Teles insistem em 'morder' receitas dos provedores de conteúdo

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Texto publicado em: FNDC

Luís Osvaldo Grossmann
Convergência Digital

 A Internet vai dominando os debates do 56º Painel Telebrasil, evento que nesta quinta-feira, 30/08, em Brasília. Depois de rejeitar a neutralidade de rede logo na abertura do evento (realizada na noite desta quarta-feira, 29/08 - clique aqui e leia a matéria ) a primeira discussão ficou centrada na remuneração das operadoras - ou seja, as detentoras da infraestrutura - pelo crescente consumo de banda. Melhor dizendo, como capturar receitas dos provedores de conteúdo.

Estudo da consultoria AT Kearney, apresentado no evento, ratificou os argumentos das teles. O levantamento destaca a “explosão” do tráfego e o peso de conteúdos na forma de vídeos, bem como a demanda por assisti-los com mobilidade. “O peso do tráfego de vídeo no Brasil pode ultrapassar 65% [da capacidade]”, disse o diretor de telecom da consultoria, Tiago Monteiro. Foi a senha para que os principais executivos das maiores teles com atividade no país reforçassem, sucessivamente, a necessidade de os fornecedores de infraestrutura capturarem uma fatia dos ganhos dos responsáveis pelos conteúdos - especialmente aqueles mais demandados, como o Google, visto que o Youtube é um monstro que compromete 25% da banda móvel mundial.

Presidente da Vivo, Antonio Carlos Valente abriu a campanha destacando que, por conta dos grandes consumidores de banda, criou-se “um estresse no modelo tradicional de receitas”. “Com o crescimento exponencial do tráfego de dados, a conta não vai fechar. Aliás, já não fecha hoje”, emendou o presidente da Oi, Francisco Valim. Para o presidente da Claro, Carlos Zenteno, embora possam ser explorados novos eventuais produtos ligados aos smartphones. “Mas o desafio é como os operadores participam do conteúdo, de forma que não sejam meramente um tubo”.

O melhor resumo, no entanto, foi dado pelo presidente do conselho de administração da TIM, Manoel Horário da Silva: “Nós temos que dar uma mordida nas receitas do lado de lá”. Em um evento produzido e voltado para o setor de telecomunicações não houve nenhum contraponto dos provedores de conteúdo sobre o que acham de dividir com as teles suas receitas.
 

Eficiência duvidosa da publicidade na TV

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Texto publicado em: Observatório da Imprensa

Por Luciano Martins Costa em 29/08/2012 na edição 709

Comentário para o programa radiofônico do OI, 29/8/2012




Vem dos Estados Unidos uma notícia ao mesmo tempo animadora e preocupante para a imprensa tradicional: segundo a edição de quarta-feira (29/8) da Folha de S.Paulo, está caindo a eficácia da publicidade na televisão americana.

Uma pesquisa realizada por um consórcio da Nielsen com a Kantar Media constatou que, em muitos casos, até 75% dos anúncios veiculados são vistos por apenas 20% do seu público-alvo.

Em alguns casos, a consulta a telespectadores de determinada faixa etária, justamente aquela que interessava ao anunciante, mostra que apenas uma pequena proporção desse público potencial foi atingida.

O estudo comprova uma desconfiança antiga de profissionais ligados à comunicação e publicidade: embora permita atingir grandes massas de consumidores, a televisão não assegura que o público central de uma campanha será alcançado pela mensagem do anunciante. Apesar disso, a TV ainda segue dominando o total dos investimentos publicitários, o que pode ser explicado de uma maneira muito simples: como tiram boa parte de sua receita dos bônus por veiculação, as agências convencem seus clientes de que é mais interessante anunciar na televisão.

Os números geralmente impressionantes da audiência televisiva dão a impressão de que os investimentos em criação, produção e veiculação valem a pena. O que a pesquisa divulgada pela Folha demonstra é que nem sempre isso é verdade.

Depoimentos negativos

Há uma dispersão natural da mensagem entre os telespectadores, e a impossibilidade de assegurar um foco mais preciso na TV sempre foi um assunto dissimulado no ambiente da publicidade.

Os números massivos de audiência têm servido para manter a mística da eficiência e sustentar o valor percebido desse investimento. Mas, se fica demonstrado que a mensagem não alcança o público que interessa ao anunciante, certamente algumas estratégias começarão a ser revistas, sugere a reportagem.

Entre as empresas cujos anúncios foram ignorados pelo público-alvo são citadas indústrias de cosméticos e empresas de seguro.

Embora pareça animadora para os demais meios de comunicação, que com base nessa pesquisa podem reivindicar uma fatia maior no bolo publicitário, a notícia pode não ser otimista para a mídia em geral.

Como se sabe, a fragmentação das audiências, provocada pelo crescimento e diversificação dos meios digitais, tem provocado questionamentos em geral sobre a forma tradicional da mensagem publicitária.

A estratégia de alardear repetidamente as qualidades de um produto ou serviço, ou a excelência de uma marca, pode se tornar uma operação com alto risco de reversão quando se considera que, a qualquer momento, essa ação publicitária pode ser atravessada por uma onda de depoimentos negativos nas redes sociais digitais. Não são poucos os casos, alguns recentes, em que foi preciso interromper uma campanha publicitária porque o público reagiu negativamente.

O consumidor móvel

Nos casos de propaganda por meios massivos como a televisão, bastam algumas poucas experiências negativas com o produto ou serviço anunciado, veiculadas nos meios digitais, para que a campanha seja revertida em mensagem contrária ao pretendido, com uso de vídeos nos canais abertos da internet.

Se fica demonstrado que as campanhas pela televisão, além de não alcançarem o público pretendido, ainda ficam vulneráveis a essas marés negativas, o que está em jogo não é apenas o meio em si, mas o próprio formato da mensagem impositiva da propaganda.

Não é por acaso que grandes anunciantes tradicionais, como as indústrias de refrigerantes, vêm diversificando suas ações com pacotes que incluem anúncios do tipo convencional com campanhas de engajamento dos potenciais consumidores em dinâmicas sociais via redes digitais.

Não se trata apenas de monitorar de alguma forma a resposta do público à mensagem publicitária: trata-se de propor uma nova forma de relacionamento que, ao mesmo tempo, permite dar visibilidade ao produto e colher informações sobre sua imagem junto ao consumidor. Esse tipo de operação não pode ser feito apenas com propaganda, pelo menos com o discurso comum usado nos anúncios.

Se essa pesquisa pode ser usada pelos outros veículos em sua concorrência com a televisão, existem elementos nesse estudo que indicam a necessidade de conhecer melhor o público, observar como ele se torna cada vez mais dispersivo e também mais capaz de reter informações recebidas simultaneamente de vários meios.

Essas mudanças, provocadas pela crescente interatividade e mobilidade do potencial consumidor, exigem uma atitude completamente nova da mídia.
 

