TVs que entendem gestos e fala chegam ao Brasil em maio

segunda-feira, 26 de março de 2012

Texto publicado em: Portal IG
Agência Estado


Samsung apresentará três modelos com novos recursos de reconhecimento de voz e gestos e preço a partir de R$ 7 mil

Os televisores ficaram diferentes. Eles entraram num ciclo acelerado de renovação tecnológica. A cada ano são lançados aparelhos com novas funcionalidades, como acontecem com os celulares e os microcomputadores. A promessa deste ano são novas formas interação. No lugar dos botões do velho controle remoto, reconhecimento de voz e de gestos. Essas novas TVs começam a chegar ao mercado brasileiro nos próximos meses.

Boo-Keun Yoon, presidente mundial de Visual Display da Samsung, esteve em São Paulo na semana passada. "O Brasil é um mercado em crescimento, com muito potencial", disse Yoon. A grande aposta da Samsung para o mercado de TV são os aparelhos inteligentes, conectados à internet, que agora conseguem ler gestos e entender comandos de voz.

A chegada ao mercado brasileiro desses modelos, que dizem adeus ao controle remoto, já tem data marcada: 18 de maio. Serão três modelos, com telas de 46, 55 e 65 polegadas. O menor sairá por R$ 7 mil. Um aparelho do mesmo tamanho e mais simples, custa R$ 3 mil. A concorrente LG também colocará no mercado, nos próximos meses, modelos que entendem o que as pessoas falam.

A Samsung batizou a nova interface de "interação inteligente" (Smart Interaction). O reconhecimento de gestos lembra o Kinect, do videogame Xbox 360, da Microsoft. O televisor vem com uma câmera de alta definição e microfones embutidos. Quando o espectador acena para a TV, aparece um cursor e um menu. Mexendo o braço, o espectador controla o cursor e, fechando a mão, clica nos ícones. Também é possível dizer os comandos. Quando alguém diz "Smart TV", também aparece o menu. Daí, é só falar o nome do que se quer. A TV tem reconhecimento facial, que não foi demonstrado quando o Estado fez a entrevista com BK Yoon, como o executivo é chamado.

Emoção

"Qual é o objetivo final da televisão?", perguntou Yoon, retoricamente. "É dar emoção aos consumidores." As imagens tridimensionais ajudam nesse objetivo, mas, na visão do executivo, o 3D passou a ser somente mais uma funcionalidade da TV inteligente, que tem como principal característica a conectividade. Para reduzir a angústia do consumidor ante a obsolescência acelerada dos aparelhos, a Samsung incluiu nos novos modelos um "Evolution Kit", em que um encaixe na parte de trás do televisor permitirá atualizar hardware e software.

O ciclo de troca da TV tem caído. Antigamente, o consumidor levava de oito a dez anos para comprar um equipamento novo. Hoje, esse prazo já caiu para quatro e aficionados por tecnologia chegam a comprar um novo a cada dois anos. Com o conceito de TV inteligente, conectada à internet e que roda aplicativos, o televisor concorre com vários outros equipamentos. Os mais óbvios são o computador e o celular. Mas consoles de videogame e conversores de TV por assinatura também trazem conteúdo da internet, além de equipamentos especializados como a Apple TV.

"Acontece essa competição", admitiu Yoon. "Mas, num lar, a TV sempre está no centro da sala. A tela maior permite emoções maiores. Num cenário de mobilidade, entretanto, a TV perde um pouco para outros dispositivos."

Existe uma grande expectativa dos consumidores para o televisor 3D que não exige óculos especiais. Já existem soluções sem óculos para telas menores, como videogames portáteis e telefones celulares. "Com a tecnologia atual, não é possível prever quando o 3D sem óculos chegará às telas grandes", disse o executivo. "A ultra definição pode tornar o 3D sem óculos possível, mas isso dependeria, por exemplo, de novas formas de transmissão do sinal." A ultra definição, com a imagem formada por pelo menos duas vezes mais pixels que a atual alta definição, deve chegar ao mercado em dois ou três anos, segundo Yoon.

Mágica

A concorrente LG deu o nome de Magic Motion para o seu novo controle remoto, que chega ao mercado com a linha 2012 de televisores. Ele vem com um microfone, e o aparelho é capaz de converter voz em texto. "Com isso, é possível publicar no Facebook ou no Twitter falando, sem precisar de teclado", explicou Milton Neto, gerente geral de Smart TV da LG no Brasil.

A data de lançamento no País e os preços não foram definidos, mas a chegada desses modelos é prevista para este semestre. O reconhecimento de movimento da LG será oferecido em um acessório para a TV, que deve ser lançado no Brasil até o fim do ano. Segundo Milton Neto, 20% dos televisores vendidos no Brasil já são aparelhos inteligentes. Até o fim do ano, essa participação deve dobrar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 

Será o começo do fim para o Google?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC

Rob Enderle*
IDG Now

A falta de capacidade da Google de aprender com os erros dos outros pode estar ambientando o palco para seu fracasso.

Recentemente li um post interessante escrito por um funcionário da Microsoft que havia deixado a companhia para juntar-se ao Google e depois retornou após descobrir que a grama não era tão verde assim lá do outro lado da cerca. O Google é bem conhecido por fornecer um dos melhores ambientes de trabalho do mundo, mas como muitas companhias que têm sido reverenciadas de forma similar, parece estar eliminando esse ambiente, pelo menos de acordo com este post. Tudo isto soou muito familiar e vejo no Google uma repetição de todos os erros catastróficos cometidos pela IBM, Apple, Microsoft, Netscape, Sun, e Yahoo em algum momento da história das comapnhias.

Deste grupo, a Microsoft sobreviveu, a IBM está quase restaurada e a Apple, na verdade, se tornou maior do que nunca, sugerindo que o padrão não precisa ser terminal. Mas a Sun, Netscape e possivelmente o Yahoo ilustram que esse pode ser certamente o fim de empresas que um dia foram bem sucedidas. Vamos dar uma olhada em como a falta de capacidade da Google de aprender com os erros dos outros está ambientando o palco para seu fracasso.

O blog Microsoft-Google-Microsoft
Várias vezes em minha própria carreira eu poderia ter escrito algo similar ao post que descreve como o Google perdeu sua forma. Ele conta a triste história de uma companhia que iniciou fundada com pó de fada e sonhos e que, de repente, teve de enfrentar duas realidades: perder o foco e começar a ser tornada obsoleta pelo Facebook. O que é interessante é que o escritor, James Whittaker, deixou e depois voltou para a Microsoft. Imagino que isto seja devido ao fato de a Microsoft estar em um estado estável, enquanto o Google está em transição, e transições são incrivelmente dolorosas e desmotivadoras, principalmente quando elas vêm à custa de queridos direitos.

Whittaker também conta a história de uma companhia que perdeu sua essência e que tem a necessidade desesperada de ser vista como bem sucedida. Uma companhia que interpretou errado o conselho de Steve Jobs sobre ter foco e simplicidade. O Google está simplificando e se focando nas pessoas, o que é algo consistente ao conselho de Jobs, mas a companhia parece ter pulado a parte sobre decidir no que eles são bons e focarem-se nisso. O Google ainda parece estar atrás da Microsoft, Apple ou, neste post, do Facebook.

A IBM agora está mais focada
Quando passei por um problema semelhante pela primeira vez, eu era um analista interno da IBM. A companhia dominava o mercado da tecnologia e estava operando atualmente sob o modelo que conhecemos por SaaS. De fato, era ainda mais avançado. Tudo era basicamente serviço. Líderes corporativos viram os computadores pessoais emergirem e a Apple crescer como uma ameaça. Responderam a essa ameaça através da criação do IBM PC e da formação de uma parceria com a Microsoft para formar um bloqueio para a Apple e então eles viram a Sun aparecer e decidiram sacrificar a estrutura principal no altar da computação cliente-servidor. Depois, identificaram a Microsoft como uma ameaça e decidiram fazer softwares terceirizados para a plataforma OS/2.

Cada tentativa de se tornar outra companhia enfraqueceu a IBM a um ponto onde a empresa quase foi à falência. Agora que a IBM mudou suas engrenagens e está se focando em ser a melhor IBM que ela pode ser, sem tentar parecer ser o Google ou o Facebook, suas ações estão sendo negociadas pelo preço mais alto do que eles já venderam.

A Microsoft ainda encara desafios
A próxima da lista é a Microsoft, a qual o sucesso foi ligado à terceirização de software. Os engenheiros de hardware nunca entenderam o software realmente e a grande ideia da Microsoft foi a de fornecer serviços terceirizados. Primeiro o fizeram para a Apple e depois para a IBM. O que, eventualmente, resultou no Windows. Contudo, a IBM ficou preocupada por estar tendo seu lugar tomado pela Microsoft, e então as duas companhias entraram em guerra. A Microsoft começou a vender diretamente para corporações.

