A turma da geração Y cresceu. E agora?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Texto publicado em: FNDC


22/07/2011 |
José Gabriel Navarro
Meio & Mensagem

Os jovens se firmaram de vez como foco do mercado. E as empresas não têm fórmula pronta para decifrá-los

O termo "geração Y" está prestes a completar 18 anos. Foi usado pela primeira vez num editorial de agosto de 1993 do Advertising Age, e chega à maioridade enquanto as pessoas que compõem o grupo — nascidas entre 1978 e 1990, numa definição conservadora — se emancipam financeiramente e passam a representar um novo desafio para as empresas, sejam como consumidoras, sejam como profissionais.

Para debater o tema, a Expo Y, que aconteceu em São Paulo de segunda-feira, 18, até esta quarta-feira, 20, procurou mostrar experiências de sucesso e possibilidades incertas na luta pelo encontro geracional que faz as equipes de marketing e de RH se descabelarem, uma vez que, segundo o estereótipo consolidado pelas pesquisas, os Ys se guiam por motivações 100% pessoais. Ou seja, só trabalham onde se sentem reconhecidos, partes de uma causa maior com a qual se identifiquem, e só compram produtos e serviços de companhias com essas mesmas características.

Mas, agora que essa gente já tem entre 20 e 33 anos, faz algum sentido reunir empresários e formadores de opinião para discutir como se conectar com Ys?

“Não. E não é isso o que a gente está fazendo aqui. O que estamos mostrando são as consequências que a geração Y está trazendo na gestão de negócios, na comunicação, e na carreira das pessoas”, contou Bob Wollheim, sócio-fundador da Sixpix Content, organizadora da Expo Y e mais conhecida pelo plataforma voltada para a cultura web youPIX. “A relação com esses jovens é um processo: eles já estão aí há algum tempo, mas é agora que as mudanças trazidas por eles estão ‘pegando’, começando a ser muito provocadoras”.

Enquanto nesta terça-feira, 19, a McCann Worldgroup divulgou um estudo que radiografa o comportamento e os anseios de quem tem entre 16 e 30 anos, e blogueiros do portal Meio & Mensagem começam a questionar as previsões iniciais e otimistas acerca dessa geração (como o texto de Brenda Fucuta, da Abril, e o complemento assinado por Cecilia Araújo, da Duma Comunicação), empresas do Brasil e do mundo ainda estão aprendendo a lidar com o público jovem. Veja abaixo as perspectivas trazidas por quem esteve na Expo Y, em reportagem da TV Meio & Mensagem.
 

Vale a pena investir na TV digital aberta interativa

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Texto publicado em: TELESÍNTESE

Ter, 17 de Agosto de 2010 18:12 por André Barbosa Filho*


Sua rede de grande capilaridade deve tornar-se um braço importante na disseminação dos conteúdos audiovisuais.

É obvio que a internet e as redes sociais vieram para ficar. São conquistas das sociedades humanas, ávidas por se expressar, por participar, por se informar, por se educar e por se divertir. Novas formas de comunicação estão nascendo baseadas no ciberespaço, na integração de plataformas. Os modelos da radiodifusão analógica no formato centralizado, de um para todos, vão aos poucos se transformando com o evento da TV digital interativa, influenciada pela necessidade de responder a ânsia de interação dos indivíduos e grupos sociais.

Entretanto, cabem aí algumas reflexões:

A TV, em países desenvolvidos como Japão, Inglaterra, França, Itália, os escandinavos, Alemanha, Austrália e Estados Unidos tem um espaço significativo da atenção, seja em alguns casos, majoritariamente por assinatura, em outros em modelos abertos e gratuitos. A TV e o cinema são os grandes produtores de conteúdos audiovisuais da indústria cultural. Portanto, determinam padrões e hábitos de consumo.

A TV nos países em desenvolvimento é o meio de maior penetração domiciliar e apresenta-se no formato aberto e gratuito, cenário que coincide com a baixa oferta de infraestrutura de internet de alta velocidade. A TV digital interativa não existe em países que possuem redes de banda larga. Estes já utilizam a interatividade por outros meios. A TV digital nesses países reúne a oferta de modelos de programação onde imperam os conceitos de entretenimento e os espetáculos artísticos, as produções audiovisuais caras e com alto acabamento, as grandes coberturas jornalísticas. Tudo com alta definição e com toda tecnologia que puder somar-se a qualidade de imagem e de som de seus programas

A TV digital proposta pelo Brasil é interativa, quer proporcionar a bidirecionalidade, ou seja, incluir em seu modelo, o canal de retorno para introduzir a possibilidade de interação entre produtores e o público. Estão sendo criados modelos para a publicidade comercial, para compras e acessos bancários, e, especialmente, na oferta de serviços públicos como a marcação de consultas no SUS, pagamento e acompanhamento de impostos, educação à distância em todos níveis e diversos objetivos de formação e capacitação, em apoio a produção cultural audiovisual, nacional, regional e local e ao desenvolvimento da cidadania plena.

A convergência da TV digital com as plataformas IPs vai ser necessária entre outras necessidades para baratear os custos de transmissão de conteúdos locais, para propiciar o intra-fluxo de programação, para utilização como canal de retorno. As TVs por IP vão acontecer socialmente na medida em que a oferta de banda larga, rápida, barata e universal for uma realidade nestes países sem desenvolvimento que somam 4,5 bilhões de pessoas. Mas vão tornar-se hegemônicas quanto à exibição de produções sofisticadas e que respondam a grandes investimentos de produção? Vão poder, a curto prazo, transmitir simultaneamente os sinais em alta definição relativos aos grandes eventos que envolvem bilhões de pessoas como a Copa do Mundo e as Olimpíadas? A lógica industrial deve continuar a ordenar a exibição em mídias seletivas, que atendam o deleite da percepção sensorial humana e garantam a remuneração dos investimentos, numa cadeia que tem como ponto terminal a mídia massiva. E neste contexto estão as salas de cinema a TV a Cabo e a TV Digital Aberta em Alta Definição.

A internet e as redes sociais já são responsáveis pelo aparecimento de miríades de novos produtores e de conteúdos que rapidamente vêm se tornando hits globais. Entretanto, dizer que os trash movies, as produções de garagem, as manifestações individuais por mais espaço que ocupem da atenção do público em geral, vão impor à indústria de conteúdos seus modelos, é um pouco temerário. O que podemos e devemos propor é um ambiente público onde as manifestações do individuo ou de coletivos sejam livres para florescer. Seja através dos espaços em redes sociais, blogs, sites, dos celulares e handsets, mas, igualmente, disputar espaço nas telas maiores, onde os investimentos são mais robustos. Aí, se soma a cobertura em nossos países em desenvolvimento da TV aberta.

A TV digital pública interativa deve respeitar suas características de veículos de radiodifusão. Ela não é IP. É transmitida pelo ar. E isto não a faz velha ou ultrapassada. Ao contrário. Sua rede de grande capilaridade deve tornar-se um braço importante na disseminação dos conteúdos audiovisuais produzidos por agentes nacionais e, de preferência, com temáticas ligadas a nossa identidade cultural. E, portanto, soma-se ao esforço do avanço do PNBL na construção de uma economia da cultura e de uma industrial de conteúdos pujante e com grande aceitação popular. Entretanto, a rede de banda larga, com seus backbones, backhalls e as tecnologias que permitem o acesso final tem características de tráfego de dados e conteúdos audiovisuais diferentes das redes de radiodifusão. Estas não podem prescindir do projeto de retransmissão de sinais nacionais simultâneos por entes afiliados que, por sua vez, devem ser alimentadas regionalmente ou localmente. Assim, podemos afirmar que o mesmo objetivo de propiciar a participação a todos que os querem se comunicar livremente está contemplado, mesmo que através de modelos diversos de transmissão e recepção que evidentemente não se excluem entre si, mas se somam, por sua complementaridade.

Finalmente, todos sabem, o Estado induz as políticas. Estas devem corresponder aos anseios da sociedade. Banda Larga é um desejo legítimo. Vamos, portanto, apoiar as iniciativas nesse sentido. Mas não nos esqueçamos que o único meio de acesso que permite o acesso à informação sem custos diretos para as audiências ainda é a TV aberta e gratuita. Nenhum mais. Vale a pena investir dinheiro público neste projeto? Temos certeza que sim.

André Barbosa Filho é a assessor especial da Casa Civil e conselheiro do Fórum SBTVD
 

Blogs mantidos em portais são mais lidos que jornais impressos

Texto publicado em: Comunique-se

Izabela Vasconcelos

Você sabe a abrangência de um blog? Com 73 milhões de internautas no Brasil, em alguns casos, ela pode ser maior que a dos jornais impressos. É o caso dos blogs de Juca Kfouri (UOL), Patrícia Kogut, Fernando Moreira, Ricardo Noblat (O Globo), Ruth de Aquino (Época) e Marcelo Tas (Terra). A maioria deles supera a circulação dos dez maiores jornais brasileiros, que variam entre 295 e 125 mil exemplares diários, de acordo com dados da Associação Nacional de Jornais (ANJ).

O blog de Patrícia Kogut, que aborda cultura e televisão, atinge mais de cinco milhões de leitores por mês (visitantes únicos), com 14 milhões de páginas visualizadas.

O blog de esportes de Juca Kfouri chega a ter três milhões de visitantes únicos por mês, com quase cinco milhões de visualizações de página.

Fernando Moreira, do Page Not Found, com assuntos inusitados, se destaca com uma média de quatro milhões de páginas visualizadas mensalmente, com 1,7 milhão de visitantes únicos.

Na revista Época, o 7x7, criado por Ruth de Aquino e mantido por sete blogueiras, aborda o universo feminino e atrai mais de um milhão de leitores por mês, com mais de dois milhões de pageviews.

Ricardo Noblat, que cobre política, aparece com uma média de 257 mil visitantes únicos/mês (mais de um milhão de page views), e Marcelo Tas, apresentador do CQC, com 200 mil/mês, com picos de 300 mil.

Blogs são aliados do impresso
Apesar da diferença no número de leitores, os blogs e os jornais/portais, não aparecem como rivais, mas se complementam, já que os donos de grandes veículos mantêm as páginas hospedadas em seus sites, como é o caso do UOL/Folha, O Globo e Terra.

Continua em: Portal Comunique-se
 

TV Globo tenta frear a concorrência

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Texto publicado em: FNDC

18/07/2011 |
Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske*
Observatório da Imprensa

Poucas vezes na história da televisão brasileira a Globo submeteu-se às programações de outras emissoras para compor sua grade. O crescimento da Record, iniciado em 2004 e impulsionado nos últimos anos, ao lado de eventuais atratividades do SBT, fizeram com que a Globo incorporasse a lógica praticada por concorrentes, expandindo o chamado prime time (horário nobre). Como não raramente ocorre na indústria do entretenimento, a salvação proveio do passado ilustre: O Astro, de Janete Clair, será o título responsável por inaugurar o novo espaço ficcional que a Globo passa a exibir a partir desta terça (12/7), às 23 horas.

