.

Na sequência, também podemos esperar que milhares de desenvolvedores sejam convidados a criar as suas proprias soluções para rodar nesse novo ecossistema. “Sabemos que os esforços da Google junto aos desenvolvedores estimulam a inovação e também que os desenvolvedores têm desempenhado um papel no sucesso de SageTV, então achamos que a nossa visão de tecnologia aberta nos levará ao entretenimento online”, disse SageTV em um comunicado.

Assim como aconteceu com o Android, o sucesso da Google TV depende de uma plataforma de software aberto que possa ser usada em dispositivos como os set-top boxes e a SageTV parece ter a solução para isso.

Foto: Francisco Machado Filho
 

Por que a Banda Larga (ainda) não é de todos

Texto publicado em: Outras Palavras


Para Marcos Dantas, falta ao plano do governo ambição de universalidade. Sem ela, acesso à internet reproduzirá desigualdades brasileiras

Entrevista a Pedro Caribé, do Observatório do Direito à Comunicação

Um “tuitaço” marcará, nesta terça-feira (21/6), mais uma etapa da mobilização da sociedade brasileira pela garantia de banda larga de internet para todos (veja como participar). A rede de organizações sociais que promove a iniciativa considera que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) proposto pelo governo federal em maio de 2010 é insuficiente e caminha a passos muito lentos — em especial após uma série de decisões políticas recentes. Para reativá-lo, e transformá-lo em política pública democratizante de fato, há uma campanha em marcha.

Ela envolve um esforço de compreensão da conjuntura política e formulação de alternativas — relativas, entre outros aspectos, a garantia de universalização do acesso, preço e qualidade dos serviços. Reconhecido pelo conhecimento profundo em telecomunicações, e por amplo trânsito entre movimentos sociais, governos e empresas, o professor do programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, avalia o desempenho do governo até o momento e os novos rumos sinalizados pela nova gestão do ministério das Comunicações.

As últimas intervenções do governo no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) têm frustado a sociedade?

Estou sentindo nas pessoas que a expectativa otimista, inicial, caiu bastante. Existe o sentimento que o governo teria recuado nos seus propostos originais. Particularmente, sempre fui crítico de como o PNBL foi formulado. Tenho impressão que agora estamos caindo na realidade sobre o plano.

O pessoal ficou muito entusiasmado, o que se justifica. O fato do governo ter uma política para ampliar o acesso da banda larga merece aplausos de todos. E acabou por permitir uma articulação social e política favorável. Mas o plano tem problemas sérios, antes, ainda no governo Lula, e continua tendo.


Quais são os principais problemas?

O principal problema é a não definição do plano em regime público. Isso é uma questão estrutural. Minha expectativa é que do jeito que está formulado teremos dois tipos de atendimento a banda larga. Os que podem pagar vão ter acesso as melhores condições. E quem só pode pagar R$ 35,00 vai acessar um sistema de má qualidade. O que é muito típico de nossa sociedade. É a mesma situação que temos na educação. Os pais que podem pagar escola, acreditando que dará melhor formação aos filhos, pagam! Só vai para a pública quem não tem condições e sabemos que a escola pública no Brasil é de péssima qualidade.


O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, acena para ampliar a concorrência no mercado, como forma de acelerar o Plano, quais as consequências desta iniciativa?

As iniciativas do Paulo Bernado vão resultar num aprofundamento do modelo herdado por FHC. Qual foi o modelo? Tem um serviço em regime público (a telefonia fixa) que vai acabar. Uma porção de tecnologias está nascendo, algumas bem visíveis, como o celular e internet, outras coisas vão surgir, como o wi-fi. Tudo que surgir daqui pra frente será resolvido pelo mercado por ser regime privado. E o regime público acaba por morte.

Poderíamos esperar que os governos Lula e Dilma restaurassem o princípio do regime público. Mesmo que continuasse o regime privado em muitas áreas, as que fossem consideradas essenciais para sociedade ou estratégicas para o país, serem de regime público. O celular é um exemplo: hoje ele não é mais apenas de elite. Mas a maioria das pessoas usa pela metade. Como os celulares pré-pagos têm tarifas proporcionalmente mais caras que os pós-pago, acaba fazendo com que o rico pague menos que o pobre. Numa situação dessa é preciso uma política que aponte regime público, tarifário, universalize e acabe a necessidade ter três ou quatro telefones para receber ligação.