Depois, a Microsoft viu a AOL como uma ameaça e criou o MSN, mas faltou a parte de Web nele e ele foi emboscado pelo Netscape. No processo, a Microsoft perdeu o foco nos usuários e nos OEMs. Começou a se preocupar com o fato de a Sony estar planejando transformar o PlayStation em um PC e então criou o Xbox, o que mais tarde alienou os OEMs e, basicamente, acabou com o negócio de jogos de computador.

Finalmente, o Google chegou e a Microsoft gastou bilhões tentando ser melhor que o Google. Mas a Microsoft não pareceu entender o modelo central do Google. O modelo uma vez imbatível de software terceirizado para a plataforma Windows já não era mais tão imbatível assim. A Microsoft continua, mas os OEMs que inicialmente fizeram a companhia imbatível agora estão usando o Google, e a Microsoft perdeu seu lugar no campo dos smartphones e tablets.

A Apple, que uma vez esteve perto de seu fim, agora está mais forte que nunca
A Apple, que começou como uma companhia de computadores pessoais, teve seu lugar inicialmente tomado pela Commodore, que se focava melhor no cliente, e quase chegou ao seu fim tentando ser uma melhor fornecedora de computadores para negócios. Após perder Jobs, a Apple pareceu ter se perdido, primeiro ao tentar ser como a Compaq, Sony/HP e então Microsoft. A companhia expandiu massivamente suas linhas de hardware e depois se aventurou em softwares terceirizados através do licenciamento com o MacOS.

A Apple estava apenas meses de distância de falir quando Jobs voltou. Ele reconcentrou a companhia nos negócios voltados aos clientes de computadores e então, prevendo que o crescimento do PC estava diminuindo e reconhecendo que acertaria a Microsoft em seu ponto fraco, passou para o entretenimento. O novo foco nos clientes e na excelência permitiu que a companhia recriasse a sua própria imagem. A Apple é a única empresa que, após perder seu foco, emergiu mais forte do que em sua melhor época.

O Netscape culpou a Microsoft equivocadamente
O Netscape foi o primeiro exemplo do que acontece ao esquecer sua essência. O Netscape era a Internet e, quando as pessoas inicialmente começaram a usar a Web virtualmente, todas elas utilizavam um produto Netscape. Mas o Netscape não conseguiu entender como fazer o que o Google eventualmente viria a fazer mais tarde: monetizar a Web da forma correta. No lugar disso, a companhia decidiu focar-se em eliminar a Microsoft.

Milhões de dólares foram gastos por muitas companhias nas últimas três décadas neste esforço de derrubar a Microsoft do que de qualquer outra estratégia fracassada, e isso ocorreu com quase todas as companhias. O que é fascinante é que quando você conversa com um ex-executivo do Netscape, ele irá muitas vezes dizer que a companhia foi retirada dos negócios pela Microsoft, a qual, em uma briga similar com o Google, não tem tido muito sucesso. Cada grande fracasso levou a uma decisão tomada pelos executivos do Netscape que era ligada, em grande parte, a algo que não tinha nada a ver com seu domínio da Internet.

O sol se pôs para a Sun ao passo que ela tentava ser a Microsoft
A Sun protagonizou algo similar ao efeito que o Google teve para a Microsoft com a IBM. A companhia foi, em grande parte, responsável por fazer a IBM esquecer seu modelo de sucesso e quebrar sua fórmula. Mas logo depois a Sun se fixou na Microsoft, criando uma estratégia que ‘comoditizava’ a indústria, ainda que não fosse conseguir sobreviver em um mercado de comodities. Resultado: a Sun causou uma quantidade significativa de danos a Microsoft, mas, durante esse processo, faliu.

A Sun foi um dos exemplos mais catastróficos do que ocorre quando uma companhia esquece seu propósito e foca-se excessivamente no modelo de outra companhia. Na realidade, a Sun deveria ter entendido que ela não era uma concorrente direta da Microsoft e sim ter identificado a IBM, HP e a crescente Dell como suas rivais primárias. A Sun estava em guerra com o modelo de terceirização que a Microsoft representava, mas em vez de seguir os passos da Apple e focar-se em concluir soluções e ser proprietária das mesmas a Sun tentou se transformar na Microsoft e foi paralisada no meio dessa transição.

Yahoo: A história mais triste de todas
Talvez a companhia que mais esteja sofrendo seja a Yahoo. Possuía redes sociais antes de começarmos a chamá-las de redes sociais. Ainda mais triste é o fato de que a AOL e a Compuserve (que se fundiram) também as possuíram, antes do Yahoo. O Yahoo se fascinou pelo Google, companhia na qual o Yahoo pôs um grande investimento. Mas em vez de alavancar a parceria e reconhecer que o Yahoo estava mais perto do objetivo de fornecer informações de propaganda de alto valor do que o Google (dado o envolvimento mais acentuado dos clientes), os executivos da companhia foram atrás do objeto brilhante além do Google e o perseguiram.

É irônico que o Facebook seja hoje a maior ameaça ao Google e tanto a Microsoft quanto o Yahoo não tenham sido nada além de um estimulo que manteve o Google focado na sua busca. De fato, vou argumentar que caso os dois tivessem evitado o negócio de buscas, o Google teria se tornado tanto regulado como um monopólio óbvio e vulnerável aos avanços na tecnologia que teria deixado passar.

O Yahoo perdeu sua essência completamente e foi forçado a processar o Facebook por causa de uma tecnologia que ele não utiliza mais. Em vez de ser uma fornecedora dominante de redes sociais a companhia é agora um exemplo patético do que acontece quando se perde sua essência.

A Google em negação, a beira do precipício
A Google está no negócio de propaganda e ainda assim parece estar em algum tipo de estado de negação. Todo o seu foco deveria estar centrado em encontrar maneiras de tornar as propagandas na internet mais rentáveis e em ser a fonte primária de gestão de receitas de propagandas para todos. Sua fórmula vencedora estava monetizando a Web, constituída na verdade por um super conjunto de propagandas. Mas é claro, institucionalmente, que a Google está em negação sobre a fonte real de seu sucesso.

A Google deveria ter trabalhado para ter a Microsoft e o Facebook como seus parceiros, não concorrentes. Julgando pelo blog do ex-funcionário da Google que nos botou para pensar, a Google parece estar deixando a ideia de se tornar a Microsoft e tentando se tornar o Facebook, e fracassando nesse processo.

O que é particularmente triste é que a Google parece ter vindo ao mercado com a ideia de ser uma anti-Microsoft, com a percepção implícita de que a gigante dos softwares era uma força do mal. Hoje, se você fizer uma busca nas duas companhias, você possivelmente encontrará referências durante os últimos cinco anos que denunciam que a Google está fazendo mais coisas ruins do que a Microsoft.

Essa busca sugere que nas melhores universidades (e a Google só contrata das melhores) eles simplesmente não ensinam muita história e, possivelmente, aparentam focarem-se em falar mal de quem esteja no poder, o que indica que a próxima geração possivelmente sairá da faculdade desejando acabar com a Google, bem como a geração do Google, que saiu desejando destruir a Microsoft, que por sua vez teve uma geração que entrou no mercado querendo tomar o lugar da IBM.

Será que o Facebook poderá evitar tais erros?
Dada esta tendência, o Facebook pode parecer ser a próxima companhia a cometer o erro de esquecer sua essência e focar-se excessivamente em outra companhia. A Pinterest começou a emergir como uma desafiante a coroa e, enquanto a Pinterest está no espaço do Facebook, seria tolo tentar ser uma Pinterest melhor se isso significasse abandonar tudo pelo o que o Facebook já é conhecido. Por hora, não há indicação de que o Facebook esteja cometendo esse erro, mas dado o histórico de outras empresas é fácil imaginar que ela eventualmente o fará, seja para ir atrás da Pinterest ou de alguma outra companhia.

Três passos fáceis para destruir uma companhia
A lição? Parece existir um caminho bem definido sobre como destruir uma companhia de sucesso. Tudo começa de dentro, com a companhia esquecendo sua essência ou deixando de entender a fórmula que criou o seu sucesso em primeiro lugar. Segue-se com um foco excessivo no concorrente, o que faz a companhia competir com aquele novo concorrente na zona de conforto do mesmo. Tudo isso termina com uma série de esforços mal executados e cada vez mais desesperados para se tornar a companhia que tanto os assusta.

Reciprocamente, existem três passos fáceis para garantir o sucesso. Conheça sua fórmula para o sucesso e a proteja. Concentre-se no objetivo – o cliente – não no competidor. E tente ver para onde o mercado está caminhando e chegue lá antes, o que normalmente significa que você precisará guiar o mercado para aquele objetivo.

A IBM e a Apple representam o que pode acontecer quando executivos esquecem a essência e, mais recentemente, elas são índices de como competir em um mercado que muda constantemente.

Seria sábio para os executivos atuais, particularmente aqueles do Google, darem um passo atrás e decidir se eles querem ser a próxima IBM ou Apple ou a próxima Netscape ou Yahoo.

Eu sei em qual lado eu gostaria de estar, ainda assim continuo a me surpreender com o número de executivos que estão fazendo estratégias que os colocam no caminho mal sucedido.