A minissérie com elementos de novela estreia com uma frente de 12 capítulos gravados e 35 escritos, entre os 60 previstos para exibição até o dia 21 de outubro. Apesar do alvoroço em torno da comemoração dos 60 anos da telenovela no Brasil, a escolha de O Astro para o horário em questão é, na verdade, uma resposta da Globo ao aumento da concorrência. O programa – cuja denominação, pela própria Globo, oscila entre mininovela, macrossérie e especial – será exibido entre terças e sextas-feiras, devendo variar seu horário de entrada no ar, já que a previsão para a faixa das 23 horas é uma média.

Em sua primeira versão, o pioneirismo da autora, que adotou a claridade francesa como pseudônimo artístico, não ficou em segundo plano. O Astro de 1977 foi responsável pela popularização do “quem matou” nas novelas brasileiras, uma temática amplamente explorada por outros novelistas até os dias de hoje. A versão 2011 será uma adaptação de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, com colaboração de Tarcísio Lara Puiati e Vitor de Oliveira. A essência da original será mantida, narrando a ascensão social de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), um vidente charlatão de churrascaria que passa a ser o braço direito do empresário industrial Salomão Hayala (Daniel Filho). O encontro com o poderoso libanês muda a vida de Herculano: ele consegue aproximar-se da família Hayala, passando a exercer forte influência sobre os membros do clã.

O recurso à telenovela
O telespectador habituado com a exibição da tradicional novela das 21 horas já havia percebido, desde dezembro de 2010, um leve atraso no início de seus capítulos. Insensato Coração, por exemplo, desde seu lançamento tem sido atrasada e hoje chega a ser exibida até 20 minutos após seu horário programado, mas iniciando, em média, às 21h10. Tal estratégia foi desencadeada com a reprogramação do Jornal Nacional para as 20h30, buscando, desta forma, acostumar a audiência a permanecer até um pouco mais tarde em frente à televisão, contando com a fidelização do público consumidor de novelas.

Nos últimos sete anos, a Globo constatou a migração de sua audiência para outros canais após o término da novela das nove. O forte investimento em seriados na linha de shows, neste século, demonstrou que a emissora carioca não foi passiva. Os casos mais delicados ocorreram durante as exibições de Cidadão Brasileiro (2006), na Record, e a reprise de Pantanal (2008), no SBT. A investida da Globo em séries nacionais foi uma rápida resposta, porém mostrou-se insuficiente frente a alguns fracassos do gênero. Assim, recorreu novamente a uma telenovela (no caso atual formatada como minissérie), da mesma forma que fez entre outubro de 1990 e março de 1991, quando criou uma nova faixa novelesca e programou Araponga, para enfrentar a Manchete com o mesmo tipo de produto, já que, no período, aquela rede (hoje extinta) exibia Pantanal, o maior sucesso fora da Globo dos últimos 30 anos, veiculada de março a dezembro de 1990.

Mais minisséries-novelas
Ainda que na indústria televisiva o prime time seja conhecido como a faixa de programação mais importante de uma emissora, comportando os mais elevados investimentos de níveis técnico e artístico, a média de audiência diária tem se posicionado como um importante elemento verificador. Quando a disputa pela audiência é ponto a ponto – como ocorre nos períodos da manhã e tarde, entre Globo, SBT e Record –, a irrisória diferença de um ou dois dígitos na audiência pode definir qual emissora foi líder naquele dia. A Globo segue com larga vantagem, salva pela programação que exibe entre 18 e 24 horas. Mas não raramente a programação matutina do SBT atinge a liderança, nocauteando as demais; já a Record, também eventualmente atinge o primeiro lugar neste horário, especialmente quando prioriza a cobertura jornalística em seu Hoje em Dia.

No entanto, em grau comparativo, a Globo foi a única emissora que perdeu audiência em rede nacional durante o primeiro semestre de 2011, conforme dados do Plano Nacional de Televisão (PNT) e do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Houve uma queda de 7% em sua audiência de janeiro a maio, com 17,4 pontos. No mesmo período de 2010, foram registrados 18,8 pontos. Mesmo com as estreias de Lara com Z, Divã, Macho Man e Tapas & Beijos, o mês de abril foi especialmente amargo para a Globo. Em contraponto, os demais canais cresceram: Rede TV!, 4%; Record, 3%; SBT, 2%; e Band, 1%.

Até o momento, não há previsão de novo remake para quando O Astro terminar. A Globo planeja a segunda temporada de A Mulher Invisível na sequência, além de Força Tarefa, nas noites de quinta-feira, e a exibição da segunda temporada de Macho Man, às sextas-feiras. Mas isso poderá ser alterado, ante a dinâmica da decisão estratégica das emissoras, nesta Fase da Multiplicidade da Oferta das comunicações, havendo possibilidade de seguir programando minisséries-novelas no horário. No mercado internacional, O Astro deverá ser oferecida como minissérie. Trata-se de um formato que, por conter um menor número de capítulos e edição ágil, vem sendo bem aceito no exterior, onde o telespectador não está habituado a acompanhar histórias que se arrastem durante meses.


*Respectivamente, professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e doutorando em Ciências da Comunicação na mesma instituição.
 

Brasil chega a 43,7 milhões de acessos em banda larga

sábado, 16 de julho de 2011

Texto publicado em: Telesíntese

Segundo dados da Telebrasil, só no primeiro semestre deste ano foram realizadas 8,5 milhões de conexões.

O número de acessos à internet em banda larga no Brasil chegou a 43,7 milhões no primeiro semestre de 2011. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), de janeiro a junho deste ano 8,5 milhões de novas conexões foram ativadas, o que significa que a cada dois segundos um novo cliente passou a ter acesso à internet em alta velocidade. A entidade afirma que, nos últimos 12 meses, houve um crescimento de 49% na base de clientes, com 15,5 milhões de novos usuários de banda larga.

Os números divulgados pela Telebrasil levam em conta os acessos em banda larga fixa e móvel, incluindo modems e celulares de terceira geração (3G), que permitem conexão à internet em alta velocidade. Somente no mês de junho, diz a entidade, 1,8 milhão de novos acessos foram ativados em todas as modalidades, o que representa uma evolução de 4,3% frente a maio de 2011.

Do total de conexões registradas no fim do primeiro semestre, 15,8 milhões são em banda larga fixa, que apresentou uma evolução de 26% desde junho de 2010. A banda larga móvel, por sua vez, cresceu 67% no período, chegando a 27,9 milhões de acessos em junho de 2011. Nesse segmento, os modems de acesso móvel à internet somaram 6,7 milhões, com crescimento de 21,5% nos últimos 12 meses, e os celulares 3G chegaram a 21,3 milhões, com evolução de90% no mesmo período.
(Da redação, com assessoria de imprensa)
 

Pacote de banda larga popular mantém concentração no setor

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Texto publicado em: FNDC

13/07/2011 |
Pedro Caribé
Observatório do Direito à Comunicação

No discurso, o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo tem defendido aumento da concorrência na oferta da internet. Porém, na prática, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) caminha para manter a concentração do setor e consequentemente inviabilizar uma expansão significativa do serviço no país.

João Maria de Oliveira, técnico do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), é um dos defensores da tese que a concentração é o principal gargalo para expandir a internet. Para João o pacote de banda popular, lançado no último dia 30 de junho, vai ampliar o número de acessos, mas não atacar o ponto nerval: "As concessionárias vão manter controle sobre grau de competição. Esse novo plano não coordena o setor, ele vai numa linha diferente e na essência não trata dos problemas básicos. Não creio que vá causar impacto necessário."

Em maio de 2010 o IPEA lançou o comunicado "Desafios e oportunidades do setor de telecomunicações no Brasil" e a partir desta pesquisa, João Maria, afirma que as regiões no qual a oferta de banda larga é feita por mais de duas empresas tem diminuição do preço e mais pessoas acessando.

O técnico do IPEA alega que duas empresas continuam a dominar o mercado da internet no país, as mesmas da telefonia fixa, e dessa forma a abertura das licenças de TV a cabo é apontado como um caminho plausível para aquecer o mercado, entretanto: "O problema é que nosso modelo regulatório não premia a competição", sentencia João Maria.

Compartilhamento
Entre as diretrizes do Termo de Compromisso firmado entre governo e empresas para oferecer banda larga na casa dos R$ 35,00 está a fixação de preços no compartilhamento da infraestrutura. O preço acertado para o fornecimentos de links a pequenos e médios provedores é de R$ 1.200,00 para 2 Mbps, porém João Maria alega que o valor "já está acima do praticado pelo próprio de mercado".

Ele ressalta que até dezembro de 2009 as empresas repassavam um link de 1 Mbps por até R$ 2 mil, porém com a perspectiva da Telebrás entrar no setor e divulgar que ia vender 1 Mpbs por R$ 300,00, esses preços caíram, ao ponto que o provedor médio fechar contrato a menos de R$ 500, por um período de cinco anos.

Devido à fragilização da Telebrás, o melhor caminho apontado por João Maria Oliveira neste quesito é tratar os meios físicos como públicos: "O compartilhamento interessa algumas e outras não. Não se trata de baixar os preços apenas. Duas empresas controlam o acesso ao backhaul e 'última milha'. Isso não foi mexido."

Pequenos provedores
Entre os pequenos provedores é confirmada a dificuldade para participar de forma mais densa na oferta da última milha (venda ao usuário final). Marcelo Saldanha, do Instituo Bem Estar Brasil, lembra que durante a fusão da Oi com a Brasil Telecom, as empresas firmaram o acordo com o CADE de repassar suas redes de troncos a pequenos provedores, mas não cumpriram.

Já Percival Henriques da Associação Nacional Para Inclusão Digital (ANID), argumenta que foi preciso ganhar na Justiça o direito dos pequenos provedores se cadastrarem no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples). O Regime e a licença de Serviço Comunicação Multimídia (SCM), são as prerrogativas para os provedores terem acesso ao PNBL.

Percival também critica os valores e repartição do link e exemplifica que a Embratel já repassa 10 Mbps por R$ 1,5 mil, pra completar. Ele acha que os moldes atuais estimulam o mercado clandestino e é preciso mais fontes de crédito: "Tem empresa da China emprestando mais aos provedores do que o BNDES."

Novo round
Nos próximos meses a disputa entre sociedade civil, governo e empresários continuará tendo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) como palco, assim como ocorreu no Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU). A diferença é que agora a participação no mercado será alvo dos embates, através do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC).

As diretrizes que serão levadas para Consulta Pública estão em fase de avaliação pelo conselheiro relator João Rezende. Até o momento seis mercados foram tidos como relevantes: infraestrutura de transporte de telefonia fixa no mercado local (EILD), infraestrutura de transporte na longa distância, banda larga, serviço de interconexão da rede fixa, serviço de interconexão na rede móvel e TV por assinatura.

As propostas de intervenção vão ser balizadas caso as empresas sejam caracterizadas com atuação de Poder Significativo de Mercado (PMS), em cada área destacada.
 

Unicoba lança receptor de TV digital para iPhone e iPad

Texto publicado em: Adrenaline

A Unicoba introduz no mercado brasileiro o Tivizen, um receptor de TV digital móvel SBTVD IBZ-100 para portáteis da Apple. Compatível com o Sistema Brasileiro de TV Digital, o acessório conecta-se à entrada de 30 pinos dos iPhones, iPads e iPods touch e dispensa conexão com a Internet.

Para começar a assistir aos programas nos aparelhos, basta conectar o Tivizen e baixar um aplicativo gratuito na iTunes App Store. Conforme a fabricante, o dispositivo ainda fornece informações detalhadas sobre a programação.

