Telecomunicações e mídia lideram fusões e aquisições no trimestre

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Texto publicado em: Valor Online

28/10/2011 |
Moacir Drska
Valor Online

SÃO PAULO – Os segmentos de telecomunicações e mídia foram os setores que concentraram o maior número de fusões e aquisições no Brasil durante o terceiro trimestre. Segundo pesquisa divulgada pela KPMG, esse mercado registrou 19 operações no período.

O salto de telecomunicações e mídia na comparação com o mesmo intervalo do ano passado foi de 171%. No acumulado do ano, por sua vez, o setor alcançou a marca de 44 transações, reforçando a estimativa da consultoria de que o segmento vai superar o recorde de 47 acordos anunciados em 1999.

Do total de transações, 10 foram realizadas por empresas de capital nacional. Outras cinco foram concluídas por companhias de capital estrangeiro que adquiriram empresas no país. Completando o quadro, três transações foram efetivadas por companhias brasileiras comprando empresas de capital estrangeiro estabelecida no país, e um acordo refere-se a uma empresa brasileira adquirindo uma companhia de capital estrangeiro estabelecida no exterior.
 

Ginga para todos

Texto publicado e: O Povo online


O pesquisador responsável pela criação do sistema brasileiro de TV digital defende a inclusão social através da interatividade nas televisões

Por: Émerson Maranhão
emerson@opovo.com.br

O pesquisador e professor Luiz Fernando Soares tem uma certeza: somente com a efetiva implementação da TV interativa no Brasil, as classes D e E terão a oportunidade da inclusão digital. “Só 3% da população destas classes têm acesso a computador e 84% nunca usaram um computador e nunca tiveram acesso a Internet na vida”, revelou, em entrevista ao O POVO.

O caminho para essa revolução, ele aponta: é o Ginga, um software que faz a ponte entre o sistema operacional do receptor da televisão às aplicações de interatividade criadas e disponibilizadas aos telespectadores.

Criador deste software, que se tornou o padrão brasileiro de TV digital, Luiz Eduardo acredita que o Brasil está muito à frente de outros países no uso desta tecnologia, mas alerta para a necessidade de investimento imediato em pesquisa.

O POVO - Qual é o diferencial do Ginga?

Luiz Fernando Soares - O Ginga tem vários diferenciais em relação aos outros sistemas. Além de uma série de vantagens que realmente coloca a linguagem NCL como um avanço tecnológico sobre as linguagens declarativas para definição de programas para TV. O reconhecimento do Ginga, inclusive, veio primeiro do exterior. Por ser uma linguagem declarativa, ela é de muito fácil utilização, não exige um programador especialista. E com isso podemos ter pessoas não especialistas gerando conteúdos interativos, o que torna um lado da inclusão social possível, que é a produção de conteúdo. Ela não precisa ficar na mão daqueles que exigem conhecimento muito grande. Isso vai permitir que as camadas mais pobres possam além de gerar um conteúdo se apropriar também da produção deste conteúdo.

OP - Esse modelo que o senhor apresenta é muito próximo do conceito de inclusão digital. O senhor não acha que ele já se dá através de outras mídias?

Luiz - Quando se discute qualquer coisa nesse País, sempre tem esse problema de achar que uma coisa substitui a outra. E não é, uma complementa a outra. Claro que a gente não vai relegar a um segundo plano. A televisão é muito importante para o País. Porque se você for nas classes D e E, por exemplo... a última pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostra que só 3% da população das classes D e E têm acesso a computador e, pasme você, 84% nunca usaram um computador e nunca tiveram acesso a Internet na vida. Mesmo quando a gente vai às classes A e B, a quantidade de pessoas que já usaram Internet ou computador é muito baixa. Ao passo que, se você vai às classes D e E, 95% dos lares têm televisão. Ela passa a ser um meio muito importante para a inclusão social. Mas sempre a gente vê como um meio complementar. Na realidade, é uma política e nela a televisão tem um peso muito grande. Ela não vem substituir nada, vem complementar. E aí vou até mais além. Porque vai ter uma convergência e a gente vai encontrar exatamente o sistema de IPTV, que é a TV sobre a Internet.

OP - Como está o Ginga hoje?


Luiz - O Ginga teve uma repercussão muito grande internacionalmente. Principalmente no mundo científico. Foi quando a gente teve reconhecimento, quando a linguagem NCL foi escolhida como padrão para IPTV, a primeira vez que o País tem um padrão na área da tecnologia da informação e comunicação. Teve também repercussão no sentido de que a utilização da interatividade com a inclusão social seria muito importante e se começou a falar muito na TV interativa. Isso nunca iludiu a nós, pesquisadores. A gente sabia que não é assim de uma hora para outra que você transforma uma tecnologia em produto. O que vem acontecendo nesse tempo? O Ginga tem uma parte brasileira, que é a parte do NCL e do Lua, e tem outra parte que é do Java, que veio da Sun, e teve muito atraso por questão de royalties.

OP - Royalties relativos ao Java?


Luiz - Sim, do Java. O NCL/Lua não tem royalties, é código aberto, software livre. Isso atrasou muito o processo de lançamento dos produtos. Não tem produto nenhum que saiu, por exemplo, só com o Ginga/NCL – e isso foi muito por pressão dos radiodifusores. No meu entender, foi uma coisa extremamente equivocada e foi um equívoco muito grande o governo brasileiro não lançar produtos com interatividade. Nesse meio tempo, por exemplo, a Argentina fez caminho oposto. Reconheceu, coisa que deveríamos ter feito, que o middle software NCL/Lua era muito melhor e que eles podiam acelerar o processo. A Argentina lançou o sistema deles só com o middle NCL e já lançou com uma compra enorme do governo argentino de vários set-top box com o Ginga. Hoje, apesar de termos quatro vezes a população da Argentina, ela tem a mesma ordem de produtos com Ginga que temos aqui, da ordem de 3 milhões para cada país, com o Ginga embarcado. O Ginga passou esse processo de definição das questões de royalties e mais recentemente começou o embate com relação à obrigatoriedade do Ginga dentro do PPB, do Processo Produtivo Básico. E aí começou uma discussão do ovo e da galinha. Ou seja, a indústria de radiodifusão dizia que não fazia muito conteúdo porque não tinha receptores, a indústria de recepção dizia que não botava receptores porque não era oferecido conteúdo. As duas coisas não são verdadeiras. Na realidade, hoje, a quantidade de produtos com o Ginga já é enorme, eles só não são divulgados. Até porque existe o medo da indústria de recepção de divulgar que as televisões que já estão vendendo – até as televisões da Sony - já vêm com o Ginga junto. Eles têm medo de divulgar isso porque o consumidor compra uma televisão com o Ginga e chega em casa e não tem o serviço de transmissão, vai no Direito do Consumidor e diz: “me venderam um produto dizendo que oferecem uma coisa e não oferecem”. A indústria de recepção reclama muito da indústria de radiodifusão. Eles estão reclamando não com relação ao Ginga, mas que tem muito pouco conteúdo em HDTV, sem interatividade nenhuma. O conteúdo de HDTV é muito pobre ainda. A segunda é uma falácia total. Eles dizem que o Ginga encarece o receptor - e realmente o receptor tem que ser um pouco mais caro, mas esse mais caro é muito pouca coisa.

OP - Quanto mais caro?