Como é aquele antigo ditado? Aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repeti-la? Pode parecer que, a menos que algo mude, este possa ser o epitáfio do Google.

No centro deste padrão estão os conceitos de predisposição de confirmação, a noção de que favorecemos raciocínios que confirmam nossas crenças e uma armação para explicar porque o raciocínio muitas vezes resulta em decisões irracionais. Uma vez que você entenda isso, você poderá explicar porque os executivos cometem esses erros repetidas vezes.

* é presidente e analista chefe do Grupo Enderle. Anteriormente ele era o ‘Senior Research Fellow’ dos Grupos Forrester Research e Giga Information. Antes disso trabalhou para a IBM ocupando cargos de auditoria interna, análise competitiva, marketing, finanças e segurança. Atualmente Rob escreve sobre tecnologias emergentes, segurança e Linux em várias publicações e aparece em programas de TV nacionais que incluem os canais CNBC, FOX, Bloomberg e NPR.
 

Em duas décadas, Globo perdeu 35% das TVs ligadas

quinta-feira, 22 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC

Ricardo Feltrin*
F5 - Folha de S. Paulo

O "F5" obteve dados inéditos de audiência da TV aberta no país, o mais extenso período já publicado sobre número de aparelhos ligados (o chamado ''share''). Afinal, o que vale é telespectador na frente da tela. Os dados trazem fatos curiosos: 1º) Na faixa das 7h à 0h, o percentual de TVs ligadas hoje é absolutamente a mesma do início dos anos 90 (40%); 2º) Desde 1993 a Globo já perdeu pelo menos 35% de participação nas TVs ligadas na Grande São Paulo. Ou 35 em cada 100 aparelhos, que foram sintonizar outra coisa. Veja abaixo, primeiro, a evolução do total de aparelhos ligados em quase duas décadas:


Público sumindo
Agora veja no quadro seguinte, abaixo, o "share" da Globo desde 93. Em números exatos, a Globo perdeu 34,97% da participação no universo de ligadas (de 59,2% em 1993 para 38,5% em 2011). O primeiro trimestre mostra que 2012 também não deve ser redentor: o "share" até agora está em 37,4% (veja arte abaixo).

Outro lado
A Globo respondeu, por meio da CGCom, e discordou dos dados acima e abaixo. A emissora diz não ser possível usar porcentagem para explicar a queda de "share". A emissora também não reconhece o percentual de ligadas em 93:

"Numa conta rápida, 30 pontos de audiência da Globo em 1997 (ano do início da medição PNT) equivaliam a 10.106.038 de domicílios com TV. Em 2011, os mesmos 30 pontos correspondem a 16.280.034 domicílios com TV, um aumento de 61%. Se levarmos isso para os seus gráficos, com números de SP, nossos 19,9 pontos de audiência média (07h às 24h) em 2000 equivaliam a 888 mil domicílios. Os 16,3 pontos de 2011 a 981 mil domicílios - um aumento de 10% (...) Na tabela de percentual de domicílios com TVs Ligadas, em 1993 temos 43% e não 40% como está indicado no gráfico que você mandou."

Leia íntegra da resposta da TV Globo




Com relação aos pontos de ibope
Todas as emissoras, com exceção da Record, perderam pontos de ibope desde 93. Seguem os números, que não constam das tabelas (agora estou falando de pontos, e não em share, ok? ):

Em 93 o SBT tinha 8 pontos de média e no ano passado teve 5,7 ponto; a Band marcava 2,8 pontos em 93 e no ano passado teve 2,5; a extinta TV Manchete tinha 1,5 ponto em 93, e no ano passado sua sucessora, a RedeTV!, teve 1,4. No início dos anos 90 a TV Cultura tinha 1,9 ponto --o dobro de sua média atual.

O loooongo caminho da liderança...
A Record foi a única que teve muito ganho de ibope e "share" nas últimas décadas. Em 93, a Record tinha 3,7% de participação nas TVs ligadas. No ano passado foi 17%. Em pontos de ibope, porém, a emissora ainda dá menos que a metade da Globo. Em 93 a TV Record tinha apenas 1,5 ponto de audiência e a Globo tinha 23,5 pontos. No ano passado, a Record teve 7,2 pontos (contra 16,3 da Globo). Trata-se de um incremento de 480% para a Record, mas há que se ressaltar que a emissora parou de crescer em pontos em 2008.

Origens da fuga
Há várias possíveis explicações para a queda de "share" da Globo. Por exemplo, em 93 não havia TV paga. Hoje, porém, 25% dos aparelhos ligados estão nela e nos chamados "outros aparelhos". Por outro lado, ainda que a Globo também seja líder na TV paga, esse serviço não atinge nem 10% da população. Outra situação relevante é que, em 1993, havia muito menos canais abertos disponíveis. Ainda que pequeninos, canais em UHF como 21, MTV, Rede Vida, Futura, canais dos Poderes, públicos etc. acabam por "morder" um naco da participação total dos ligados também.

Mais números
Para efeitos de comparação entre mercado publicitário e "share": todo o mercado da publicidade do Brasil movimentou R$ 39 bilhões no ano passado, segundo o projeto Inter-Meios, coordenado pelo grupo Meio & Mensagem em parceria com a PricewaterhouseCoopers. Desse montante, R$ 18 bilhões foram para a TV aberta e R$ 11,5 bilhões (estimativa) ficaram para a Rede Globo. Comparando: a Globo tem 38,5% de participação nas TVs ligadas em 2011 e recebeu 64% da receita publicitária de toda a TV aberta. Ou cerca de 30% de toda a verba publicitária brasileira.
 

Governo obriga uso do Ginga: TV interativa depende da indústria

quarta-feira, 21 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC

Ismael Cardoso
Portal Terra

O governo brasileiro divulgou duas portarias nas últimas semanas obrigando fabricantes a embarcarem o Ginga - software que possibilita a interatividade na TV Digital - em televisores de cristal líquido e plasma fabricados no Brasil para que tenham benefícios fiscais. O recado é claro: para o governo, se a interatividade ainda não decolou nesses pouco mais de quatro anos de TV Digital no Brasil, a culpa, em grande parte, é dos fabricantes.

O Ginga é um software livre nacional, que torna possível a interatividade na TV digital, permitindo que o telespectador consulte informações sobre a programação, faça compras e acesse dados bancários pela televisão, entre outras atividades. Mais adiante, o governo pretende usá-lo como ferramenta de inclusão social, possibilitando, por exemplo, a marcação de consultas no Sistema Único de Saúde.

"A indústria não demonstrou o interesse esperado em colocar o Ginga na sua linha de produção, talvez por miopia, por considerar que o Ginga fosse uma competição com as Smart TVs", afirma o analista de infraestrutura do Ministério das Comunicações Otavio Caixeta. Segundo ele, quando o governo estabeleceu o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTV), elencou três objetivos: alta definição, multiprogramação e interatividade. O terceiro ainda não engrenou.

"O governo pesquisou e investiu dinheiro para criar uma tecnologia que prestasse serviços digitais através da televisão, e a expectativa é que os fabricantes fizessem isso", afirma Caixeta. "OS fabricantes começaram a afirmar que não havia conteúdo nas emissoras, e as emissoras, que não havia capacidade de interatividade nos aparelhos. A solução para quebrar esse ciclo foi exigir que 75% dos televisores saíssem da fábrica com esse sistema embarcado", disse em entrevista ao Terra.

Para o o especialista em conteúdo interativo e transmídia e professor da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), Valdecir Becker, o Ginga ainda pode emplacar, mas a medida do governo é tardia. "Eu acho que essa decisão deveria ter sido tomada em 2007 e 2008. Vejo com bons olhos, mas não sei se vai dar conta de desenvolver o mercado. O Ginga já está velho e alguns recursos estão ultrapassados", avalia.

Para ele, hoje vale muito mais a pena para as emissoras investirem em aplicações de interatividade para tablets e smartphones do que no sistema de TV digital brasileiro através do Ginga. "Se o Ginga tivesse sido implementado em 2007, quando ainda não tinha iPad e pouquíssimos smartphones, seria uma ótima ferramenta de comunicação. Hoje, cinco anos depois, esses produtos são muito mais atrativos, e perdeu-se muito tempo", afirma.

Fabricantes
Para o vice-presidente de Novos Negócios da Samsung, Benjamin Sicsú, a obrigatoriedade do Ginga não pegou a indústria desprevenida. "Nós estamos atendendo a uma política pública, e política pública a gente tem que cumprir. Ela era voluntária, mas todas as empresas fizeram esforço para cumpri-la, as empresas se prepararam para que todos os aparelhos tivesssem o Ginga, todo mundo investiu nisso. O governo agora resolveu transformar o que era voluntário em obrigatório, e pegou o setor todo preparado, não interferiu no plano de nenhuma empresa", afirma.