A Telebrás não está citada no documento “Brasil Conectado” – publicação do Governo com o diagnóstico e estratégias do PNBL. Porém ocupa espaço relevante na agenda política em relação aos rumos do Plano. Como você enxerga o papel da Telebrás?


A Telebrás, por ser ferramenta que criaria essa dicotomia (usuários que podem pagar acesso de qualidade x usuários com internet de má qualidade por falta de renda) já é passível de questionamento. Qual o principio dela? Fomentar a concorrência. Primeiro, não se faz política de universalização através de concorrência. O governo nunca quis fazer política de universalização: ele propõe massificação, ampliação do acesso. Ao permitir essa massificação, a Telebrás teria um papel de dar acesso a quem só pode pagar R$ 35,00.


Quais os impactos da saída do Rogério Santana da Telebrás?

Isso é disputa de poder. Não é essencial. É muito mais aquela coisa: “dois bicudos não se beijam”. O mais importante nessa história é manutenção da concepção de que é preciso aumentar a concorrência para gerar massificação e a repulsa do governo em discutir o regime público para a banda larga.

A decisão da Anatel de considerar o backhaul um bem reversível é demonstração de que a Agência tem avançado para ações mais progressistas?

Lamento, acho que não. Todas as críticas que a sociedade faz às concessionárias são justas, mas elas deviam ser endereçadas a Anatel. A concessionária é uma empresa privada que detém concessão do Estado para executar determinadas tarefas. O conceito é de uma empresa que está fazendo algo por delegação do Estado. Cabe ao Estado, que tem o poder de delegar, acompanhar pra saber se os concessionários estão cumprindo as tarefas.

Havia hipertrofia no papel da Anatel, ao formular e executar a política, isso tem sido atenuado pelo Ministério das Comunicações (Minicom)?

O Minicom está querendo assumir o protagonismo na formulação. Para isso, ele precisa ter capacidade de pensar, coisa que rigorosamente não tem. Porque foi esvaziado no governo Fernando Henrique Cardoso e não foi reconstruído no governo Lula. Então a Anatel acaba cumprindo esse papel. A Agência, tem hoje, mal ou bem, uma equipe técnica que lhe permite pensar em algumas coisas.

Atualmente não dá pra afirmar que o Minicom irá se reconstruir e assumir o papel formulador, parece que tem essa intenção, mas não dá para afirmar. Daqui um ou dois meses, será possível um diagnóstico melhor.

Esse problema não está ligado apenas ao esvaziamento do Minicom, o problema também está na lei (Lei Geral de Telecomunicações) criada no governo Fernando Henrique. Ela dá ao Executivo poder de fazer decretos sob algumas minimas questões, como criar uma modalidade de serviço público. Na verdade, nas condições que a lei está, o poder executivo só pode baixar o decreto se receber da Anatel um estudo necessário. O que deixa o Minicom refém da iniciativa da Agência, quando deveria depender apenas dele. Deveria ter a máquina trabalhando para formular política. Infelizmente no governo Lula não se avançou nisso. Vamos ver o que a Dilma pretende fazer de fato.

O PNBL tem realmente revitalizado o parque tecnológico brasileiro na indústria das tecnologias da informação e comunicação?


Isso foi o grande positivo deste projeto: utilizar o poder de compra do Estado brasileiro para desenvolver a industria nacional. Nas primeiras licitações da Telebrás, tentou-se aplicar esse princípio: isso é fato. Tentou-se organizar os remanescente dos antigos membros da área, para que pudessem entrar na disputa. Até onde eu saiba, existe um esforço nesse sentido. Se esse esforço vai pra frente, é uma questão a se avaliar mais pra frente. Mas tenho expectativa que isso avance.
 

Por que o Inmetro não divulga a pesquisa da banda larga?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Texto publicado em: FNDC

17/06/2011 |
Redação
Tele Síntese

Os dados da pesquisa de qualidade da banda larga foram encaminhados em fevereiro de 2011 pelo NIC.Br. O Inmetro diz que ainda está processando as informações.