Lei da TV a cabo motiva crescimento do mercado de audiovisual

terça-feira, 28 de agosto de 2012

28/08/2012 |
Carlos Heli de Almeida
O Globo Online

Em vigor desde domingo, nova regra aquece e diversifica trabalho das produtoras

Depois de 50 anos dedicados quase que exclusivamente à produção de filmes, entre eles alguns clássicos das diversas fases do cinema brasileiro, a produtora LC Barreto (leia-se Luiz Carlos Barreto), em Botafogo, acaba de montar um departamento dedicado a projetos para a televisão. Não muito longe dali, no Largo do Machado, a Giros, há mais de 15 anos produzindo quase que exclusivamente programas de TV e vídeos institucionais, precisou aumentar a equipe em 30% nos últimos 12 meses.

A movimentação nas duas empresas está relacionada à entrada em vigor, no próximo domingo, da Lei 12.485, que obriga as operadoras de TV a cabo a veicular, em sua primeira fase, uma hora e dez minutos por semana de conteúdo independente nacional em horário nobre. É preciso preencher os espaços abertos nas grades de programação das emissoras, que poderão lançar mão das linhas de fomento do audiovisual.

— Há uma febre de desenvolvimento de projetos para a TV paga. Muita gente vinha trazer ideias aqui mas, como não tínhamos uma estratégia para a área, acabávamos deixando passar muitas ofertas. Foi essa nova demanda que nos estimulou a colocar em prática uma velha vontade da empresa, a de montar um núcleo só para desenvolver projetos para a televisão — explica Daniel Tendler, um dos diretores do novo departamento da LC Barreto.

Giros: de dez para 35 projetos anuais

Belisário Franca, diretor artístico da Giros, conta que quadruplicou a produção e o desenvolvimento de conteúdo ao longo dos últimos 12 meses.

— Tivemos que contratar mais pessoal para atender a demanda. Costumávamos desenvolver e produzir uma média de dez produtos por ano; hoje temos cerca de 35, em diferentes estágios de realização — diz ele, que está desenvolvendo a segunda temporada da série “Detetives da História” para o History Channel, entre outros programas. — Acho que, em função da lei, a produção de conteúdo independente no país vai passar das 400 horas (anuais) para três mil.

Alimentado pela lei, que em 2014 prevê que as emissoras tenham que aumentar a cota para três horas e meia semanais de programas nacionais, em horário nobre, o aquecimento do mercado audiovisual está provocando mudanças de hábitos e padrões em empresas estabelecidas, e estimulando o crescimento de outras. A LC Barreto, por exemplo, responsável por clássicos do cinema nacional como “Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), de Bruno Barreto, está se adaptando para produzir conteúdo com prazos mais longos. Uma das principais atrações da nova linha é “Rondon, o grande chefe”, docudrama em cinco episódios sobre a vida e a obra do sertanista Marechal Cândido Rondon (1865-1958), interpretado por Rui Ricardo Dias.

— Produzimos o “Oncotô”, para a TV Brasil, e o “Vampiro carioca”, para o Canal Brasil, mas nunca trabalhamos para a televisão de forma continuada — diz Tendler. — O “Rondon” talvez seja o primeiro feito dentro da lei das TVs a cabo. Mas também já fechamos um programa de cinco capítulos sobre os hábitos dos homens do subúrbio, chamado “Homem de verdade”, e outro de perfil feminino, o “Ela disse, ele disse”, inspirado no livro da Talita Rebouças.

Efeitos chegam ao sul do país

Tendler acredita que o entusiasmo pela abertura do mercado seja maior nas cidades fora do eixo Rio-São Paulo, onde, segundo ele, “era muito mais complicado entrar no setor das TVs a cabo, por não terem um mercado publicitário forte”. Os efeitos já foram sentidos no extremo sul do país, na Casa de Cinema de Porto Alegre, berço de um geração inteira de cineastas e publicitários.

— As pessoas que trabalham com audiovisual aqui em Porto Alegre estão muito otimistas, criando sem parar. É um momento legal, há uma gurizada vindo com muitos projetos, mas que precisam ser amadurecidos — comenta a diretora Anna Luiza Azevedo, uma das sócias da produtora gaúcha, que já tem parcerias estabelecidas com a Rede Globo, o Futura e o Canal Brasil.

— Aqui, na Casa, temos percebido uma demanda maior de projetos, mas todos ainda em negociação. Aumentaram também as proposta de licenciamento de títulos do nosso catálogo de filmes, inclusive os curtas-metragens, como “Ilha das Flores”, “3 minutos” e “O oitavo selo” — enumera Anna.

Capacitação para um mercado que se expande

Beneficiados por um recorte da Lei 12.485, que determina que 30% do conteúdo sejam produzidos por empresas, técnicos e artistas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o emergente polo do Recife se articula para abocanhar a sua fatia. A Fundação Joaquim Nabuco está fazendo a sua parte, criando cursos de capacitação para o mercado que se expande.

— As produtoras do Brasil inteiro estão se reconfigurando para isso — observa João Vieira Jr., da Rec, a maior produtora de cinema do Recife, responsável por filmes como “Cinema, aspirinas e urubus”, de Marcelo Gomes, e “Baixio das bestas”, de Cláudio Assis.

Num primeiro instante, os títulos do catálogo da produtora já foram requisitados por emissoras a cabo. Mas a Rec também trabalha com encomendas novas em dramaturgia, que apontam para uma linguagem híbrida entre cinema e TV, ainda em fase de negociação. Um deles tem o título provisório de “Contos brasileiros”, série idealizada a partir de textos curtos de autores nacionais pouco conhecidos.

— O roteirista de todos os episódios do programa é o Hilton Lacerda, que participou de quase todos os filmes da Rec. Vamos trabalhar com três contos de cada contista não consagrado, de diferentes cidades do país, do Rio Grande do Sul à Amazônia — adianta Vieira Jr. — A ideia é jogar luz sobre a obra desses escritores e defender a cultura brasileira, dotá-la de universalidade.

Temor de centralização

A GP7 Cinema, do Paraná, não atua no eixo Rio-São Paulo e não se beneficia da norma que defende algumas regiões. Produz teledramaturgia com alguma regularidade para a RPC, filiada da Rede Globo, desde 2009, mas reage de forma moderada diante do impacto da obrigatoriedade da lei.

— Estamos tendo oportunidade de criar uma indústria audiovisual. Mas tenho receio de que as produtoras independentes não tenham know-how para suprir a demanda, e isso possa ser usado pelas TVs a cabo para derrubar a lei, ou ignorá-la, como fizeram com a lei do curta nos cinemas (de 1975, que instituía a exibição de um curta nacional em toda sessão de longa estrangeiro) — pondera Guto Pasko, diretor da GP7, também diretor de articulação política e de integração da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas) nacional.

Pasko teme ainda que os recursos destinados à lei acabem concentrados, “mais uma vez, no eixo Rio-São Paulo, nas mãos dos mesmos”:

— Quem garante que a cota mínima dos 30% para os estados periféricos será cumprida? A LC Barreto nunca se preocupou com a TV, agora tem uma divisão só para ela. Fernando Meirelles, da O2, disse que já recebeu dezenas de projetos só para atender a cota. As TVs acabam procurando quem já tem experiência na área, que pode entregar trabalhos de qualidade dentro do prazo — alerta o produtor.