Luiz - Vai sair na ordem de uns R$ 10 mais caro, mas que com o sistema office, vai na ordem de uns R$ 40 mais caro. O que eles alegam? Se você embute R$ 40 numa televisão que custa R$ 5 mil não é nada, mas se embute R$ 40 numa televisão que custa R$ 300, que é o que compra a classe mais pobre, é um problema. Isso vai contra tudo em termos de inclusão social, e a gente quer exatamente a inclusão para as classes mais baixas. Eles alegam: “mas aí eles vão ter que pagar”. Eles só veem custo de um lado, não veem o custo da ausência, ou seja, e o que ela paga em não ter o Ginga? Em não ter acesso, por exemplo, a serviço de saúde, bancário, de educação? Isso não é levado em consideração. É aquela falácia dessa história e a gente tem que estar muito atento porque o Ginga hoje tem uma representatividade muito grande para o País na questão da inclusão social.Não só do ponto de vista da população de mais baixa renda ter acesso a informação, mas ter acesso a serviços que para a gente é tão comum. A gente senta em frente ao computador, vê a conta bancária, compra passagem de avião etc. Esse pessoal não. Só 3% da população tem acesso a isso. Então, o Ginga, na realidade, a interatividade na televisão, vai possibilitar a essas classes C, D e E também ter esses serviços. E o outro lado da questão que é o direito de produzir conteúdos. Por que eles não têm direito de gerar conteúdos a partir disso aí? Por que eles não vão ter direito de produzir conteúdos interativos? O Ginga possibilita fazer isso, exatamente com essa linguagem simples, que é o NCL/Lua. Não é à toa que a gente vê, por exemplo, a grande batalha que as TVs comunitárias estão fazendo pelo Ginga.

OP - O que falta politicamente para o Ginga vingar?


Luiz - O Governo brasileiro, no lançamento do sistema de TV digital, foi muito forte e muito positivo. Nessa época, o governo pegou com rédeas a questão da inclusão através da TV digital e o processo foi muito bem. Só que chegou a um ponto em que ele se afastou, deixou nas mãos da indústria de radiodifusão e de recepção. Ele se omitiu, essa é que é a verdade. O PPB é uma tentativa desse governo de retomar as rédeas desse processo de inclusão, porque inclusive o Brasil se comprometeu com o resto do mundo. O Brasil convenceu 11 países da América Latina e agora está convencendo os da África a adotar o sistema nipobrasileiro. E esses países só adotam o sistema nipobrasileiro por causa do Ginga. Isso é tão importante que, por exemplo, Cuba, que está querendo adotar o padrão chinês, China está indo a Cuba oferecer o padrão chinês com o Ginga. Ou seja, o que chamou atenção para a adoção foi justamente essa facilidade de uso e a possibilidade da linguagem NCL/Lua. O Brasil vendeu isso para outros países, então o governo não pode deixar as rédeas soltas do jeito que está.

OP - Saindo da academia e indo para a parte prática, o que o Ginga mudaria hoje na minha vida, na minha casa?


Luiz - Você que é uma pessoa que tem acesso a todas as facilidades de Internet, diria que em termos de serviços para você não vai fazer nenhuma diferença. O que faria diferença para você? Seria uma nova TV. É entretenimento de uma forma diferente. É você ver um jogo de futebol, por exemplo, e poder escolher o ângulo que a câmera vai passar. É você pode ver o tira-teima na hora que quer e não na hora que o Galvão Bueno quer. É você ter a televisão personalizada para você. Na hora de receber uma propaganda dizendo: “Beba cerveja A ou B”, vai fazer: “Beba cerveja A ou B no boteco do seu Joaquim, que é do lado de sua casa”, é a personalização da TV. A possibilidade que só o Ginga tem que é você acabar com essa ideia de que televisão é uma telinha. Televisão são múltiplos dispositivos. A sua casa hoje é um ambiente que tem computador, celular, televisão. Então, a exibição de televisão não pode ser mais só na tela. Você tem que ter exibição na tela, no computador, no celular, tudo junto. E tudo isso vai fazer você ter uma sensação de inclusão, aí no sentido de inclusão no ambiente de percepção daquela informação que está sendo transmitida, seja ela qual for. Isso para você vai fazer diferença. É uma nova TV, completamente diferente e aí vamos precisar ter aplicações bem feitas. As aplicações que hoje as radiodifusoras estão fazendo são muito pobres, muito mal feitas.

OP - Onde é que o governo brasileiro erra e onde acerta com a TV Digital?


Luiz - O governo não errou em nenhum momento. O erro que cometeu não foi de visão, foi erro de omissão. Teve um período em que ele se omitiu e não poderia ter se omitido, deveria ter se imposto mais. Até 2007, o governo foi bastante atuante, mas depois ele deixou...

OP - Como o Brasil está em relação aos países do Primeiro Mundo na questão da TV Digital?


Luiz - Muito na frente. E a razão é única. Nos Estados Unidos, ninguém nunca deu bola para a questão da TV digital por razões óbvias. É um país rico, você faz a inclusão (digital) pela Internet, não existe TV aberta, só a cabo. O Brasil é uma coisa única no mundo em termos de TV aberta.

OP - E em relação à Europa?


Luiz - A Europa escolheu um padrão que é o MHP, da mesma forma como a gente tem a parte Java e a parte declarativa. Só que demoraram a escolher esta parte declarativa, começaram a aparecer várias implementações, pulverizou. O próprio MHP, por questão de royalties, morreu. Aí você tinha Itália com uma coisa, França com outra, Alemanha com outra. Moral da história: morreu, não teve exatamente essa hiper-operabilidade, não conseguiram fazer a tal hiper-operabilidade. Na época, diziam que o padrão europeu estava em 68 países e o padrão japonês só estava no Brasil e Japão, naquela época era só no Brasil e Japão. E isso incomodava a gente muito. Pô, 68 a 2! Estamos tomando de goleada! Quando um amigo resolveu fazer uma continha, se você somasse a população desses 68 países não dava a população do Brasil e Japão. Nosso mercado era muito maior com os dois países.

OP - Estamos à frente, então?


Luiz - Estamos. Tecnologicamente, ainda estamos à frente. Ainda.

OP - Por que ainda?


Luiz - Porque a tecnologia é muito rápida, ela evolui muito rápido, se a gente não evoluir... Por exemplo, todo o dinheiro passado para a academia – e olha que foram 76 institutos de pesquisa envolvidos no desenvolvimento do sistema – todo esse dinheiro parou, acabou. Desenvolveu, acabou. Só que não é só assim. Quando você acaba de desenvolver hoje, tem que desenvolver o de amanhã. Se você não desenvolve o de amanhã, vem outro e substitui. A academia hoje deveria estar investindo no futuro. Ainda está. Você ainda encontra... Outro dia somei, são 22 universidades só com pesquisas sobre o Ginga. Agora já não fazem mais naquele volume que faziam antes. Se ficar muito tempo sem dinheiro, não vai conseguir e os outros estão avançando, eles (americanos e europeus) não são bobo.

QUEM É O PESQUISADOR

Luiz Eduardo Soares é professor titular do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Já foi presidente da área de computação na CAPES, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e atual membro de seu Conselho, e vice-presidente do Laboratório Nacional de Redes de Computadores (LARC). É o atual representante da academia no Módulo Técnico da Câmara Executiva do Fórum de TV Digital Brasileiro.

