Digital Age: 5% do bolo publicitário para a Internet? É muito pouco

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Texto publicado em: IGDNow

Por Ricardo Zeef Berezin, do IDG Now!
Publicada em 29 de setembro de 2011 às 14h25

Para Fernando Taralli, presidente da Energy, empresas gastam pouco e errado nas plataformas digitais.


Segundo dados divulgados em agosto, a Internet corresponde a 5% do investimento publicitário no Brasil. Se nos Estados Unidos ela já o segundo meio que mais arrecada – perdendo apenas para a TV – por aqui ela é apenas o quarto, pois ainda não superou  jornal (12,44%) ou revista (6,89%).
Fernando Taralli, presidente da agência Energy, porém, discorda das estatísticas. Elas não contabilizariam o dinheiro investidos por empresas de e-commerce, que são das que mais gastam com marketing digital. Se fossem consideradas, o índice subiria para algo próximo dos 10%, alcançando a terceira colocação.
“Mas o bolo ainda é muito pequeno”, afirmou nesta quarta-feira (28/09), durante o Digital Age - evento de marketing digital promovido pelo Now!Digital Business. “As companhias que mais despendem com marketing, dificilmente reservam mais de 5% para a Internet, quando o ideal seria aplicarem entre 10% e 15%”.
O executivo destacou como o comércio eletrônico no Brasil tem crescido. Cerca de 30 milhões de usuários compram pela web – o País é o terceiro maior do setor – e 70 milhões a utilizam antes de adquirir um produto. Empresas que não possuem lojas físicas, inclusive, têm incomodado grandes redes do varejo, que tiveram de se mover para melhorar seus sites. E ainda há muito a crescer.
“Inúmeras empresas já me contataram querendo investir no Brasil. São lojas voltadas a todos os tipos de produtos. Sempre que me avisam de suas intenções, penso por que não pensei nisso antes”, afirma Taralli.
O anúncio veiculado na Internet tem algumas vantagens sobre o inserido em outros veículos. O principal, diz o especialista, é a questão da assertividade. Há diversas tecnologias disponíveis a fim de atingir uma audiência específica, aquela que poderá se interessar pelo produto. Se só o pai da família está interessado na compra de um carro, porque gastar mais para mostrá-lo a seus filhos?
Flexibilidade e interatividade são outros pontos destacados pelo especialista. As possibilidades que a mídia digital oferece são pouco exploradas pelas empresas do País, defendeu. As propagandas podem ganhar vida. Para fins de demonstração, exibiu uma peça veiculada na página inicial do New York Times.



Já quanto à interatividade, citou uma empresa do ramo alimentício que convidava o usuário a votar em seu prato favorito. De acordo com sua escolha, um produto seria exibido da próxima vez que entrasse no portal. Por fim, um cupom de desconto para essa mesma mercadoria aparecia no banner, de modo que o internauta pudesse imprimi-lo e usá-lo em algum supermercado próximo.
De acordo com Taralli, três milhões de pessoas foram impactadas pela campanha, e duas milhões votaram. Além do fortalecimento da marca, devido ao diálogo promovido com os clientes, a companhia conseguiu aprimorar seu banco de dados.
Algumas dicas foram dadas quanto à estratégia online. Se o consumidor adicionar um produto ao carrinho, mas não comprá-lo, é possível oferecer um desconto sobre o item visado da próxima vez que ele entrar no site – isso pode ser decisivo, caso ele esteja buscando melhores preços em outras lojas.
Vídeos publicitários costumam ser eficientes na Internet e podem ser priorizados, mas  é melhor que o conteúdo seja diferente daquele exibido na TV. Por fim, a estratégia online deve estar de acordo com a offline e, preferencialmente, elas devem interagir.
“Até 2020, a cobertura da Internet será semelhante à da TV aberta”, afirmou, mostrando em números porque o investimento publicitário nas mídias digitais precisa aumentar. Ano passado, a Internet superou o rádio, segundo os dados oficiais, e não deverá demorar a ultrapassar as revistas. “Muito mais está por vir”, concluiu.
 

Estudo mostra quem são usuários de tablets

Texto publicado em: FNDC

27/09/2011 |
Redação
Coletiva.net

Maioria é homem, com idade entre 18 e 24 anos, da classe A

Pesquisa realizada em nove mercados brasileiros pela Ipsos revela que o número de pessoas que possuem tablets no país chega a 196 mil – sendo 79 mil deles considerados “super users” de tecnologia, possuindo também notebook e smartphone.

A maior parte dos usuários de tablets é composta por homens jovens, entre 18 e 24 anos, da classe A. Do público pesquisado, 72% possui Ensino Superior. O levantamento foi realizado durante o primeiro semestre de 2011, com pessoas de ambos os sexos, a partir de 13 anos.

Entre os mercados pesquisados, São Paulo é o que tem a maior participação entre os que possuem tablets – 66% –, seguido pelo Rio de Janeiro – 18% –. Os outros mercados pesquisados – Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Recife – somam, juntos, 16% da distribuição, sem diferenças gritantes entre eles.

Sobre a influência dos meios de comunicação na decisão de compra, para o usuário que possui tablet, a internet é o meio que mais influencia – 66% –, seguida do boca a boca – 41%. A situação se repete com o “super user”: 72% considera a internet o meio mais influenciador e 50% confiam no boca a boca na hora de comprar.

Em outra pesquisa, Ipsos ainda analisou o comportamento da população – a partir de 13 anos – que pretendem adquirir tablets. As frases assinaladas apontam que se trata de um público fiel – “raramente mudo de marca” –, que utiliza marcas de referência e grifes – “costumo usar produtos/marcas que minha mãe usava” e “gosto de comprar roupa de marca” – e influenciador – “as pessoas me pedem conselhos antes de comprar”.
 

Grupo de Pesquisa Nielsen vai medir TV aberta no Brasil: isto não é tão boa notícia assim.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Em matéria divulgada pela Folha de S. Paulo, a empresa de pesquisa Nielsen chega ao Brasil para concorrer com o Ibope na medição da audiência da TV aberta. Alguns estão comemorando, pois acreditam que o fim do monopólio do Ibope poderá mostrar algumas distorções do quadro de audiência das emissoras de TV e, até mesmo, abalar o mercado publicitário.