Pelo menos desde fevereiro o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) entregou ao Inmetro os dados resultantes da pesquisa sobre qualidade dos serviços de banda larga no Brasil. A pesquisa, iniciada em maio de 2010, foi feita com equipamentos instalados especificamente para medir a velocidade e estabilidade dos serviços, de acordo com metodologia definida em conjunto pelo Inmetro, CGI.br, Anatel, operadoras e provedores de acesso. Em entrevista publicada na edição de março da revista ARede, Demi Getschko, diretor-presidente do Nic.br, afirmou que " divulgação da pesquisa vai ser conjunta com o Inmetro e com a Anatel. Já entregamos os dados, o Inmetro vai decidir quando estará confortável para divulgar".

De acordo com o site ARede, fontes ligadas ao CGI.br explicam que o Inmetro pretende divulgar os resultados por meio do Fantástico, programa da TV Globo. Tudo bem que também se use um programa com grande audiência para ampliar o debate sobre a qualidade da banda larga no país para além dos especialistas e empresas diretamente envolvidos na questão. Mas os resultados deveriam ser divulgados em coletiva de imprensa, amplamente convocada, pois os dados, coletados por instituições públicas, pertencem a toda a sociedade. A assessoria de comunicação do Inmetro informou que os dados ainda estão sendo compilados e que não há prazo para a sua divulgação. Não se sabe se por conta dos critérios editoriais do Fantástico ou não, os dados, recolhidos no ano passado, não foram divulgados até hoje.

Tanta demora não tem explicação, ainda mais diante do fato de que a baixa qualidade da banda larga no país é motivo de frequentes reclamações na Anatel. O termo de cooperação entre NIC.br, Inmetro e Anatel é de junho de 2009, os testes começaram em março de 2010 e a coleta dos dados, em maio daquele ano.
 

Paulo Bernardo: Banda larga será das teles

Texto publicado em: Vi o Mundo

por Luiz Carlos Azenha

A palestra do ministro Paulo Bernardo no II Encontro de Blogueiros e as respostas subsequentes dadas por ele aos participantes deixaram claro: a infraestrutura da infovia brasileira será da iniciativa privada.

Motivo alegado: falta de dinheiro.

Rodrigo Vianna observou, a propósito, o ditado de um ex-líder chinês: não importa a cor do gato, desde que pegue o rato.

O objetivo do governo Dilma, segundo Bernardo, é garantir acesso a 1Mbps por R$ 35 reais.

O governo não entra com dinheiro — e o ministro é enfático nisso, como se a postura representasse “jogo duro” com as teles.

A verdade, no entanto, é que o governo acena, lá na frente, com subsídios para promover a universalização. Seria uma espécie de Bolsa Telefônica. As teles expandem a rede e, quem não puder pagar os 35 reais, receberia ajuda do governo. Ou seja, dinheiro público financiaria mais uma vez o ganho privado.

A Telebrás teria R$ 1 bilhão de reais nos próximos três anos para oferecer internet “no atacado”, ou seja, para viabilizar a sobrevivência de cerca de 5 mil pequenos e médios provedores existentes no Brasil.

Os questionamentos ao ministro se deram por vários ângulos: se o governo abriu mão do caráter público do PNBL (ou seja, do controle da rede física da banda larga), terá mesmo poder de barganha para cobrar as operadoras? quais as garantias de que as teles vão cumprir o prometido, especialmente quanto à velocidade? a velocidade será simétrica, ou seja, tanto para download quanto para upload? qual é a garantia de que a Anatel não continuará exibindo a mesma atitude bovina diante das teles, fartamente demonstrada ao longo dos últimos anos?

Um dos argumentos de Paulo Bernardo é de que hoje, no entorno de Brasília, tem gente sem coleta de esgoto pagando 80 reais pela banda larga. A tarefa do governo Dilma seria, portanto, o de priorizar a habitação e o saneamento básico, forçando a iniciativa privada a baixar o custo e melhorar o acesso à internet.

Ativistas que defendem o caráter público do PNBL prometem um tuitaço nesta terça-feira com a hashtag #minhainternetcaiu (nas mãos das teles).

O tuitaço é promovido pela turma do Banda Larga é um direito seu!

Do ponto-de-vista político, depois da privatização dos aeroportos (obviamente, apenas dos mais rentáveis, já que o aeroporto de Bauru continuará financiado por dinheiro público), o caráter privado do PNBL tira do governo Dilma qualquer possibilidade de atacar a oposição como “privatista”.
 