A tecnologia anda muito rápido
Hoje, nós temos que pensar na NCL de amanhã

1991
FOI O ANO
em que o Ginga surgiu, a partir de um modelo de dados chamado NCM

54
EMPRESAS
prestadoras de serviço estão registradas na Comunidade Ginga

Dicionário

1) NCL é a sigla de Nested Context Language , uma linguagem declarativa para autoria em hipermídia

2) Middleware é uma camada de software posicionada entre o código das aplicações e a infra-estrutura de execução (plataforma de hardware e sistema operacional). Um middleware para aplicações de TV digital consiste em máquinas de execução das linguagens oferecidas, e bibliotecas de funções, que permitem o desenvolvimento rápido e fácil de aplicações.

3) Ginga é o nome do middleware do Sistema Nipo-Brasileiro de TV Digital Terrestre

4) MHP é a sigla de Multimedia Home Platform

A última pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil mostra que só 3% da população das classes D e E têm acesso a computador e, pasme você, 84% nunca usaram um computador e nunca tiveram acesso a Internet na vida.

Hoje, apesar de termos quatro vezes a população da Argentina, ela tem a mesma ordem de produtos com Ginga que temos aqui, da ordem de 3 milhões para cada país, com o Ginga embarcado


Foto: O Povo Online
 

YouTube vai criar canais similares aos da TV

domingo, 30 de outubro de 2011

Texto publicado em: Info online


São Paulo – o YouTube anunciou parcerias com diversos produtores de entretenimento nos Estados Unidos. O motivo: transformar o serviço numa espécie de canal de TV a cabo na web.

Segundo comunicado, publicado no blog oficial do serviço, o YouTube também fechou acordos com personalidades e empresas que produzem notícias, filmes e cobrem o mundo esportivo. Gente ligada ao mundo da música também fechou parceria.

Com a iniciativa, o Google terá todo tipo de conteúdo – e, claro, com potencial para satisfazer vários tipos de públicos. Com isso, a empresa espera que uma parcela dos telespectadores troquem a consolidada TV a cabo pelo streaming do YouTube.

Se der certo, o Google pode atrair os anunciantes que investem no mercado televiso, um dos mais caros do mundo da publicidade.

Os primeiros canais no YouTube devem aparecer no próximo mês. E eles ficarão no ar por pelo menos um ano. Segundo o Google, eles serão acessíveis de qualquer gadget com suporte ao YouTube e que tenha conexão com a internet.

Foto: Reprodução
 

Google se esforça para salvar Google TV

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Texto publicado em: Revista Info


São Francisco - O Google está fazendo outro esforço para levar sua astúcia da internet para aparelhos de televisão, na esperança de entrar em um mercado vasto e novo apesar da fraca reação dos consumidores à primeira tentativa.

A companhia de buscas na Web anunciou uma renovada versão do Google TV na sexta-feira, trazendo novas funcionalidades que visam tornar o produto mais fácil de usar e mais atraente para os consumidores.

A versão 2.0 do Google TV fornece novas ferramentas para recomendação de filmes, programas de TV e vídeos on-line, e torna mais fácil para desenvolvedores de software criar novas aplicações para a tela de televisão.

"Há muita sede de usar internet na sala de estar", disse o vice-presidente de gerenciamento de produtos Mario Queiroz, que está liderando o projeto Google TV.

Mas em um sinal dos muitos desafios frustrados do Google para conquistar as salas de estar, bem como as tentativas de outras empresas de tecnologia, como a Apple, Queiroz descreveu a Google TV como uma "aposta de longo prazo."

"Eu não sei o mês exato em que isso vai decolar", disse ele à Reuters durante uma demonstração do novo produto na sede do Google na Califórnia, semana passada. "Eu acho que tem havido um grande progresso em relação ao ano passado e no ano que vem haverá muito mais progresso."

A Google TV, que atualmente vem embutida em alguns modelos de televisores da Sony e de produtos da Logitech International, permite aos consumidores acessar vídeos on-line e sites em suas TVs, bem como se divertir com aplicativos, como games.

O Google não revela quantos usuários tem para o Google TV, que foi lançado com grande alarde no ano passado. Mas alguns analistas dizem que a versão 1.0 do produto tem sido um fracasso.

"A fogueira que eles estavam tentando acender nem sequer gerou faísca", disse o analista James McQuivey, da Forrester Research.

O preço de 299 dólares para o Google TV mais barato era muito alto, disse McQuivey. A Logitech, desde então, reduziu o preço para 100 dólares. E o fato de muitas das redes de televisão, talvez sentindo uma ameaça do Google, terem bloqueado seus programas no Google TV criou confusão entre os consumidores, disse ele.

Mas a TV é um segmento muito atrativo para o Google ignorar, concordam analistas, especialmente para uma companhia que gerou 96 por cento de suas receitas em 2010 de publicidade --e, segundo a empresa de pesquisas IDC, o segmento publicitário televiso deve ficar próximo a 70 bilhões de dólares nos EUA apenas neste ano.

Foto: Kiko Machado
 

Após medidas do governo, mercado já fala que Ginga chega forte em 2012

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Texto publicado em: FNDC

21/10/2011 |
Georgia Jordan
Tele Síntese

Middleware de interatividade da TV digital aberta, no entanto, deve ser complementar à TV conectada

"O Ginga vem em 2012". A afirmação foi consenso entre especialistas e executivos do setor de televisão durante debate sobre interatividade no Fórum TV do Futuro, realizado nesta sexta-feira (21) em São Paulo. A forma como a tecnologia de interatividade da TV digital aberta deve ser implementada, no entanto, será apenas complementar à interatividade da TV conectada à internet, principal aposta de fabricantes, consultores e acadêmicos.

"O Ginga com certeza virá mais forte a partir do ano que vem, mas ele virá como plataforma complementar. O Ginga vai ser parte da Smart TV", disse a gerente de produtos de TV da LG, Fernanda Summa. A fabricante lançou, até agora, apenas um aparelho com o middleware embarcado, mas já o tirou de linha. Summa afirma, no entanto, que boa parte dos televisores vendidos no ano que vem terão Ginga embarcado, e 100% terão conversor para a TV digital.

A probabilidade do governo tornar o Ginga obrigatório, no entanto, diminuiu a resistência no setor, que afirma que as emissoras não estão produzindo conteúdo interativo para justificar o uso do middleware. O professor Marcelo Zuffo, do ISP-USP, lembra ainda que o tipo de interatividade do Ginga é limitado, uma vez que depende da mediação da emissora e não tem canal de retorno próprio, no momento, como nos aplicativos que dependem apenas de conexão com a internet.

"Interatividade na TV aberta não é vantagem nem para o radiodifusor, nem para o telespectador", resumiu o mediador do debate, o jornalista Ethevaldo Siqueira.

O consultor Walter Duran, por sua vez, lembrou que o modelo de interatividade na TV ainda não está fechado. "Interatividade é uma coisa pessoal, a TV é coletiva. A interatividade polui a tela", afirmou.
 

Comissão discute necessidade de mais canais digitais no Brasil

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Texto publicado em: Agência Câmara de Notícias

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática realiza nesta terça-feira (25) audiência pública para discutir as formas de ocupação do espectro radielétrico na faixa de 700 MHz, atualmente destinada à radiofusão. Na reunião, também será debatida a utilização da faixa de 400 MHz.