Porém, vejo com preocupação esta notícia, pois ela aponta uma questão preocupante. A Nielsen pode estar vindo para o Brasil devido a sua perda significativa de importância nos EUA depois que aquele país completou a migração para TV digital em 2009. Acontece, que os set-top-box utilizados nos EUA informam em tempo real qual canal está sintonizado. Com isso, a Nielsen perdeu mercado e pode estar vindo para o Brasil como estratégia para tentar minimizar os prejuízos.

Isto indica que as emissoras brasileiras não estão mesmo interessadas em investir em interatividade. Pois, a partir dela, é possível medir a audiência real de um programa e não por estimativa, como fazem o Ibope e a Nielsen.

Apesar da tentativa do Governo em criar a obrigatoriedade para o uso do Ginga ou cortar incentivos para aparelhos de TV e set-top-box que não utilizarem o utilizarem, o software brasileiro está enfrentando diversas frentes de batalha para se popularizar.

A notícia de que uma empresa de pesquisa estrangeira que está perdendo negócios em seu país está vindo se instalar aqui, é desanimadora para aqueles favoráveis a uma televisão digital aberta interativa e inclusiva, apesar dos bons resultados que a concorrência neste setor irá trazer. Ao que parece, nossa TV digital aberta será apenas mais do mesmo, até que a TV Broadband seja tão popular quanto a TV aberta. Mas, convenhamos, isso irá demorar um bom tempo ainda.
 

Governo publica consulta pública obrigando o Ginga na TV digital

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Texto publicado em: Telesíntese

O mercado de fabricação de aparelhos de TV digital está em polvorosa. Os Ministérios da Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio publicaram consulta pública mudando as regras de fabricação da TV digital, obrigando a instalação do middleware nacional, o Ginga. Segundo fontes do governo, a indústra, que retardou esta medida por alguns anos, é tão contrária à ideia que começa a fazer ameaças de parar a fabricação dos televisores em Manaus, e transferi-los para São Paulo, numa clara tentativa de querer colocar a bancada parlamentar da Amazônia contra o governo, para fazer com que ele desista desta iniciativa.

Sob o argumento de que vai encarecer o produto, os fabricantes - em sua maioria estrangeiros - não querem instalar o software nacional, uma das justificativas do governo do ex-presidente Lula para adotar o padrão japonês de TV digital. Os fabricantes não falam abertamente, mas entre as razões para esta resistência está o modelo de negócios embalado com a TV conectada. Isso porque, na IPTV, são os fabricantes de aparelhos que ganham com os programas interativos e, com a interativade da TV digital aberta, esse negócio sai do aparelho de TV e vai para o radiodifusor.

Mas os radiodifusores comerciais também não se mostram muito interessados com esta interatividade, até porque têm problemas maiores, pois não estão conseguindo avançar com a TV digital, que demanda altos investimentos. Não há nenhuma emissora realmente investindo em conteúdo interativo. E o governo, por sua vez, decidiu comprar essa briga porque convenceu-se que não dá mais para ampliar o legado de aparelhos de TV sem a interatividade. Já foram vendidos mais de 20 milhões de aparelhos de TV sem o Ginga, e essa base continua crescendo. "Sem o middleware nas TVs não há estímulo à produção de conteúdo", afirma fonte do governo.

A consulta pública ficará aberta para contribuições por 15 dias e estabelece que a partir de janeiro de 2012, 75% dos televisores com tela de cristal líquido (LCD) devem vir com o middleware nacional. Segundo o documento, todos os televisores terão que trazer o softwarte embargado a partir de 2013. Além disso, a proposta mexe também com as TVs conectadas e estabele que todos os modelos de televisores que disponibilizarem suporte a conectividade IP deverão implementar o middleware, e não poderão restringir o acesso de suas aplicações. Ou seja, a interantivade da TV aberta não poderá ser proibida de ser acessada pelas TVs fechadas.
 

Crise também afeta grandes portais da web

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Texto publicado em: Observatório da Imprensa

Por Carlos Castilho em 15/09/2011 na edição 659

Reproduzido do Código Aberto, 13/9/2011, titulo original “Crise de receitas financeiras começa a afetar também os grandes portais na Web”

O mesmo fenômeno responsável pela crise no modelo de negócio dos jornais impressos começou agora a atingir também os produtores de conteúdo na internet, segundo dados que acabam de ser divulgados pelo insuspeito setor da publicidade online.

As revistas Slate e Salon, as mais bem sucedidas publicações do gênero da internet, estão perdendo anunciantes num ritmo que oscila em torno dos 12% ao mês. Fenômeno idêntico afeta os sites Yahoo! e American Online (AOL), cujo modelo de negócios passou a ser alavancado pela produção de conteúdos informativos, após os insucessos na área de buscas e correio eletrônico pago, respectivamente.

Segundo a empresa norte-americana de marketing eMarketer a participação da AOL no bolo publicitário dos grandes portais na web caiu de 6,8% em 2009 para magros 4,4% em 2011, e tende a bater nos 3,7% em 2012. Enquanto isso, o portal Yahoo! patina nos 16% no mesmo período, enquanto o mecanismo de buscas Google saltou de 3,6% em 2009 para previstos 16,7% do faturamento global em 2012. Outro site que cresceu vertiginosamente é a rede social Facebook, que foi de 7,3% há dois anos para 21,6% em 2011 e deve chegar aos 23,8% no ano que vem, segundo o eMarketer .

Valor alto

A empresa de consultoria financeira Mcquarie Group confirmou queda de faturamento publicitário da AOL num informe divulgado na primeira semana de setembro, no qual faz previsões pessimistas para os portais que tradicionalmente se apóiam o hard news.

Tanto as revistas Slate e Salon como o Yahoo e a AOL estão pagando o preço de não terem dado a devida atenção a uma regra básica do capitalismo: o excesso de oferta provoca a queda de preços. Todo o produto ou serviço com abundante oferta no mercado tende a custar cada vez menos, e foi justamente o que aconteceu com a informação desde que a internet passou a fazer parte do dia a dia de quase dois bilhões de seres humanos.

A avalancha informativa baixou a quase zero o preço da informação bruta e da notícia jornalística primária. O que os americanos chamam de hard news pode ser acessado hoje em milhares de páginas e blogs da internet, sem falar nas redes sociais e fóruns. O resultado é uma desvalorização inédita no preço cobrado pelos transmissores de informações e notícias.