Andrea Barata, da O2, confirma o desenvolvimento de quatro projetos: “Contos de Edgar”, série baseada em textos de Edgar Allan Poe, “Pontos de vista”, programa que aborda temas polêmicos variados, ambos para a Fox, “4ever young”, série de 13 episódios, para o GNT, e “Destino SP”, para a HBO, sobre o impacto de estrangeiros na capital paulista. Meirelles, que avisa que ainda há “mais uma dúzia de projetos na marca do pênalti”, levanta a bandeira branca e analisa:

— Não creio que o nível dos programas será comprometido. TV vive de audiência, a briga aí é de foice. Ninguém será maluco de pôr qualquer coisa em horário nobre apenas para cumprir a lei. Seria como dar tiro no pé. Minha expectativa é que, em dez anos, nossa TV esteja muito renovada, graças a essas mudanças.

Entenda a lei:

Sanção

Projeto de lei de iniciativa parlamentar, a lei 12.485, conhecida como lei da TV a cabo, teve sua versão final aprovada pelo Senado em agosto de 2011, e sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mês seguinte.

Regras

O dispositivo, que entra em vigor no dia 2 de setembro, obriga as operadoras de TV paga a veicular uma hora e dez minutos por semana de produção nacional em horário nobre. Em 2014, esta cota subirá para três horas e meia.

Recorte

Na lei, há um recorte que determina que 30% desse conteúdo destinado às TV por assinatura sejam produzidos por empresas, técnicos e artistas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
 

'Horário nobre' da Internet coincide com o da TV

Texto publicado em: FNDC

Luis Queiroz
Convergência Digital

O meio digital possui hoje várias plataformas e entender como o consumidor se comporta nesses múltiplos devices é de grande importância para a consolidação das estratégias digitais das empresas que pretendem se relacionar positivamente com os usuários no ambiente online. No contraponto, deduz-se com essa pesquisa - que não trata diretamente sobre o assunto - que a TV perde espaço em horário nobre para a Internet, o que vem fazendo com que algumas emissoras tentem reforçar a sua programação para enfrentar a concorrência.


 A Pesquisa

 A Hi-Midia, especializada em segmentação e performance em mídia online, e a M.Sense, especialista em estudos sobre o mercado digital, produziram a pesquisa “Horário Nobre da internet no Brasil”, um levantamento sobre os horários de maior acesso à internet no país e as principais atividades realizadas em diversos períodos do dia. Foram ouvidas 1.265 pessoas das cinco regiões do país, entre 15 e 22 de junho. A pesquisa constatou que o horário nobre da internet durante a semana é a noite, mais especificamente entre 19h e 22h, que coincide com a chegada dos usuários em casa após o trabalho.

Já nos finais de semana, o acesso é menos concentrado e se estende ao longo da tarde e da noite (de 14h às 22h). No PC – Para usuários de computador (PC), existe concentração das atividades mais comuns, como navegar nas redes sociais (41%), ler e enviar e-mails (35%), ler notícias (32%) e ler conteúdo de entretenimento (32%), entre 19h e 22h durante a semana útil. Atividades relacionadas à diversão, como fazer download de filmes e música (30%), acessar as redes sociais (28%) e assistir a vídeos (25%), se mantém em alta após as 22h.

Já a leitura de e-mails (37%) e de notícias (29%) têm dois picos diários (pela manhã e a noite), Já nos finais de semana, entre 14h e 17h, é maior o acesso para leitura de e-mails (28%), redes sociais (33%), leitura de notícias (27%) e conteúdo de entretenimento (28%). Já entre 19h e 22h o acesso é maior para jogos (18%), visualização de vídeos (28%) e download de filmes e músicas (24%).

Nos dispositivos móveis – Os usuários de smartphones ou tablets (35% do total de entrevistados) realizam as atividades rápidas e mais comuns, como ler e-mails, acessar as redes sociais e ler notícias, em diversos horários ao longo do dia, durante a semana. Já as atividades como fazer download de músicas e filmes (18%), jogar online (16%) e assistir a vídeos (19%) são mais realizadas após às 22h.

Nos finais de semana, a maior parte dos acessos à rede via tablets e smartphones ocorre ao longo da tarde e noite. Atividades como ler e-mails e acessar as redes sociais começam mais cedo do que as demais, apresentando elevados percentuais desde as 9h (23% e 22%, respectivamente), mas os picos se dão em sua maioria na faixa das 19h às 22h. “A mobilidade faz com que o acesso à Internet ocorra em vários horários durante o dia. Isso é muito importante no planejamento de ações e campanhas publicitárias.” afirma Bruno Maletta, sócio da M.Sense, destacando a importância de entender os hábitos dos usuários para otimizar recursos de campanhas e melhorar eficiência da comunicação entre consumidores e marcas.

Curiosidades

•Nos finais de semana, os percentuais de atividade online no período da manhã é maior em todas as atividades para os homens, em especial a visualização de vídeos e o download de filmes e músicas (16%). Ou seja, os homens começam a acessar a internet mais cedo do que as mulheres.

•O acesso à web com smartphones e tablets após às 22h é menor no Sudeste do que em outras regiões. Apenas 14% dos entrevistados da região Sudeste se ocupam com a leitura de notícias nessa faixa de horário, ao contrário de 23% dos entrevistados das demais regiões. O mesmo acontece com envio e leitura de e-mails (20% contra 25%), acesso as redes sociais (21% contra 29%) e visualização de vídeos (16% contra 25%).

•A faixa de 40 a 49 anos é a primeira a iniciar suas atividades online pela manhã. Em segundo lugar está a faixa acima de 50 anos. Os mais novos acessam a internet mais tarde.
 

Além da TV - o que vem por aí?


Esta pode ser uma daquelas perguntas na qual a resposta vale um milhão de Dólares. O que vem depois da televisão? Qual o futuro da televisão em rede? Ela irá acabar? Por certo não, mas evidentemente ela terá que se adaptar ao novo cenário que está se formando na sociedade globalizada e em rede.

Na sessão Convergência Broadcast/Broadband, presidida por Roberto Franco (SET - SBT - Fórum SBTVD) estas perguntas foram feitas, mas é claro que ainda não foram respondidas. Tendências foram apresentadas, indicando que estas duas plataformas de distribuição de vídeo irão mesmo se convergir devido a crescente demanda do consumo online de vídeo, mas esta nova realidade ainda levará algum tempo para que venha realmente influenciar o mercado broadcast. Isto porque, no Brasil, a TV aberta vai muito bem. A boa fase econômica brasileira, frente aos mercados internacionais, trouxe para a faixa de consumo de produtos eletroeletrônicos uma boa parcela da população. É a chamada "nova classe C". Mas a desigualdade social ainda é muito grande no país. Somos o 4º colocado na América Latina, o que limita o consumo de aparelhos e dispositivos que permitem ao indivíduo receber e compartilhar conteúdo audiovisual na Web.

Mas todos os membros da mesa e a plateia presente concordaram que esta situação não irá perdurar por muito tempo e que para migrar para esta nova realidade com relativa segurança e estabilidade financeira é preciso compreender as demandas do usuário. O comportamento do telespectador que tem acesso aos diversos dispositivos de conexão com a internet mudou muito. Além da audiência estar se fragmentando a cada dia, ela constrói novos hábitos e novos comportamentos no consumo de vídeos.