Os integrantes da comissão querem saber, entre outras coisas, se há necessidade de que sejam atribuídos similares digitais a todos os canais analógicos, primários e secundários já existentes. Estará em questão também a existência ou não de uma demanda por novos canais de geração de televisão, à medida que o País cresce.

De acordo com o deputado José Rocha (PR-BA), autor do requerimento para a realização da audiência, em diversos países do hemisfério norte, em especial nos Estado Unidos, onde a televisão aberta tem perdido valor pela altíssima penetração da TV paga e pelas deficiências da tecnologia de TV digital escolhida pelo País, a faixa de UHF está progressivamente sendo transferida para a serviços móveis de banda larga, todos pagos. É uma resposta à crescente demanda pelos dispositivos pessoais que se proliferam no mercado, como os tablets. Já no Brasil, a faixa de freqüência de 470 MHz a 806 MHZ, que corresponde aos canais 14 a 69 de UHF, é destinada à retransmissão e repetição de televisão analógica e digital.

Ainda segundo o deputado, almejando mercados mundiais para seus desenvolvimentos, os fabricantes multinacionais de equipamentos exercem enormes pressões sobre Organismos Nacionais e Internacionais de Padronização (União Internacional de Telecomunicações-UIT-, Comissão Interamericana de Telecomunicações –CITEL- e Anatel) para que a faixa de UHF seja destinada para os novos serviços móveis.

Compartilhamento
A Conferência Mundial de Telecomunicações de 2007 da UIT já previu o
compartilhamento de parte da faixa de 700 MHz (698 a 806 MHz, canais 52 a 69) nas Américas entre serviços de radiodifusão e serviços móveis.
Além disso, no âmbito internacional já se iniciam discussões sobre a identificação de mais canais de TV em UHF a serem transferidos para a banda larga.

Durante o evento, a administração brasileira indicou que, em nosso País, o
compartilhamento ocorreria a partir de 2016, quando aconteceria o desligamento da TV analógica. Em janeiro de 2012 haverá nova conferência mundial, na qual o Brasil pode modificar essa indicação, de forma a encurtar ou alongar esse prazo.

Enquanto isso, a faixa de UHF abriga as transmissões analógicas de televisão e está sendo utilizada para a implantação da TV digital, cujo processo está apenas começando.

Mais canais digitais
O deputado José Rocha coloca outras questões que devem ser levadas em conta durante a audiência. Uma delas é o fato de que a evolução do Serviço de Radiodifusão e a continuidade da TV Aberta na liderança do mercado brasileiro por meio da adoção de novos formatos como 3D, UHDTV, deverão demandar espectro adicional. Ou seja, a continuidade da TV aberta, que é a TV digital, apresenta uma demanda ainda não dimensionada de canalização em UHF.

Foram convidados para a audiência:

-o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das
Comunicações, Genildo Lins;

- um representante do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações , Jarbas José Valente;

- o assessor especial da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa Filho;

-o presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre,
Roberto Franco;

-o presidente do Comitê do Espectro para Radiodifusão da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Paulo Ricardo Balduíno;

- o coordenador do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes), João Brant;

-o presidente-executivo da Associação Nacional das Operadoras Celulares (Acel), Eduardo Levy;

-o conselheiro da Associação Brasileira de Telecomunicações, Francisco Carlos Giacomini Soares;

-e o presidente da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), João
Carlos Saad;

A audiência acontecerá às 14h30 de terça-feira, no plenário 13 das comissões.


Da Redação/MM

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Novos modelos para os jornais

Nos últimos seis meses, o jornal "The New York Times" conseguiu 281 mil novos assinantes - todos dispostos a pagar algo entre US$ 15 e US$ 35 a cada quatro semanas para ter acesso ao conteúdo da publicação via internet.

Por Célia de Gouvêa Franco*
No site: Pátria Latina


Melhor do que o esperado, quando, em março, a direção da empresa resolveu levar adiante a proposta de cobrar dos leitores que buscam informações no site, o resultado da campanha do "NYT" interrompeu uma preocupante queda nos números da "audiência" do jornal geral de maior prestígio no mundo. Não foi uma decisão fácil. Segundo Arthur O. Sulzberger Jr., "publisher" do "New York Times", a discussão e os estudos sobre como criar esse novo sistema de assinatura tomaram mais de um ano e meio, incluindo pesquisas entre os leitores sobre como manter a qualidade nas novas circunstâncias.

A entrevista de Sulzberger aos editores da empresa de consultoria Innovation Media foi divulgada na semana passada em Viena durante o congresso da WAN-Ifra, a Associação Mundial de Jornais e de Editores, que representa mais de 18 mil publicações de 3 mil companhias em cerca de 120 países.

A última década tem sido marcada nas empresas de comunicações ao redor do mundo por intenso e acirrado debate sobre manter ou não gratuitas todas as informações disponíveis nos sites criados pelas publicações ou criar mecanismos de cobrança por esses acessos. Jornais de economia e negócios, como o "Financial Times" e o "Wall Street Journal", lideraram a tendência de instituição das assinaturas para os serviços on-line, mas o exemplo do "NYT" é considerado emblemático para o setor como um todo por ser um jornal geral e não especializados como os dois outros.

Implementada em março, a decisão do jornal americano - bem-sucedida até agora, embora seja obviamente muito cedo para uma avaliação definitiva - reforça os argumentos dos advogados da tese de que cobrar por conteúdo on-line é uma alternativa importante de recomposição do faturamento dos jornais, em queda nos últimos anos em quase todas as economias maduras. Nos Estados Unidos e na Europa, os jornais perdem leitores e anunciantes, uma tendência que não ocorre na mesma proporção na América Latina e na Ásia. Nos últimos cinco anos, os jornais latino-americanos aumentaram suas tiragens em 4,5%, segundo levantamento da WAN.

Os leitores preferem pagar por informações exclusivas e material editado

A interrupção na queda do número de assinantes do "New York Times", graças aos novos leitores via veículos eletrônicos, deve estimular outros jornais ao redor do mundo a aderir a essa prática. Em Viena, Jim Roberts, editor executivo do "NYT", que era contra a cobrança no site por medo de perder leitores e anunciantes, lembrou que o modelo adotado continua permitindo o acesso gratuito na web aos assinantes do jornal em papel. Da mesma forma, está franqueada a leitura de matérias de leitores que cheguem ao site por meio de algum sistema de pesquisa ou redes sociais - quem não é assinante pode ler gratuitamente até 20 artigos por mês.

Além disso, o "NYT" mantém abertos assuntos considerados de especial interesse para o público, como a cobertura de um desastre natural (um exemplo foram as informações sobre o furacão Irene em agosto) ou um debate como o promovido pelo jornal sobre escolas públicas na cidade de Nova York. Para Roberts, já é possível depreender duas "lições" do esquema de assinaturas no on-line: muitos jornalistas da redação estão mais animados com a maior interatividade com o público e começa a se formar um consenso de que um modelo de subscrição é menos sensível a crises financeiras, como a atual, e as receitas não flutuam tanto quanto no modelo tradicional, quando os grandes anunciantes correm a cortar gastos em publicidade em momentos mais difíceis.