Entidades repudiam discurso de Bernardo em encontro de blogueiros

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Texto publicado em: Vermelho

As entidades que compõem a campanha “Banda Larga é um Direito Seu!” criticaram o discurso feito pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, no 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Em nota divulgada neste sábado (18) no site da iniciativa (campanhabandalarga.org.br), as organizações se basearam na fala de Bernardo para acusar o governo federal de ter aberto mão do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Por André Cintra

O ponto central das críticas diz respeito à participação das teles no projeto do governo para a popularização da internet. O ministro sustenta que é o governo quem estabelece os termos da parceria, enquanto as entidades denunciam o “recuo” do Ministério das Comunicações.

“As teles não impuseram nada. Fomos nós que as obrigamos a fornecer a banda larga de 1 megabyte a R$ 35 a partir do segundo semestre, subindo para 4 ou 5 megabyte até 2014 ”, afirmou Paulo Bernardo na sexta-feira (17), na abertura do encontro dos blogueiros, em Brasília. Segundo o ministro, “a atuação da Telebrás será no atacado. Uma empresa de apenas 200 funcionários vai fazer o quê? Ela não pode ir de porta em porta para fazer ligação nas casas”.

As entidades protestaram. “As teles têm sim de ser usadas para o plano, mas só é possível impor metas de longo prazo e garantir qualidade e preço baixo por meio do regime público. E essa não tem sido a opção do governo”, disparam as organizações.

“Da mesma forma, não se espera que a Telebrás substitua as teles, mas sem garantir recursos não há como ela cumprir nenhum papel de fato relevante no PNBL. E a opção do governo tem sido deixá-la mesmo no papel de figurante”, emendam.

As entidades também cobram a “retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL” e a “definição de um plano robusto e condizente com a dimensão e com as necessidades do país”. Segundo a campanha, é preciso estabelecer “o serviço de banda larga em regime público, com metas de universalização, controle de tarifas e garantia de continuidade”, além de “metas de qualidade que vão além de preço e velocidade”.

Confira abaixo a íntegra da nota.

Esclarecimentos + 10 questionamentos + 6 reivindicações

Durante a abertura do II Encontro de Blogueiros Progressistas, o ministro Paulo Bernardo disse que não há como a Telebrás prestar o serviço de casa em casa; disse também que é normal o governo buscar acordo com as teles. A campanha Banda Larga é um direito seu vem dizendo que as teles têm sim de ser usadas para o plano, mas que só é possível impor metas de longo prazo e garantir qualidade e preço baixo por meio do regime público. E essa não tem sido a opção do governo. Da mesma forma, não se espera que a Telebrás substitua as teles, mas sem garantir recursos não há como ela cumprir nenhum papel de fato relevante no PNBL. E a opção do governo tem sido deixá-la mesmo no papel de figurante.

Para deixar claras as críticas e as propostas, listamos abaixo 10 questionamentos e 6 reivindicações.

Questionamentos centrais:

1. O Governo Federal abriu mão de ter um Plano. Estabeleceu metas genéricas e modestas e negocia no varejo com as empresas de telecomunicações, que respondem com propostas de venda casada. Inexiste uma estratégia de longo prazo.

2. Os espaços de discussão pública sobre o plano, como o Fórum Brasil Conectado, foram descontinuados. A sociedade civil não empresarial foi recebida e ouvida pelo Ministério das Comunicações, mas não tem participação nos espaços de diálogo sobre o PNBL.

3. O texto do novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU-III) desconsidera todas as propostas que destacavam a necessidade da definição de metas regionais, diminui as obrigações das empresas e estabelece a possibilidade de elas descontarem das obrigações financeiras com o Governo Federal o valor que precisarem para retornar os investimentos com universalização.

4. Na definição do PGMU-III, o governo negociou apenas com as teles. O texto aprovado pelo Conselho Diretor é bem diferente do texto posto em consulta pública. Nem o Conselho Consultivo da Anatel teve tempo de analisá-lo propriamente.

5. O governo não aprofundou a obrigação de metas sobre banda larga de nenhuma forma: nem estabeleceu o regime público para impor metas aos operadores desse serviço nem impôs novas metas às empresas que já prestam telefonia fixa.

6. A Telebrás, que poderia apoiar na gestão pública do PNBL, foi deixada de lado, teve enormes cortes orçamentários e passa a ser simplesmente uma competidora no mercado de venda de capacidade de tráfego no atacado.