Segundo o gerente de Marketing da Linha de TVs da Sony Brasil, Luciano Bottura, todo os modelos LCD e LED da Sony, desde 2010, têm o Ginga embarcado. "Desde o começo, nós optamos por incorporar este middleware e continuamos acreditando muito fortemente na TV Digital brasileira", afirma. Para ele, Ginga e Smart TVs não concorrem. "Nossa internet TV conta com conteúdos exclusivos da Sony, vídeos da internet e redes sociais. O Ginga, por outro lado, traz conteúdos relativos ao segmento da TV, oferecidos pelas emissoras. Acredito que as duas tecnologias possam conviver harmoniosamente. Todo o nosso line up hoje possui Ginga e 22 dos 26 modelos de TV que produzimos atualmente são internet TVs", diz.

A Samsung é uma das companhias que ajudou desenvolver uma das plataformas do Ginga e, segundo Sicsú, domina a tecnologia e já embarca o sistema em alguns aparelhos, mas ainda não faz publicidade disso. O número só vai aumentar quando a suíte de testes - para avaliar o funcionamento do software - estiver concluída, o que deve ocorrer em setembro. "São três plataformas correndo paralelamente. Temos que ter certeza que elas serão interoperáveis entre si, e que o todo o conteúdo enviado pelas emissoras será compatível em todas elas", explica.

Segundo o analista do Ministério das Comunicações, a obrigatoriedade do Ginga obecedeu ao prazo pedido pela indústria. "Na consulta pública da inclusão do Ginga no PPB (processo produtivo básico, uma série de regras que as empresas devem cumprir para receber benefícios fiscais), queríamos colocar em vigor a partir de janeiro de 2012. Eles sempre disseram que a suíte de testes estaria pronta em junho, por isso que demos prazo para início de 2013 para que esse problema estivesse resolvido", afirma Caixeta.

Becker diz que a uniformização da execução do Ginga pode ser resolvida com uma atualização de software quando a suíte de testes for finalizada, mas pode representar um problema. "Uma porcentagem considerável da população não tem a cultura de atualizar o televisor", afirma.

Ginga e Smart TVs
Para Becker, um dos motivos que levou a indústria a não investir no Ginga é que o sistema, aberto e disponível para todos os fabricantes, não produz nenhum diferencial entre os aparelhos disponíveis no mercado. "A indústria não comprou a ideia do Ginga porque não é diferencial de produto, não consegue vender mais TVs porque o concorrente tem a mesma coisa. As TVs conectadas têm diferenciais que fazem com que o consumidor compre uma determinada marca e pague mais caro por isso. O Ginga vai causar um custo e não vai aumentar a quantidade de vendas", avalia.

No entanto, para Caixeta, as Smart TVs não competem com o Ginga, que é a única tecnologia capaz de trazer interatividade associada à radiodifusão. "A Smart TV copia o modelo da internet, com a compra e download de aplicativos", diz. O Ginga, um software livre nacional, possibilita que o telespectador consulte informações sobre a programação, faça compras e acesse dados bancários pela televisão, por exemplo, além de poder acessar aplicativos criados pelas emissoras para interagir com os programas.

Além disso, enquanto as emissoras devem investir em aplicativos de entretenimento por meio do Ginga, o governo pretende transformar a interatividade na TV digital em uma plataforma de inclusão social e digital. "A visão do governo é usar as emissoras públicas construindo aplicativos sociais", afirma Caixeta, citando como exemplo aplicativos que permitam a marcação de consultas ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou informações da Previdência Social.
 

Unilever estreia formato comercial do Facebook

sábado, 17 de março de 2012

Texto publicado em: Meio&Mensagem



Anunciante é o primeiro a veicular campanhas do tipo Logout Experience, oferecido pela rede social

A Unilever será o primeiro anunciante a testar o novo formato de inserção comercial do Facebook. Nessa sexta-feira e sábado, dias 16 e 17 de março, a companhia irá divulgar, por meio do novo Logout Experience, os produtos Rexona Efficient e Keratinology by Seda.

Durante esses dois dias, todos os usuários do Facebook, ao fazerem o logout em seu perfil, serão destinados a uma nova página, com a exibição de uma peça publicitária das marcas da Unilever. Será o primeiro teste do novo formato no mercado brasileiro. O formato comercial, no entanto, só estará disponível para os demais anunciantes a partir de abril.

O anúncio do Rexona Efficient foi desenvolvido pela agência CuboCC, enquanto a ação da linha Keratinology by Seda ficou a cargo da F.biz.
 

No Brasil, web ganha 3 vezes mais audiência que TV

quinta-feira, 15 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC

Redação
Adnews

Os brasileiros gastam três vezes mais tempo com internet do que assistindo televisão, de acordo com uma pesquisa da Forrest divulgada pelo AdAge. Durante a semana, 23,8 horas são investidas na rede, enquanto apenas 6,2 horas ficam com a TV.

Os números levam em conta uso profissional e pessoal da web e o estudo ainda mostra que a televisão perde até para os videogames, nos quais são gastas 6,3 horas semanais.

Segundo a Forrester, até 2016 o país pulará dos atuais 47% de penetração da internet para 57%, graças a projetos como o Plano Nacional de Banda Larga.

Pelo menos 89% dos consultados afirmaram ser visitantes regulares das redes sociais, sendo que 81% deles acessam o Facebook pelo menos mensalmente, enquanto outros 63% ainda mantêm contas também no Orkut.
 

Adolescentes não abandonaram a TV, diz pesquisa

Texto publicado em: FNDC

Redação
Observatório da Imprensa

Mesmo com adolescentes passando mais tempo diante das pequenas telas de celulares, tablets e notebooks, ainda é a TV que recebe mais atenção deles, noticia Joe Flint [Los Angeles Times, 9/3/12]. “Há uma noção popularizada do típico adolescente constantemente conectado digitalmente. Na realidade, adolescentes consomem a vasta maioria do seu conteúdo de vídeo via TV tradicional”, afirma Todd Juenger, analista da empresa de pesquisa Sanford C. Bernstein & Co, no relatório “Why the Internet Won’t Kill TV” (Por que a internet não vai matar a TV).

Juenger analisou dados do instituto Nielsen que mostram que o “consumo de TV por adolescentes continuou a crescer, mesmo com o surgimento de novos aparelhos tecnológicos”. Atualmente, adolescentes assistem a quase quatro horas de TV por dia. Embora sejam duas horas a menos do que a maioria dos adultos, é mais do que as quase três horas que gastavam diante da TV em 2004 – a taxa de crescimento tem sido de 2,5% ao ano. Adultos sempre assistiram a mais TV do que adolescentes.

Os resultados sugerem que os adolescentes veem as novas plataformas como um acréscimo à TV. Em média, eles assistem a apenas três minutos de vídeo por dia no computador ou no celular, o que é menos do que 3% do total do consumo de vídeo.

Há preocupação na indústria televisiva de que, na medida em que os consumidores migram para novas mídias, o investimento com publicidade caia. Mas Juenger observou que, enquanto os jornais impressos já sentiram a migração de recursos publicitários e do público para a web, a TV ainda não sofreu este impacto. Segundo o analista, ainda deve levar duas décadas para que isto ocorra.

Tradução de Larriza Thurler (edição: Leticia Nunes)


P.S - Isto nos EUA.. e aqui no Brasil?
 

Crianças não assistem mais à televisão?

Recentemente a imprensa especializada divulgou a grade de programação das principais emissoras de televisão aberta de nosso país. Seria um fato comum se não uma decisão estratégia da maior emissora brasileira: a quase total extinção de conteúdo infantil na faixa da manhã de segunda a sexta-feira. As crianças não assistem mais à TV?

Perdendo audiência, a TV Globo trouxe para o horário um nome de peso: Fátima Bernardes, ex-âncora do Jornal Nacional e que ocupará ao lado de Ana Maria Braga a programação diurna semanal da emissora. Assim, a TV Globinho deixa a grade da emissora.

Nos anos de 80 e boa parte dos 90, as manhãs da TV Globo eram uma grande fonte de renda. A "rainha" Xuxa  reinava absoluta no horário com grandes faturamentos em anúncios e merchandising, certamente pelos pedidos insistentes das crianças a seus pais, para compra dos produtos anunciados durante o programa. Hoje é cada vez mais claro, que o comportamento da audiência está sendo alterado pela introdução dos computadores e novas opções de distribuição de conteúdo, como a TV paga. As crianças deixando de acompanhar a programação, consequentemente, na há venda de produtos. 

Entretanto, abandonar as crianças pode se mostrar um erro estratégico no futuro. Lembro-me do meu tempo de  pré-adolescente quando chegava da escola de manhã e a primeira coisa que fazia era ligar a televisão no canal da TV Globo. Naquela época, ainda sem TV paga e sem internet, não havia outra opção, desta forma, criava-se um hábito: ligar a TV na Globo. Confesso que o que mais me atraia eram as Paquitas e desenhos como He-Man e A Caverna do Dragão. Esta, aliás, é uma das várias razões do sucesso comercial da TV Globo. Sua grade fixa de programação contribuiu para que assistir à TV no canal da rede se transformasse em hábito por grande parte da audiência. Assim, como a emissoras espera resgatar esses telespectadores que foram deixados de lado, após as crianças se acostumarem a buscas divertimento em canais pagos ou na internet? Pesquisas apontam que crianças da classe A e B já consomem mais horas na internet do que frente aos televisores. 