Uma experiência semelhante à do "New York Times" e um pouco mais antiga é a do alemão "Berliner Morgenpost", que criou assinaturas para a plataforma digital há dois anos - e é o único jornal da sua região que o faz. Segundo seu editor-chefe, Carsten Erdmann, a decisão de passar a cobrar pelo conteúdo na internet deve vir acompanhada do investimento e de um compromisso ainda maior com a qualidade das informações. O leitor precisa ter a sensação de que vale a pena pagar por isso.

Para Carlo Campos, presidente da empresa espanhola de consultoria Novapress Media, a grande questão hoje para as empresas de comunicação não deveria ser "cobrar ou não cobrar pelas informações disponíveis nos sites?", mas sim "por qual conteúdo as pessoas estão dispostas a pagar para ter acesso?" Boa parte das notícias se constitui atualmente em verdadeiras commodities, disponíveis sem custos para os leitores por meio de uma infinidade de veículos. Também se tornaram muito comuns as ofertas de serviços de pesquisa, como o Google, assim como infográficos e recursos que permitem a interatividade.

O número de pessoas dispostas a pagar por essas informações é muito menor do que o dos que concordam em pagar por informações exclusivas, perfis de personagens de destaque, análises de especialistas, interpretação de índices assim que eles são divulgados por governos ou empresas, contextualização das notícias, dados financeiros e contábeis de companhias. Quanto mais desses conteúdos as publicações estiverem aptas a oferecer para seus leitores, tanto mais eles estarão dispostos a pagar por eles. É nessa gama de opções de serviços que seria possível para as empresas de comunicações obterem e mesmo aumentar sua receita com a venda de assinaturas.

Os leitores, mostram as pesquisas, querem também que as notícias sejam editadas. Ou seja, que especialistas organizem o material dando mais destaque para os temas mais importantes. O simples arrolamento de notícias sem maiores critérios de edição é rejeitada por boa parte dos consumidores mais categorizados dos sites informativos.

Um exemplo de investimento na qualidade do conteúdo foi relatado por Han Fook Kwang, editor do "Straits Times", de Cingapura. Apesar da ampla cobertura da televisão e da internet da campanha eleitoral, ocorrida em maio, o jornal vendeu 60 mil cópias adicionais no dia da votação e uma média de 15 mil a mais por dia durante as semanas anteriores por causa dos artigos e das matérias interpretativas. E diferentemente de outras publicações, que têm reduzido seu quadro de jornalistas, o "Straits Times" mantém um grande número de correspondentes na Ásia porque são as notícias sobre a região que mais atraem os leitores, como mostram as pesquisas feitas todos os anos, que indicam ainda que é grande sua credibilidade.

Os tablets : opção interessante

Por enquanto, porém, a cobrança de assinatura dos serviços noticiosos ainda não se traduz em receita volumosa para os jornais. As publicações impressas continuam tendo a preferência dos anunciantes, embora gradualmente essa tendência se mostre menos predominante, com aumento lento, mas contínuo, dos anúncios para os meios eletrônicos. No atual quadro, faz sentido, portanto, a decisão do "New York Times" de criar uma categoria de assinatura para o on-line em que o leitor também recebe a edição de domingo - tradicionalmente o ponto alto em termos de jornalismo e de número de anúncios.

Para especialistas que se apresentaram no congresso dos jornais em Viena, os jornais em papel devem ter uma vida mais prolongada do que se imaginava há quatro ou cinco anos. Muitas vezes anunciada, a morte do jornal impresso não deve ocorrer a curto prazo - a impressão agora é de convivência de vários veículos em uma mesma empresa de forma a que o leitor possa tomar conhecimento de uma informação pelo meio que mais o atraia ou que esteja mais à mão. Sulzberger conta que no "New York Times" essa "parceria" entre impresso e digital está sendo um desafio - "estamos no processo de experimentar e aprender".

Nesse contexto, os tablets estão sendo considerados por muitos executivos de empresas de comunicação e por jornalistas uma opção muito interessante para a edição de notícias - mais até do que os computadores em seus variados modelos. Primeiro, pela maior portabilidade dos tablets em comparação até mesmo com os notebooks - é possível voltar a ler jornais na cama com um iPad, brincou um palestrante.

Adicionalmente, a rapidez com que os tablets estão ganhando mercado funciona como um atrativo tanto do ponto de vista jornalístico como do anunciante, que, além disso, conta com maior variedade de recursos gráficos do que em outras plataformas digitais. Uma pesquisa feita com 2.813 americanos em julho pela Innovation International e também divulgada durante o congresso de Viena mostra que menos de dois anos desde o seu lançamento, em fevereiro de 2010, os tablets já foram comprados por 9% dos entrevistados e outros 15% têm intenção de adquirir o seu nos próximos seis meses.

*De Viena

Fonte: Valor Econômico
 

Está certo: até 2016, todas as emissoras de TV no Brasil só operarão com o sinal digital

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Texto publicado em: FNDC

O que vem por aí

17/10/2011 |
Redação
Coletiva.net

Está certo: até 2016, todas as emissoras de TV no Brasil só operarão com o sinal digital

Mesmo com o padrão digital não popularizado no país, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, declarou que o sinal analógico de televisão no Brasil está mantido para 2016. Medidas já estão sendo tomadas para acelerar o processo de digitalização.“Esperamos que até 2016 já estejamos totalmente prontos para fazer o apagão analógico. Até lá, as emissoras vão ter tempo para se adaptar e os próprios consumidores vão querer modernizar seus equipamentos, até mesmo porque teremos uma Copa do Mundo aqui no Brasil em 2014 e as pessoas já vão querer aproveitar a tecnologia”, avaliou o ministro.

O Governo Federal vai oferecer um incentivo para que emissoras de TV comprem equipamentos necessários para a migração do sistema. Por isso, será dado acesso a linhas de crédito diferenciadas, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O MiniCom divulgou no site algumas medidas que serão tomadas. O secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Genildo Lins, afirmou que todas as 400 geradoras de TV espalhadas pelo País poderão realizar transmissões digitais e analógicas, ao mesmo tempo, até que o sinal analógico seja definitivamente desligado, em 2016.

O decreto que estabeleceu o sistema de TV digital no Brasil abriu a possibilidade de interatividade nas transmissões. Isso quer dizer que o telespectador poderá usar seu aparelho de TV para consultar saldo bancário, agendar consultas médicas, consultar a previsão do tempo, informações de trânsito e comprar produtos. Para possibilitar essas interações, pesquisadores brasileiros desenvolveram o Ginga, uma ferramenta que vai permitir a interatividade na TV digital brasileira.

O governo está trabalhando para incluir o Ginga nos aparelhos de televisão fabricados no Brasil. Atualmente, nem todos os aparelhos saem de fábrica prontos para a interatividade. A expectativa é de que no próximo ano, 75% dos televisores já saiam das fábricas com o middleware de interatividade instalado. Em 2013, esse percentual alcançaria 100% dos aparelhos. A medida está tramitando no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
 

Apagão analógico está mantido para 2016, diz Bernardo

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Texto publicado em: FNDC

13/10/2011 |
Redação
Ministério das Comunicações

Governo confirma data de desligamento de transmissões analógicas de televisão para 2016

Brasília – O desligamento do sinal analógico de televisão no Brasil está mantido para 2016. É o que afirmou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Apesar de reconhecer que o sistema digital ainda não está totalmente popularizado no país, o ministro afirma que medidas estão sendo tomadas no Ministério das Comunicações para acelerar o processo de digitalização das emissoras.

