quarta-feira, 27 de junho de 2012

iPhone mudou hábitos, transformou competição e criou novos mercados

Texto publicado em: FNDC Marina Goulart Zero Hora - Online
Smartphone criado por Steve Jobs completa cinco anos de história revolucionária na sexta-feira
Há quase cinco anos, no dia 29 de junho de 2007, milhares de consumidores se aglomeraram em frente às lojas da Apple nos Estados Unidos para comprar um produto que iria revolucionar a história da telefonia celular. Era o primeiro dia de vendas do iPhone. Não foi o primeiro smartphone do mundo, mas foi o primeiro a se tornar objeto de desejo, atraindo multidões e criando até uma nova classe profissional: a dos criadores de aplicativos.

— O iPhone foi o primeiro a exercer uma atração visceral. É um aparelho atraente em seu design e em performance, porque consegue oferecer comunicação e entretenimento. A partir do lançamento, tudo mudou no mundo das telecomunicações — diz a analista de telecomunicação do Gartner Elia San Miguel.

Antes do iPhone, os smartphones permitiam o acesso a internet, mas não faziam isso de forma prática ou atraente. Para instalar um programa no telefone, era necessário fazer o download no computador e usar um cabo para transferir o software ao celular. Smartphone era só para o público corporativo, que precisava de funcionalidade.

Além do visual inovador, que eliminava praticamente todos os botões para dar ênfase à tela sensível ao toque, o que se consolidou como um novo padrão para os smartphones, o que mais influenciou essa revolução foi a cultura da oferta de aplicativos, que permite agregar infinitas funções ao telefone de maneira personalizada, relegando a função de falar a uma posição secundária. De acordo com dados divulgados na última conferência da Apple, já foram baixados até hoje mais de 30 bilhões de aplicativos da App Store.

— A introdução de aplicativos mudou todo o modelo de negócios do mercado. O que passa a importar não é a marca ou o modelo do aparelho, mas o sistema operacional e o número de aplicativos que existe para cada um — avalia Bruno Freitas, analista do IDC.

Quando Steve Jobs anunciou os detalhes do iPhone, em janeiro de 2007, ele declarou que a invenção estava cinco anos a frente de seu tempo. Um cálculo certeiro. Demorou cerca de dois anos para que os outros fabricantes começassem a lançar produtos concorrentes.

O Android, que é o sistema operacional mais popular da atualidade para smartphones, só surgiu em 2009. Por ser uma plataforma oferecida por um número maior de fabricantes, inclusive com modelos bem mais baratos que o iPhone, já ocupa 60% desse mercado. Mas só agora estão surgindo aparelhos que podem competir com o design, performance e funcionalidade do iPhone, como o Windows Phone da Nokia e o Samsung Galaxy S3 da Samsung.

E não foi só o mercado de telefonia que mudou por causa do iPhone. Toda a cultura multimídia e de onipresença online foi acelerada pelos smartphones que levam conexão a qualquer lugar.

— O iPhone conseguiu alavancar essa personalização do uso da tecnologia. Eu coloco a aplicação que eu quero. Eu coloco as músicas que eu gosto. E também tenho minha rede social, minha foto, minhas subredes com a família. Para os próximos anos, a tendência é que haja um crescimento nos serviços de cloud (armazenamento de arquivos na nuvem) porque cada vez mais as pessoas vão querer sincronizar o smartphone ao tablet e ao computador e acessar o mesmo conteúdo em todas as plataformas — conclui Elia San Miguel.

marina.goulart@zerohora.com.br

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