A grande questão é que no Brasil estão convivendo duas parcelas muito distintas: uma pequena parte que possui acesso aos dispositivos e uma grande maioria que ainda não. Para piorar a situação, para a parcela que possui acesso, a velocidade das mudanças e ofertas de novas tecnologias é incrivelmente rápida. Ao se pensar que os Tablets surgiram a pouco mais de quatro anos e que já estão sendo integrados como dispositivo de segunda tela, demonstra a velocidade dessas transformações. Esta situação aflige os radiodifusores, pois economicamente é muito difícil que televisão Broadcasting consiga atender de forma plena essas duas parcelas da sociedade ao mesmo tempo. A TV aberta é por natureza generalista, e por conta desta natureza implementou um modelo de negócio que tem garantido a viabilidade econômica das emissoras até o presente e que certamente ainda irá garantir por um certo tempo, pelo menos no Brasil.

Mas, como todo gestor sabe bem, os cenários se modificam e que ele vai mudar no Brasil já é ponto pacífico para todos os envolvidos desde a produção até a transmissão de conteúdo. Então qual o caminho? Qual é o futuro da televisão aberta no Brasil? Ainda é cedo para responder essa pergunta diretamente, mas já está claro que qualquer que seja esse futuro ele deverá trilhar três caminhos: uma regulamentação que proteja o radiodifusor da pressão das empresas de Telecom, inovação na gestão e nos modelos de negócios e a adesão à nova realidade e demanda de uma sociedade pós Era Industrial. 
 

Abert quer garantia para televisão analógica

Texto publicado em: FNDC
 Redação
ABINEE/O Globo

Prevista inicialmente para 2016, a licitação da frequência de 700 MHz (Megahertz) para a banda larga móvel pode ser antecipada para o segundo semestre do ano que vem. A medida é vista com precaução pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), pois a faixa é atualmente ocupada pelo sinal analógico das emissoras de TV, que podem ser prejudicadas caso ela seja desligada antes do tempo. - Se o governo tomar qualquer medida que ponha em risco a televisão aberta, livre e gratuita, a população será prejudicada - afirma o presidente da Abert, Daniel Slaviero.

Em discurso durante o seminário de tecnologia Innovation Qualcomm, na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou que a licitação deverá ser realizada em 2013, mas ressaltou que a ocupação do espectro só será feita após a migração das TVs para o sinal digital. Segundo Slaviero, a Abert não é necessariamente contra a licitação, nem ao desligamento antecipado do sinal analógico em algumas localidades onde a transição para a TV digital esteja em fase adiantada. Para a entidade, assim como a implantação do sinal digital foi feita de forma gradual, o desligamento do analógico pode seguir o mesmo sistema, desde que seja negociado com as empresas de radiodifusão. - Antecipar algumas cidades e postegar outras, a gente acha bastante sensato.

A implantação foi de maneira gradual. Mas em nenhum momento se fala em antecipar para antes de 2015. Não há risco de acontecer antes da Copa do Mundo - diz Slaviero.
 

TV Broadcast e as empresas Telecom

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Muito já se ouviu falar da influência das empresas de telecomunicação no setor de televisão Broadcast. Porém, uma sessão ocorrida no dia 21/08 no congresso da SET deste ano chamou a atenção pelo título: impacto das novas ofertas convergentes Broadcast/Broadband nas redes Telecom.
Esta sessão mostra uma realidade que alguns poderiam julgar estar ainda muito distante da realidade brasileira, mas a demanda por conteúdo em vídeo vem crescendo em todo mundo, principalmente no Brasil, conforme números apresentados pelos palestrantes convidados.

A sessão se iniciou com a fala de Marcelo Souza (TV Globo) provocando os palestrantes e o público presente com informações que instigaram o debate. A preocupação dos radiodifusores na estrutura física da rede demonstra o interesse dos produtores de conteúdo em atender a demanda cada vez mais crescente do usuário e consumir vídeo via internet.

Breno Fleury, representante da empresa Sisco e responsável pelo desenvolvimento de negócios de vídeo para a América Latina, apresentou dados importantes que comprovam essa nova realidade e desfazem alguns mitos que cercam a questão. Fleury apresentou dados de uma pesquisa encomendada pela empresa que aponta que para 2016 o número de usuários de internet no Brasil subirá dos atuais 61 milhões para 98 milhões de usuários. Apontou que a velocidade média da conexão banda larga subirá dos atuais 4,9 Mb para 13,6 Mb. Uma expectativa de aumento significativa, visto o prazo de apenas quatro anos.

Esta nova configuração do mercado banda larga virá atender o desejo de se consumir vídeo via internet, também demonstrado na pesquisa apresentada. Atualmente, mais de 50% do tráfego mundial da rede é composto por vídeo e, diferente do que se pensava, não são apenas os adolescentes que consomem este tipo de conteúdo. No Brasil, 92% das pessoas entre os 18 e 29 anos afirmaram consumir vídeo online. Na outra ponta, 82% dos usuários entre os 40 e 59 anos, também afirmam consumir vídeo na rede. Ou seja, Fleury afirma que tendo acesso as pessoas, independente da idade, acabam migrando, ou consumindo com maior intensidade, vídeos online. "A palavra chave do momento é conveniência", afirma Fleury.

Apesar deste comportamento do usuário, pesquisas demonstram que a TV broadcast não vem perdendo audiência para o consumo de vídeo online, e que haverá espaço para que estas indústrias (TV broadcast e broadband TV) convivam em harmonia por muito tempo, é o que afirma André Guerreiro, representante da NET, que em sua fala, analisou o comportamento do usuário frente as várias possibilidades de cosumo de conteúdo audiovisual.

Está claro que este é um caminho sem volta e como qualquer nova realidade de consumo, força uma adaptação dos modelos de negócios à esta nova realidade. No que depender da estrutura da rede no Brasil, o caminho já está pronto para ser trilhado. 
 

TV digital ultrapassa internet em densidade

domingo, 26 de agosto de 2012

Texto publicado em: FNDC

Redação Meio&Mensagem

Em cinco anos de implantação, digitalização da TV aberta terrestre terá cronograma antecipado ou adiado conforme a expansão

O Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T), inaugurado em São Paulo ao final de 2007, já chega a 47% da população do País, ante os 38% de penetração da internet, conforme dados de maio deste ano apresentados pelo CTO da TQTVD, David Britto, durante a realização da SET Broadcast & Cable, esta semana, em São Paulo. O SBTVD-T já cobre todas as capitais do Brasil e, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, ultrapassa os 70% de cobertura. Os dois grandes eventos esportivos que o Brasil sediará - a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 - deverão alavancar ainda mais o avanço da TV digital, com o aumento das vendas de aparelhos de tela plana e de set-top boxes.

A interatividade da TV digital, ou DTVi (antigo Ginga), começa a deslanchar no País e a previsão, segundo Britto, é que até o final deste ano, 5 milhões de aparelhos equipados com esse dispositivo sejam vendidos. Em 2014, serão 26 milhões de aparelhos com DTVi comercializados e, em 2016, as estimativas apontam para 54 milhões de equipamentos (TVs e set-top boxes) interativos. No lançamento da TV digital, o governo federal divulgou também o cronograma de implantação do sistema. Por esse cronograma, a transmissão analógica teria um prazo de dez anos para ser desligada.