“Esperamos que até 2016 já estejamos totalmente prontos para fazer o apagão analógico. Até lá as emissoras vão ter tempo para se adaptar e os próprios consumidores vão querer modernizar seus equipamentos, até mesmo porque teremos uma Copa do Mundo aqui no Brasil em 2014 e as pessoas já vão querer aproveitar a tecnologia”, avalia o ministro.

O Governo Federal também está trabalhando para dar acesso a linhas de crédito diferenciadas, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para que as emissoras de TV possam comprar novos equipamentos e migrar para o sistema digital.

“Estamos tentando andar rápido com essa questão da digitalização”, garantiu Bernardo.

Consignações de geradoras
Para começar a transmitir em sinal digital, a geradora de TV precisa dar entrada no processo de consignação no Ministério das Comunicações. Até o fim deste ano, todos os processos de consignação de geradoras (as estações principais nas redes de televisão) serão finalizados, segundo o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Genildo Lins.

De acordo com o secretário, todas as 400 geradoras de TV espalhadas pelo país vão estar consignadas. Isso quer dizer que a emissora vai poder realizar transmissões digitais e analógicas, ao mesmo tempo, até que o sinal analógico seja definitivamente desligado, em 2016. Do total de geradoras, 100 ainda têm processos de consignação tramitando no MiniCom.

“Nós destacamos uma equipe específica de engenheiros para trabalhar na análise desses processos de consignação de TV, justamente porque queremos dar mais agilidade na finalização dessas demandas”, avalia o secretário Genildo Lins.

E já é possível notar melhorias no andamento desses processos. Segundo Genildo Lins, no mês de setembro foram concluídos os processos de consignação de 19 emissoras, contra 3 processos finalizados entre janeiro e agosto deste ano. “A partir de agosto, implementamos mudanças que simplificaram o processo”, afirma.

RTVs
O próximo passo no processo de digitalização da televisão no Brasil é a mudança para as retransmissoras (RTVs). O prazo para que as RTVs iniciem o processo de consignação no MiniCom termina no próximo ano, mas 1.700 já deram início ao processo, num universo de 6.000 emissoras em todo o Brasil.

De acordo com dados da Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica, 20 RTVs já estão consignadas e a meta é encerrar o ano de 2012 com 2.000 consignações concluídas para esse tipo de serviço.

Interatividade
O decreto que estabeleceu o sistema de TV digital no Brasil abriu a possibilidade de interatividade nas transmissões. Isso quer dizer que o telespectador poderá usar seu aparelho de TV para consultar saldo bancário, agendar consultas médicas, consultar a previsão do tempo, informações de trânsito e comprar produtos. Para possibilitar essas interações, pesquisadores brasileiros desenvolveram o Ginga, uma ferramenta que vai permitir a interatividade na TV digital brasileira.

O governo está trabalhando para incluir o Ginga nos aparelhos de televisão fabricados no Brasil. Atualmente, nem todos os aparelhos saem de fábrica prontos para a interatividade. A expectativa é de que no próximo ano, 75% dos televisores já saiam das fábricas com o middleware de interatividade instalado. Em 2013, esse percentual alcançaria 100% dos aparelhos.

A medida está tramitando no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
 

Xbox Live transmitirá programação de TV

Texto publicado em: Brasil 247

COM A NOVA PLATAFORMA, A EMPRESA PRETENDE INAUGURAR “UMA NOVA ERA NA HISTÓRIA DA TELEVISÃO”

06 de Outubro de 2011 às 18:45

247 – A Microsoft lançará no Natal uma nova plataforma pela qual será possível assistir programas de TV através da rede Xbox Live em mais de 20 países. O serviço funcionará de maneira parecida com o Sky Player, podendo ser usado apenas por usuários da rede virtual do console. Por uma mensalidade, o serviço fornece o acesso via streaming a uma variedade de canais normalmente disponíveis via satélite. O novo serviço de TV da Live vai incorporar o buscador Bing – concorrente do Google – e uma integração com o sensor de movimentos Kinect, permitindo que os espectadores realizem buscas por seus programas favoritos por meio de comandos de voz e gestos de controle.

A empresa norte-americana de tecnologia afirmou que pretende inaugurar “uma nova era na história da televisão”, com o lançamento da plataforma. Já existe uma parceria com mais de 40 emissoras, entre elas HBO, Comcast, Verizon FiOS, BBC, Telefónica (Espanha) e ZDF (Alemanha). “O anúncio de hoje é um passo importante para a realização de nossa visão para brindar a você todo o entretenimento que quiser. Combinando as redes de TV e as produtoras de entretenimento mais importantes do mundo com o poder do Kinect para Xbox 360 e a inteligência do serviço de busca por voz Bing, faremos televisão e entretenimento mais pessoais, sociais e sem esforço”, disse o presidente da área de entretenimento interativo da Microsoft, Don Mattrick. A tecnologia ainda não tem parceria com emissoras brasileiras.
 

TVs ficarão tão modernas quanto os celulares, diz representante do Google

sábado, 8 de outubro de 2011

Texto publicado em: Comunique-se

Silvana Chaves

O futuro da televisão será o mesmo dos telefones celulares: ficar mais inteligente e funcional. O novo formato de vídeo dessa TV irá nos permitir assistir os filmes que hoje vemos somente pelo Youtube. Essa é a opinião do vice-presidente do Google para Mobile, Media & Platforms, Henrique de Castro.


Para Castro, a convergência digital irá melhorar a produção de vídeos na internet em todo o mundo. “Tudo vai ser digital. Na TV aberta há limitação na distribuição de conteúdo, por falta de equipes e de canais. Não é a morte da TV, mas uma nova fase, uma transformação para melhor em termos de produção e de conteúdo, com boa qualidade e baixo custo.”

O vice-presidente do Google Mobile, a publicidade também terá que se adaptar a esse novo cenário. “No caso do vídeo normal de 30 segundos, você precisa de sete exibições para alcançar o mínimo de público. No meio digital, usa-se apenas duas. Estamos na era da ‘videocracia’, em uma convergência para um sistema de comunicação integrado que vai dar um suporte para a comunicação publicitária”, finaliza o executivo.

A respeito da chegada do Google TV no Brasil, Castro afirma: “existe um projeto de levar a Google TV para o mundo todo”, respondeu à plateia, aos risos, o executivo da Google.

O vice-presidente do Google para Mobile, Media & Platforms, Henrique de Castro, presidiu o último painel do MaxiMidia 2011, em SP, entitulado “A revolução dos vídeos online e o final feliz desse filme”, que teve mediação do jornalista Pyr Marcondes, da Plataforma Próxxima, do Meio e Mensagem.
 