Com apenas 20 gramas e design compacto, o receptor tem bateria com quatro horas de autonomia. A novidade chega às lojas brasileiras ainda este mês por R$249.
 

Da lama ao caos: o Plano Nacional de Banda Larga

quarta-feira, 13 de julho de 2011

09/07/2011 |
Bajonas Teixeira de Brito Junior*
Portal Vermelho
“Se depois de conseguirem do governo tudo que podiam pedir a Deus (tarifa extorsiva, descompromisso com a qualidade, velocidade que não se pode chamar de banda larga, e limite extremo de download), as teles ainda dizem que é ‘muito difícil’ levar a banda larga a 40 milhões de vítimas, vale perguntar: o que virá depois do caos?”

O Brasil já tem a segunda tarifa de telefonia celular mais cara do mundo, só perdendo para a África do Sul. Com o pacto do governo com as teles para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), recém firmado, podemos nos perguntar se não teremos, em breve, ao mesmo tempo, a internet mais cara e mais restritiva do mundo. E, de quebra, diante da negativa das teles em aceitar a exigência de um padrão mínimo de qualidade, se a qualidade atual, que já é alarmante, não dará lugar ao caos. Ao que tudo indica, da lama passaremos direto ao caos.

Aliás, é uma coisa curiosa essa mania brasileira de “mínimo”. Gente séria vocifera que é preciso que os políticos “tenham um mínimo de responsabilidade com a coisa pública”; que se deve estabelecer “um mínimo de condições de trabalho na educação”; que é preciso garantir “padrões mínimos de qualidade na internet”. Mas por que tudo isso deve ser mínimo? Padrões mínimos de responsabilidade, de ética, de exigências de qualidade já temos de sobra. Só não chegamos a menos que o “mínimo” porque, até o presente, não foi possível.

Curiosamente, a imprensa divulgou junto com o anúncio do plano da banda larga, a notícia de que as teles não aceitaram a imposição de um padrão mínimo. E o que isso significa? Que o PNBL servirá ao público pagante um produto pior do que o já oferecido. O Imetro, faz pouco tempo, constatou os problemas da internet no Brasil: “A falta de proporção e de clareza dos contratos firmados; o alto preço cobrado pelo serviço; à falta de viabilidade técnica para a instalação; as interrupções e instabilidades do serviço; e a perda de pacotes.” Tudo isso, lembremos, respeitados os padrões mínimos. Como ficarão as coisas na ausência desse mínimo? No mínimo, o completo caos.

Será difícil ao Brasil ingressar nesse estado de loucura chamado caos? Longe disso. Os bueiros da Light explodindo diariamente no Rio de Janeiro, causando danos às pessoas e ao patrimônio público, instaurando um clima de pânico e terror, demonstram o contrário, isto é, que o caos é a ordem para a qual tende o capitalismo brasileiro. Ele já superou a fase do capitalismo selvagem. Penso que a melhor designação hoje seria a de capitalismo terrorista. A cidade do Rio de Janeiro — em que a renúncia fiscal injustificada aos grandes empresários chegou a mais da metade do valor da receita tributária —, com suas explosões em série, mostram essa face nova, desse capital pós-selvagem, em que línguas de fogo sobem dos subterrâneos como se o inferno estivesse a ponto de engolir a cidade.

Voltando aos preços altos, vamos observar o seguinte: ao ser lançado em maio de 2010, o plano apregoava que o custo da tarifa ficaria em R$ 15,00, para o plano com incentivos, com velocidade de até 512 kbps (quilobits por segundo) e limitação de download e de R$ 35,00 para o plano comum. Imagina-se que esse não teria limitação de download. Mas dispondo de um governo cuja capacidade de diálogo segue admirável, as teles conseguiram um acordo. Do valor básico de R$ 15,00, o plano, antes de se efetivar, já pulou para R$ 35,00. Um aumento de 233.33%. E o valor de R$ 35,00 que, antes, foi divulgado de forma que levou a supor que não haveria limite de download, terá o limite de 300 MB. O que são 300 MB para um uso normal de internet? Nada. Absolutamente nada.

E é fácil compreender. Quando se navega na internet se estabelece um tráfego de informações entre a rede e o computador em uso. Se o usuário, por exemplo, abre um vídeo no Youtube, consome uma certa quantidade de MB. Existem programas gratuitos que medem esse tráfego. Um deles, muito simples e fácil de instalar, é o NetWorx. Com ele é possível, por exemplo, obter uma idéia bem clara do que implica ter um limite de 300 MB. Instalei o programa para fazer um teste. Abri cinco vídeos no Youtube que, somados, davam a duração total de 26.4 minutos. O resultado foi 102.3 MB de tráfego. Isso significa que em menos de uma hora e meia de navegação, se pode esgotar completamente o limite mensal de 300 MB.
Bastaria isso, para se ter uma ideia do que está por vir. Hoje, por R$ 50,00 existem diversos planos de banda larga, com velocidade muito superior ao plano implementado, e download ilimitado. As famílias de baixa renda visadas pelo plano, uma grande maioria delas certamente, com crianças e adolescentes, terão então cerca de 1 hora e meia para usar a sua cota. Ocorre que um mês tem trinta dias e cada dia 24 horas. E 30 x 24 é igual a 720 horas mensais.

O que acontecerá com o tráfego depois de ultrapassadas os 300 MB? Provavelmente serão contados à parte e, o que é bem possível, com valor diferenciado. No fim, isso vai sair muito caro. O impacto sobre o orçamento das famílias será enorme. O “plano” prevê alcançar 11,9 milhões de domicílios, com quase 40 milhões de pessoas, até 2014. Se trata de colocar os mais pobres na rede. Ou seja, uma rede dentro da qual cairá um gigantesco cardume, de 44 milhões de sardinhas. É nessa hora que não podemos esquecer o ditado inglês: "Não sou rico o bastante para comprar coisas baratas" ("I’m not rich enough to buy cheap things"). Ou o ditado brasileiro: "O barato sai caro".
Além de caro, o “barato” traz conseqüências muito curiosas. Em primeiro lugar, ele entra em contradição com a política implementada pelo governo Lula para a expansão da educação superior (expansão destrutiva, diga-se de passagem), que se faz através do ensino à distância. Com 300 MB não dá nem para fazer a matrícula no ensino à distância, quanto menos seguir um curso.

Em segundo lugar, vem a velocidade de download. Para se ter idéia, hoje, as teles se comprometem a entregar no mínimo 10% da velocidade contratada. Isso se baseia numa distinção entre valor real e valor nominal. Se o valor real é de 15GB, por exemplo, o compromisso será com 1,5 GB (valor nominal). É o pacote que eu assino, e do qual conheço bem as limitações. Mas, e se for a ninharia de 1 MB? Em que lugar do mundo 10% de 1MB pode ser chamado de Banda Larga? Na Colômbia, a velocidade mínima para definir banda larga é de 512kbps, aqui, com 10% de 1MB, seria de 100kbps, isto é, cinco vezes menor. O país real ficará cada vez mais longo do país nominal.

Em terceiro lugar, esse plano tem toda a cara de começo do fim. O presidente da Telefônica, logo depois de confirmado o acordo do governo com as teles, afirmou que é “muito difícil” viabilizar a “venda de conexões fixas de 1 Mbps com assinatura a R$ 35 sem a venda conjunta com outros produtos, como telefone fixo”. Se é tão difícil, por que foi aceito pelas teles? Improvável que tenha sido por caridade digital.
Além de não ser muito difícil, mas sim muito fácil, já que a quantidade ofertada é irrisória dadas as necessidades de uma família plugada na internet, o “plano” é uma evidente cilada para os desavisados. Mas a afirmação de que é “muito difícil” traz conseqüências que, por enquanto, permanecem ocultas mas que, não demora, virão à luz do dia. Como um raio em céu azul, é muito provável que cairá sob as nossas cabeças, muito em breve, o infausto limite generalizado para download.

As teles — que como as demais grandes empresas se impõem aos governos no Brasil como faca quente corta manteiga — mostrarão suas planilhas de custos, suas dificuldades incalculáveis para devorar os 40 milhões de sardinhas, seu desejo de servir às “necessidades estratégicas do país”, etc., etc. O governo, diante dessa argumentação tão consistente, não verá outra medida senão estabelecer limites de download para todos os planos do país, salvo os planos que servem às empresas.
Assim, o que poderia ser um plano louvável de inclusão digital — caso fornecesse uns 10 GB de download — provavelmente será a ponta de lança de uma incrível devastação dos atuais padrões de uso e acesso disponíveis na internet no Brasil. A internet no Brasil, que já é muito cara, profundamente deficiente na prestação de serviços, incapaz de satisfazer os tais “padrões mínimos de qualidade”, abusiva em relação ao que oferece e ao que efetivamente fornece em termos de velocidade, se prepara para mergulhar abaixo do mínimo. A partir de agora, tudo indica que haverá uma inflexão radical para o abismo e, dentro da lógica paradoxal brasileira, justo com o pretexto de um serviço — “muito difícil”, filantrópico, estratégico — às camadas mais excluídas da população.
Se depois de conseguirem do governo tudo que podiam pedir a Deus (tarifa extorsiva, descompromisso com a qualidade, velocidade que não se pode chamar de banda larga, e limite extremo de download), as teles ainda dizem que é “muito difícil” levar a banda larga a 40 milhões de vítimas, vale perguntar: o que virá depois? O que virá depois do caos? Depois do caos só resta o abismo. Se tanto.
Será incrível se as instituições ligadas à defesa do consumidor, à liberdade na rede e à inclusão digital não formalizarem ao Ministério Público Federal uma denúncia das mazelas que aqui apontamos no PNBL. E se não o fizerem agora, depois será muito tarde para lamentar as conseqüências deploráveis que certamente advirão.

*Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor em Filosofia, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas. Foi duas vezes premiado pelo Ministério da Cultura por seus ensaios sobre o pensamento social e cultura no Brasil. É coordenador da revista eletrônica, Revista Humanas , órgão de divulgação científica da Cátedra Unesco de Multilinguismo Digital (Unicamp) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Ufes.
*no Congresso em Foco
 

Banda larga e o abandono do regime público

Por Gabriel Brito, no sítio Correio da Cidadania:

Após alguns meses de discussões nos altos escalões das telecomunicações, o governo federal anunciou no último dia 30 de junho como se dará seu Plano Nacional de Banda Larga. Com vistas a promover uma inédita inclusão digital dos brasileiros, aumentando a qualidade de conexão oferecida ao consumidor e atingindo 70% da população até 2015, o governo trouxe a público o acordo selado com as grandes teles do setor, que exercerão, dentro de suas leis de mercado, a expansão.



Para analisar um dos mais estratégicos assuntos nacionais, o Correio da Cidadania entrevistou Marcos Dantas, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ. Sempre envolvido nos debates do setor, inclusive com acesso a membros do governo, Dantas acredita que o grande ponto falho no PNBL foi “o abandono definitivo do princípio de regime público”.

Isso porque ele ressalta que, tal como foi concebido, o plano prevê apenas expansão, e não a universalização do acesso à internet rápida, exigência de movimentos e militantes da democratização das comunicações. Para explicar as razões de tal opção, ele lembra que na hora da negociação “o capital fala mais alto”, de modo que somente o governo e seus representantes podem explicar por que se abdicou do regime público para banda larga.

