quinta-feira, 22 de março de 2012

Em duas décadas, Globo perdeu 35% das TVs ligadas

Texto publicado em: FNDC

Ricardo Feltrin*
F5 - Folha de S. Paulo

O "F5" obteve dados inéditos de audiência da TV aberta no país, o mais extenso período já publicado sobre número de aparelhos ligados (o chamado ''share''). Afinal, o que vale é telespectador na frente da tela. Os dados trazem fatos curiosos: 1º) Na faixa das 7h à 0h, o percentual de TVs ligadas hoje é absolutamente a mesma do início dos anos 90 (40%); 2º) Desde 1993 a Globo já perdeu pelo menos 35% de participação nas TVs ligadas na Grande São Paulo. Ou 35 em cada 100 aparelhos, que foram sintonizar outra coisa. Veja abaixo, primeiro, a evolução do total de aparelhos ligados em quase duas décadas:


Público sumindo
Agora veja no quadro seguinte, abaixo, o "share" da Globo desde 93. Em números exatos, a Globo perdeu 34,97% da participação no universo de ligadas (de 59,2% em 1993 para 38,5% em 2011). O primeiro trimestre mostra que 2012 também não deve ser redentor: o "share" até agora está em 37,4% (veja arte abaixo).

Outro lado
A Globo respondeu, por meio da CGCom, e discordou dos dados acima e abaixo. A emissora diz não ser possível usar porcentagem para explicar a queda de "share". A emissora também não reconhece o percentual de ligadas em 93:

"Numa conta rápida, 30 pontos de audiência da Globo em 1997 (ano do início da medição PNT) equivaliam a 10.106.038 de domicílios com TV. Em 2011, os mesmos 30 pontos correspondem a 16.280.034 domicílios com TV, um aumento de 61%. Se levarmos isso para os seus gráficos, com números de SP, nossos 19,9 pontos de audiência média (07h às 24h) em 2000 equivaliam a 888 mil domicílios. Os 16,3 pontos de 2011 a 981 mil domicílios - um aumento de 10% (...) Na tabela de percentual de domicílios com TVs Ligadas, em 1993 temos 43% e não 40% como está indicado no gráfico que você mandou."

Leia íntegra da resposta da TV Globo




Com relação aos pontos de ibope
Todas as emissoras, com exceção da Record, perderam pontos de ibope desde 93. Seguem os números, que não constam das tabelas (agora estou falando de pontos, e não em share, ok? ):

Em 93 o SBT tinha 8 pontos de média e no ano passado teve 5,7 ponto; a Band marcava 2,8 pontos em 93 e no ano passado teve 2,5; a extinta TV Manchete tinha 1,5 ponto em 93, e no ano passado sua sucessora, a RedeTV!, teve 1,4. No início dos anos 90 a TV Cultura tinha 1,9 ponto --o dobro de sua média atual.

O loooongo caminho da liderança...
A Record foi a única que teve muito ganho de ibope e "share" nas últimas décadas. Em 93, a Record tinha 3,7% de participação nas TVs ligadas. No ano passado foi 17%. Em pontos de ibope, porém, a emissora ainda dá menos que a metade da Globo. Em 93 a TV Record tinha apenas 1,5 ponto de audiência e a Globo tinha 23,5 pontos. No ano passado, a Record teve 7,2 pontos (contra 16,3 da Globo). Trata-se de um incremento de 480% para a Record, mas há que se ressaltar que a emissora parou de crescer em pontos em 2008.

Origens da fuga
Há várias possíveis explicações para a queda de "share" da Globo. Por exemplo, em 93 não havia TV paga. Hoje, porém, 25% dos aparelhos ligados estão nela e nos chamados "outros aparelhos". Por outro lado, ainda que a Globo também seja líder na TV paga, esse serviço não atinge nem 10% da população. Outra situação relevante é que, em 1993, havia muito menos canais abertos disponíveis. Ainda que pequeninos, canais em UHF como 21, MTV, Rede Vida, Futura, canais dos Poderes, públicos etc. acabam por "morder" um naco da participação total dos ligados também.

Mais números
Para efeitos de comparação entre mercado publicitário e "share": todo o mercado da publicidade do Brasil movimentou R$ 39 bilhões no ano passado, segundo o projeto Inter-Meios, coordenado pelo grupo Meio & Mensagem em parceria com a PricewaterhouseCoopers. Desse montante, R$ 18 bilhões foram para a TV aberta e R$ 11,5 bilhões (estimativa) ficaram para a Rede Globo. Comparando: a Globo tem 38,5% de participação nas TVs ligadas em 2011 e recebeu 64% da receita publicitária de toda a TV aberta. Ou cerca de 30% de toda a verba publicitária brasileira.

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