Marcelo Branco: Lobby das teles quer acabar com neutralidade da rede

terça-feira, 4 de outubro de 2011


Texto publicado em: Viomundo

da Unisinos, via Maria Fro
O Plano Nacional de Banda Larga proposto pelo governo federal brasileiro pretende expandir o acesso à internet banda larga a 40 milhões de pessoas no país. Mas as negociações do Ministério de Comunicações com as operadoras de telecomunicações têm causado mal-estar entre os defensores da neutralidade na internet. Entre eles, Marcelo D’Elia Branco, ativista pela liberdade do conhecimento e ex-diretor da Campus Party Brasil, critica o “acordo” prévio do Plano Nacional de Banda Larga.
“O principal erro desse acordo é a tentativa de fazer com que as teles recebam dinheiro pelo volume de conteúdos acessados pelo usuário. Até hoje, dentro da lógica de funcionamento da internet, quem pode cobrar pelos conteúdos na rede é o gerador de conteúdo e não as operadoras. A partir do acordo firmado com o Ministério das Comunicações, as teles, além de ganharem pela largura da banda que oferecem, pela velocidade de transmissão, passarão a limitar a quantidade de conteúdo que o usuário pode baixar durante o mês”, explica ele na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone.
Branco também defende que estados e municípios participem do Plano Nacional de Banda Larga, já que os governos estaduais e municipais são os que mais gastam com serviço de telecomunicações e acesso à internet. “Qual vai ser a participação do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, no Plano Nacional de Banda Larga, visto que têm estruturas da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE, da Cia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – Procergs? O governo do estado tem investido muito dinheiro com serviços de Telecomunicações. (…) Se uma empresa tem uma conta gigantesca com um fornecedor, ela tem o poder de barganhar algumas vantagens em uma negociação. Com certeza o maior cliente de Telecom do Rio Grande do Sul é o governo do estado. Então, qual é o papel do governo Tarso nessa discussão?”
Marcelo D’Elia Branco foi por três anos diretor da Campus Party Brasil. Consultor para sociedade da informação, ele é fundador e membro do projeto Software Livre Brasil e também ocupa o cargo de professor honorário da Cevatec – Peru, além de ser membro do conselho científico do Programa Internacional de Estudos Superiores em Software Livre, na Universidade Aberta de Catalunha. Seu blog pode ser acessado pelo link http://softwarelivre.org/branco.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em que consiste o Plano Nacional de Banda Larga – PNBL? Quais as vantagens e desvantagens do Plano, considerando-se a realidade brasileira? Ele apresenta metas e garantia de qualidade?
Marcelo D’Elia Branco – O Plano Nacional de Banda Larga é uma grande expectativa em função da importância que tem a banda larga para o desenvolvimento do país. Não se trata apenas de uma questão de acesso à internet. Da mesma maneira que o Brasil precisa resolver a questão de infraestrutura dos aeroportos, dos estádios de futebol para a Copa, precisa definir por onde vão trafegar as informações e como a estrutura de banda larga irá se expandir pelo país.
A banda larga no Brasil é muito cara, de baixa qualidade e não chega a todos os lugares como deveria chegar. Expandir o acesso à internet é o grande desafio. O Plano Nacional de Banda Larga, anunciado desde o governo do presidente Lula, gerou uma enorme expectativa na sociedade e talvez seja um dos projetos mais esperados do governo da Dilma.
IHU On-Line – Como vê o acordo firmado entre o Ministério das Comunicações com empresas de telecomunicações para que elas toquem o Plano Nacional de Banda Larga, e a notícia de que as teles foram autorizadas a reduzir a velocidade se o usuário ultrapassar 300 megabytes de download por mês? Esse acordo põe em xeque a democratização da internet?
Marcelo D’Elia Branco – Tenho críticas em relação ao acordo, pois ele tem pontos muito ruins. O lado positivo do acordo é ofertar uma banda larga de 1 MB por 35 reais, porque isso força a concorrência a oferecer internet com mais velocidade por um preço menor. Algumas operadores estão oferencendo 1 MB por menos de 35 reais.
Por outro lado, o plano tem aspectos negativos. Um deles diz respeito a quanto de 1 MB é real. A Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel tem que regulamentar essa questão. Parece que a Anatel está trabalhando na perspectiva de garantir que 60% da banda vendida pelas operadoras seja garantida como banda real.
O principal erro desse acordo é a tentativa de fazer com que as teles recebam dinheiro  pelo volume de conteúdos acessados pelo usuário. Até hoje, dentro da lógica de funcionamento da internet, quem pode cobrar pelos conteúdos na rede é o gerador de conteúdo e não as operadoras. A partir do acordo firmado com o Ministério das Comunicações, as teles, além de ganharem pela largura da banda que oferecem, pela velocidade de transmissão, passarão a limitar a quantidade de conteúdo que o usuário pode baixar durante o mês.
Essa possibilidade de limitar o acesso ao conteúdo quebra o paradigma da internet. O acordo define que 300 MB é o máximo que um usuário pode baixar no mês. Ao atingir 300 MB no mês, o usuário terá de navegar com uma velocidade muito baixa ou pagará um valor a mais à operadora para aumentar a velocidade de acesso à internet. Então, a operadora, além de cobrar pela velocidade, terá um taxímetro e cobrará pelo volume de conteúdo baixado – o qual não pertence a ela.
Esse acordo é inaceitável e o governo precisa revê-lo urgentemente, pois ele introduz um princípio de quebra da neutralidade na rede. As operadores de telecomunicação podem cobrar por qualidade de serviço, pela velocidade maior, mas não podem cobrar pelo volume de conteúdos que passam pela sua canalização.
1 MB não é compatível com a lógica da internet
Ousuário do plano popular do governo   (1 MB por 35 reais) terá duas alternativas: terá uma internet superlenta ou terá que pagar mais às operadoras para conseguir uma conexão mais rápida. Comercialmente, para as operadoras essa limitação de 300 megas no plano é um excelente negócio, porque certamente a maioria das pessoas contratará um montante extra. Espero que esse acordo das teles com o Ministério das Comunicações não seja um Plano de Banda Larga, mas sim uma primeira negociação do governo com as operadoras.
Quando falamos em 1 MB, estamos falando em download, ou seja, o quanto a pessoa terá de banda para baixar um arquivo. 1 MB tem apenas 128k de subida de sinal, o que significa isso? 128k é uma velocidade muito baixa dentro da lógica da internet, a qual não serve mais somente para ler e-mail e visitar sites. Hoje em dia, a internet é 2.0, é interativa, e os usuários da rede cada vez mais postam conteúdo. Com 128k é muito difícil postar vídeos no YouTube. O ideal é que a rede seja simétrica, que se tenha a mesma possibilidade e qualidade de baixar e postar conteúdos.
Na semana passada iniciou-se um lobby muito forte em torno das teles. No Futurecom, em São Paulo, Ethevaldo Siqueira, que sempre defendeu a privatização da Telebras, foi porta voz das teles na seguinte afirmação: “Não é mais possível a internet brasileira crescer sem frear, diminuir velocidade ou sobrepassar conteúdos de vídeo na rede”.
O fluxo de informações que trafega dentro da internet não pode ser tratado de forma discriminada. Isto é, os conteúdos de dados que estão trafegando, seja audio, vídeo ou texto em linguagem html, não podem ter um tratamento diferenciado. Essa é a lei da internet. Todo arquivo que entra na rede disputa o tráfego com os demais conteúdos.
Antigamente, as operadoras de telecomunicações cobravam pelos serviços diferenciados: telefonia para São Paulo-SP custava um valor, telefonia para Canoas-RS, outro, vídeo tinha outro preço, etc. A internet não é uma rede de telecomunicações; ela veio para quebrar esse paradigma. A internet é neutra e esse é um princípio defendido por Tim Berners-Lee, o criador da web.