Dessa forma, Dantas faz um paralelo com outras políticas sociais, concluindo que o plano nada mais é do que a repetição da filosofia de outros programas do governo, “na linha de políticas compensatórias”. Ao saber que o povo desconhece completamente as atuais possibilidades de progresso e seus direitos, afirma que o governo se aproveita para fazer concessões limitadas, suficientes, no entanto, para contentar o público – e no final das contas, o mercado.

A entrevista completa com Marcos Dantas pode ser lida a seguir.

O que pensa do acordo do governo federal com as teles para expansão da banda larga, anunciado na última semana, que visa levar o acesso a uma internet mais rápida a pelo menos 70% da população nos próximos 4 anos?

Acho que o governo perdeu uma boa oportunidade de remontar, reestruturar, uma política de comunicações a longo prazo, porque estava no meio de uma negociação contratual e, dessa forma, tinha um leque de possibilidades, sobretudo de colocar ou redefinir a natureza do regime público das telecomunicações. E não fez isso.

E o que comentar a respeito do termo de compromisso assinado com as teles, que na verdade serve mais é para desobrigá-las de atender aos compromissos do plano, e o acordo fechado para o cumprimento do Plano Geral de Metas e Universalização (PGMU) III?

É aquilo... Qualquer coisa é melhor que nada. A política do governo é expandir o acesso à comunicação de alta velocidade no país, o que não se confunde com universalizar. Nesse sentido, o governo parte de um princípio de que hoje a grande maioria da população tem um acesso muito precário à alta velocidade, ou simplesmente tem acesso à internet em baixa velocidade.

Portanto, passar de um patamar de baixa velocidade para um de alta, mesmo que limitada a 1 Mbps (megabit por segundo), já é um avanço. Esse é o argumento do governo. E penso que é um argumento que se confunde com a expansão do celular, ao qual toda a população tem acesso, mas é o famoso ‘pai de santo’, pois só atende chamada. O pessoal do movimento negro não gosta dessa expressão, porém, ela é absolutamente popular. Tem-se o celular, mas só se usa pela metade. E isso é melhor que nada.

Entretanto, não deixa de ser uma forma de restrição, de apartação, uma maneira de aceitar as disparidades do país. E a rigor nada é feito contra isso, até porque seria preciso mudar o próprio conceito, passando as telecomunicações do regime privado para um conceito de regime público, com as obrigações de regime público nos termos da lei.

Esse foi o único grande problema do acordo em sua opinião?

Sim, foi o grande problema.

E por que o governo perdeu essa chance de estabelecer o regime público no acesso à banda larga?

Aí só perguntando para o governo...

Como analisa o espaço oferecido à sociedade para participar dessas discussões, levando-se em conta os recentes movimentos de reivindicação por democratização das comunicações, entre outras coisas?

Vamos começar anotando que no atual governo Dilma está havendo mais diálogo com a sociedade. Temos que reconhecer isso, e sou testemunha. Coisa que não havia no governo Lula no Ministério das Comunicações (MiniCom). Nesse período, não houve nenhum diálogo com a sociedade não empresarial, somente com os empresários e ninguém mais. Já nos sete meses de governo Dilma já houve vários encontros em Brasília com representantes da classe não empresarial. O governo escutou mais de uma vez quais são as reivindicações e inclusive acena com a possibilidade de construção de uma mesa de diálogo na Secretaria Geral da Presidência da República. Esses são fatos positivos.

No entanto, o concreto é que na hora da negociação objetiva fala mais alto o peso do capital. Isso, evidentemente, tem a ver com a realidade político-econômica brasileira, mesmo que não gostemos dela. Voltando ao exemplo do celular, ainda que o cara tenha o aparelho pela metade, ele fica satisfeito.

O conjunto da população tem um nível político tão baixo que não percebe esses problemas todos. Fala “ótimo, consegui isso, melhor que nada”. O nível de carência é tal que o mínimo já é capaz de gerar uma grande satisfação. O cara tem uma internet de 56k e passa a ter 1 mega e acha fantástico! E quem está na política pragmática, direta, tendo que gerenciar todos esses aspectos, acaba achando que está promovendo uma grande realização.

É mais uma política compensatória. Na mesma linha das políticas compensatórias postas em práticas nos últimos oito, nove anos. Eu diria que é uma solução absolutamente coerente com tudo que foi a política do governo nesses anos. Com um detalhe, nesse caso interessante: ao contrário de outras políticas compensatórias, nas quais os atores envolvidos, beneficiados, costumam bater palmas, nas comunicações está ocorrendo uma interessante unidade de todos os envolvidos – do ponto de vista da sociedade civil não empresarial – em torno do regime público. Como todos compraram o discurso da defesa, da manutenção, do fortalecimento do regime público, há uma unidade crítica ao governo, que não consegue o apoio a esse projeto em tal campo da sociedade, como tinha conseguido em outros projetos, como o Bolsa-família, o Prouni etc.

A advogada Flávia Lefèvre, da Associação de Defesa do Consumidor, Proteste, considera o PGMU (Plano Geral de Metas e Universalização) III o símbolo do sepultamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Ao invés de diminuir as tarifas da telefonia e expandir os orelhões e infraestrutura na área rural, a resolução aprovada pelo Palácio abre brechas para utilizar recursos públicos no serviço privado da banda larga. Você concorda com essa afirmação?

Não. Não concordo com essa afirmação porque eu diria que esse plano, na verdade, é um aperfeiçoamento do Plano Nacional de Banda Larga conforme ele já estava sendo anteriormente formulado. Na minha avaliação inicial já tinha críticas à formulação original. Creio que a filosofia básica do plano, que como falei é de política compensatória, já estava na formulação original do governo Lula, e agora fica mantida.

Na verdade, com aquela história de Telebrás o governo Lula colocou o bode na sala. E a Dilma tirou, fazendo as teles assumirem um conjunto de compromissos que num primeiro momento elas não estavam predispostas. Fizeram as teles se mexer, é preciso ressaltar isso. Num primeiro momento, elas estavam numa posição muito cômoda, e depois tiveram de fazer uma proposta de massificação – que não se confunde com universalização. Elas fizeram a proposta e o governo aceitou, argumentando que ele, governo, tem os instrumentos e a disposição para fiscalizar o cumprimento do compromisso. É isso que ficou posto. As teles assumiram o compromisso e o governo vai tomar as medidas necessárias para que se cumpra. E a verdade é que o plano era isso: botar o bode na sala e fazer as teles se mexerem.

Desde o início, início mesmo, não podemos esquecer que havia um conflito dentro do governo entre duas posições: uma achava que a Telebrás deveria ser uma empresa reguladora de mercado; já a outra queria a Telebrás dentro do mercado, disputando-o. A segunda posição foi derrotada. A Telebrás ficou como espada de Dâmocles na cabeça das teles, mas quem executará os planos serão as teles.

Portanto, não há nenhuma mudança de filosofia. Por isso discordo do discurso da Flavia e outros, um tanto quanto terrorista. Não vejo assim. Não houve mudança de filosofia, apenas um arredondamento da proposta, dentro da mesma filosofia. Eu já tinha tido a oportunidade de falar com Rogério Santana, o Cezar Alvarez, dizendo que via problemas na proposta, que continuo vendo agora. E o grande problema é: o abandono definitivo do princípio de regime público.

Dessa forma, você discorda bastante do papel que ficou reservado a Telebrás?

A rigor, o mais importante seria manter o princípio do regime público. Eu não me sinto viúva da Telebrás.

Mas ela não tinha condições de protagonizar essa expansão, até pelos seus milhares de quilômetros de cabos de fibra ótica?

Acho que não. Particularmente, penso que não. Tem setores que discordam de mim, mas pelo jeito que estão hoje as telecomunicações no Brasil e no mundo uma empresa estatal não tem condições competitivas, tal como está o mercado. Deixariam pra Telebrás o mesmo papel das escolas públicas do Brasil: o de atender a pobreza. E quando você tem um serviço só para atender a pobreza, atende pobremente, como a escola pública, a saúde pública, o transporte coletivo... Quem tem renda continuaria usando as redes privadas, e quem não tem usaria a rede meia-bomba. Como em todos os setores essenciais. É um fator muito perverso. Desde o início manifestei esse tipo de posição.

A Telebrás inclusive não teria muita condição de obter receitas. Ninguém jamais mostrou qual era o plano de viabilidade da Telebrás. Apenas o Santana falava que tinha um plano e que em cinco anos ela estaria viável. Mas ninguém nunca viu esse plano, pois ele efetivamente dependia de receitas do governo sobre fatores em que nem sempre o governo tem total controle. O governo jamais teria controle se, por exemplo, a justiça, o STF, fosse usar a rede da Telebrás para suas comunicações. Ou a Petrobras. Não tem controle disso. Assim, só poderíamos ter uma solução realmente pobre para pobres. E continuará assim, é verdade...

As duas únicas finalidades que poderiam existir na Telebrás – o que passaria por um projeto estratégico, sempre em falta – seriam: se tornar uma grande intranet do Estado, com a rede da Eletronet, com todas as comunicações relativas ao Estado numa rede fechada. Do ponto de vista da segurança do Estado brasileiro, isso seria excepcional. Ela poderia cumprir tal função. Não sei se tem alguém pensando nisso.

Até porque falta compreensão do quão estratégico é o setor das telecomunicações para qualquer país e aparato de governo.

Exatamente. Assim, teríamos toda a comunicação do poder público, e-mails entre ministros etc., dentro de uma rede fechada do Estado brasileiro.

Dificultaria a vida dos hackers, que tem conseguido invadir essas comunicações governamentais...

Isso mesmo. Dos hackers que a imprensa publica e dos outros também, que não ficamos sabendo, mas existem... Aqueles do império... Sabem tudo que se passa nas redes do governo. Esse seria um ponto.

O outro ponto que a Telebrás poderia cumprir seria o de se pensar num projeto de expansão da banda larga parecido com o da Austrália. Tem-se uma infra-estrutura pública estatal para todo mundo. A infra-estrutura, a estrada de rodagem, a estrutura física seria uma só, do Estado, da melhor qualidade, em cima da qual rodariam todas as empresas privadas. Seria uma hipótese e seria preciso colocar todas as empresas privadas sobre essa estrutura, com iguais condições de qualidade para todo mundo.

Mas aí se esbarra exatamente no projeto estratégico, pois se criaria outro projeto e mudaria a estrutura do setor. Por outro lado, colocar a Telebrás pra concorrer com empresa privada e concorrer nos grotões é algo em que não vejo lógica nenhuma.

O modelo de inclusão digital que o Brasil adota é comum mundo afora, especialmente nos países que já atingiram um alto grau de universalização de internet rápida?

Não. Tem um problema que diferencia o Brasil: é um país de grande território e população. Tirando, mais ou menos, a região da Amazônia, que vem sendo povoada hoje em dia, todas as demais regiões são povoadas no mínimo de forma razoável. Isso não é o caso dos EUA, que é um país de grande território, população e renda. Não é o caso de Austrália e Canadá, com grandes territórios, mas população concentrada. E muito menos é como Finlândia, Coréia do Sul, casos sempre citados, que são países mínimos, onde puxando um cabo de um metro já se cobre o país inteiro. Tem opções interessantes na Finlândia, mas o país é pequeno, com população menor que a cidade de São Paulo. Assim é fácil.

