sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Leilão de 4G em 2013 prejudica TV, diz Abert

10/08/2012 | Marina Gazzoni
Estadão

A possibilidade de antecipar o leilão da faixa de 700 mega-hertz (MHz) para as operadores de telefonia ampliarem a rede do serviço de 4G foi considerada “preocupante” pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A frequência é usada hoje para a transmissão do sinal analógico da TV aberta, e a devolução da faixa ao governo é prevista para 2016.

A Abert disse, em comunicado, que a medida pode deixar parte da população sem sinal de TV aberta. “Alertamos que a medida pode comprometer o acesso de uma grande parcela da população ao sinal dos canais de televisão aberta que chega a 96% dos domicílios brasileiros, com conteúdo livre e gratuito.” Nesta semana, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse à imprensa que poderá realizar o leilão da faixa em 2013.

A programação do governo é que as emissoras desocupem o espectro em 2016, prazo para a substituição das transmissões analógicas pelo sinal digital. A pressão das teles para ocupar a faixa é antiga. O motivo é que a frequência de 700 MHz tem um alcance maior que a de 2,5 giga-hertz (Ghz), leiloada em junho para suportar o serviço 4G. Assim, as operadoras conseguiriam atender mais pessoas com menos investimentos. “De forma surpreendente, as empresas de telefonia demonstram interesse em ocupar mais espectro no momento em que é notória sua dificuldade em atender o usuário de forma adequada”, disse o comunicado da Abert.

A recente cobrança por melhorias no serviço de telefonia móvel por parte do governo fez o pleito das teles ganhar força. No mês passado, Paulo Bernardo se reuniu com representantes de emissoras para solicitar um estudo detalhado sobre qual a utilização da faixa pelas empresas, segundo o Estado apurou com fontes próximas ao assunto. O estudo ainda está em elaboração e as emissoras foram surpreendidas pelas declarações do ministro sobre a possibilidade de antecipar o leilão da faixa de 700 MHz.

As teles têm argumentado com o governo que as emissoras não ocupam toda a frequência cedida para elas. Já as emissoras têm respondido que a “sobra” está em cidades pequenas e zonas rurais e não nas grandes cidades, onde deve se concentrar a demanda pelo 4G. Procurada, a Associação Brasileira de Telecomunicações (TeleBrasil) não localizou um porta-voz até o fechamento desta edição.

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