Este perigo não é mera suposição. Ele de fato já ocorreu na Espanha. Lorenzo Vilchez, pesquisador de comunicação naquele país, aborda em seu livro A Migração Digital o caso espanhol, onde as principais emissoras de televisão abriram mão da programação infantil. Diz o pesquisador:

"O grande erro das televisões abertas foi abandonar os programas para crianças e jovens. Não souberam entender o potencial comercial que significava captar as futuras audiências por todo o tempo de sua vida como consumidores. Os jovens abandonaram a televisão, não só porque não havia programa para eles, mas também porque não houve nenhuma estratégia dirigida a captar clientes na mais tenra idade, otimizando assim o potencial dos conteúdos".

Discordo do autor em apenas uma questão: não acredito que as emissoras não saibam disso. O problema é que devido à lógica do modelo de negócios da TV aberta é praticamente impossível para elas sustentar um programa que não tenha retorno financeiro, mesmo que seja um projeto que vise ganhos em longo prazo.



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1057699-globo-anuncia-nova-grade-de-programacao-para-2012.shtml

Lorenzo Vilchez. A migração Digital. Edições Loyola. 2003.


Foto: Portal Terra




 

Opinão - Quem desdenha quer comprar?

terça-feira, 13 de março de 2012

Texto publicado em: Meio&Mensagem

Por que investidores financeiros — como se intui, não rasgam dinheiro — têm se disposto, em meio à crise econômica norte-americana, a comprar jornais diários impressos? Por Carlos Eduardo Lins da Silva*


Muita gente insiste na tese de que os jornais impressos estão fadados ao desaparecimento, só não sabe bem em quanto tempo (alguns palpites de que isso ocorreria já nesta década devem estar sendo revisados).
Em nenhum mercado os indícios de que a tese é poderosa são maiores do que no dos EUA, onde a sangria de publicidade e venda avulsa já dura duas décadas e não dá sinais de que possa estancar cedo.

Mas se é assim mesmo, por que investidores financeiros - que, como se intui, não rasgam dinheiro - têm se disposto, em meio à crise econômica mais séria da história do país desde a Grande Depressão de 1929 e que se alonga há quatro anos, a comprar jornais diários impressos? Apenas no segundo semestre do ano passado, foram adquiridos The San Diego Union-Tribune, The Chicago Sun-Times, The Omaha World-Herald, The San Francisco Examiner e 16 títulos regionais que pertenciam ao grupo do New York Times. Em 2011 inteiro, 71 jornais foram vendidos por uma soma total próxima de US$ 1 bilhão, quantia que não se joga fora à toa.

Entre os compradores, há gente e grupos que sabem ganhar dinheiro: Warren E. Buffett, Philip F. Anschutz, o Halifax Media Holdings o Black Press Group, além de novos atores, como a Wrapports. Os motivos podem ser diversos: como todos estão relativamente mal, esses veículos podem ser comprados “na bacia das almas”, o que sempre é um chamariz para quem está acostumado a negociar; com uma radical reestruturação, alguns podem até se tornar lucrativos em pouco e por pouco tempo, depois do qual o investidor pode se livrar deles; há milionários que acham ter chegado sua hora de fazer contribuições cívicas para a sociedade e manter jornais em circulação é considerada por muitos uma boa causa.

O San Diego Union-Tribune, por exemplo, um dos negociados há poucos meses, havia sido comprado em 2009 por um grupo de private equity chamado Platinum Equity por US$ 50 milhões.
Após uma recauchutada, o Platinum o passou à frente por US$ 110 milhões, com uma excelente margem de lucratividade, portanto, ainda mais em tempos bicudos como estes.

O Platinum Equity ficou tão orgulhoso do negócio, que resolveu dividir a receita da mágica: na internet, estão as oito iniciativas-chave que, segundo ele, explicam o sucesso da operação com o Union-Tribune que, sem dúvida, os novos donos pretendem repetir agora.
Outra possível razão econômica para a cobiça de investidores por jornais pode ser de mais longo prazo. Em geral, jornais são donos de grandes edifícios localizados em boas áreas das suas cidades.

Pode ser uma boa alternativa vender esses prédios e terrenos para fazer caixa e reformar o jornal ou simplesmente para aumentar a lucratividade mudando a operação para áreas mais baratas.
O novo dono do Union Tribune (que alterou o nome do jornal para U-T San Diego) é um veterano do mercado imobiliário local, que admitiu estar em seus planos ocupar a atual sede do diário com novos empreendimentos.

Enquanto isso não ocorre, ele usa o veículo que comprou em atividades mais tradicionais do negócio jornalístico: tem publicado editoriais, inclusive em primeira página, e reportagens para exortar as autoridades municipais a alterar legislações e implantar audaciosos projetos de construção civil na cidade.

Mas também há entre os compradores de jornais quem veja como os principais ativos de sua compra o conteúdo dos jornais e a sua relevância política e social.
Muitos podem até achar que a versão impressa um dia vá desaparecer ou nunca ser muito lucrativa, mas têm planos para versões digitais e outras ações em que credibilidade possa ser de grande importância para os negócios.

Há quase um consenso entre analistas do negócio jornalístico que o conteúdo local ou hiperlocal tende a ser mais e mais apreciado pelo público, seja no papel, seja na internet. Por isso, veículos tradicionais em cidades, em especial as médias e pequenas, são considerados valiosos.

Walter Isaacson, que foi diretor da revista Time e CEO da CNN e é um dos mais argutos conhecedores da indústria da mídia, em recente entrevista ao programa Roda Viva na TV Cultura, disse que, em sua opinião, o impresso nunca vai acabar: pode ter seu público reduzido a até um terço do total, mas sempre terá seu nicho.
Talvez esta seja a razão principal por que esses investidores ainda apostam seu dinheiro nos jornais impressos diários.

*Carlos Eduardo Lins da Silva, editor da revista Política Externa e diretor do Espaço Educacional Educare, escreve uma vez por mês para Meio & Mensagem. Este artigo foi publicado na edição 1500, de 12 de setembro.
 

Aplicações para TV digital interativa desenvolvidas no CPqD ficarão disponíveis para os interessados

rogramas e componentes de software para plataforma Ginga serão entregues ao Ministério das Comunicações

Texto publicado em: InteligeMcia

Campinas, 13 de março de 2012 –

O CPqD vai entregar ao Ministério das Comunicações, a partir do dia 15 de março, um pacote de aplicações e componentes de software para TV digital interativa baseada na plataforma Ginga – que, a partir de 2013, deverá equipar boa parte dos novos aparelhos de televisão vendidos no Brasil. As aplicações vêm sendo desenvolvidas desde 2008, como parte do projeto Serviços Multiplataforma de TV Interativa (SMTVI), que conta com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL), do Ministério das Comunicações, e tem o objetivo de oferecer serviços eletrônicos por meio do aparelho de TV – um veículo de comunicação bastante popular no Brasil.

“Com isso, o CPqD espera dar uma forte contribuição ao Ministério das Comunicações no sentido de fortalecer e enriquecer a TV digital no país, permitindo que novos serviços e aplicações interativas sejam ofertados à população brasileira”, afirma Hélio Graciosa, presidente do CPqD. A intenção é estimular o uso de serviços eletrônicos por pessoas não familiarizadas com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), derrubando eventuais barreiras que a linguagem digital ainda encontra para se popularizar.

Três fases de entrega
O objetivo do CPqD é tornar disponíveis não só as aplicações interativas desenvolvidas para o Ginga – com base nos padrões do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre – como também os códigos dos programas, documentação e manuais de instalação. Além disso, está previsto o fornecimento de ferramenta de autoria e de uma biblioteca de componentes de software, que permitirá que desenvolvedores criem outras aplicações interativas para TV digital, utilizando conceitos de orientação a objetos.

A ideia é que essas aplicações, componentes e o material de apoio necessário possam ser baixados pelos interessados do site do Ministério das Comunicações, ou do CPqD. Como o projeto SMTVI está em fase final de desenvolvimento (o prazo para conclusão é maio de 2012), a disponibilidade dos programas deverá seguir um cronograma, dividido em três fases.

Na primeira, programada para 15 de março, serão entregues a aplicação PrevidênciaFácil, que permite visualizar na tela da TV digital informações e documentos necessários para a obtenção de aposentadoria; a biblioteca de componentes em Ginga e a ferramenta de autoria, todos com códigos e manuais. Nas outras etapas, marcadas para 15 de abril e 15 de maio, outras aplicações e serviços ficarão disponíveis para os interessados. É o caso, por exemplo, do IncluaSaúde, aplicação que permite marcar consultas em postos de saúde pelo aparelho de TV, e do ProcuraEmprego, que facilita a busca por vagas de emprego no país, entre outras.