Dessa forma, deve-se encontrar para o Brasil soluções que contemplem nossas peculiaridades: a grande população, território, a disparidade de renda, tudo isso. Quando se fala em mercado no Brasil estamos falando de 400 municípios, que concentram 70% do PIB. Tais fatores têm de ser considerados. Uma solução estratégica para o Brasil, portanto, realmente passaria por uma reciclagem, uma nova etapa, do projeto de regime público. E teríamos o fim do STFC (Serviço de Telefonia Fixa Comutada), que vai acabar de morte morrida. Ano a ano diminui o número de telefones fixos no país. Isso acontece no mundo inteiro, não só no Brasil. Quando terminarem os contratos de concessão, lá pra 2025, é muito provável ou ao menos não será surpresa se já não existir telefone fixo e os contratos durarem mais que o próprio serviço. Isso não será surpresa.

Portanto, era o momento de relançar, reconstruir e redefinir o regime público em cima da banda larga, mesmo que com as atuais concessionárias, ou ainda fazendo uma remodelagem geral e uma nova rodada de licitações. Poderíamos discutir, mas a filosofia tem de ser a reconstrução do regime público para a nova etapa das comunicações.

Isso incluiria mais investimentos também no parque tecnológico do país?

Poderia incluir também, considerando que nessa nova etapa de expansão as empresas tivessem de investir em tecnologia própria, obrigatoriedade de comprar da indústria nacional... Realmente é outro detalhe a ser lembrado. E o governo perdeu a oportunidade de pensar estrategicamente. Já tive a oportunidade de dizer isso a autoridades do governo. É início de governo, a presidente tem um tremendo cacife político e também era um momento de renegociação de contratos, quando tudo fica muito aberto e se renegociava o PGMU. Era um bom momento para o governo chegar e dizer “vamos repactuar essa coisa”. Mas não quis fazer, por razões que só perguntando ao governo pra saber.

Como analisa o atual papel da Anatel? Está faltando uma melhor separação de funções entre ela e o Ministério das Comunicações? Não caberia à Anatel somente fiscalizar o setor e reservar ao Ministério o papel de elaborar políticas públicas para a área?

Acho que não está faltando separar melhor as funções, mas é outro ponto importante. Pelo que tenho percebido, o Ministério das Comunicações está cumprindo seu papel de formulação política. Vamos dar esse crédito, pois é o caminho certo. Ele está cumprindo seu papel nesse sentido. Ao que me parece, a Anatel está um pouco à margem da discussão, ou no máximo subsidiando elementos da discussão. Mas quem tem feito a formulação é o MiniCom, tal como era de se esperar com a nomeação do Paulo Bernardo, que não é um quadro secundário, bem pelo contrário. Tal como se podia esperar com sua nomeação para o Ministério, ele está no comando do processo político. E a Anatel colocada no seu devido lugar.

Falando em Paulo Bernardo, você considera um avanço sua entrada no Ministério em relação ao ocupante anterior da pasta, Helio Costa?

Sob o aspecto da importância que o Ministério das Comunicações passa a ter no governo Dilma, sem dúvida é positivo. Saber que no MiniCom está um dos principais quadros do governo Dilma é algo claramente positivo para o setor de comunicações. Mas depende também de qual é o projeto do governo para o setor. E agora estamos começando a ver quais são os planos. De toda forma, sem dúvida alguma esse governo lhe deu uma dimensão que jamais foi dada no governo Lula.

Isso aumentaria a margem de manobra do governo para promover alguns avanços em favor do consumidor futuramente?

Eu gostaria, porém, o problema é que depois de assinar contrato fica mais complicado. Por isso que o momento era agora. Mas agora essa margem diminuiu.
 

O péssimo acordo da banda larga

terça-feira, 12 de julho de 2011

Por Carlos Lopes, no jornal Hora do Povo:

O “termo de compromisso” das teles com o Ministério das Comunicações (MiniCom) tem tanto a ver com o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) quanto o assalto ao trem pagador tem a ver com a obra filantrópica da Irmã Dulce.



Difícil, leitor, é saber por onde começar a descrição do que só é lícito classificar, no mínimo, de pouca (haja pouca) vergonha. O melhor que conseguimos foi esse resumo em 13 pontos:

1) Não há metas – o ministro Paulo Bernardo considerou, na entrevista coletiva em que, ao lado do presidente da Telefónica, Antonio Carlos Valente, anunciou o “termo de compromisso”, que é “compreensível” as teles não divulgarem onde e quando vão implantar a suposta banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00, por causa da “concorrência”. Mas as metas são do governo ou das teles?

2) A velocidade de 1 Mbps é “nominal”, disse o ministro, ou, dizem as teles, “estatística” - em suma, não é nada. As teles não aceitaram limite mínimo de velocidade (falava-se em 20% a 40% da velocidade “nominal”) e o MiniCom cedeu, transferindo o problema para a Anatel. Hoje, as teles oferecem 1/16 da velocidade que está no contrato com o usuário, abaixo do exíguo limite da Anatel (10% da “nominal”). Mas nem o limite da Anatel consta do “termo de compromisso”. Portanto, as teles foram autorizadas a vender galo velho por peru de Natal, enquanto o cidadão paga pelo que não recebe.

3) As teles foram autorizadas, esclareceu o consultor jurídico do Ministério, Rodrigo Zerbone (de onde saem esses almofadinhas?), a diminuírem a velocidade se o usuário ultrapassar 300 Mbytes de “download” por mês (ou 500 Mbytes no caso da Oi). Esse limite seria aumentado para 600 Mbytes em 2012 e um Gbyte em 2013. Nas conexões móveis, que serão 85% dessa (para não ofender) imbecilidade, o limite é menor ainda: 150 Mbytes. Mesmo que o cidadão não assista vídeos, não receba por e-mail algumas fotos de qualidade razoável, nem fique escutando música, alguns dias navegando esgotarão o seu limite. Literalmente, diz o “termo de compromisso”: “Se ultrapassado o limite mensal de download (...) o Grupo poderá reduzir temporariamente a velocidade do serviço”. Portanto, quem definirá a velocidade será a operadora. O mesmo consultor esclareceu que, se o usuário quiser mais velocidade, terá de pagar mais. E nós pensando que o objetivo fosse pagar menos...

4) O preço de R$ 35,00 já não é muito baixo, mas é só por um ano. Depois, as teles poderão aumentá-lo. Esse preço, pelo compromisso de Bernardo com as teles, é agora fictício. Disse o presidente da Telefónica que “é muito difícil” oferecer banda larga a esse preço. Dificílimo. Sobretudo quando o Ministério das Comunicações o autoriza a escalpelar o usuário. É preciso, segundo a Telefónica, um “combo”, ou seja, empurrar junto serviço de voz e TV por assinatura – naturalmente, não a R$ 35,00.

5) Pois foi exatamente o que o MiniCom aceitou. As negativas de Bernardo de que não haverá venda “casada” (o “combo” do presidente da Telefónica) valem tanto que a nota das teles diz explicitamente: “... será também oferecida, por meio da Telefônica/Telesp, banda larga fixa (na tecnologia ADSL) de 1 megabit por segundo, por R$ 35,00, dentro de um plano alternativo que inclui telefonia fixa, com custo total para o consumidor de R$ 65,00”. E, diz o “termo de compromisso”, esses R$ 65,00 são “sem prejuízo da cobrança pelo tráfego [do telefone], pela prestação de utilidades ou comodidades e/ou por outros serviços”. Quanto à rede móvel, a “venda casada” foi liberada.

6) O preço das teles para fornecimento de linhas aos provedores é R$ 1.200,00 para 2 Mbps. O preço da Telebrás é R$ 230,00 para a mesma velocidade (e R$ 150,00 para 1 Mbps). Segundo o secretário executivo do Minicom, Cezar Alvarez, “comparado aos termos do mercado atual [R$ 1.800], sem dúvida [R$ 1.200] é melhor”. Comparado a um preço de monopólio maior, um preço de monopólio menor é melhor. Mas a ideia do PNBL era, exatamente, quebrar o monopólio – porque só assim é possível a universalização da banda larga, já que monopólio é, precisamente, o antônimo de universalização. Mesmo apenas no início, o PNBL foi bem sucedido: daí o preço da Telebrás. Não por acaso as teles queriam e querem acabar com a Telebrás e o PNBL. Diz Alvarez que a Telebrás “ainda não consegue atender a demanda de todo o país”. Nem vai conseguir, com o Bernardo colaborando com as teles. O preço destas, que o MiniCom aceitou, é para esmagar os pequenos provedores privados. Assim é a grande consideração do ministro Bernardo pela iniciativa privada. Contanto que ela seja monopolista...

7) As teles “oferecerão” ao usuário um “provedor gratuito” (putz!) - certamente, aquele que é de sua propriedade. Se o usuário não aceitar, terá de pagar mais por outro.

8) Quando for necessário um modem, será por conta do usuário.

9) Mas o “termo de compromisso” deixará de valer se as ligações (“backhauls”) das teles nos municípios não tiverem capacidade disponível. As teles, para aumentar a capacidade, poderão cobrar R$ 2 mil como taxa de instalação.

10) As punições às teles por infrações, nem ao menos serão simbólicas: não haverá processo administrativo se o compromisso (?) for desrespeitado. Em caso de irregularidades, as teles serão apenas notificadas, na esperança de que as corrijam. Se, por fim, forem multadas, poderão “transformar” o dinheiro das multas em “investimentos”. Isto é, ficar com o dinheiro das multas. Se a Anatel disser que houve correção da irregularidade, as multas serão extintas – sem que o dinheiro saia do caixa das teles.

11) Em troca de tais compromissos, o governo aceitou retirar as metas para banda larga do III Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo (PGMU, v. Capítulo IV, artigos 21 a 24, DOU, 30/06/2011). O presidente da Telefónica disse que o PGMU, em sua “nova” versão – já publicada no Diário Oficial da União (DOU) - é “bastante positivo”. Até na telefonia fixa, o “novo” PGMU dispensou as teles de obrigações na área rural, se não se interessarem em explorar as faixas de 451 Mhz a 458 Mhz ou de 461 Mhz a 468 Mhz (cf. artigo 9º, parágrafo 2º, DOU, 30/06/2011). Note-se que, ao contrário da banda larga, a telefonia fixa está sob regime público. Mas as teles é que decidem.

12) O “termo de compromisso” deixa de valer caso as teles aleguem que os seus custos aumentaram.

13) O ministro anunciou uma nova subsidiária da Eletrobrás (não sabíamos que ele também havia assumido o Ministério das Minas e Energia). O objetivo dessa nova empresa seria administrar a rede pública de fibras óticas – isto é, a Telebrás, que foi reativada para isso, seria apenas uma das empresas a usar essa rede. As outras, que o ministro chamou de “parceiras”, são as teles.

Bem, isso é tudo, por enquanto, leitores. Resta lembrar que o PNBL foi instituído pelo presidente Lula, e a Telebrás reativada, para universalizar a banda larga. O grande obstáculo à universalização, evidentemente, é o monopólio das teles, com seus preços escorchantes e absurda concentração nas faixas e locais de maior renda, apesar da péssima qualidade que oferecem ao usuário - em suma, esses bandidos para os quais o Paulo Bernardo está acabando com o Plano Nacional de Banda Larga.
 