Até 2016 - precisamente no dia 29 de junho -, os padrões analógico e digital seriam transmitidos simultaneamente e, em julho de 2013, as outorgas de novos canais somente serão feitas para transmissão digital. No entanto, a demanda do consumidor e o processo de digitalização das cabeças-de-rede (25 emissoras no País), das geradoras e retransmissoras mudará esse cronograma e as grandes cidades deverão antecipar o apagão analógico para 2015. São mais de 10 mil emissoras em todo o Brasil, das quais pouco mais de 1 mil estão digitalizadas. A Grande SP, por exemplo, poderá ter o sistema desligado em março de 2015. Por outro lado, localidades mais extremas deverão postergar a implantação do sistema analógico e a previsão de desligamento em 2016 poderá ser estendida para mais de 3 mil cidades para 2017.

 Padrão global

Enquanto o Brasil ainda avança com a TV digital, radiodifusores, governo e fabricantes já começam a debater o padrão que substituirá o SBTVD. Em foco, está o padrão global para TV digital. O diretor de rede e assuntos regulatórios do SBT, Roberto Franco, destacou, durante o congresso da SET Broadcast & Cable que, dentre as plataformas, a TV aberta é a única no mundo que não permite a recepção de emissoras locais em qualquer lugar do globo.

O celular, embora não disponha de um padrão único mundial, contorna esse problema com os acordos de roaming entre as operadoras. Mas, atualmente, é impossível captar a programação de uma emissora aberta brasileira na Europa, por exemplo. “Será uma TV sem fronteiras, que faz a convergência entre o broadcast e o broadband, num padrão que unifica a próxima geração da TV terrestre”, define a presidente da SET e diretora de engenharia da TV Globo, Liliana Nakonechnyj.

O debate sobre o padrão a ser adotado já começou e, assim como ocorreu com a própria TV digital no Brasil e com a telefonia celular, há vários sistemas em debate. Mas, como cenário evolutivo, as tendências apontam que esse novo padrão universal terá ultra definição e super-alta definição, nos padrões 4k (resolução de 4.096 x 2.160 pixels ante os televisores atuais de 1.920 x 1.080 pixels), 8k (resolução de 7.680 x 4.320 pixels, o que corresponde a 16 vezes a resolução full HD atual); 3DTV, displays maiores e compressão mais eficaz. Aparelhos com resolução 4k já estão disponíveis no Japão, que também já testa televisores 8k.
 

Esquenta disputa pelo controle da internet

sábado, 25 de agosto de 2012

Texto publicado em: FNDC

Redação ABINEE/Valor Econômico

Se você nunca ouviu falar em neutralidade de rede, é bom prestar atenção ao assunto. O tema envolve um debate sobre quem controla o tráfego na web, e tem como pano de fundo uma disputa comercial entre operadoras de telecomunicações e grandes grupos de internet, que ameaça explodir nos próximos meses. Isso tudo pode parecer distante do dia a dia das pessoas comuns, mas dessa discussão depende a maneira como todos nós vamos acessar a internet no futuro - e quanto vamos pagar para fazer isso.

O problema básico é a explosão do tráfego de dados nas redes de comunicação - principalmente fotos e vídeos -, que passaram a sobrecarregar a infraestrutura existente, causando lentidão no acesso à internet. É um problema que só tende a se agravar. A previsão da Cisco, fabricante americana de equipamentos para redes, é que em 2016 circularão mensalmente 1,3 zetabyte de dados por meio de redes fixas e móveis em todo o mundo, quatro vezes mais que os 369 exabytes atuais. No Brasil, o caso é ainda mais grave: a expectativa é de um aumento de oito vezes, para 3,5 exabytes mensais em 2016. Para comparação, 1 exabyte equivale a 250 milhões de DVDs. Já 1 zetabyte tem 1.000 exabytes, que comportam 250 bilhões de DVDs. Para dar conta desse movimento, a previsão da União Internacional de Telecomunicações (UIT) é que serão necessários investimentos em rede da ordem de US$ 800 bilhões nos próximos cinco anos, sem os quais a internet pode parar.

As operadoras de telecomunicações dizem que essa conta deve ser repartida com as empresas de internet, como Google, Yahoo e Facebook. O argumento é que boa parte do tráfego é gerado por serviços como o YouTube, do Google, e o Skype, da Microsoft, e que seria justo que essas companhias respondessem por parte do aumento da infraestrutura. "Ou revemos esse modelo, ou os investimentos [em rede] serão travados", disse ao Valor o executivo de uma operadora brasileira, que prefere não se identificar. "Nenhuma operadora no mundo imaginou que haveria tamanha explosão no consumo de dados". Para muitos, o argumento não se justifica.

No 9º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado no início da semana, em São Paulo, Carol Conway, diretora de assuntos regulatórios do grupo Folha, disse que as empresas de telecomunicação detêm mais de 66% das receitas dos serviços de banda larga, com margens operacionais em torno de 30%, o suficiente para investir mais na infraestrutura. A questão do investimento é apenas parte da história. Desde os anos 90, quando a internet ganhou escala global, prevalece a premissa de que todos os dados devem receber o mesmo tratamento em termos de tráfego - não importa a natureza deles, ou se o usuário paga mais ou menos à tele para obter o serviço.

Esse é o princípio da neutralidade. As teles querem mudar as regras. Um usuário que passa a noite fazendo o download de filmes e músicas, segundo as empresas, deveria pagar mais que aquele que só usa a rede para acessar e-mail. As operadoras defendem um modelo pelo qual poderiam cobrar por pacotes diferentes, dependendo do que o usuário acessa, e privilegiando um ou outro acordo com seu perfil de uso, o que já acontece na prática, mas não consideram quebra de neutralidade. "É errado os Correios terem o serviço de Sedex, que é mais caro, para quem quer que sua carta chegue antes? Mas nem por isso a carta simples, mais barata, vai deixar de chegar", comparou Eduardo Levy, diretor do Sinditelebrasil, que reúne as operadoras de telecomunicações.

Para os opositores, essa redefinição marcaria o fim da neutralidade da rede e transferiria para as teles o poder de definir o que é prioritário. Hyman, da Netflix, diz que teles não podem ser contra serviços baratos No Congresso de Jornais, David Hyman, advogado-chefe da locadora virtual americana Netflix, disse que as operadoras não podem ser contrárias à expansão de serviços on-line gratuitos ou mais baratos. "São esses serviços que vão aumentar a procura pelo usuário por mais banda larga e, portanto, darão mais receitas a elas", afirmou.

Carol, da Folha, disse que a internet é de todos os que colocam conteúdo na rede - e não de quem constrói a infraestrutura. Deixar que as teles tenham esse poder, comparou, é o mesmo que permitir que a fábrica de papel defina o que será escrito nas páginas produzidas com essa matéria-prima. A discussão é longa. As operadoras não querem "comandar a internet", disse ao Valor André Borges, diretor de regulamentação e estratégias da Oi. "O que pedimos é uma gestão de nossa infraestrutura, pela qual o usuário que precisa de mais velocidade pague mais por ela." Um fator decisivo no debate está marcado 19 de setembro, quando está prevista a votação, pelo Congresso Nacional, da redação final do Marco Civil da Internet.