Sobre o CPqD

O CPqD é uma instituição independente, com foco na inovação em tecnologias da informação e comunicação (TICs). No Brasil, as soluções do CPqD são utilizadas por grandes empresas e instituições dos setores de telecomunicações, energia elétrica, financeiro, industrial, corporativo e administração pública. Atuando há 35 anos, conta com mais de 1.300 profissionais altamente capacitados, reconhecidos por sua criatividade e comprometimento com elevados níveis de qualidade. O Centro hoje possui o maior programa de P&D da América Latina na sua área de atuação e tem como objetivo contribuir para a competitividade do País e a inclusão digital da sociedade levando ao mercado tecnologias de produto, sistemas de missão crítica, serviços tecnológicos e consultorias.

Informações para imprensa

Pimenta Comunicação

Rosa Sposito – rosa@pimenta.com

Fone: (55 11) 2858-9183/ (11) 9701-0359

Alex Nicolau – alex@pimenta.com

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PABX: (55 11) 2858-9191

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Mercado cresce 8,5% e TV tem share recorde

quinta-feira, 8 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC


Rodrigo Manzano*
Meio & Mensagem

Maiores crescimentos foram de internet e TV paga; Guias e Listas e Cinema perderam participação

O mercado publicitário no Brasil cresceu 8,54% em 2011, repetindo o clima otimista da década. A televisão aberta continua na liderança do share, com 63,3% da participação do bolo publicitário. Internet e TV paga se destacaram, com crescimento de 19,63% e 17,85%, respectivamente, impulsionadas pelo evidente crescimento das suas bases de assinantes e usuários e pelo amadurecimento do mercado digital no País. Mídias impressas — jornais, revistas, guias e listas — cresceram pouco, reproduzindo um período de dificuldades que já vem se anunciando há alguns anos. Ou seja, o mercado se movimentou dentro das suas próprias previsibilidades. Por outro lado, a manutenção do desempenho ou a retomada do crescimento apresentaram novos desafios, principalmente face a uma economia global que enfrentou dificuldades, a um crescimento do PIB tímido — a previsão do Banco Central é que seja 2,7% — e a alguma instabilidade nos setores industriais.

Os dados do Projeto Inter-Meios, coordenado por Meio & Mensagem e auditado pela PricewaterhouseCoopers, apontam que os veículos de comunicação faturaram R$ 28,45 bilhões com venda de espaço publicitário. Estima-se que esse valor represente 90% do total das verbas investidas em mídia ao longo do ano. Contabilizados ainda o residual de 10% e um valor aproximado para a produção das peças veiculadas (calculado em 19% do total), chega-se ao bolo publicitário total (mídia+produção) e aos surpreendentes R$ 39,03 bilhões (ou US$ 23,37 bilhões), o que posiciona o Brasil entres os cinco maiores mercados globais de propaganda, em disputa com Inglaterra e Alemanha, segundo dados da ZenithOptmedia.

A diferença de crescimento dos anos de 2011 e 2010 (quando o mercado aumentou 17,7%, praticamente o dobro) deve-se ao fato de que a Copa do Mundo potencializou o mercado consumidor e, consequentemente, o mercado publicitário e que em anos em que o evento não se rea­liza as expectativas também são mais conservadoras. Há um ano esperava-se que o crescimento do mercado para 2011 fosse algo entre 8,5% e 9%. Cresceu, portanto, dentro da previsão.

Hegemonia


A TV aberta permanece como o destino do maior volume de investimentos, com o total de R$ 18,01 bilhões, 9,17% a mais que 2010 e 63,3% do bolo publicitário do ano passado. Nos últimos dez anos, o faturamento da TV aberta mais que triplicou, já que em 2002 ele era de R$ 5,65 bilhões. Em 2011, a TV atingiu seu share recorde.

“Em 2011, o mercado publicitário se posicionou como um dos setores mais dinâmicos da economia”, assinala Anco Saraiva, diretor da Central Globo de Marketing. “Em um ano excelente para a TV aberta, a TV Globo manteve a sua posição de liderança inalterada”, afirma Saraiva. “A TV Globo está ligada no presente e no futuro, acompanhando as mudanças de mercado, entendendo as diferenças de comportamento no consumo de mídia. E entendendo também que a produção de conteúdo de qualidade continua sendo o seu grande diferencial”, finaliza. Saraiva estima que em 2012 o mercado de TV paga brasileiro deva crescer algo entre 7% e 8%.

Para Walter Zagari, vice-presidente comercial da Rede Record, a realização da Copa do Mundo alavancou o crescimento em 2010 e, como o ano seguinte não contou com o evento, os números parecem mais tímidos do que realmente são. “Em termos de faturamento, o crescimento da Record, em relação a 2010, foi de 25%. Nosso grande trunfo para 2012 serão os Jogos Olímpicos de Londres, com a maior cobertura de um evento desse porte já realizada por uma rede de TV brasileira”, afirma.

Digital e TV paga


A internet e a TV por assinatura são, disparados, os meios de maior expansão em faturamento publicitário: cresceram, no último ano, 19,63% e 17,85%, respectivamente. Contudo, essa elevação não encontra correspondência no share: a internet detém 5,11% de participação do faturamento publicitário total no Brasil e a TV por assinatura é ainda menor, com 4,19%. “O investimento ainda não reflete o tempo de consumo de internet nem o uso que os brasileiros fazem dela”, admite o diretor executivo do IAB Brasil, Ari Meneghini. Mas, diz, os anunciantes reconhecem cada vez mais o potencial da web e a utilizam em comunicação, seja display, search ou redes sociais. “A internet continua sendo o meio que mais cresce há anos. No ano passado, o crescimento foi impulsionado pelo aumento do tempo dos brasileiros na internet e pela melhoria dos serviços na rede, além da audiência nas redes sociais, no consumo de vídeo, nas áreas de entretenimento, busca, além do fato de que os brasileiros conectados estão se informando mais pela internet do que por outros meios”, completa.

A TV por assinatura ocupa a quinta posição, a despeito do crescimento considerável do ano passado, mas comemora o desempenho: “A TV paga experimentou um crescimento espetacular em todos os sentidos, em número de assinantes, em publicidade, em lançamento de canais em HD e em formatos ‘não lineares’, em um ano ímpar, em que não foram realizadas grandes competições e eventos, principalmente esportivos”, opina o diretor executivo e comercial da Globosat, Fred Müller. “Neste ano, a meta é manter o ritmo de crescimento. Para isso, continuaremos a investir em conteúdos de qualidade que atendam às preferências do público brasileiro”, afirma.

Impressos


Apesar do aumento da circulação, os jornais cresceram abaixo da média do mercado, com 3,83% de aumento, R$ 3,36 bilhões de faturamento e 11,83% no share. Para Fábio Costa, diretor de mercado anunciante do Grupo Estado, “o jornal é uma mídia já consolidada, diferentemente de outras, em especial internet e alternativas que vêm surgindo”, pondera. “Existe também um outro fator: na mídia impressa existe uma relação diferente com o inventário. Apesar de ter um crescimento menor no volume, é preciso dizer que o preço médio se mantém, fica protegido ou mesmo aumenta”, explica.

No mesmo intervalo, a circulação média dos jornais saltou de 3,4 milhões de exemplares para 4,4 milhões, de acordo com os dados do IVC. Para Costa, o efeito do incremento no número de leitores não é percebido instantaneamente pelo mercado publicitário e existe um intervalo de ao menos um ano para que esses dados se acomodem e produzam efeito na distribuição da verba publicitária. “Leva um tempo para fazer parte da pauta das negociações dos jornais com as agências de publicidade e os clientes”, diz.

* Colaboraram Eliane Pereira, Sérgio Damasceno, Bárbara Sacchitiello, Nathalie Ursini e Orlando Figueiredo.
Share publicitário por meio 2011 Crédito: Projeto Inter-Meios / Meio & Mensagem

Investimentos por Mídia Crédito: Projeto Inter-Meios / Meio & Mensagem


Investimentos em Mídia Exterior Crédito: Projeto Inter-Meios / Meio & Mensagem

Metodologia

O Projeto Inter-Meios é um relatório de investimento em mídia no País tabulado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers com exclusividade para­ o Grupo Meio & Mensagem, que coordena o projeto. O trabalho mede, mês a mês, os investimentos em veiculação feitos pelos anunciantes na mídia brasileira. Estima-se que ele mensure 90% do total das verbas. Os participantes encaminham seus dados diretamente à Price. Informações completas podem ser obtidas no endereço www.projetointermeios.com.br.
 

O novo padrão Globo de popularidade

quarta-feira, 7 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC

Bárbara Sacchitiello
Meio & Mensagem

Na dramaturgia, jornalismo e entretenimento, emissora direciona sua linguagem e estilo para atingir suas metas de audiência com o apoio da nova classe média nacional

Não é de hoje que a Rede Globo vem moldando sua programação ao gosto da tal nova classe de consumidores brasileiros. A apresentação da grade de programação de 2012 – realizada na noite dessa segunda-feira, 5, para a imprensa e para o mercado publicitário, em São Paulo – não deixou dúvidas de que são esses milhões de brasileiros que influenciarão o estilo, a linguagem e a cara que a emissora adotará nesse e nos próximos anos.