Propriedade cruzada: lá e cá

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Texto publicado em: Carta Maior

Um Tribunal Federal de Apelações, na Filadélfia, derrubou, no último dia 7 de julho, a decisão da agência reguladora das comunicações nos EUA que permitia a um mesmo grupo de mídia aumentar o número de jornais e emissoras de radiodifusão sob seu controle, em uma mesma cidade.

Embora a decisão não tenha considerado o mérito, mas o procedimento que excluiu as audiências públicas determinadas por lei, um Tribunal Federal de Apelações (The United States Court of Appeals for the Third Circuit , na Filadélfia, derrubou, no último dia 7 de julho, a decisão da Federal Communications Commission (FCC) – a agencia reguladora das comunicações nos Estados Unidos – que permitia a um mesmo grupo de mídia aumentar o número de jornais e emissoras de radiodifusão sob seu controle, em uma mesma cidade.

Além de decidir que devem ser mantidos as limitações à propriedade cruzada, o Tribunal determinou que a FCC encontre formas de garantir o controle da mídia por mulheres e grupos étnicos [cf. http://www.nytimes.com/2011/07/08/business/fcc-cross-ownership-rule-is-overturned.html].

Propriedade cruzada nos EUA
As regras que restringem a propriedade cruzada no setor de comunicações nos EUA estão em vigor desde o Radio Act de 1934. A norma original proibia que nenhum grupo que controlasse emissora de rádio e/ou televisão poderia também ser dono de um jornal no mesmo mercado.

A mais recente “flexibilização” dessas regras havia sido estabelecida pela FCC em 2008 e considerava os índices de audiência das emissoras e o número de veículos independentes [que não faziam parte de uma rede/network] já existentes no mercado. Essa “flexibilização” só era válida para as vinte maiores áreas de mercado dos EUA (210 no total) e apenas, no caso de canal de televisão, se a emissora não estivesse entre as quatro de maior audiência e, ainda, se restassem, pelo menos, outros oito veículos independentes [cf. http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=7514 ].

Após protestos generalizados de organizações da sociedade civil, a “flexibilização” foi derrubada pelo Congresso americano e, agora, também pela Justiça.

E no Brasil?
Na Terra de Santa Cruz não existe agencia reguladora para a radiodifusão (nada sequer parecido com a FCC). Nem qualquer controle sobre a propriedade cruzada da mídia. Decisão judicial que determinasse à autoridade competente outorgar concessões de rádio e televisão para “mulheres e grupos étnicos”, por óbvio, seria considerada “censura judicial” e/ou uma interferência indevida no mercado.

Em fevereiro pp. comentei nesta Carta Maior a posição do Grupo RBS que considera o controle da propriedade cruzada superado pela “convergência de mídias”, além de “ranço ideológico”, “discurso radical que flertava com o autoritarismo”, “impasse ultrapassado” e “visão retrógrada” [cf. http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4948 e http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4964 ].

Diante da decisão do Tribunal Federal de Apelações da Filadélfia, nos EUA – referência de liberdade e democracia – seria interessante saber se um dos grupos de mídia que mais se beneficia com a total ausência de controle à propriedade cruzada no Brasil mantém sua posição.

A ver.

*Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
 

Classe C já está no Facebook, dizem analistas de mercado

domingo, 10 de julho de 2011

Texto publicado em: FNDC

07/07/2011 |
Redação
Terra Notícias

A classe C já começa a fazer parte dos usuários brasileiros do Facebook, de acordo com analistas do mercado de mídias sociais. Atualmente, o site de rede social americano tem cerca de 21 milhões de usuários brasileiros, número que cresceu 133% nos últimos seis meses.

"O Facebook já foi uma rede social de classe A, mas hoje está acessível a todas as classes. As pessoas estão entrando porque seus amigos estão indo para lá", disse Rosário de Pompéia, diretora executiva da consultoria de estratégia em mídias sociais le Fil, à BBC Brasil.

Segundo os especialistas, o site, que ainda é associado a usuários de maior poder aquisitivo, ganhou mais força entre as classes mais baixas a partir do lançamento de sua versão em português, em 2008. A novidade trouxe, além de mais usuários, mais oportunidades de negócios para a empresa de Mark Zuckerberg, que abriu seu primeiro escritório no Brasil no último mês de março.

"Quando a versão em português entrou, muito mais gente aderiu (ao Facebook). Algumas empresas que pretendem se dirigir à classe C já estão indo direto para o Facebook e para o Twitter, sem passar pelo Orkut", afirmou Gustavo Pereira, gerente de operações da Bites, consultoria especializada em redes sociais.

Desde a chegada do Facebook no Brasil, o Orkut, que é a rede social online mais usada do país e é tida como um dos principais instrumentos de inclusão digital dos brasileiros, é considerado reduto das classes C e D, informação negada pela empresa.

"Na verdade o Orkut no Brasil é atualmente a rede social com maior diversidade entre classes sociais. Podemos comparar a audiência do Orkut, em território nacional, com a novela do horário nobre, já que atinge todas as classes sociais do país", disse Valdir Leme, gerente de marketing do Orkut, à BBC Brasil

''Orkutização''
Segundo a pesquisadora de mídias sociais e autora do livro Redes Sociais na Internet Raquel Recuero, a simplicidade da interface do Orkut facilitou a adesão rápida dos brasileiros de diversas classes sociais. No entanto, ela pode ter contribuído para uma segmentação de classes após a chegada Facebook no Brasil.

"O Facebook parece estar atraindo primeiro mais pessoas das classes mais altas, especialmente porque sua interface não é muito simples. Eu já observei vários comentários preconceituosos com relação a entrada de classes mais baixas no Orkut em minhas entrevistas", diz.

"O termo ''orkutização'', por exemplo, passou a ter uma conotação negativa para muitos usuários, associado a adoção do sistema por pessoas de classes C e D, por exemplo."

Nos últimos meses, usuários brasileiros do Facebook se manifestaram contra o que chamam de ''orkutização'' do site. O termo associa entrada de mais usuários brasileiros de classes populares a práticas que consideram ruins, como erros de digitação e envio de spam.

Mas a presença de diferentes classes sociais no Orkut, que tem 57% dos seus usuários no Brasil, é um dos principais motivos pelos quais ele ainda é considerado relevante no mercado, segundo Gustavo Pereira.

"O Orkut foi a porta de entrada de praticamente todos os brasileiros nas redes sociais. As empresas ainda o procuram porque podem conseguir informações valiosas sobre os consumidores", diz.

Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), acredita que as manifestações de elitismo não têm influência direta na migração de usuários de um serviço para o outro.

"O preconceito existe, mas é bobo, em minha opinião. As pessoas não estão deixando de usar o Orkut por isso, e, sim, porque apareceram outros sites que oferecem mais possibilidades de conexões, como o Facebook", diz.

Convivência
A ascensão do Facebook e o lançamento, na última semana, de uma nova rede social do Google, o Google+, aumentaram as especulações sobre um declínio e eventual fim do Orkut, que vem sofrendo constantes quedas no número de acessos e tem baixos índices de crescimento mensais.

No entanto, os especialistas apostam que o Orkut manterá sua presença no Brasil, mesmo após uma eventual perda a hegemonia para o Facebook.

"Hoje em dia as pessoas mantém vários grupos sociais separados em sites diferentes. Enquanto o Orkut é um site de conhecidos, o Facebook é interessante por causa dos aplicativos e o Twitter é o ''jornal particular'' com comentários. A tendência é dividir a atenção das pessoas, mas isso não deve acarretar imediatamente no abandono total de um por conta do outro", avalia Raquel Recuero.

Criado em 2004 como um projeto paralelo do funcionário do Google Orkut Büyükkökten, o site tem cerca de 85 milhões de usuários em todo o mundo. A maior parte deles se concentra atualmente no Brasil e na Índia.

Após o lançamento do Google+, na última semana, o Google garantiu que não acabará com o Orkut e deu indicações de que pode estar planejando uma união gradual dos dois sites.

"Nosso objetivo é estender os novos recursos do Google+ para os usuários do Orkut conforme eles se tornam disponíveis", disse Valdir Leme.
 

Empresas de software reclamam falta de rumo na TV Digital

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Texto publicado em: FNDC

07/07/2011 |
Luís Osvaldo Grossmann
Convergência Digital

A falta de rumo para a TV Digital no país aflora as divergências e foi tema de uma reunião entre as empresas - especialmente do setor de software - e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta quarta-feira, 06/07.

A percepção do setor é que as políticas para o novo sistema foram abandonadas - enquanto no Governo Lula a então ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tomava a rédea do processo - não há nenhum direcionamento e, mais grave, faltam definições concretas sobre o uso do Ginga como ferramenta de interatividade.

Essa avaliação é reforçada pelo tratamento dado pelo próprio Paulo Bernardo em entrevista ao UOL. Ele admite atraso na implementação da TV Digital, mas sustenta que a principal responsabilidade é das emissoras. “O que não está andando tão rapidamente quanto a gente pensava é a implementação das emissoras em transmissão digital.”

Já a interatividade parece um detalhe menor, tanto que o ministro festeja a produção de equipamentos. “A parte de recepção está indo bem. A questão da interatividade não é obrigatória e o que estamos cogitando é tornar obrigatória, então isso é uma discussão, não quer dizer que está atrasado”, diz Bernardo.

Por aí se percebe o descompasso com o que defende quem apostou na interatividade – e pelo menos o setor de software já sinaliza a possibilidade de abandonar o fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) como movimento político em busca de alguma inflexão do governo no processo de substituição do sistema analógico pelo digital.

Mas as empresas de software estão bastante preocupadas com a inércia governamental. Tanto é assim que o principal recado foi de que o Brasil vai ficar para trás no desenvolvimento da TV Digital, especialmente na parcela genuinamente nacional do sistema adotado: o middleware de interatividade Ginga. Ao mesmo tempo, a vizinha Argentina avança e tenta ficar com a liderança dos desenvolvimentos na região.

O abandono do Ginga – o governo vem “cogitando” torná-lo obrigatório nos equipamentos, mas até agora nada foi feito – tem efeito direto para empresas que investiram em desenvolvimentos relacionados ao middleware, mas, segundo elas, também implica em consequências para o sistema como um todo.

O raciocínio é de que a falta de políticas voltadas para a interatividade na radiodifusão não evita desenvolvimentos alternativos para outra vertente de interatividade, a IPTV, que está à espera da aprovação do projeto PLC 116. A diferença é que, nesse caso, vão prevalecendo softwares proprietários, enquanto o Ginga é aberto e de maior interoperabilidade.

Assim, quando o governo acordar para a interatividade na TV Digital, já que sustenta ser essa uma importante ferramenta para serviços de e-gov, talvez se veja na situação de precisar negociar com os diferentes sistemas proprietários que terão se desenvolvido para as chamadas TVs conectadas.

Desde o inicio do governo Dilma Rousseff há uma indefinição sobre o comando da TV Digital – o Minicom chegou a indicar que negociaria isso com a Casa Civil, até então responsável diretamente pelo novo sistema, mas ainda não houve avanço. Mesmo as negociações para ampliar o número de países aderentes ao padrão tropeça nessa falta de liderança.
 