O documento, que teve sua votação adiada duas vezes, foi elaborado em 2011 pela Casa Civil, com os Ministérios das Comunicações e da Justiça. Até agora, só a Holanda e o Chile têm legislações semelhantes. A Holanda proíbe qualquer tipo de gestão de rede por parte dos provedores de infraestrutura. Todo e qualquer questionamento sobre a quebra de neutralidade deverá ser decidido via Judiciário. O Chile aprovou uma solução híbrida, que permite algum gerenciamento, de caráter técnico, pelas operadoras.

O Ministério das Comunicações informou que ainda estuda as questões sobre a divisão de custos entre teles e empresas de internet e a possibilidade de operadoras cobrarem preços diferentes pelo uso da rede. A previsão é que, como ocorre no Chile, seja permitido algum tipo de controle pelas teles, mas restrito a critérios técnicos. Barrar um spam (publicidade não desejada) é um modo legítimo de gerir a rede, disse ao Valor o deputado Alessandro Molon (PT/RJ), relator do projeto do Marco Civil. "O que não pode é privilegiar conteúdos de parceiros de um mesmo grupo econômico em detrimento de outra empresa. E sabemos que isso acontece", afirmou.

A mesma posição é adotada pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "Um usuário de Skype [serviço de telefonia via internet] não pode ter uma conexão lenta, mas um e-mail pode levar alguns minutos para chegar, sem prejudicar o consumidor", disse o ministro. Procurados pelo Valor, representantes do Google e do Facebook no Brasil não se pronunciaram.
 

Governo quer promover o apagão da TV analógica em mais de mil cidades até 2016 para liberar a faixa de 700 MHz ao celular

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Texto publicado em: Telesíntese

O anúncio de ontem do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de que pretende realizar o leilão de venda das frequências de 700 MHz no segundo semestre de 2013, está aliado à estratégia já aprovada pelo governo de "limpar" esta faixa, ocupada pelos sinais de TV analógica, nas grandes cidades até 2016. Ao mesmo tempo, o novo planejamento da TV digital, se por um lado acelera o apagão analógico nos grandes centros, também adia para depois de 2020, nas pequenas cidades, o desligamento dos sinais de TV analógica.

Conforme a apresentação de Flavio Lenz, assessor da Secretaria de Telecomunicações do MiniCom, no evento da SET em São Paulo, já há consenso no governo da necessidade de limpeza rápida da faixa de 700 MHz, que passará a ser ocupada pela banda larga móvel, nos grandes centros urbanos. Serão exatas 1,062 mil cidades onde as TVs analógicas precisarão ser "desligadas" passando a transmitir apenas os sinais digitais, para dar espaço para a banda larga. Estas cidades congregam 118 milhões de brasileiros, e 5,5 milhões de famílias integrantes do programa social Bolsa Família, conforme estudo do Ministério das Comunicações.

Para os demais 4,5 mil municípios brasileiros, onde o custo da implantação da TV digital é pelo menos três vezes maior, o prazo para o desligamento da TV analógica será muito mais diluído no tempo, podendo ultrapassar o ano de 2020. E a banda larga 4G não vai chegar neste municípios? O ministério não vê problemas, porque nestas cidades, os canais 52 a 69, que ficam justamente na faixa de 700 MHz não estão ocupados pelas TVs, podendo, então, ser usados para a banda larga celular.

Mudanças 

 O esforço para digitalizar os sinais da TV, mesmo com a decisão de só cumprir o cronograma elaborado durante o governo Lula nos principais centros urbanos, é ainda muito grande. Segundo as projeções de Lenz, que confirmam a antecipação do processo para 2015, quando se começará a fazer o teste-piloto em algumas cidades brasileiras, terão que ser trocados quase cinco mil transmissores de TV nessas grandes cidades.

A experiência do Japão, que teve julho do ano passado como a data final para o switch off analógico da TV foi analisada pelo MiniCom juntamente com as dos mercados norte-americano, coreano, francês, espanhol e português. No Japão, por exemplo, foram encontrados problemas com as áreas de sombra das cidades e ficou comprovado que, para chegar ao último 1% de digitalização é muito mais caro do que toda a fase de instalação inicial.

Além disso, no Japão foi montado um forte esquema de auxílio à população para apoiar a migração, com o uso de call centers e equipes indo de casa em casa. No Brasil, a ideia de se diluir no tempo o switch off da TV analógica está calcada no fato de que a maiora das retransmissoras das pequenas cidades é bancada pelas prefeituras, que não têm rubricas para fazer esta troca. E por isto, justifica o governo, depois deste grande impulso inicial nos quatro anos, a troca de outros quase 7 mil transmissores seria feita de maneira mais lenta e mais palatável para os orçamentos.

Radiodifusores 

Os radiodifusores ainda estão fazendo os estudos encomendado pelo MiniCom sobre os problemas que poderiam ocorrer com esta mudança. Mas tratam também de acelerar a digitalização. As Organizações Globo, por exemplo, pretendem chegar em 2013 com 70% de sua rede digitalizada. Os 30% restantes é que são o grande problema, informam representantes da empresa.
 

A geração digital


É possível afirmar com toda a certeza, que na história da televisão broadcast este seja o momento de maior revolução tecnológica e de alteração no comportamento do telespectador. Mesmo no início do desenvolvimento da televisão e toda a dificuldade da implantação em escala de massa, a atual realidade está forçando aos radiodifusores rever todas a estrutura física e de programação. Pode-se dizer que seja um recomeço e que nos mais de 80 anos da televisão mundial tudo que foi aprendido e estruturado dentro de um modelo de negócios, que aliás, também está mostrando sinais de fadiga, tem de ser adaptado aos novos tempos.

Na sessão Convergência Broadcast/Broadband, comandada por Fernando Bittencourt (SET - TV Globo), ficou evidente como a chamada "geração digital" está impactando o setor de mídia em dois principais aspectos: a nova estrutura informacional e em rede e os novos comportamentos do usuário, que passa a ter acesso aos novos dispositivos de distribuição de conteúdo, a chamada geração Y. E como forma de entender como a audiência está se transformando, Bittencourt inovou e trouxe para sessão um grupo de 9 jovens, todos abaixo do 20 anos de idade, que foram questionados pelos palestrantes e também pelo público presente sobre seus hábitos de consumo de informação e entretenimento nas diversas plataformas. No depoimento destes garotos todas as afirmações acerca do comportamentos dos jovens puderam ser testadas e, muitas delas, confirmadas, tais como: a uso de dispositivos móveis com a televisão ligada, a aversão por publicidade nos conteúdos online, o uso do celular como mídia e como dispositivo indispensável (caso fossem obrigados a escolher apenas um para uso diário) e a falta de atenção nos comercias exibidos na televisão aberta.

O que tempos atrás poderia ser considerado um desastre ao modelo de negócios da TV aberta, hoje está se mostrando uma oportunidade de novos negócios para gestores e executivos que conseguirem identificar essas novas oportunidades e que não sejam inflexíveis em abrir mão do modelo antigo. Está cada vez mais claro, que o modelo de negócios da TV aberta, baseado quase que exclusivamente na publicidade e na comercialização do espaço publicitário baseado em estatísticas de audiência não irá ficar incólume às mudanças que a geração digital está impondo.