“Os acontecimentos econômicos do Brasil tem de ser levados em consideração quanto montamos a nossa programação. As classes C, D e E, apesar de sempre terem existido, conseguiram, nos últimos anos, ampliar seu potencial de consumo graças a melhoria salarial e uma melhor distribuição de renda. Temos que acompanhar esse processo com a nossa dramaturgia, o jornalismo, o esporte e todo o entretenimento que oferecemos aos espectadores”, explicou o diretor geral da Rede Globo, Octavio Florisbal, durante a coletiva de imprensa no evento.

Uma rápida observação das principais novidades da grade deste ano denotam essa exaltação das classes mais populares. As novas novelas da grade (Avenida Brasil, que substituirá Fina Estampa, Cheias de Charme, que entrará no lugar de Aquele Beijo, as 19h e até mesmo o remake de Gabriela, na faixa das 23h) são recheadas de personagens e cenários bem típicos da maior parte da população de classe média do País. A linguagem dos jornalísticos da casa e das transmissões esportivas também têm a preocupação de serem compreensíveis para todo o grande público. O novo programa da jornalista Fátima Bernardes, que irá ocupar as manhãs da emissora a partir do segundo semestre, também mesclará entretenimento, prestação de serviços e jornalismo, a fim de cativar quem busca informação mas não dispensa um pouco de lazer na telinha.

Esse namoro com a classe C, entretanto, não desvia a emissora dos padrões de qualidade e de excelência profissional que ela sempre pregou. A própria apresentação da grade foi realizada em clima de superprodução, com o elenco da casa se revezando no palco, em uma apresentação para mais de mil convidados – a grande maioria profissionais de agências de publicidade e do mercado anunciante. A classe, aliás, foi bastante homenageada durante o evento. Ao subir ao palco, Fátima Bernardes ressaltou a importância dos profissionais de propaganda na construção da grade, do estilo e da liberdade de expressão da TV Globo. O apresentador Fausto Silva também agradeceu aos publicitários, ressaltando a importância dos programas de auditório. “As pessoas do mercado sabem o quanto uma ação conduzida por um âncora de TV tem de impacto sobre o público. Por isso que sempre me envolvi diretamente com a área comercial, para transmitir essas mensagens da melhor maneira possível”, disse Faustão, em sua participação no evento.

Em busca dos 19 pontos
Uma grade variada, vários astros e estrelas de peso no elenco, investimento na tecnologia de produção e transmissão e a aquisição de importantes produtos para colocar no ar têm um único objetivo: fazer com que o público não troque a programação da Globo por outros canais, pela internet ou por outros afazeres.

Questionado sobre o atual cenário de declínio de audiência na TV Aberta, Octávio Florisbal atribuiu o fenômeno ao crescimento da base de assinantes da TV paga. “Até 2014 devemos ter um total de 25 milhões de lares no Brasil com TV por assinatura. Essas pessoas, que antes não tinham outras opções de canais, hoje já podem escolher muitos outros para assistir. Acredito que seja para esse meio que tenha migrado os nossos 3 pontos de audiência na média geral, que perdemos desde o final da década de noventa, quando saiu o primeiro balanço do Painel Nacional de Audiência”, acredita o executivo.

Para 2012, Florisbal revela que a meta da emissora continuará sendo atingir os 19 pontos na média diária de audiência. No ano passado, a Globo conseguiu chegar somente aos 18. Para concretizar essa missão, além da variedade da programação, a emissora também apostará no aprimoramento tecnologico. A produção de conteúdo para internet e mídia moveis serao prioridade em 2012, bem como a ampliação da emissora na transmissão do sinal digital. Segundo Florisbal, aé 2014, a Globo pretende levar a TV Digital para 70% dos municípios brasileiros.

Em relação à grade, como de costume, a emissora priorizará o atual modelo, com poucas variações em relação ao conteúdo que já está no ar. Entre as novidades estão um novo programa de variedades, que será comandado por Pedro Bial (ainda sem data de estreia definida) e o retorno do humorístico Casseta & Planeta. O Big Brother Brasil, cuja 12a edição ainda está no ar, já tem mais uma temporada garantida em 2013.

A extinção dos infantis
Outro ponto de destaque da coletiva do diretor geral da emissora foi a revelação de que, em 2012, a programação infantil da Globo será praticamente extinta. Como as manhãs da emissora serão preenchidas com o novo programa de Fátima Bernardes, a TV Globinho acabou perdendo seu espaço, ficando somente com uma edição nas manhãs de sábado.

“Internacionalmente, as emissoras de TV Aberta não exibem mais conteudo infantil. Ele está cada vez mais restrito à TV paga, com canais direcionados só para isso. Acreditamos que isso também começará a acontecer no Brasil. Além disso, manter uma programação para crianças é muito complicado, pois ela não dá retorno nem em audiência – uma vez que eles preferem assistir os programas infantis da TV paga – e também não trazem retorno comercial, porque as restrições para publicidade infantil são muito rígidas”, justificou Florisbal. “Certamente, quem irá absorver esse público é o SBT, que já faz, há muitos anos e muito bem, uma programação infantil na TV Aberta”, pontuou Florisbal.
 

Rede Globo de Internet fica pronta ainda este ano

terça-feira, 6 de março de 2012

Texto publicado em: FNDC -

Marcelo Gripa
Adnews -

Confortavelmente estruturada como TV, o desafio da Rede Globo agora é dominar o digital e entender a plataforma móvel, campo em que ela assume ainda estar “aprendendo”. Durante a apresentação da nova grade da emissora, nessa segunda-feira, em São Paulo, o diretor-geral Octávio Florisbal deu grande destaque aos planos multimídia do grupo para o próximo triênio.

“Estamos no meio do caminho”, diz Florisbal sobre a Rede Globo de Internet, projeto que ficará pronto até o final do ano com o objetivo de levar conteúdo Brasil adentro. Conforme avança a internet, 28 portais regionais terão o conceito de "hiperlocalismo" para ser a porta de entrada dos internautas que estão longe dos grandes centros. “Desenvolvemos bastante a internet dentro da Globo”, enfatiza o diretor que está de olho nos 4 mil municípios que terão banda larga até 2014.

O mesmo entusiasmo, no entanto, não é visto sobre o mobile. O chefão-geral comentou que “ninguém tem isso pronto” no Brasil, mas prevê que o sucesso estará nos smartphones, não nos tablets. Ele está otimista com a adesão maciça a novos modelos e acredita que, até a Copa, o país terá 100 milhões deles com acesso 3G. “Estamos de olho na oportunidade de acessar a internet pelo celular”, diz sem detalhar planos. A grande aposta é aproveitar o filão dos moradores dos grandes centros urbanos, que veem no celular o amigo que ameniza a irritação das horas no trânsito.

Sobraram elogios para TV digital e TV paga, esta última apontada como responsável por tirar público da TV aberta, ainda que em pequena escala. Segundo Florisbal, nos próximos dois anos a digitalização do sinal aberto conseguirá cobrir 70% do território nacional, o que deve ser um salto para impulsionar a nova tecnologia por aqui. Quanto à TV fechada, a expectativa é que ela dobre de tamanho e atenda cerca de 25 milhões de domicílios em breve.

Metas, Fátima e Bial
Apesar de constantemente questionada sobre a queda de sua audiência, a Globo não vê o assunto como alarme. Octávio Florisbal disse ontem que os índices são monitorados por meio de pesquisas e há discussões semanais para coibir eventuais quedas. O diretor esclarece que problemas deste tipo “praticamente não existem”. "Em 1990, o JN chegava a 5,2 milhões de lares. Hoje, chega a 16,5 milhões. A entrega é muito maior do que antes”, diz ele. Para 2012, a meta da emissora é alcançar 19 pontos no horário que vai das 7h à 0h e recuperar o resultado do ano passado, que ficou um ponto abaixo.

Aguardados com ansiedade pelo público que lotou a casa de shows Via Funchal, onde o evento aconteceu, Fátima Bernardes e Pedro Bial falaram pouco. Sabe-se apenas que o programa da ex-companheira de William Bonner vai ao ar até a metade do ano e, segundo antecipou Faustão, será nos moldes de um programa de auditório. A novidade é que a chegada de Fátima às manhãs dará à emissora uma cara mais adulta no horário. Florisbal diz que não faz mais sentido apostar em programação infantil na TV aberta porque a TV paga, e o rival SBT, fazem isso muito bem. “É uma decisão estratégica. Lá fora isso também não acontece mais”, justifica.

Sobre Pedro Bial, o cenário é mais esclarecedor. Ele ganhará um programa semanal de entrevistas e debates que deve ir ao ar das 23h à 0h. Destinada ao público AB, a atração deve ser veiculada entre junho e outubro para não prejudicá-lo no BBB, que, aliás, já tem a edição de 2013 garantida.
 