Projeto alternativo ao AI-5 digital já está na rede

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Já está aberta, no portal e-Democracia, a discussão do projeto dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Manuela D’ávila (PCdoB-RS), João Arruda (PMDB-PR) e Emiliano José (PT-BA), na Câmara dos Deputados, como alternativa ao malsinado projeto Eduardo Azeredo, que ficou conhecido como “AI-5 Digital”.

Vamos deixar a proposta aberta às sugestões dos cidadãos enquanto esperamos que o anteprojeto de lei que trata do marco civil da internet seja enviado pelo governo ao Congresso seja enviado à Câmara, o que deve acontecer logo.

Há dois apenas dois tipos de ações puníveis.

A interferência, não autorizada, em sistemas informatizados, com o objetivo de “obter vantagem ilícita”, agravado quando há destruição de arquivos, violação de dados confidenciais e “controle remoto” clandestino destes sistemas.

O segundo, torna crime a distribuição de vírus (malware, ou códigos maliciosos) na rede, agravado também pela destruição de arquivos no computador-alvo do ataque.

Ao contrário do projeto, protege-se o usuário da web do armazenamento de seus dados nos provedores, exceto para o acesso. Pune-se a violação de computadores, não o que se fala na rede.

Ao contrário daqueles que querem restringir a liberdade, nós queremos que ela seja a regra – fixada no marco civil – e não começar pelas proibições, para depois garantir a liberdade. Ou não.

As regras para participar do e-Democracia estão explicadas no site. Basta se cadastrar e participar do grupo de discussão
 

Legendários aposta no conteúdo transmídia

terça-feira, 5 de julho de 2011

Texto publicado em: Meio&Mensagem

Programa apresentado por Marcos Mion na Record investe no binômio TV e internet para atrair audiência e anunciantes

Fernando Murad| » 05 de Julho de 2011 • 11:01


Assistir TV apenas olhando para o aparelho é um hábito em desuso, pelo menos para grande parte do público jovem que ao mesmo tempo em que está de olho na telinha, navega na web e se comunica via redes sociais e Twitter. Essa interação entre mídias é o que Marcos Mion, que há mais de 10 anos dialoga com esse público, procura implementar no programa Legendários, no ar na Record desde 2010.

Além da exibição ao vivo na TV aberta aos sábados às 22h 45, o programa começa meia hora antes com o Legendários na Web, atração que continua nos intervalos e que mostra ao público os bastidores da produção. “Para ter a experiência completa do Legendários, é necessário ligar a TV e o computador, e ver os conteúdos se completarem e conversarem”, analisa Mion, criador, diretor geral e apresentador do Legendários.

Segundo ele, Legendários na Web é 100% executado para ativar as redes sociais e colocar as pessoas em casa participando e criando conteúdo. “Pode ser pelo Facebook, pelo telefone, pelo Twitter e pelo Skype, que abrem portas maiores ainda de interação com fãs de todo o mundo. Estamos desenvolvendo um projeto onde, através do Twitter do programa, que possui 750 mil seguidores, os fãs poderão roteirizar uma sketch para produzirmos para o grupo Banana Mecânica. Um roteiro feito a 750 mill mãos!”, destaca.
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Legendários na Web é 100% executado para ativar as redes sociais e estimular as pessoas em casa a criar conteúdo Crédito: Divulgação


O processo de produção do programa conta com um diretor de conteúdo multiplataforma, Pedro Tourinho, que ao lado de Mion é responsável pela criação e execução do braço crossmídia da atração. “Não pensamos apenas em matérias e ações de palco, pensamos em histórias com extensões antes impossíveis. Durante a concepção do programa, chegamos à conclusão que o diferencial seria estar na vida das pessoas durantes os sete dias da semana e não apenas aos sábados. Portanto, disponibilizamos pelo menos um vídeo novo por dia com a participação do elenco, além de promoções constantes, e matérias exclusivas, gravadas apenas para a web”.

Seguindo a linha do conteúdo, alguns anunciantes também estão investindo em ações multiplataforma. A Nokia, por exemplo, criou uma promoção na qual os internautas decidiam pela web o que iria acontecer com o episódio que iria ao ar na TV posteriormente. A ação, chamada Nokia App Decide, tinha como objetivo promover a loja de aplicativos online Ovi Store. O patrocinador principal do Legendários atualmente é o refrigerante Fanta, da Coca-Cola.

Embora Legendários tenha uma concepção totalmente ligadas às mídias digitais, a audiência da TV é a que ainda define os caminhos relacionados ao departamento comercial. “Mesmo o pêndulo ainda puxando mais para o lado da TV, lutamos diariamente para uma equalização. Afinal, temos indícios fortes do poder do nosso conteúdo web e o quanto antes todos, incluindo agências e clientes, perceberem esta realidade, obteremos resultados melhores e mais eficientes”, projeta.
 

Facebook quer compartilhar conteúdo televisivo

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Texto publicado em: Produção Profissional

O gigante das redes sociais divulgou recentemente planos que poderão revolucionar o mercado de produção audiovisual e broadcast. A notícia é que o Facebook já está desenvolvendo novas funcionalidades que irão permitir aos usuários compartilhar fragmentos de noticiário televisivo, seriados e eventos musicais . Segundo o New York Times, a idéia do site de relacionamento é que o manuseio destas novas funcionalidades seja tão fácil quanto publicar uma foto ou jogar games online.

O Facebook está, aparentemente, em negociação com diferentes empresas geradoras de conteúdo audiovisual sobre o plano, que também irá permitir a essas empresas monitorar a utilização do material. O portal não fez nenhum comentário oficial sobre os passos da empresa, entretanto o presidente executivo, Mark Zuckerberg, falou sobre os planos da companhia em uma apresentação na semana passada durante conferencia eG8, na França.

Segundo Zuckerberg, ouvir música é algo que as pessoas fazem com os amigos. “Ouvir música e assistir TV são coisas que eu acho que as pessoas fazem naturalmente com os seus amigos. Eu espero que nós desempenhemos um papel ao permitir que novas companhias sejam construídas para produzir conteúdo para ser compartilhado”, disse Zuckerberg.

Há um bom tempo a rede social norte-americana tem tentado persuadir algumas empresas a utilizar os dados referentes às conexões entre pessoas para fazer com que os seus serviços sejam mais “sociais”. Na França, Zuckerberg mencionou a Netflix como um das companhias que está em negociação com o Facebook.
O Times revelou que o Facebook estava em conversação com diversos servidores de música online, incluindo a empresa européia Spotify, para desenvolver um aplicativo ou um widget que mostraria as músicas mais tocadas de cada usuário e propiciar uma maneira fácil para os amigos as ouvirem. A companhia também quer fazer a mesma coisa com fragmentos de vídeo, incluindo notíciários.

Atualmente, o Facebook possui aproximadamente 700 milhões de usuários. Analistas e executivos de mídia disseram aos jornais que o movimento da rede social em direção às mídias faz parte da ambição de se tornar um hub (centralizador) para todos os tipos de atividades na internet. De acordo com a visão do Facebook, as pessoas cada vez mais se definem através da mídia que elas consomem, como reportou o Times.
Através de uma declaração, o Facebook disse que a empresa está sempre procurando por maneiras de ajudar as pessoas a encontrar os conteúdos mais relevantes na rede, mas que não há nada para anunciar.

Segundo algumas fontes de dentro do Facebook, cada um dos parceiros de mídia teria uma parte na alimentação constante dos vídeos que o usuário está assistindo ou as músicas que ele está ouvindo. Os amigos do usuário poderiam ter acesso ao mesmo conteúdo com um click. Segundo o Times, ao trabalhar com parceiros externos o Facebook não licenciaria nenhum conteúdo de gravadores ou redes de televisão.

www.facebook.com

FONTE: Broadcast Engineering e New York Times
Da Redação
 

PNBL: Internet de 1 mega a R$35 não é vantagem nos principais mercados

domingo, 3 de julho de 2011

Texto publicado em: IDG Now


Por Ricardo Zeef Berezin, do IDG Now!
Publicada em 02 de julho de 2011 às 09h10
Atualizada em 03 de julho de 2011 às 13h02

Plano do governo é só R$4 mais barato que pacotes disponíveis. A diferença? Em vez de franquia ilimitada, internauta terá só 300MB.

No acordo assinado entre o Governo e as operadoras na última quinta-feira (30/06), por conta do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), três das principais especificações quanto à oferta do serviço foram delimitadas: velocidade (1Mbps), limite de download mensal (300MB) e, enfim, preço (35 reais ao mês).
A primeira polêmica foi suscitada pela banda insuficiente a ser entregue. De fato, ela é superior ao que grande parte da população brasileira tem acesso. No entanto, esta continuará carente, pois só passará a ser contemplada com o devido investimento em infraestrutura. Prazos e montante quanto a isso, porém, ainda não foram detalhados. A previsão é que em três meses os novos planos comecem a ser oferecidos exclusivamente nas praças em que as operadoras já atuam, o que não é grande vantagem.

Leia mais: Acordo é um retrocesso, diz Proteste 

Portanto, a principal aspiração do PNBL – levar a Internet para pessoas que ainda não a acessam – por enquanto, parece uma realidade distante. A curto prazo, ele pode favorecer a redução dos valores cobrados pela banda larga nos centros em que já existe, mas, mesmo nesse caso, o impacto não deverá ser grande – e se assim for, será de maneira inversa.

Opções

A Telefônica, por exemplo, disponível em quase todo o Estado de São Paulo, oferece, por 29,80 reais, acesso em 256 Kbps – taxa que equivale a 25% da do pacote que se comprometeu a vender ainda este ano. Mesmo para essa modesta banda, o limite de download mensal é de 10GB – 34 vezes maior que o pretendido pelo Governo.
A empresa espanhola, no entanto, vende promocionalmente um plano de 1 Mbps por 39,90 reais, com consumo de dados ilimitado. Teoricamente, o abatimento deixaria de ser oferecido – a promoção era válida até a última quinta-feira (30/06) – mas, segundo a assessoria de imprensa, o preço especial se manterá por tempo ilimitado.
O Virtua, da Net, possui um pacote chamado Internet Popular. A velocidade é de 512 Kbps e a cota é de 10GB; sai por 29,80 reais. Funciona não só em São Paulo, mas também em Belo Horizonte e Porto Alegre, por exemplo.

Já no Estados do Rio de Janeiro, Bahia, Amazonas, Mato Grosso do Sul, enfim, em quase todo o Brasil – pelo menos nas capitais – há o Velox, da Oi. Por 39,90 o cliente tem 1 Mbps e franquia de 40GB. Mais dez reais e leva 2 Mbps.


Resultado inverso

Muitos foram pegos de surpresa com a quantia máxima de consumo mensal estipulada pelo Governo. Os 300MB são equivalentes a cerca de 70 músicas ou dois vídeos de até 30 minutos com qualidade média – depois disso o usuário terá de optar entre ter a velocidade de conexão reduzida ou pagar por megabyte adicional.

A questão, como se vê, é que essa quantia é bem inferior à média do mercado e poderá prejudicar a experiência do internauta. Outro problema a ser analisado é que, se a Oi e a Telefônica já oferecem planos superiores ao pacote que disseram que passarão a comercializar, como o acordo com o Governo favorecerá a população?