7. O PNBL quer aumentar o mercado consumidor de um serviço com muitos problemas (qualquer consumidor tem experiências para relatar) sem ter avançado para resolver estes problemas.

8. A demissão de Rogério Santanna e de Nelson Fujimoto indica inclinação do governo a tocar o projeto unicamente com as teles, em especial com a Oi.

9. A Anatel acaba de aprovar uma proposta de novo regulamento para a TV por assinatura feita para beneficiar as teles, em especial a Oi

10. Conselheiros da Anatel têm dado declarações propondo o fim de instrumentos históricos da política de telecomunicações, como a reversibilidade de bens nas concessões e a obrigação de compartilhamento de redes.

Os pleitos centrais

1. Retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL. O governo precisa garantir a interlocução com outros setores além das próprias empresas.

2. Definição de um plano robusto e condizente com a dimensão e com as necessidades do país. Um programa dessa importância não pode ser feito a partir da negociação no varejo e sem estratégia de longo prazo.

3. O PGMU-III deve ser modificado para retirar a possibilidade de as empresas descontarem os custos das metas de universalização e para fortalecer as metas regionais.

4. Estabelecimento do serviço de banda larga em regime público, com metas de universalização, controle de tarifas e garantia de continuidade.

5. Garantir à Telebrás as condições financeiras e estruturais para exercer a gestão pública do PNBL.

6. Estabelecer metas de qualidade que vão além de preço e velocidade, já que a prestação de serviço hoje tem sérios problemas que não podem continuar.
 

Comparato: Globo ameaçou romper contrato com UNESCO

sábado, 18 de junho de 2011

Texto publicado em: Vi o Mundo

por Luiz Carlos Azenha

O jurista Fábio Konder Comparato disse, em palestra no II Encontro Nacional de Blogueiros, em Brasília, que a Globo ameaçou romper seu contrato com a UNESCO para promover o Criança Esperança depois que o organismo ligado às Nações Unidas publicou em fevereiro deste ano um estudo sobre o ambiente regulatório para radiodifusão no Brasil.

O estudo, que está aqui, em PDF, é de autoria de Toby Mendel e Eve Salomon.

O estudo concluiu o óbvio: a mídia brasileira é dominada por 35 grupos, que controlam 516 empresas; uma única rede detém 51,9% da audiência nacional. A média de TVs ligadas entre as 7 da manha e a meia-noite atinge 45% da população brasileira, um dos maiores índices do mundo. Os dados foram citados por Comparato em sua palestra.

Segundo ele, depois da publicação do estudo a TV Globo disse aos autores, Toby Mendel e Eve Salomon, que poderia romper o vínculo entre a emissora e o programa Criança Esperança.

Embora a concentração da mídia seja fartamente conhecida no Brasil, o documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, reforça a credibilidade internacional dos que lutam por um novo marco regulatório da comunicação no país.
 

O Ambiente regulatório para a radiodifusão

Retirado do sitio: Representação da UNESCO no Brasil


Uma pesquisa de melhores práticas para os atores-chave brasileiros. Material que apresenta como a regulação de mídia é tratada no cenário internacional e em 10 democracias (África do Sul, Alemanha, Canadá, Chile, França, Estados Unidos, Jamaica, Malásia, Reino Unido e Tailândia) comparativamente ao status quo brasileiro. Os autores abordam o tema, tecendo recomendações para o Brasil, a partir dos seguintes eixos centrais: Autoridades Reguladoras Independentes, Concessões, Regulação e Autorregulação de Conteúdo, Emissoras Públicas, Emissoras Comunitárias, Regulação de Propriedade.

Link para download em Português: Aqui!
 

Nos EUA, 176 milhões de usuários viram 5,6 bilhões de vídeos online em maio

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Texto publicado em: TELA VIVA News

Dados divulgados nesta sexta, 17, pela comScore apontam que 83,3% dos usuários de Internet nos Estados Unidos, mais de 176,3 milhões de pessoas, assistiram a mais de 5,6 bilhões de vídeos online em maio, com uma média de 15,9 horas de vídeo por usuário.