Na outra ponta desta nova geração está a forma de distribuição de conteúdo na estrutura física da rede de computadores. A transmissão não se dá mais apenas pelo ar, mas está migrando para a internet e em uma velocidade incrível. A demanda por consumo de vídeo na internet está crescendo de uma forma espantosa, mesmo no Brasil, onde 75% da população convive com o modelo básico de uso dos dispositivos: aparelho de TV com recepção na programação aberta e o PC conectado à internet com velocidade entre 256 Kb a 2 Mb. A partir daí, as camadas com melhor condição financeira vai incluindo dispositivos conectados ao aparelho de televisão, como: DVD, Blu-Ray, games, e os serviços OTT, ou possuem as televisões inteligentes conectadas à rede. Somado a estas duas configurações está a crescente demanda por mobilidade forçando os produtores de conteúdo a produzir produtos multiplataforma, o que atualmente é um processo caro e depende da estrutura Wi-Fi ou da rede de celulares.

Pelo número de sessões no congresso da SET este ano que tratam do conteúdo broadcast na Web, é possível perceber a importância desta nova realidade na distribuição de conteúdo. E o Brasil ocupa um lugar privilegiado neste contexto, pois é o único pais onde a TV aberta comercial ano após ano aumenta o faturamento com publicidade. isto se deve a fatores ligados às políticas econômicas adotadas pelo governo, ao acesso relativamente menor dos indivíduos à banda larga e etc.. Com isso, tem-se um tempo ainda favorável para que os radiodifusores possam analisar as mudanças e ao poucos planejarem as estratégias de migração do conteúdo para a rede de computadores. Tempo que outros países como EUA não possuem, visto que as configurações de mercado nestes países são outras. 

Contudo, está ficando cada vez mais evidente que o modelo tem de mudar. O contexto é digital, mas a gestão ainda é analógica e isso poderá ser fatal para aqueles que não partirem para a inovação também na gestão e não apenas na questão tecnológica. 

Grupo de jovens que participaram da sessão TV Broadcast/Broadband no congresso SET 2012

 

Estudo da SET aponta necessidade de mais canais para a TV digital

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Publicado em: Teletime

A SET (Sociedade Bras. de Engenharia de Televisão) apresentou nesta terça, 21, em seu congresso em São Paulo, um estudo que mostra que a cessão de canais do chamado “dividendo digital”, ou seja, as frequências liberadas com o fim da TV analógica, não será tão fácil quanto podem pensar as operadoras de telecom.

Segundo a consultora Teresa Mondino, uma das organizadoras do trabalho, a TV ocupa hoje os canais 14 a 59 (TVs comerciais) e 60 a 69 (TVs públicas) da faixa de UHF, e as teles querem ficar com a faixa do 14 ao 52, que seria liberada com a digitalização.

No entanto, diz ela, o plano de canalização da TV digital não é otimizado, e há um excesso de estações em SFN (Single Frequency Network, ou seja, operando na mesma frequência), o que gera possibilidades de interferência que impactam na cobertura. Em outras palavras, a faixa de 700 MHz, alvo das teles, está congestionada nas cidades mais densamente povoadas, e mais interessantes economicamente.

O estudo focou-se no interior de São Paulo, uma das áreas mais problemáticas do País, segundo André Ulhoa Cintra, coautor do trabalho. Analisando as possíveis interferências entre todas as emissoras da região, o estudo concluiu que são necessários mais canais para garantir a transmissão de TV digital de qualidade à maioria dos habitantes.

“Poderiam ser liberados apenas dois canais em Campinas/Sorocaba, seis em Ribeirão Preto, oito em São José do Rio Preto e sete em Bauru”, diz Cintra, mencionando as áreas pesquisadas. “Há necessidade de mais espectro já hoje para replicar os canais analógicos, isso sem considerar futuras expansões e entrada de novos players”, relata.

Mais frequências podem ser liberadas se o plano de canalização for refeito, de forma a otimizar as redes SFN, sobretudo por conta das empresas independentes, que muitas vezes têm apenas uma emissora e com isso ocupam um canal que poderia ser usado por uma rede em todo o Estado. Mas este novo plano, diz, só pode ser feito depois do switch off analógico.
 

Congresso SET 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A partir desta terça-feira, 21/08, o CM irá acompanhar a edição 2012 do Congresso da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão - SET - e a edição da Broadcast & Cable, maior feira de equipamentos de televisão da América Latina. Estes eventos são importantes para que o mercado possa avaliar o posicionamento da radiodifusão brasileira neste momento de transição tecnológica e de convergência.

Com mais de 100 estandes confirmados, inclusive com a presença de empresas internacionais, estes eventos irão reunir os principais profissionais e executivos do mercado de produção audiovisual no país, que irão discutir os caminhos que deverão ser trilhados pela TV broadcast e suas novas plataformas de distribuição de conteúdo: TV everywere, segunda tela, cloud computing, etc.

Acompanhe no Convergência Midiática os boletins diários sobre o congresso e a feira.
 

Coitada da TV Digital interativa. Mais maltratada, impossível

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Publicado em: IDGNow

Sim, a interatividade na TV Digital existe. Mas…

Dia desses, acompanhando um dos capítulos da novela “Avenida Brasil”e a troca de comentários no Twitter, vi o jovem René Silva, 18 anos, criador do jornal/portal “Voz das comunidades”, que circula no Complexo do Alemão, perguntar ao Luiz Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação, o que era aquele “i”que havia surgido do nada no canto superior da tela da TV.

Como Erlanger já havia se despedido e saído do microblog naquela hora, respondi. Dias depois, quis saber do René o que foi que ele havia visto, e se havia gostado. Ele disse havia visto o aplicativo da novela e que havia gostado. Perguntei qual era o modelo da TV que estava usando. Ele me disse que era uma Sony, que sabia que era DTVi porque havia lido no manual, depois que o orientei a apertar a tecla vermelha da área de interatividade. Na hora, não pude deixar de lembrar do projeto de lei que a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática havia acabado de aprovar.

De autoria do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), o PL 2622/07 torna obrigatória a divulgação, pelos fabricantes de aparelhos de televisão, de informações sobre a compatibilidade ou não desses produtos com o padrão de TV digital. A TV da Sony comprada pela família do René não tinha o logo DTVi colado no gabinete. “Ele só aparece quando a gente liga a TV”, me disse. Me lembrei também que a TV digital já está presente em todas as capitais do país, mas a programação interativa só está disponível no Rio e em São Paulo. E que nem todos os televisores compatíveis com o sinal de TV Digital são DTVi. “A população precisa ser informada acerca de todas essas alternativas, para realizar escolhas compatíveis com seu perfil de uso e seu poder aquisitivo”, disse o relator do projeto na Câmara. Está corretíssimo.

Enquanto a população descobre por conta própria o que pode fazer com o padrão DTVi, fabricantes e emissoras perdem tempo discutindo pela opção ou não do Java no padrão Ginga. Uma discussão que, a meu ver, já deveria ter sido deixada para trás. Ganharíamos, todos, se testes em campo, com grupos de telespectadores de diferentes extratos sociais, estivessem em curso.