Em compensação, os usuários da internet passaram a dar cada vez mais atenção aos sites que os ajudam a encontrar a notícia que procuram e que, quase sempre, está perdida no meio do chamado entulho informativo. Toda a informação que não serve ou não é do interesse de uma pessoa é considerada lixo, conforme a polêmica Lei de Sturgeon, segundo a qual 90% do que está publicado na web é considerado lixo informativo.

Acontece que o que para uns é lixo para outros é informação útil. E quem separa o joio do trigo em matéria de informação são sites como o sistema de buscas Google, cujo valor estimado no mercado corporativo chega perto dos 200 bilhões de dólares, segundo uma avaliação da revista norte-americana Forbes. O valor pode ser exagerado, mas é verossímil, pois o Google nos ajuda a achar a agulha no palheiro da internet, portanto não podemos viver sem ele.

Olho no futuro

Além disso, o mercado dos sistemas de busca na web, mesmo em expansão, está muito longe, mas muito longe mesmo da saturação em matéria de oferta de serviços. Portanto, a sua tendência é a valorização, enquanto as empresas jornalísticas perdem cada vez mais espaço diante da multiplicação frenética de sites ofertando o chamado hard news.

Há uma enorme perspectiva de valorização dos sites que oferecem informação qualificada, mas o problema aí é financeiro. Produzir informação contextualizada custa caro e, no momento, o mercado consumidor ainda é reduzido. Quem quiser apostar nesse nicho tem que pensar no futuro e descobrir uma fórmula como a da Google, que não cobra nada pelos resultados de buscas na web mas usa a fidelidade dos usuários para faturar em publicidade online.

***

[Carlos Castilho é jornalista e professor universitário]
 

Ancine já prepara regras para as cotas e coligação entre programadores e empacotadores

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Entrevista realizada pelo site Telesíntese com Manoel Rangel, presidente da Ancine traz uma importante análise sobre os impactos do PLC-116, agora a Lei 12.485/2011, tanto para o mercado de produção audiovisual no Brasil, quanto para os consumidores, que agora poderão contar com uma maior oferta de operadoras de TV paga. A nova lei da TV paga brasileira é uma extraordinário avanço na área da comunicação. Veio um pouco tarde, diga-se da passagem, mas antes tarde do que nunca.

Confira a excelente entrevista em:

Ancine já prepara regras para as cotas e coligação entre programadores e empacotadores
 

Convergência Digital - Internet - Neutralidade de rede: Teles vêem amarras, consumidores temem abusos

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Com a apresentação, ao Congresso Nacional, do projeto de Marco Civil da Internet, boa parte das contribuições à consulta pública sobre o novo regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia defende que a Anatel deixe as definições sobre neutralidade de rede e a guarda de registros de conexão para o texto da lei, ainda que por interesses distintos.

Leia mais em:

Convergência Digital - Internet - Neutralidade de rede: Teles vêem amarras, consumidores temem abusos
 

Brasil paga mais por internet e celular que Rússia, Índia e China

Texto publicado em: BBC Brasil

Atualizado em 15 de setembro, 2011 - 12:54 (Brasília) 15:54 GMT

Serviços de internet e celular estão em expansão no Brasil, mas a conta ainda é cara. Comparado aos habitantes de outras potências emergentes como Rússia, Índia e China, o brasileiro é o que mais paga pelas tecnologias, segundo relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da ONU para questões de comunicação e tecnologia.

O relatório traz dois índices: o ICT Development Index (IDI), que mede a infraestrutura dos países no que se refere à oferta de serviços de internet e telefonia, e o ICT Price Basket (IPB), que mostra o preço dos serviços em relação à renda per capita.

No ICT Price Basket, o Brasil aparece em 96ª posição. Segundo o relatório, o brasileiro gasta, em média, 4,8% de sua renda no pagamento de serviços de comunicação. O ranking é liderado por Mônaco, cujos habitantes gastam uma proporção menor da renda com estes serviços. O último lugar é ocupado pelo Níger.
Em termos relativos, a conta dos brasileiros é maior que a dos russos, cujo gasto com internet e celular equivalem a 1,1% do PNB (produto nacional bruto) per capita. Na China, o custo equivale a 3,1% e na Índia a 4,1% do PNB per capita.
Os consumidores do Brasil também pagam mais que os da Argentina, Uruguai e Chile, países com renda aproximada.

No índice IDI, o Brasil se posiciona em 64º lugar (com nota 4,22 em uma escala de 0 a 10), praticamente no meio do caminho rumo ao patamar da Coreia do Sul (8,40), a primeira colocada.
Telefone e internet
O relatório mostra que o mercado de telefonia fixa continua em decadência, com a substituição das antigas linhas por celulares.
Nos países desenvolvidos, o mercado de telefonia móvel se encontra em saturação – atingindo quase 100% da população -, mas a demanda por aparelhos com banda larga está aquecida. Entre 2009 e 2010 o crescimento foi de 160%.

De acordo com o relatório, o mundo conta hoje com mais de 2 bilhões de usuários de internet. Os países desenvolvidos lideram o crescimento (14% entre 2009 e 2010), mas a maior parte dos novos usuários vem das grandes potências emergentes como Brasil, China, Índia, Rússia e também a Nigéria.

Em 19 países, no entanto, o acesso à internet por banda larga permanece inacessível para muitos cidadãos, já que o gasto médio corresponde a mais de 100% da renda média. Na Guiné, por exemplo, a conta para ter banda larga equivale a 2.594% do rendimento médio da população, de US$ 370.
Segundo o relatório, quase 70% dos brasileiros com idade maior a 25 anos é usuário da internet. Na Coreia do Sul essa proporção atinge quase 100%.

O relatório também destaca o desempenho “dinâmico” de países que avançaram rapidamente na oferta de serviços de comunicação, tanto na oferta de infraestrutura quanto nos preços.
Entre os países destacados estão Rússia, Azerbaijão, Omã, Portugal e Vietnã.
 

O feitiço vira contra o feiticeiro?