O YouTube, do Google, lidera, como de costume, o ranking de site de videos da comScore, 147,2 milhões de usuários únicos, mais de 2,1 bilhões de seções de vídeo e média de 5,2 horas de vídeos assistidos por usuário. Em segundo lugar ficou o VEVO, com 60,4 milhões de internautas, 360,2 milhões de vídeos vistos e 1,7 hora de audiência média por usuário; seguido pelos sites Yahoo! (55,5 milhões de usuários; 272,3 milhões de vídeos e 39 minutos de audiência média), Facebook (48,2 milhões de espectadores, 176,1 milhões de vídeos e 19,3 minutos de audiência) e Viacom Digital (46,53 milhões de usuários, 241 milhões de vídeos e 1,2 hora de audiência). Em sexto lugar, os sites Microsoft registraram 46,50 milhões de usuários únicos, 251,8 milhões de vídeos e 42,8 minutos de média de audiência por usuário; seguido pelos sites AOL (42,3 milhões de usuários, 246,6 milhões de vídeos, 45,7 minutos de audiência), Turner Digital (35,2 milhões de espectadores, 126,8 milhões de vídeos, e 36,3 minutos de audiência), NBC Universal (30,6 milhões de usuários, 67,2 milhões de vídeos, 21,1 minutos de vídeos assistidos em média) e, em décimo lugar, o Hulu, com 28,5 milhões de usuários únicos, 195,9 milhões de seções de vídeo e mais de 3,6 horas de audiência média por espectador.

Vale destacar, entretanto, que embora o número de usuários únicos do Hulu o deixe apenas em décimos lugar no ranking, é o site de vídeos com maior média de tempo de permanência dos usuários, com 217,8 minutos. O Hulo exibe conteúdos profissionais, inclusive séries de TV de sucesso em parceria com canais e programadoras, e também trabalha com um modelo de distribuição baseado em publicidade.

Vídeos com publicidade, de acordo com o relatório da comScore, responderam por cerca de 12,6% de todos os vídeos assistidos e 1,2% de todo o tempo gasto com vídeos online em maio.

Foram 4,6 bilhões de videos com publicidade assistidos no período, dos quais mais de 1,3 bilhão foi visto pelo Hulu, totalizando mais de 2 bilhões de minutos de audiência. A Tremor Media Video Network ficou em Segundo (700,8 milhões de videos), seguida pela Adap.tv (642 milhões), BrightRoll Video Network (565 milhões), Undertone (291,2 milhões), Microsoft Sites (268,4 milhões), Viacom Digital (265,8 milhões), CBS Interactive (258,8 milhões), SpotXchange Video Ad Network (257,8 milhões) e ABC Television (181,7 milhões). Da Redação.
 

YouTube transmitirá jogos da Copa América — mas não no Brasil…

Texto publicado em: Meio Bit

por Rodrigo Ghedin* em 16 de junho de 2011, 14:53


Cansado do Galvão? Longe de uma TV ou impossibilitado de ligar seu xing-ling celular com TV digital no trabalho? A Google tem a solução para o seu problema!

Às vésperas do início da Copa América que, nessa edição, rolará na Argentina entre os dias 1º e 24 de julho, a gigante das buscas anunciou que o YouTube transmitirá, na íntegra, todos os 26 jogos da competição com narração exclusiva, além de destaques das partidas e compilações de gols. Tudo isso no canal Copa América.

Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas dentre os 50 países que terão acesso aos vídeos, adivinhe? O Brasil não está no meio. De acordo com a Folha, a negativa se deve aos direitos de transmissão, que via Internet são, no Brasil, exclusividade da Rede Globo. Essa questão de direitos de transmissão, aliás, tem causado verdadeiras batalhas entre as emissoras nacionais nos bastidores da bola no que se refere aos torneios nacionais, principalmente o Brasileirão.

Enquanto a pelota não rola, o canal destinado às transmissões exibe destaques e gols das últimas edições da Copa América, que acontece de quatro em quatro anos e, no calendário futebolístico, é o maior evento do ano. Pena que nem esses podem ser vistos aqui; quando se tenta acessar algum deles, a simpática mensagem a seguir aparece: “O vídeo não foi disponibilizado em seu país pelo usuário que fez o upload”…

*Blogger, bacharel em Direito e acadêmico de Sistemas de Informação.
 

