sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mundo hiperconectado força empresas a mudar estratégia de comunicação

Texto publicado em: FNDC

Monica Campi
INFO Online

São Paulo - Como gerir uma empresa em um mundo hiperconectado? Com esta pergunta sobre a mesa, a diretora de redação da INFO, Katia Militello, mediou um debate entre presidentes de três grandes empresas, todas elas ligadíssimas em tecnologia. Discutiram o tema o presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy, o presidente da Nextel no Brasil, Sergio Chaia e o presidente da HP Brasil, Oscar Clarke.

Os executivos concordaram que as companhias que presidem vivem um momento de transição na forma de comunicar-se com seus consumidores. Além dos canais tradicionais como SAC, as companhias têm que lidar com a manifestação de seus clientes em redes como Facebook, Twitter e YouTube. “A boa comunicação é o caminho, a luz e a vida para uma empresa. Eu, por exemplo, gosto de receber todo tipo de mensagem em meu e-mail, até mesmo reclamações de produtos com defeito, e costumo responder pessoalmente a todas elas”, afirmou Clarke, para quem as empresas não podem ficar desatentas às críticas que sofrem na web. “Quando respondemos uma dúvida de um cliente pelo Twitter, essa resposta também pode ajudar muitos outros usuários, além de permitir desafogar nosso call center.

As críticas existem, mas os elogios também se proliferam pelas redes”, afirmou Chaia, da Nextel, argumentando que a “indicação de um amigo” – via rede social ou conversas pessoais entre clientes – responde por até 70% dos novos clientes captados a cada mês pela Nextel. Além da preocupação com a imagem de suas empresas e produtos junto aos consumidores online, os executivos ressaltaram a importância de criar um ambiente de trabalho mais flexível e conectado.

O uso das redes sociais no ambiente de trabalho, por exemplo, foi definido como uma forma de tornar os funcionários mais colaborativos e não como uma ameaça a produtividade. “Há algum tempo nossa empresa bloqueava o acesso a redes sociais nos PCs do trabalho, mas isso gerava uma redução na produtividade pois muitos colaboradores passaram a gastar mais tempo no banheiro. Eles deixavam sua mesa para acessar suas contas pessoais nas redes via celular por alguns minutos”, disse Chaia, que optou por liberar o uso das redes no trabalho. “As pessoas ficaram mais satisfeitas e corremos menos risco de perder talentos”, afirmou.

Para os executivos, a ideia de que brasileiro não cumpre suas responsabilidades é falsa, pois todos possuem bom senso e a noção de que precisam realizar seu trabalho. “O grau de liberdade para as pessoas trabalharem no horário e local onde quiserem foi uma das decisões tomadas pela Microsoft há vários anos. Nosso retorno foi uma melhora na produtividade dos funcionários”, afirmou Levy. “A tecnologia ajuda a trabalhar de qualquer lugar e a qualquer hora do dia e isto tem um alto impacto na satisfação profissional”, afirmou presidente da Microsoft Brasil.

Chaia foi mais além e afirmou que a conectividade faz as pessoas trabalharem mais, pois não há uma divisão clara entre o tempo profissional e o pessoal. “Cabe às empresas criarem ambientes online que façam as pessoas se sentirem bem e que isso retorne em produtividade para a empresa”, afirmou. Uma solução sugerida pelos executivos é a opção de o funcionário trabalhar em casa regularmente, reduzindo também os custos para a empresa e gerando bem-estar para o profissional. “Um exemplo disso é o uso da computação em nuvem pelas empresas, tecnologia que libera recursos”, completou. “Home Office é um modelo pouco usado no Brasil em função de restrições legais, mas, nos Estados Unidos e Europa, é muito comum. Gostaríamos de ampliar a adoção desta prática no país, mas ainda enfrentamos muitos problemas trabalhistas”, criticou Clarke.

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