Texto publicado em: Carta Capital
Por: Elizangela Grigoletti
Detentor da hegemonia de acessos nas redes, o Google virou sinônimo de pesquisas na internet e conquistou seu espaço principalmente com os serviços gratuitos e receita, quase exclusivamente baseada na venda de publicidade online através dos links patrocinados.
Essa amplitude de serviços disponíveis sem custo aos usuários e o faturamento obtido através da exploração de audiência com sua publicidade, despertou o interesse de gigantes como a Microsoft por esse mercado, agora prestes a concretizar a maior oferta de compra entre empresas do segmento de tecnologia, desde 2000.
A junção da líder no desenvolvimento de softwares, responsável pelo mecanismo de buscas Bing – Microsoft – com uma das pioneiras no mercado de buscas na internet – Yahoo, e com um dos maiores portais de conteúdo do mundo – AOL, realmente pode sacudir o mercado online e abalar as estruturas e soberania do Google, já que sua liderança de audiência passa a ser ameaçada pela compra.
Ou seja, o feitiço lançado pelo Google a partir de seu monopólio de buscas é agora responsável pela cobiça da Microsoft em superar as duas principais atuações do concorrente – desenvolvimento de softwares voltados para search e serviços online -, ultrapassando inclusive o faturamento do então rival, o feiticeiro de Mountain View, com a compra do Yahoo.
A crise do Yahoo, já decretada há alguns anos pela estagnação em inovar em sua atuação na web e o surgimento e fortalecimento das redes sociais, levou à perda de usuários e à desvalorização da marca, se intensificando agora com a demissão de Carol Bartz, ex-executiva-chefe.  Uma possível fusão com a AOL, ano passado, já havia sido aventada e rejeitada por Bartz. A AOL, que também já vivenciou uma queda drástica de posicionamento desde que se separou da Time Warner, em 2009, perdeu quase 800 milhões de dólares.
Agora, com a saída de Bartz do Yahoo, o CEO da AOL, Tim Armstrong, retomou o processo. A Microsoft, que também já tinha feito uma oferta pelo Yahoo em 2008, mas por considerar os valores propostos inadequados, não teve a aquisição concretizada na ocasião.
Agora, neste novo cenário de possibilidades, se a transação se confirmar, as previsões apontam que Yahoo!, AOL e Microsoft juntasalcançarão faturamento de 2,7 bilhões de dólares no setor. Com isso, as buscas na internet que, em abril, apontavam para o Google um resultado de 62% de todas as realizadas nos EUA, poderá sofrer uma queda significativa.
A junção vai possibilitar principalmente novos caminhos: para os produtos Yahoo, que poderão se reciclar através das inovações; o AOL se fortalecendo na disponibilização de conteúdo, a partir da audiência que a junção trará; por sua vez, a Microsoft poderá oferecer sua tecnologia com muito mais eficácia, já que contará com uma interface mais dinâmica e envolvente, gerada através do contato com as redes – a internet, por sua velocidade, oferece condições de compreensão dos anseios e expectativas dos usuários em tempo real.
O futuro realmente dirá se a política de Carol Bartz, de pulso firme e cortes drásticos, agora substituída pela visão reestrutural de Timothy Morse, CFO da companhia que está pronto para a preparação do Yahoo para a venda, será uma estratégia mais assertiva. Em suma, o Yahoo, uma velha estrela da web, poderá ganhar nova roupagem, como em seus dourados anos virtuais.
 

Ações contra a lei de TV paga

sábado, 17 de setembro de 2011


Texto publicado em: Estadão.com caderno Link
Por Renato Cruz
Muita gente comemorou a sanção da nova lei de televisão por assinatura pela presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira. Mas as novas regras, que, entre outros pontos, acabam com a restrição à participação do capital estrangeiro na TV a cabo, estão longe de ser unanimidade. Empresas se preparam para ir à Justiça contra a nova lei.
O presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista (foto), afirmou que a empresa deve entrar com uma ação contra as cotas de programação nacional “nos próximos dias”. “Vamos esgotar todos os meios possíveis”, disse ele. “O próximo passo é a Justiça.”
A legislação obriga que os canais tenham até três horas e meia de programação nacional e regional por semana, em horário nobre, de acordo com o que for definido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine). Metade dessa programação deve vir de produtores independentes.
Um terço dos canais do pacote de programação terá de ser brasileiro. Nos canais brasileiros, um terço da produção precisa ser independente e dois canais devem ter 12 horas diárias de programas brasileiros independentes.
“Nunca ninguém ligou para a central de atendimento da Sky para reclamar que falta conteúdo brasileiro no horário nobre”, disse Baptista. “Quando a conta dessas cotas for apresentada para os assinantes, vamos lembrar a eles, a cada momento, quem foi que apoiou esse projeto.”
A Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura (ABPTA), que reúne os canais internacionais de TV paga, também se opuseram às cotas quando na época em que o então chamado Projeto de Lei da Câmara (PLC) 116 estava em votação. Também no caso da ABPTA, o principal problema são as cotas. A associação informou que ainda analisa o texto sancionado.
A Rede Bandeirantes se opôs ao PLC 116, e preferiu não comentar a lei depois de aprovada. Mas, na segunda-feira, segundo o siteTelesíntese, seu vice-presidente Frederico Nogueira anunciou que o grupo iria à Justiça.
A discordância da Bandeirantes, no entanto, é outra. A lei proíbe quem produz conteúdo de distribuí-lo. A Bandeirantes é dona da empresa de cabo TV Cidade. Para se adequar à lei, teria que vender o controle da operação.
Apesar da polêmica, o PLC 116 recebeu apoio das operadoras de telecomunicações, que eram impedidas de ter empresas de TV a cabo em sua área de concessão pelas regras antigas. Com a mudança, a Embratel, que pertence à mexicana América Móvil, poderá comprar a participação da Globo na Net e a espanhola Telefônica a da Abril na TVA.
Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocará à venda novas licenças de TV a cabo. Faz mais de uma década que a agência fez o último leilão de cabo.
Mais informações no Estado (“Empresas planejam ir à Justiça contra lei de TV paga“, p. B16).
 

PLC-116 um novo começo para a TV paga no Brasil

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A história da TV paga no Brasil esteve cercada por interesses comerciais desde que se percebeu que esse ramo da indústria televisa poderia fazer diminuir a audiência da TV aberta no Brasil.

Durante 11 longos anos, nenhuma licença para operação de TV por assinatura no país foi concedida pelos órgãos competentes do governo. A conseqüência disso foi uma concentração brutal desta prestação de serviço nas mãos de poucos operadores. Como todos sabem, serviços onde não existe concorrência o consumidor sempre sai prejudicado.