Conteúdo da TV paga: uma questão de escolha

segunda-feira, 5 de março de 2012

Texto publicado em: Carta Maior

A cota obrigatória para os países que compõem a União Europeia é de que 50% do conteúdo veiculado seja europeu. A “absurda” intervenção do Estado na TV por assinatura no Brasil para garantir a veiculação de conteúdo nacional é uma “estrondosa” cota de 2,08% por semana. Isso equivale a 3h30 de conteúdo nacional (por semana), sendo 1h45 de conteúdo nacional independente. Hoje, mais de 80% de todo conteúdo de filmes, séries, documentários e desenhos veiculados nos canais pagos no Brasil é de origem norte-americana. O artigo é de Carolina Ribeiro.

Carolina Ribeiro (*)


Em 2011, o Congresso Nacional aprovou a Lei 12.485/11, conhecida como a nova lei da TV por assinatura. O escopo da nova legislação é bastante amplo, mas há dois aspectos fundamentais: a abertura do mercado de distribuição às operadoras de telefonia e o estabelecimento de cotas de produção e programação nacional e independente nos canais. Contrários à lei e derrotados no legislativo, os Democratas (DEM) entraram com pedido de inconstitucionalidade no Superior Tribunal Federal (STF). De carona nessa ação, a SKY, do megaempresário norte-americano Jonh Malone, convocou seus assinantes via email, internet e pelo próprio canal de TV, a se manifestarem contra a lei.

Um dos pontos que a propaganda veiculada pela SKY levanta é que a nova lei da TV por assinatura fere a liberdade de escolha do cliente. Então vejamos. A SKY me oferece a enorme diversidade de... três pacotes iniciais. A cada um eles eu posso acrescentar um grande leque de outros ... três pacotes adicionais. Não tenho a opção de ter só canais esportivos, não posso ter só filmes, não posso escolher aleatoriamente dois canais de jornalismo, um de filmes e um de variedades. Caso eu não queira ver quatro horas de venda de tapete, anéis e aparelhos milagrosos de redução da barriga na Fox pela manhã ou de madrugada, a empresa nada tem a ver com isso. Não posso pagar menos se não quiser um canal que só passa reprise. E se eu quiser ver a Libertadores da América, da Fox Sports, que eu sei que tenta vender os direitos de exibição pra SKY, não adianta; a empresa já disse que não quer comprar. A liberdade de escolha na SKY é realmente impressionante.

Cotas e o intervencionismo de Estado
A SKY também acusa a lei de criar cotas como um mecanismo terrível de intervenção estatal. Não custa lembrar que os modelos de negócios do audiovisual no mundo foram construídos de forma estratégica e engenhosa pelos Estados Unidos de modo que, até hoje, seis dos maiores produtores de conteúdo audiovisual mundial são norte-americanos. Mais de 80% de todo conteúdo de filmes, séries, documentários e desenhos animados veiculados nos canais pagos no Brasil é de origem norte-americana. Esse não é um privilégio brasileiro. Com raras exceções, a indústria audiovisual de muitos países, incluindo os desenvolvidos, é dominada pelos enlatados estadunidenses. Por isso, desde o final da década de 80, a maior parte dos países europeus adotou um sistema de cotas que protege o conteúdo local. Mesmo nos EUA, houve tempos em que a cota para produção independente era altíssima e havia regras rigorosas para impedir que poucas empresas dominassem o mercado.

Quase 30 anos depois, no século XXI, o Brasil finalmente conseguiu aprovar uma lei de proteção ao conteúdo nacional e de estímulo à produção independente. Ao contrário do mundo inteiro, esse mecanismo não se aplica ao sistema como um todo, abarcando também a TV aberta, mas garantiu pequenos avanços na TV por assinatura. E veja que coisa chocante. A lei obriga que os canais considerados de espaço qualificado, ou seja, de filmes, séries, documentários, programas de variedades e reality shows, passem, por semana, 3h30 de conteúdo nacional, sendo 1h45 de conteúdo nacional independente. Faça você mesmo as contas. Em nome da valorização da cultura nacional e da diversidade, a lei obriga que um canal passe meia hora por dia de um filme, ou uma série, ou um desenho, ou um programa de variedade brasileiros, sendo 15 minutos de produção independente. O cumprimento da cota é semanal e pode ser realizado num só dia, ou em dias alternados, a critério das programadoras.

A cota obrigatória para os países que compõem a União Europeia é de que 50% do conteúdo veiculado seja europeu. A “absurda” intervenção do Estado na TV por assinatura no Brasil para garantir a veiculação de conteúdo nacional é uma “estrondosa” cota de 2,08% por semana. Em relação ao independente esse valor cai pela metade. No Canadá, 75% do conteúdo das televisões abertas deve ser composto por produções de origem canadense nos gêneros drama, comédia e documentário longa-metragem, assim como shows de premiações que celebrem o talento criativo dos canadenses. E é a nossa democracia que está ameaçada pela intervenção estatal.

Cotas de conteúdo, em qualquer lugar do mundo, mas fundamentalmente em democracias mais consolidadas e avançadas, é um mecanismo fundamental de desenvolvimento da indústria audiovisual local, de proteção e difusão da cultura nacional e de garantia do pluralismo e da diversidade. No Brasil, qualquer tentativa de avançar nesse sentido é vista como censura, ditadura ou intervencionismo estatal. Isso porque os mesmos grupos responsáveis pela difusão da informação controlam o que deve e o que não deve ser conhecido ou debatido pelos brasileiros. Eles não querem discutir o setor que controlam. Mais do que isso, utilizam o canal de comunicação que possuem para desinformar a população e defender seus próprios interesses. É esse o caso da propaganda da SKY, que, não custa lembrar, enviou mensagem sobre o perigo da lei para seus quase 3,8 milhões de assinantes. Sem contar a sistemática veiculação de uma propaganda mentirosa nos canais da empresa e na internet.

Ainda bem, os mitos de que a obra audiovisual nacional não presta, de que tudo que fazemos é um lixo e de que o Brasil não produz conteúdo de qualidade está cada vez mais distante do imaginário da população. Junto com um momento de desenvolvimento econômico, o país vive uma febre de auto-estima, de auto-valorização que também se reflete na produção audiovisual. Desenhos animados como Meu Amigãozão, Peixonautas, Tromba Trem e Turma da Mônica ganham a simpatia de brasileirinhos e de outras crianças mundo afora. Filmes e séries nacionais já são comuns em alguns canais de TV paga, inclusive estrangeiros. Documentários sobre a nossa diversidade cultural e regional são cada vez mais vistos e comemorados.

É hora de cada brasileiro assumir que ter mais Brasil e mais conteúdo independente na TV é bom para a difusão na nossa identidade entre nós mesmos, e para o mundo, além de ingrediente essencial para a democracia. É hora de desconfiar profundamente de quem utiliza o discurso da liberdade de escolha para fazer terrorismo mentiroso com seus clientes e atacar leis que buscam dar visibilidade a nossa riqueza e diversidade.

(*) Carolina Ribeiro é jornalista e integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.
 

Depois do PPB do Ginga, MiniCom quer incentivar criação de aplicativos

quinta-feira, 1 de março de 2012

Lúcia Berbert
Tele Síntese

Ministro Paulo Bernardo disse que oferecerá um conjunto de aplicações desenvolvidas pelo CPqD para emissoras

Após a definição da incorporação do Ginga nos televisores fabricados na Zona Franca de Manaus, o Ministério das Comunicações vai conversar com entidades representativas dos radiodifusores para que as emissoras desenvolvam aplicativos destinados à interatividade da TV digital. A informação foi dada nesta sexta-feira (24) pelo ministro Paulo Bernardo, após voltar de Campinas (SP), onde assistiu o teste da tecnologia LTE na faixa de 450 MHz, em equipamentos desenvolvidos pelo CPqD.

Segundo o ministro, o CPqD ofereceu um conjunrto de aplicativos desenvolvidos por seus técnicos destinado à interatividade na TV a partir do uso do Ginga, que será colocado à disposição das emissoras no site do MiniCom. Os aplicativos poderão ser copiados livremente. “Especialmente para as menores, que não têm a mesma capacidade financeira que os grandes grupos”, disse.

Bernardo acredita que agora que há uma definição sobre a produção dos televisores com o Ginga, as emissoras, que não investiram na interatividade, se interessarão pelo serviço. “Afinal, elas vão querer ocupar esse espaço”, acredita.

PPB
Pela portaria que alterou o Processo Produtivo Básico (PPB) dos televisores de LCD, publicada hoje, os fabricantes serão obrigados a incorporar o Ginga em 75% dos televisores produzidos no país em 2013 e em 90%, a partir de 2014. Segundo Bernardo, o adiamento da inclusão do middleware se deveu à resistência dos fabricantes em iniciar a incorporação a partir de julho deste ano, em 50%.

O ministro disse que não haverá prejuízos para as pretensões iniciais do governo, uma vez que que, em 2013, exatamente 75% dos televisores já saírão das fábricas com o middleware da interatividade, como definido antes pelo governo. Ele lembrou ainda que o PPB permite que a empresa que quiser já pode obter os benefícios com a inclusão do Ginga ainda este ano.
 
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