Mais uma vez, deve-se destacar que a proposta do PNBL é fornecer banda larga a quem não a possui. Mas ainda não está claro como esse objetivo será alcançado – o Ministério das Comunicações só diz que sua meta é levar a Internet rápida a todos os brasileiros até 2014. Em até 90 dias, a expectativa é que, quem já a tem em sua cidade, tenha uma opção a mais.

Essa opção, porém, é pouco atraente e poderá provocar um resultado inverso. Se ela não vier para adicionar e, sim, para substituir o pacote mais barato que as operadoras já vendem – o que não só é possível, como provável – a população estará trocando uma franquia ilimitada de dados por uma de 300MB. Tudo isso por um desconto de apenas 4 reais.
 

Marcha da...

sábado, 2 de julho de 2011

Nas últimas semanas, brasileiros de várias cidades no país organizaram e foram para as ruas reivindicando seus direitos ou expondo suas opiniões sobre os mais diferentes temas. Citando apenas algumas, foram às ruas a marcha da maconha, das vadias, a marcha para Jesus, o churrasco da gente diferenciada e a marcha da liberdade.

Não é difícil ligar estes eventos a um fator comum: as redes sociais. As redes sociais são um fenômeno no Brasil. Internautas brasileiros são campeões de acesso e participação nestas redes. Mais de 70% dos participantes da rede Orkut são brasileiros, já somos o quarto país no mundo a utilizar o Twitter. Esse enorme envolvimento dos brasileiros nas redes sociais já está influenciando o mercado de trabalho, o comercio eletrônico e, principalmente, a capacidade das pessoas de se organizarem e ganharem as ruas. Uma prova desta capacidade de mobilização foi o “churrasco de gente diferenciada”. Após a publicação do depoimento de um morador de uma região nobre da cidade de São Paulo contra a criação de uma estação de metrô no bairro por atrair “uma gente diferenciada” na utilização do serviço, centenas de pessoas participaram de um churrasco que começou com apenas 50 pessoas. Mas durante o dia, e com a divulgação de posts no Twitter e no Facebook, mais e mais pessoas foram chegando e mais de 600 pessoas participaram do evento/protesto no final daquela tarde.

Especialistas afirmavam que o fato das pessoas poderem se agrupar em comunidades virtuais e encontrar pessoas com gostos iguais e a mesma visão de mundo eram uma das causas do sucesso destas redes. O fato é que se essas pessoas se encontram na internet é mais do que natural que esses grupos soltem a voz e expressem seus sentimentos e reivindiquem seus direitos. E este não é um fenônemo isolado no Brasil. As revoltas no mundo árabe, Grécia, Espanha, Chile e a última eleição presidencial no Peru, tiveram grande participação e envolvimento das redes sociais.

Assim, essas marchas não são movimentos passageiros ou modismo da internet. Certamente veremos mais desses eventos e mais e mais vozes que anteriormente não tinham como se organizar ou não podiam se organizar.

Na antiguidade os moradores da Pólis (cidade) utilizavam a Ágora (normalmente um espaço livre de edificações, onde as pessoas costumavam ir configuradas pela presença de mercados e feiras livres em seus limites – Wikipédia) para exercer seus direitos de cidadãos. Nestes novos tempos onde o real se mistura ao virtual, onde o físico se mistura com o imaginário, a praça e todas as suas representações simbólicas também são transferidas para o mundo da rede. O que isso realmente irá representar para a democracia ainda estamos por experimentar.

Foto: Gabriela Moncau
 

A Universidade e as leis para a comunicação

Texto publicado em: Carta Maior -

A fundamentação existente na Ley dos Médios argentinos tem grande contribuição acadêmica e poderia servir como referência para a Universidade brasileira. Ao invés de infindáveis e insossas discussões sobre “teorias da recepção”, teríamos o pulsar da vida real das nossas sociedades.


Laurindo Lalo Leal Filho*

Passou desapercebido por aqui. Não fosse a menção feita pelo jornalista Eric Nepomuceno, na revista Carta Capital, poucos ficariam sabendo que a Ley de Médios argentina está sendo implantada, apesar da oposição feroz dos grandes grupos de comunicação locais.

No noite de 21 de junho, a presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televisão para fazer um anúncio capaz de tirar o sono dos controladores monopolistas da radiodifusão. O governo abria, naquela data, uma licitação para a concessão de 220 novas licenças de serviço de audiovisual no país.

Como determina a lei metade dessas concessões será destinada a emissoras privadas e a outra metade dividida entre os governos estaduais, o federal e as organizações sem fins lucrativos. Fórmula encontrada para romper com oligopólio existente hoje na comunicação argentina.

Claro que a mídia comercial brasileira esconde esses avanços e quando fala da Ley de Médios argentina é para atacá-la, chegando habitualmente a taxá-la de censura, quando trata-se exatamente do oposto. Seu papel é o de permitir o acesso aos meios de comunicação de um número muito maior de atores sociais, hoje sem voz.

Mas aos que se opõem à lei interessa a omissão e a desinformação. Para isso usam uma estratégia eficiente: apropriam-se de um símbolo facilmente compreensível, como é a censura, e com ele carimbam a lei, interditando o debate de forma liminar.

A legislação argentina mereceria no Brasil estudos e debates mais sérios e aprofundados. As criticas feitas por aqui são superficiais, ecoando apenas o temor dos controladores da mídia nativa com o possível contágio da experiência vizinha.

Não é levado em conta o formidável trabalho de pesquisa realizado para se chegar ao texto final. Seus 166 artigos não caíram do céu. São resultado de um levantamento minucioso daquilo que existe de mais avançado no mundo, em termos de legislação para área das comunicações.

Dos meios comerciais não se pode esperar nada, além das críticas habituais. Os meios públicos pouco se dedicam ao tema e a internet o trata de forma esporádica. Mesmo as redes sociais, com conteúdos mais críticos, não tem como aprofundar a discussão e acabam, em determinados momentos, dialogando com os grandes meios nos mesmos níveis por eles impostos.

Resta como alternativa a Universidade, teoricamente menos sujeita às imposições externas. Mas parece que, no geral, ela não despertou ou não se interessou pelo assunto. Falo, obviamente, dos setores universitários ainda não cooptados pela grande mídia, propiciadora de cursos e eventos destinados ao conformismo e a alienação.

Fico a pensar na riqueza de um debate não só da Ley de Médios argentina, mas das experiências de democratização das comunicações que vêm sendo articuladas na Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai, por exemplo.

Ao invés de infindáveis e insossas discussões sobre “teorias da recepção”, tão ao gosto dos acadêmicos alinhados com “status quo” da comunicação, teríamos o pulsar da vida real das nossas sociedades.

A Universidade – pública ou privada – repousa sob um tripé formado pelo ensino, a pesquisa e a extensão. Um tema como o aqui proposto atenderia com desenvoltura esses três objetivos.

Colocaria o aluno em contato com a disputa que se trava no continente em torno do papel social da comunicação, deixando mais claro o cenário onde se dará, no futuro, sua atuação profissional.

Propiciaria uma ampliação no campo das pesquisas, necessitadas cada vez mais de interdisciplinaridade. O estudo da comunicação só ganha concretude quando dialoga com o Direito e as Ciências Sociais em geral.

E finalmente, a extensão se daria com a formulação de projetos e propostas capazes de contribuir para o debate político que se trava na sociedade em torno das novas leis para a comunicação.

A fundamentação existente na Ley dos Médios argentinos tem grande contribuição acadêmica e poderia servir como referência para a Universidade brasileira.

A íntegra de Lei de Meios da Argentina está disponível neste endereço: http://www.infoleg.gov.ar/infolegInternet/anexos/155000-159999/158649/norma.htm


*Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
 

Banda larga a R$ 35 terá limite de download de 300 MB por mês

Texto publicado em: FNDC

30/06/2011 |
Redação
Gazetaweb

Restrição é para acesso fixo; para móvel, serão 150 MB mensais. Ministro diz que plano de 1 Mbps eleva patamar da internet no país



O acordo entre o governo e as teles sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) prevê que os assinantes dos novos planos de acesso tenham um limite mensal de download de 300 MB para a internet fixa e de 150 MB para a móvel, no plano de assinatura a R$ 35. Quando o cliente chegar a esse limite, vai ter a opção de pagar a mais ou então reduzir a velocidade de conexão para continuar a utilizar o serviço. Os planos começarão a ser vendidos em 90 dias, afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

As empresas Telefonica, Oi, CTBC e Sercomtel, que assinam o acordo com o governo, vão cumprir uma meta anual de cobertura de cidades para chegar a todos eles até 2014. De acordo com o ministro, caso a meta de oferta não seja cumprida, as empresas estarão sujeitas a punições que vão de obrigatoriedade de antecipar investimento até multa. Ele não soube informar o valor das sanções.

Os clientes vão poder comprar apenas o serviço de internet. Mas as empresas estão autorizadas a oferecer pacotes incluindo telefone fixo. Qualquer pessoa vai poder aderir ao plano de R$ 35. No caso da internet móvel, os clientes também terão que comprar um modem. O valor do equipamento não foi informado.

Bernardo negou que a velocidade de 1 Mbps oferecida pelo PNBL seja baixa. De acordo com ele, metade das conexões em funcionamento hoje no país está abaixo dessa velocidade. “Estamos elevando o patamar”, disse o ministro.

Ele acrescentou que o acordo prevê, até 2014, a oferta “em larga escala” de internet de 5 Mbps de velocidade. E avaliou que, com o avanço da tecnologia, o governo acredita que a velocidade das conexões dentro do PNBL vai avançar nos próximos anos.

O ministro ainda apontou que o plano não vai contar com investimento público e a banda larga vendida pelas teles não terá subsídio do governo.

Bernardo disse ainda que está em discussão uma associação entre a Telebras e a Eletrobras para investimento na ampliação da rede de fibras óticas que será usada pelo governo para oferta de sinal de internet no atacado. Segundo ele, uma nova empresa pode ser criada para desenvolver a parceria.

Detalhes
O governo e as teles devem assinar o acordo do PNBL ainda nesta quinta-feira. Os últimos detalhes do termo de compromisso ainda estão sendo redigidos mas, segundo o ministro, o documento vai ser levado nesta quinta-feira para a assinatura do decreto pela presidente Dilma Rousseff.

Bernardo anunciou pela manhã que governo e teles tinham chegado a um acordo sobre a proposta do Plano Nacional de Banda Larga. Para que o acordo saísse, o governo teve que abrir mão da exigência de que as teles cumprissem com metas de qualidade do serviço, demanda feita pela presidente Dilma Rousseff.

Bernardo informou, porém, que até outubro a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve aprovar a regulamentação que prevê qualidade mínima para a internet brasileira, tanto fixa quanto móvel, e que valerá também para o PNBL. As regras devem valer a partir de 2012.

Ainda de acordo com ele, foi mantido no acordo do PNBL a previsão de sanções caso as teles não cumpram com as metas de oferta do serviço.

Quando o plano foi lançado, em 2010, uma das expectativas do PNBL era disponiblizar o serviço de 11,9 milhões de domicílios para quase 40 milhões de domicílios até 2014. O custo da tarifa estava cotado em R$ 15, para o plano com incentivos, com velocidade de até 512 kbps (quilobits por segundo) e com limitação de downloads e de R$ 35 para o plano comum, com velocidade de 1 Mbps.
 
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