Leia mais:

TV paga X TV aberta parte 1
TV paga X TV aberta parte 2
TV paga X TV aberta Conclusão


Mas após 4 anos de tramitando no Congresso Nacional, a nova lei do cabo acaba de ser sancionada pela Presidenta Dilma Roussef. Esta nova lei não representa apenas a regulação de um setor importante da comunicação no Brasil. A Lei 12.485/2011 da TV paga (que agora abrange tanto a TV por cabos, como a TV por satélite e MMDS) representa o recomeço deste setor no Brasil. É uma mudança significativa que certamente provocará profundas transformações na indústria da comunicação no país.

Os pontos mais importantes da lei são:

a) Autoriza as empresas de Telecom a oferecer o serviço de TV paga via cabo;
b) cria uma cota de conteúdo nacional a ser exibida no horário nobre da TV sendo que metade desse conteúdo deve ser produzido por produtoras independentes;
c) permite que o capital estrangeiro possua 100% do capital das operadoras de cabo;
d) permite que 25% da programação dos canais seja composta por publicidade (a mesma da TV aberta);

e ainda mantém a oferta de canais locais gratuitos: legislativo, executivo, universitário e comunitário.

Outra importante questão é que juntamente com o serviço de TV por cabos as empresas poderão ofertar internet banda larga e serviços de telefonia, o chamado Triplay.

Nem bem a lei foi sancionada e as conseqüências já podem ser sentidas. A empresa GVT, que opera nas capitais e algumas cidades do interior, começa a oferecer pacotes de TV paga por R$ 60,00 e um pacote de internet de 35 mega a R$ 99,00.

Novas licenças para operadoras de TV por cabos irão proporcional uma maior penetração do serviço no interior do país, fazendo salta o número dos municípios atendidos atualmente que é de apenas 262 em todo o país.
Aliado a nova lei da TV paga, o Plano Nacional de Banda Larga irá proporcional acesso a internet em localidades onde não existe o serviço ou a pouca concorrência. A empresa Telebrás já fechou contratos para fornecimento de infraestrutura de rede para mais de 20 provedores de internet e espera encerrar o ano com mais de mil interessados no serviço.

O Ministro Paulo Bernardo, afirmou que o governo deve aumentar a disponibilidade de TV paga nos próximos anos e que a intenção é de que ela esteja presente em 32% dos domicílios do País, além de incrementar a participação da produção nacional no mercado de telecomunicações em 70%. Pelo menos 500 empresas de telefonia já solicitaram à Anatel autorização para oferecer o serviço de TV por assinatura.

Com tamanha possibilidade de crescimento a TV aberta começa a sentir a água batendo no nariz. A TV Globo que até o momento sempre foi uma forte opositora a regionalização da comunicação (o artigo 222 da Constituição brasileira que determina que 40% da programação das emissoras de TV aberta no Brasil seja regional, nunca foi regulamentado) já admite regionalizar sua programação como forma de seguir atrativa para a população que agora tem outras opções de entretimento e informação pela TV.

Outra importante conseqüência da sanção da lei da TV paga e abertura de novas vagas de emprego para profissionais da comunicação e sistemas de informação. Acredita-se que com a determinação das cotas de conteúdo nacional a produção de conteúdo audiovisual no Brasil dobre. O texto aprovado também define fontes de fomento à produção audiovisual nacional. O projeto prevê recursos estimados em cerca de R$ 300 milhões por ano, a partir da transferência de 10% da contribuição das operadoras de telecomunicações ao Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

Esses recursos deverão ser somados ao montante da arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) - tributo pago pelas empresas que veiculam, produzem, licenciam e distribuem obras cinematográficas e videofonográficas de conteúdo publicitário e com fins comerciais.

Do total de recursos gerados a partir da transferência do Fistel, 30% deverão ser destinados a produtoras das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, Outros 10% deverão ser destinados à produção nacional independente.

É ou não um recomeço?



Com informações:


Portal UOL
Agencia Brasil
Agencia Estado
 

Mercado especula sobre o futuro da Abril

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Texto publicado em: Luis Nassif Online

Do Blog de Adriano S. Ribeiro

Para onde vai a Editora Abril?

Comentário para o programa radiofônico do OI, 14/9/2011
Por Luciano Martins Costa


Movimentações recentes no comando da Editora Abril, como a contratação do banqueiro Fabio Barbosa para a presidência do grupo, e a compra, pela família Civita, do complexo de cursos e publicações Anglo Latino, têm estimulado suspeitas de que o grupo estaria se preparando para desidratar o setor de revistas.

Consolidada a aquisição do Anglo, por R$ 600 milhões, acertada em meados de 2010, o negócio ainda causa curiosidade entre especialistas, como deixou escapar na terça-feira (13/9) um experiente professor da Fundação Getulio Vargas.

Afinal, para que a Editora Abril iria querer um sistema educacional que é na verdade uma franquia que oferece cursos e vende apostilas?

Em primeiro lugar, não se trata de um negócio da Abril, mas da família Civita. Perspectivas pouco animadoras quanto aos sucessores de Roberto Civita teriam convencido o controlador do grupo editorial a investir em educação, um negócio muito mais promissor do que o de revistas.

Segundo mostrou o recente encontro da associação do setor, a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), o cenário vai levar a mudanças radicais na organização das editoras, com uma provável fragmentação dos grupos de interesse, o chamado público das revistas.

A pulverização dos títulos, induzida pela necessidade de buscar recursos em nichos cada vez mais específicos, tem aumentado perigosamente a complexidade da gestão do grupo Abril.

Os esforços para a qualificação de editores em técnicas de administração não têm dado resultados, simplesmente porque jornalistas, em geral, não são preparados para outra coisa que não jornalismo.

Jornalistas que atuaram em outros setores da economia, em cargos de diretoria, sabem o abismo que separa seus colegas editores dos executivos oriundos das áreas financeira, industrial ou de serviços.

Sem um herdeiro que possa ser qualificado como gênio, e sem ter tido a sorte de ser, ele mesmo, um clone do pai, o patriarca Victor, Roberto Civita tem poucas garantias de ver prosperar ou mesmo permanecer sua complicada rede de publicações.

Mas as revistas estão acabando?