A guerra da TV a cabo

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Texto publicado em: FNDC

15/06/2011 |
Redação
Observatório da Imprensa

Jornalismo de interesses

A guerra da TV a cabo
A Folha de S.Paulo desta quarta-feira, dia 15, abre espaço para acusações de empresas de telefonia contra o grupo Globo. Segundo a reportagem, o maior conglomerado brasileiro de comunicação tenta barrar a tramitação, no Congresso Nacional, do projeto de Lei Complementar no. 116, que abre o mercado de televisão a cabo para as operadoras de telefonia e extingue as restrições ao capital estrangeiro no setor.

Apesar de não trazer declarações oficiais, a reportagem oferece informações suficientes para que o leitor entenda a guerra que se trava nos bastidores do Congresso.

Paralelamente, pode-se observar, a partir da notícia, como os interesses de negócio das empresas de comunicação podem afetar o conteúdo jornalístico.

Considerando-se que seja verdadeiro tudo que traz a notícia da Folha, é de se levar em conta que tipo de negociação a Globo pode estar fazendo, e há quanto tempo, para assegurar a lealdade de parlamentares, com os quais estaria tentando obstruir uma lei que não lhe interessa ver aprovada.

Oficialmente, a emissora nega qualquer interferência.

O ingresso das operadoras de telefonia representaria o surgimento de um competidor de peso para a Globosat, dominante no mercado, mas, de acordo com a reportagem, o que a Globo quer impedir é que as teles sejam autorizadas a controlar produtoras de conteúdo.

A disputa envolve não apenas a Globo, mas também o Grupo Folha, indiretamente interessado na questão.

Segundo o próprio jornal paulista, a operadora Oi chegou a negociar uma parceria com a rede Record, que lhe daria a possibilidade de atuar não apenas na veiculação de TV a cabo, mas também na produção de conteúdo.

“A possível formação de um consórcio desse tipo abriria caminho para que a Oi turbinasse seu site iG, competindo com o G1, da Globo, que tem conteúdos, como jogos de futebol, disponíveis”, diz a reportagem.

O que a Folha omite é que também ela seria afetada, através do UOL, que produz conteúdo televisivo embora incipiente.

Com o avanço acelerado das tecnologias de comunicação e informação, a convergência dos meios, anunciada há tempos pelos analistas, já é uma realidade.

Agarradas a suas exclusividades, as empresas de mídia percebem agora que serão obrigadas, mais cedo ou mais tarde, a partilhar o mercado com protagonistas poderosos.

A guerra mal começou.

Jornalismo de interesses
Do lado do governo e, supostamente, acima dos interesses particulares das empresas envolvidas, o objetivo de ampliar o acesso a redes de comunicação tem a ver com o projeto de universalização da internet.

O projeto de Lei Complementar no. 116 faz parte do pacote de medidas que formam o Plano Nacional de Banda Larga.

A Folha de S.Paulo lembra que a abertura do mercado de TV a cabo para as empresas de telecomunicações pode ampliar a oferta do serviço no Brasil, hoje restrito a apenas 262 cidades, e aumentar o número de competidores por município.

Pode-se prever que, com isso, o consumidor seria beneficiado pela queda dos preços, haveria mais oferta de acesso à internet com banda larga e se reduziriam as oportunidades para as quadrilhas que oferecem as conexões clandestinas, chamadas de “gatos”.

Paralelamente ao debate sobre a ampliação da concorrência, porém, convém ao leitor atento observar que, nessa guerra entre grandes poderes econômicos, as pressões sobre o Congresso Nacional vão produzindo alianças e compromissos que podem condicionar o próprio desempenho dos parlamentares em relação a outros temas.

Evidentemente, deputados e senadores que se alinharem aos interesses de um ou outro grupo poderão contar, no futuro, com favorecimentos em campanhas eleitorais.

Por outro lado, também as empresas que alimentam os lobbies fincam no Legislativo influências de longo prazo, o que produz desequilíbrio nas decisões do Parlamento.

Ao mesmo tempo, essa disputa explicita uma característica cada vez mais marcante da imprensa nos nossos dias: desafiadas pelas novas tecnologias, as empresas que produzem e vendem conteúdo jornalístico enfrentam a perspectiva de terem que encarar concorrentes nascidos de outros setores, que até pouco tempo atrás eram suas parceiras de negócio.

Qual será o grau de confiabilidade do jornalismo produzido nesse ambiente de alto teor mercantilista?
 
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