A afirmação de Ethevaldo Siqueira e a gritaria das teles aponta que há um lobby poderoso em cima do Ministério das Comunicações, em cima da Anatel, para que a neutralidade na rede seja abolida, para que não entre no Marco Civil como um direito do cidadão. As teles querem controlar o fluxo de informações dentro das redes. Assim, o vídeo do concorrente vai ser baixado de modo mais lento do que o vídeo do cliente da operadora, por exemplo.
IHU On-Line – Como vê o corte no orçamento da Telebras?
Marcelo D’Elia Branco – O corte do orçamento da Telebras é algo preocupante. Num primeiro momento, o governo da presidenta Dilma anunciou que a Telebras teria 1 bilhão de reais à disposição para investimento. A proposta orçamentária do governo enviada para o parlamento prevê um valor para aproximadamente 350 milhões de reais. Esse orçamento não reflete a prioridade do Plano Nacional de Banda Larga e o papel da Telebras nesse processo de expansão. O orçamento destinado à empresa deveria ser maior.
Quero deixar claro que não acredito e não defendo que todo o Plano de Banda Larga deva ser implementado somente pelo Estado ou pela Telebras. Conduzido pelo governo federal, o Plano Nacional de Banda Larga deve ser um esforço do poder público envolvendo as operadoras privadas com metas e obrigações claras, para que tenhamos uma banda larga mais barata e de qualidade.
Com a redução do orçamento da Telebras, a empresa não consegue estimular, através dos serviços prestados, para que suas concorrentes privadas baixem o preço da tarifa da internet. Quanto mais a Telebras tiver a possibilidade de construir uma infraestrutura que concorra com aquela das teles privadas, o custo de acesso à internet será barateado.
O Plano Nacional de Banda Larga é um plano estratégico para o governo da Dilma e, portanto, deveria constar no PAC. É estranho que um plano anunciado como prioritário no governo federal não conste no orçamento do PAC. Para a aceleração do crescimento do Brasil, a expansão da banda larga é importante. Recursos do PAC deveriam ser destinados para a melhoria da banda larga.
Algumas pessoas pensam que o governo federal deveria mudar o regime de exploração de banda larga, que hoje é considerado um serviço de valor agregado, um serviço privado. Se fosse um regime público, na visão dos defensores, seria mais fácil para o governo controlar esse serviço e enquadrar as teles. Não concordo com essa ideia de que o regime público seria a melhor saída para enquadrar o serviço de banda larga, pois isso criaria uma burocracia e uma série de regras de como e quais empresas poderiam prestar serviço de banda larga no Brasil. Essa ideia do regime público coloca uma barreira muito grande para pequenos e médios provedores de serviços de banda larga no Brasil.
Conversei com Cezar Alvarez, do Ministério das Comunicações, e ele disse que o acordo com as teles não consiste em um Plano Nacional de Banda Larga. Aconteceu apenas uma primeira negociação, mas o governo terá que pressionar mais as teles porque, nessa primeira rodada de negociação, as teles sairam ganhando.
IHU On-Line – Além da falta de investimento na Telebras, o que tem dificultado a expansão e o barateamento da internet no Brasil?
Marcelo D’Elia Branco – O que tem dificultado o barateamento e a expansão da internet é a falta de interesse comercial das operadoras. Elas não têm interesse em atender regiões onde, comercialmente, não obterão lucros. Não existe nenhum mecanismo que enquadre as teles para que elas cumpram um plano de metas.
Por outro lado, a ação da Anatel em São Paulo-SP, por exemplo, não é boa. E estamos falando da capital mais importante do país. Os usuários dos planos de banda larga reclamam que a conexão da internet cai com frequência. Falta firmeza da Anatel para cobrar qualidade dos serviços oferecidos por operadoras privadas.
Não há como fazer um plano de banda larga, no Brasil,  a curto ou a médio prazo sem contar com as operadoras. Mesmo que vários governos começassem a operar no setor de telecomunicações, na oferta de banda larga para os usuários finais, mesmo que tivesse orçamento sobrando para isso – o que não é a realidade –, demoraria muito tempo para que a banda larga chegasse até o usuário final. Não é fácil construir uma rede de banda larga com fibras ópticas e rádios em um país com as dimensões do Brasil.
IHU On-Line – Além da utilização de recursos privados, em que consiste um aperfeiçoamento do Plano Nacional de Banda Larga?
Marcelo D’Elia Branco – Deveria haver mais participação dos estados e municípios, que são os principais interessados no Plano Nacional de Banda Larga. Não vi, no Plano Nacional de Banda
Larga, investimentos e tampouco cobrança e controle em relação à banda larga dos estados e municípios. Participei da construção da primeira rede de banda larga de Porto Alegre em 1998, a qual funciona até hoje com uma conexão de 150 MB.
Qual vai ser a participação do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, no Plano Nacional de Banda Larga, visto que têm estruturas da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE, da Cia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – Procergs? O governo do estado tem investido muito dinheiro com serviços de Telecomunicações. Por isso as contas, por exemplo, do Banrisul, da administração direta, das principais estatais em serviços de telecomunicações contratadas pelas operadoras privadas precisam ser um elemento de pressão em cima das operadoras para que elas prestem um serviço de melhor qualidade e com preços mais baratos. Se uma empresa tem uma conta gigantesca com um fornecedor, ela tem o poder de barganhar algumas vantagens em uma negociação. Com certeza o maior cliente da Telecom do Rio Grande do Sul é o governo do estado. Então, qual é o papel do governo Tarso nessa discussão?
IHU On-Line – A partir do Plano Nacional de Banda Larga, qual a expectativa em relação à inclusão digital?
Marcelo D’Elia Branco – As metas do governo de mais 40 milhões de pessoas terem acesso a banda larga é fantástico. Se o plano atingir as metas previstas, o Brasil será o país do futuro.
IHU On-Line – Quais são as principais reivindicações do Movimento Mega Não?
Marcelo D’Elia Branco – A neutralidade na rede é a nossa principal luta nesse momento. Nos Estados Unidos, o FCC, que é a Anatel deles, sofre também uma forte pressão para quebrar a neutralidade da internet.
Existe um lobby das operadoras de telecomunicações privadas para se quebrar a neutralidade. Há uma preocupação no Brasil de que a Anatel passe a regulamentar a internet. O comitê gestor da internet BRASIL é um exemplo de gestão para outros países e para a governança internacional da rede.
Quem gerencia a internet no Brasil é o Comitê Gestor, um órgão muito mais democrático, que é uma referência para outros países na gestão democrática da internet e modelo para a governança mundial da rede. O comitê gestor conta com a participação dos empresários privados, da sociedade civil, dos governos e da academia.
Seria inadmissível que um órgão como a Anatel, que representa apenas um dos setores,  passasse a regulamentar a internet no Brasil.
IHU On-Line – Qual sua expectativa em relação ao 1º Fórum da Internet no Brasil, que acontecerá nos dias 13 e 14 de outubro, em São Paulo?
Marcelo D’Elia Branco – A expectativa é a melhor possível. Esse é um Fórum importante, organizado pelo Comitê Gestor da Internet. A nossa principal luta é reafirmar a neutralidade na rede e o apoio ao Marco Civil da internet, que foi enviado pelo governo federal ao parlamento brasileiro. Este texto foi construído de forma colaborativa, com a participação da sociedade civil durante todo o ano de 2010.
 
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