Não exatamente. Mas as mudanças que estão ocorrendo no setor vão se acelerar de uma forma jamais vista antes no mercado. Títulos tradicionais vão desaparecer subitamente, e certos temas serão quase exclusivamente lidos em plataformas digitais.

Na rota do Titanic

Volta, então, a pergunta que foi feita aqui na última terça-feira: o que o banqueiro Fábio Barbosa foi fazer na Editora Abril?

Ele já declarou aos editores que nada sabe do negócio de revistas. Mas Barbosa e Civita sabem que isso não tem a menor importância, porque ele não está na Abril para salvar as publicações – ele virou presidente do grupo para salvar o capital da família Civita.

No encontro em que foi apresentado aos editores do grupo Abril, Barbosa disse que, como não conhece o setor, talvez seja capaz de fazer perguntas que os jornalistas já esqueceram.

Bobagem: para fazer seu serviço, ele não precisa saber o que é uma boa pauta. Ele vai fazer o que é sua especialidade: obter o máximo de resultado financeiro no que resta de vida a alguns produtos, preparar a abertura de capital do outro negócio – o de educação – e observar a lona do circo de revistas murchar.

Roberto Civita já colecionou grandes feitos em sua carreira de executivo-empresário: perdeu a TVA, vendida para a Telefonica, viu o Brasil Online ser absorvido pelo UOL e estimulou a transformação da revista Veja, que já foi um dos principais patrimônios da imprensa brasileira, em um título Murdoch.

A Abril vive de um punhado de revistas sem qualquer relevância, a maioria voltada para assuntos de menor importância para as necessidades estratégicas de uma empresa do seu porte. As revistas de negócios, que já tiveram grande influência, foram transformadas em manuais de auto-ajuda para gerentes e são consideradas um dos elos mais frágeis do sistema de publicações de papel – porque os jovens executivos preferem se informar em seus aparelhos digitais e têm acesso a dezenas de alternativas setoriais no formato tradicional, como as revistas customizadas e as publicações de nicho.

Do conjunto de bravos e esforçados editores não saem ideias inovadoras capazes de criar novos títulos, simplesmente porque a empresa matou, ao longo dos últimos anos, a cultura de inovação.

A homogeneidade das redações desestimula a competição criativa, acomoda os profissionais, gera vícios na produção dos textos e no desenho das páginas, como pode observar qualquer leitor atento de revistas.

Não há gênio humano capaz de conduzir a bom porto um transatlântico como o grupo Abril.
 

A lógica da publicidade online

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Como toda a cadeia produtiva da mídia e seus modos de distribuição de conteúdo pelos veículos de comunicação estão se transformando com as tecnologias da informação, era de se esperar que o meio financiador destes dois sistemas também enfrentasse desafios para se adaptar aos novos tempos. Ou seja, a publicidade está em um processo de mudança, talvez com uma velocidade ainda maior do que os veículos sustentados por ela.
O mercado publicitário brasileiro está ocupando uma posição privilegiada no cenário mundial. Várias agências internacionais estão se estabelecendo no país, principalmente devido a Copa do Mundo de Futebol, 2014 e aos Jogos Olímpicos em 2016.

A televisão ainda reina absoluta recebendo a maior parte do bolo publicitário. De acordo com o Grupo Mídia/SP, em 2011, a televisão abocanhou 62,9% da verba publicitária. Com tamanha vantagem é provável que leve um bom tempo para que a publicidade digital venha a concorrer com a televisão, aliás, muitos acreditam que isto nem venha ocorrer um dia. Entretanto, é preciso considerar alguns fatores que podem mascarar essa larga vantagem da TV aberta no bolo publicitário.

Primeiro: o estudo analisa as informações que os próprios portais fornecem, onde são reportadas todas as inserções no formato display, como banners, pop-ups, dhtmls, e demais formatos gráficos.

Segundo: o estudo conta com a informação de apenas 6 portais.

Terceiro: e os links patrocinados? Qual é o investimento dos anunciantes em links patrocinados? Esta é uma informação muito importante e que deveria ser medida pelo estudo, pois é este modelo de publicidade que está alterando a lógica da publicidade de massa.

Os links patrocinados são responsáveis por 98,5% do faturamento da Google Inc. e rendeu à empresa 11 bilhões de dólares em 2010 e ainda tem muito espaço para crescer, principalmente no Brasil, onde grande parte das empresas não está na internet, mas que apesar disso, deve movimentar mais de 30 bilhões de reais até o final de 2011 em transações comerciais na rede. Um crescimento de mais de 20% a cada ano.

Com isso, em breve, o e-commerce irá atingir níveis que poderão afetar o comércio local e não irá adiantar investir em publicidade tradicional para tentar reverter a queda nas vendas. As empresas serão obrigadas a investir na rede.

Aí temos dois problemas: primeiro, as agências de publicidade não olham com entusiasmo para a publicidade online. Isto porque o retorno para as agências é muito baixo, comparado a televisão. No Brasil, o Bônus de Veiculação é uma prática que se estabeleceu nos primórdios da TV brasileira e consiste em uma porcentagem do valor investido em publicidade pelo anunciante que é devolvida para a agência, em torno de 15% a 20%. Assim, é evidente que as grandes agências irão tentar sempre convencer seu cliente a anunciar na televisão.

O segundo problema, é que muitas agências não estão se preparando para essa transição e algumas empresas de tecnologia da informação é que estão preenchendo esta vaga. Criam empresas que monitoram e fazem a corretagem da publicidade online. São empresas que “tomam conta” dos links patrocinados para as empresas.


Este é um problema bem sério, pois na publicidade online a lógica da publicidade de massa não existe. No caso da publicidade tradicional, voltada para grandes audiências, os anúncios são generalistas, baseados em dados demográficos e voltados para a sedução e persuasão do consumidor levando-o à compra.

Na publicidade online a sedução e persuasão são substituídas pela relevância. Ao escrever um termo de busca em qualquer site de pesquisa, os algoritmos responsáveis por trazer os resultados para internauta não percorrem a rede atrás de slogans ou frases de efeitos. Na publicidade online a publicidade eficaz é aquela que liga diretamente o produto ao termo digitado. Assim, os anúncios online não seguem a lógica generalista, pelo contrário, com as informações e nossos hábitos de navegação adquiridos pelos sites, cada vez mais a publicidade será segmentada, personalizada e relevante para o usuário.

Se alguém quer comprar uma peça de reposição ou assessório para seu carro, o anúncio mais relevante será aquele que mais próximo ficar do termo pesquisado. Se o usuário quer um som automotivo, o anúncio deve vir exatamente com este termo e não um slogan bonito da loja que o fornece.

A criatividade que sempre foi a principal arma da publicidade tradicional está sendo substituída pela objetividade da publicidade online. A publicidade online é uma outra publicidade, com uma lógica completamente diferente da publicidade de massa, mas talvez, muito mais eficaz.
 

O jornalismo impresso vai acabar?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Não há consenso entre os profissionais da imprensa, do marketing digital e da propaganda: qual será o modelo vencedor no futuro, capaz de gerar renda na internet e substituir os negócios hoje ainda centrados no papel e na televisão? No segundo dia do evento New Brand Communication (NBC) a grande pergunta era se a internet conseguirá democratizar a comunicação no País, hoje concentradas em algumas poucas corporações familiares.


 

Dilma sanciona o PLC 116. Surge o Serviço de Acesso Condicionado

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lei que cria o SeAC foi sancionada com apenas dois vetos de menor importância: um para adequar as regras de atendimento ao Código de Defesa do Consumidor e às regras do Decreto do SAC e outro tirando da Ancine as atribuições de classificação indicativa, que seguem sob a responsabilidade do Ministério da Justiça.

 

TV Bandeirantes vai à justiça contra nova lei de TV por assinatura

Preocupada com seus interesses, TV Bandeirantes pretende ir à Justiça contra PLC-116

A sanção, com dois pequenos vetos que não mudam os termos do PLC 116 - que unifica o mercado de TV por assinatura, permite o ingresso das teles nesse mercado e cria cotas para o conteúdo nacional - vai provocar uma corrida à justiça daqueles que tiveram seus interesses contrariados pela proposta. Entre elas, está a TV Bandeirantes, que faz camapanha quase que diária contra o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, porque é contrária aos termos do projeto.

 

A cobertura da mídia sobre o 11 de setembro

sábado, 10 de setembro de 2011

Cobertura da grande mídia sobre o ataque tira o contexto político e inocenta os EUA de sua desastrada política internacional

Não é possível ficar imune a imagem de um avião com passageiros e tripulantes colidindo com um prédio. Ainda mais em uma cidade como Nova York, repleta de imigrantes, onde a diversidade e pluralidade de idéias convivem dentro de uma tolerância aceitável. A imagem dos aviões explodindo nas torres gêmeas do World Trade Center e consequentemente o desabamento das torres talvez sejam as imagens mais marcantes da insensatez e selvageria da história do homem. Nem mesmo as imagens da destruição de Nagasaki e Hiroxima fornecem tamanho impacto.

Quem sabe isto se deva à televisão. O ataque às torres gêmeas foi transmitido ao vivo, repórteres se transformaram em narradores da história. Fotos, vídeos amadores, depoimentos em rádios, percorreram o mundo instantes depois do atentado. Alguém conseguiria imaginar um noticiário de TV qualquer narrando os acontecimentos no Japão? Já imaginaram um âncora de um telejornal narrando o vôo do Enola Gay (bombardeiro B-29 que levou as bombas atômicas) e a queda das bombas? Seria mais ou menos assim:

“amigos espectadores, este é o bombardeiro B-29 a fortaleza voadora. Dentro dele está o artefato mais poderoso já construído pela mão do homem. A bomba atômica que em breve irá matar mais de 150 mil pessoas em segundos...”

Com certeza, veríamos logo depois da destruição o depoimento de dezenas de japoneses que perderam tudo. E os alertas sobre as doenças que iriam adquiriram com a chuva radioativa.
Mas, claro que não foi assim. Hoje, Hiroxima e Nagasaki são lembranças distantes de uma tragédia.

No caso do atentado às torres gêmeas não é tempo que irá descontextualizar o fato em si, mas a cobertura midiática. A mídia mundial se rendeu ao drama pessoal dos envolvidos e aos arquivos em vídeo, foto e áudio. Pergunte a um adolescente qual foi o motivo do ataque?

Horas e horas de especiais em programas na TV paga e matérias e cobertura jornalísticas estão inundando a programação televisa com homenagens às vítimas e aos parentes das vítimas WTC.
Chega a impressionar a parcialidade na cobertura da mídia. Nenhuma rede de TV ou jornal se mobilizou para mostrar o sofrimento do povo iraquiano e as mais de 900 mil mortes entre soldados e civis iraquianos em conseqüência à invasão americana.

Os especiais de televisão sobre o 11 de setembro mostram uma certeza: que a mídia reproduz o discurso das grandes potências. Cercam as torres gêmeas como um símbolo da luta pela liberdade. A Biblioteca do Iraque, de mais de 2000 mil anos, um patrimônio da Humanidade foi destruída no bombardeio e isto nunca foi destaque.

Infelizmente, a mídia se comporta como papagaios de pirata, repetindo e repercutindo tudo que é do interesse das grandes potências. O 11/9 foi realmente uma tragédia, isto não se pode discutir, mas dar ênfase somente ao lado americano da história e ao drama pessoal dos envolvidos tira o contexto da tragédia. Daqui a mais 10 anos ninguém vai mais saber as causas do ataque, nem as consequências para o mundo e para o povo iraquiano. Será algo perdido na memória como é hoje o uso das duas bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki pelos EUA na Segunda Grande Guerra. Algo para se ver em documentários.

O tom alarmista da mídia na cobertura erigiu a frase que está presente em quase toda a cobertura. “Onze de setembro, o dia que mudou o mundo”.
Cabe a pergunta: mudou mesmo?
 

TV convencional perde espaço para vídeo sob demanda, indica estudo

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Texto publicado em: FNDC

02/09/2011 |
Talita Moreira
Valor Online

SÃO PAULO – Embora a televisão tradicional continue sendo a forma mais comum de assistir a vídeos, os serviços sob demanda começam a ganhar importância, mostra estudo divulgado hoje pela Ericsson.

O levantamento, feito em 13 países, aponta que 33% dos telespectadores assistem a programas de televisão sob demanda mais de uma vez por semana. Em 2010, essa fatia era de 30%. Também aumentou (de 23% para 25%) a parcela dos que, pelo menos um dia por semana, vêm vídeos contratados sob demanda, enquanto subiu de 26% para 29% o número de entrevistados que afirmam ter baixado vídeos da internet.

A televisão convencional, transmitida via radiodifusão, continua sendo a forma mais popular: 84% dos entrevistados dizem que assistem à grade de programação das emissoras ao menos uma vez a cada semana. No entanto, essa parcela recuou sensivelmente. Era de 88% no estudo feito em 2010.

“O vídeo sob demanda está ganhando espaço rapidamente. Os resultados ultrapassaram nossas expectativas”, afirma Luciana Gontijo, chefe do ConsumerLab da Ericsson na América Latina. Segundo ela, não há dados individuais sobre o Brasil, mas um estudo específico sobre o país está sendo elaborado e deve ficar pronto em outubro.

Na pesquisa, foram ouvidos 13 mil pessoas nos seguintes mercados: Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Reino Unido, Rússia, Suécia e Taiwan. Também foram feitas 22 entrevistas qualitativas na Alemanha.

No Brasil, foram feitas mil entrevistas, nas quais a empresa ouviu telespectadores das classes A, B e C que vivem nos grandes centros urbanos e têm idade entre 18 e 65 anos. Portanto, o estudo não é um retrato fiel da população brasileira.

A Ericsson também detectou que mais de 40% dos telespectadores desses países têm o hábito de navegar pelas redes sociais ao mesmo tempo em que veem TV.

Na avaliação de Luciana, esse é um fenômeno importante. A internet possibilita que o espectador envie seu próprio conteúdo e se manifeste. “Há mais liberdade de expressão, mas por meio das mídias sociais a audiência também impõe limites e critica instantaneamente a programação quando não gosta de alguma coisa”, afirma.
 

Projeto de lei sobre TV por assinatura põe em risco as TVs comunitárias

sábado, 3 de setembro de 2011

Texto publicado em: FNDC


02/09/2011 |
Jacson Segundo
Observatório do Direito à Comunicação

A aprovação do Projeto de Lei nº 116 (PL 116), que cria uma nova regulação para a TV por assinatura no país, pode comprometer a existência das TVs comunitárias brasileiras. Essa é a avaliação das duas entidades que organizam esse setor, a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) e a Frente Nacional pela Valorização das TVs do Campo Público (Frenavatec). Ambas estão solicitando à presidenta Dilma Rousseff o veto a alguns parágrafos do artigo 32 do projeto de lei, que tratam principalmente da publicidade nesses canais e da obrigatoriedade de serem disponibilizados pelos prestadores do serviço.

Um dos problemas centrais está no parágrafo 8º do artigo 32. Nele está dito que “em caso de inviabilidade técnica ou econômica comprovada, a Anatel determinará a não obrigatoriedade da distribuição de parte ou da totalidade dos canais de que trata este artigo nos meios de distribuição considerados inapropriados para o transporte desses canais em parte ou na totalidade das localidades servidas pela distribuidora”. Os canais em questão são o da Câmara, o do Senado, o da Justiça, TV Brasil, Canal NBR, dos legislativos locais, os comunitários, os universitários, um canal educativo-cultural e o canal da cidadania. Esses dois últimos foram criados por lei, em 2008, mas ainda não existem.

Na prática, o referido parágrafo abre uma brecha para as empresas (NET, Sky, TVA, etc) não distribuírem esses canais. Não fica claro no projeto de lei como seria aferida essa inviabilidade técnica ou econômica. Na atual lei que regula o cabo (nº 8.977, 95), apenas as empresas que operam nas outras duas tecnologias (MMDS e DTH) não são obrigadas a distribuir esses canais, mas as que atuam no cabo precisam disponibilizá-los. Já o PLC 116/2010, amplia a transmissão dos canais do campo público para todas as tecnologias, mas cria essa regra de exceção.

Não será fácil conseguir esse veto por parte da presidenta, já que o PLC 116 foi resultado de um difícil acerto que durou mais de três anos no Congresso. Além disso, outros grupos como as programadoras internacionais também estão pedindo vetos de outros artigos da lei à Dilma e o Ministério das Comunicações já afirmou que deseja a sanção do projeto sem vetos. No entanto, sobre o parágrafo 8º do artigo 32, as TVs comunitárias contam com um apoiador importante dentro do planalto. “É um absurdo tirar essa conquista da Lei do Cabo (da distribuição obrigatória ou must carry). A TV pública digital saiu perdendo”, criticou o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa Filho.

Financiamento

O outro ponto bastante questionado pelas entidades que representam as TVs comunitárias está no parágrafo 5º do mesmo artigo 32 que proíbe “a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de seus intervalos, assim como a transmissão de publicidade comercial, ressalvados os casos de patrocínio de programas, eventos e projetos veiculados sob a forma de apoio cultural”.
Essa é uma briga antiga das emissoras comunitárias. A Lei do Cabo, de 1995, não proíbe diretamente a publicidade nesses canais. Por isso, as emissoras comerciais fizeram pressão e conseguiram que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) instituísse em 1997 a Norma 13, que deixa expressa a proibição. Desde então as televisões comunitárias vêm questionando tal regra até que por meio de uma ação da Associação Comunitária dos Canais Comunitários de São Paulo (ACESP) a Justiça Federal entendeu que as emissoras podem sim colocar publicidade em suas programações. No entanto, uma decisão ainda não definitiva.

Se aprovado o PLC 116, as emissoras comunitárias vão ter que passar a questionar uma lei em vez de uma norma da Anatel, o que vai dificultar sua luta. “Só quem pode utilizar o canal é uma associação sem fins lucrativos, mas ela precisa se manter. Sem publicidade e sem recursos públicos, qual seria a forma de sustentação financeira dos canais comunitários de televisão?”, questiona o presidente da ABCCOM, Edivaldo Farias. A criação de um fundo de fomento para esses canais também é uma reivindicação da associação.

“A quem interessa que as TVs Comunitárias não tenha publicidade? Ao governo? Claro que não, e sim as empresas da mídia perversa que não quer perder seus quinhões para um trabalho árduo que vem sendo realizada pelas 68 emissoras comunitárias espalhadas por todo o Brasil”, diz carta da Frenavatec endereçada à presidenta.

A presidenta Dilma Rousseff tem até a semana que vem para se manifestar sobre o PLC 116. Caso o sancione sem vetos, as duas organizações das TVs comunitárias estudam entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal.
 
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