Televisores DTVi estão chegando aos lares e a população não tem noção do que são capazes de fazer, especialmente no que diz respeito à interatividade (ver infográfico abaixo). Em quantos lares do Complexo do Alemão o sinal digital chega com perfeição? Em quantos as aplicações interativas carregam sem problemas? Aqui em casa, em Moema, próximo ao aeroporto de Congonhas, tenho problemas. Imagina próximo ao Galeão?

Discutir essas questões é mais importante e urgente que discutir o uso do Java no padrão. Afinal de contas, com o incentivo do governo através do PPB, a indústria de software acredita que teremos 30 Milhões de TVs com Ginga no mercado em 2014. O novo regulamento que rege a TV por assinatura publicado pela Anatel este ano já indica um incentivo à adoção do Ginga pelas operadoras de TV paga. O que leva a indústria de software a crer que as operadoras de TV paga tenham suas implementações Ginga nos próximos 2 anos.

A possibilidade de uso do Ginga para uso de dispositivos como smartphones e tablets como segundo tela, diante da possibilidade de sincronização de conteúdo e interatividade, pode ser um atrativo. A Globo e o SBT já não escondem o desejo de usar o Ginga para prover interatividade na segunda tela e serviços de VDO (Video on demand).


dtviinfo
O mesmo vale para o padrão 1-seg. Semana passada o Rafael Rigues, editor da PCWorld, começou a fazer testes com um novo modelo de celular da Motorola (o XT682) padrão DTVi. na redação, ali na Vila Olímpia, zona sul da capital paulista, só conseguimos carregar o aplicativo interativo da TV Cultura. Apenas em casa consegui ter acesso a outros aplicativos da TV Brasil e da Record (fotos abaixo). E, no fim de semana, durante os jogos do Brasileirão, ao aplicativo da Globo. Todas levaram muito tempo para carregar
(mais de 4 minutos, sem exceção).

  Screen Shot 2012-08-13 at 10.05.58 AM


dtvi1seg
dtvi1seg4
dtvi1seg3
É hora de virar a página. Dos defensores do Ginga deixarem as discussões de lado e voltarem a desenvolver uma agenda positiva. Das emissoras usarem e testarem efetivamente a  interatividade Ginga. Dos desenvolvedores entenderem o imenso potencial da plataforma.
 

Governo pode impor às teles investimento em TV digital

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

13/08/2012 |
Redação
ABINEE/Valor Econômico

O governo federal ensaia um movimento para acelerar a migração da transição do sistema de televisão analógico para o digital. A estratégia prevê que as operadoras de serviços móveis assumam a responsabilidade de levar o sistema digital de TV para os municípios ainda não atendidos com essa tecnologia. A obrigação, entretanto, ficaria restrita às localidades onde as prefeituras implantaram os equipamentos analógicos no passado, mas não têm recursos para modernizá-los. A dificuldade é identificada principalmente nas retransmissoras das pequenas cidades, que cobram ajuda financeira do governo.

As teles não teriam nenhuma participação no novo serviço digital, nem seriam remuneradas por isso. A ideia do governo é impor essa obrigação para aquelas que quiserem comprar frequências de 700 MHz no próximo leilão de sobras de quarta geração (4G). A contrapartida para as teles pode ser uma redução nos preços das licenças de 4G. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, revelou os planos com exclusividade ao Valor.

Se tudo corresse conforme foi previsto no cronograma da digitalização, as geradoras e retransmissoras da TV aberta teriam os equipamentos atualizados até 2016. As emissoras devolveriam, nesse mesmo prazo, a radiofrequência de 700 MHz que usam atualmente. Então, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) levará essas faixas para o leilão de 4G. E é justamente a disputa pelo controle dessa faixa que tem pautado a briga entre os dois segmentos. Enquanto as emissoras de TV vislumbram a oportunidade de criar novas fontes de receita com o uso comercial desse espectro, as prestadoras de celular enxergam uma oportunidade histórica para se consolidarem no mercado, obtendo mais capacidade de rede para oferta de serviços de 4G.

Ainda sem ter certeza sobre a dimensão que poderá tomar o duelo entre os radiodifusores e as teles, e temendo que o apagão da transmissão analógica ultrapasse 2016, o governo planeja esse arranjo regulatório.

Inicialmente, a licitação estava programada para ocorrer somente após a conclusão do processo de digitalização do sistema em 2016. Porém, ao confirmar na semana passada que o leilão poderá ocorrer em 2013, o ministro surpreendeu o setor porque a Anatel sequer concluiu os estudos sobre a destinação da faixa de 700 MHz para o setor de telefonia celular. "Não tomamos formalmente a decisão porque acho razoável discutir antes com o setor", disse.

A sinalização do ministro deixou nítida, finalmente, qual deve ser a estratégia do governo com a antecipação do leilão da faixa de 700 MHz para 2013. Essa decisão é justificada pela existência de milhares de retransmissoras de TV irregulares e sob a responsabilidade de prefeituras. Se, por um lado, a legislação atual não permite que os municípios destinem recursos para a compra de novos equipamentos da TV digital, por outro, os donos das emissoras não têm interesse de desembolsar recursos para digitalizar os equipamentos nessas cidades.

Bernardo explicou que muitas prefeituras, na década de 80, instalaram retransmissoras de TV para garantir a transmissão nas cidades onde os empresários do setor não tinham interesse econômico. "Em 1982, a prefeitura assinava um cheque e autorizava a compra. Hoje, não sabemos se é possível, inclusive por licitação, fazer a compra do equipamento digital", disse.

O ministro ressaltou que a decisão de impor o custo da digitalização do sistema de TV no leilão de 4G ainda não foi tomada. "Não quero anunciar [o estudo] porque ainda não está pronto", ponderou. Ele ressaltou que estratégias como essa já foram adotadas por outros países. "Nos Estados dos Unidos, fizeram uma licitação das licenças na faixa de 700 MHz e uma parte dos recursos foi usada para digitalizar a televisão e desocupar os canais", disse.

Nos cálculos do ministério, uma estação de retransmissão de sinal pode custar de R$ 125 mil a R$ 2,5 milhões. São registradas, atualmente, 12 mil retransmissoras no país, entre retransmissoras legais e irregulares que não foram digitalizadas. Até o lançamento da licitação, deve restar ainda um saldo de 10 mil retransmissoras analógicas.

Embora cite o exemplo dos EUA, Bernardo afirmou que o Brasil caminha para a adoção de um modelo de uso das faixas de radiofrequências semelhante ao alemão, que fez uma mescla entre o uso das faixas de 2,5 gigahertz (GHz) e 700 MHz para oferecer serviços 4G. "Fizemos o [leilão de] 2,5 GHz que vai suprir perfeitamente as regiões metropolitanas. Mas quando você pega as cidades com mais de 100 mil habitantes, em que a população está mais espalhada, a faixa de 700 MHz é mais vantajosa", afirmou Bernardo ao se referir à vantagem técnica propiciada às operadoras de celular, que poderão ter maior cobertura com menor número de antenas. Embora haja o ônus de custear uma obrigação do setor de radiodifusão, há expectativa de que as prestadoras fiquem satisfeitas com a compra antecipada de licenças 4G em leilão realizado já no próximo ano.
 

Compartilhamento sem fio de conteúdo de TV Paga em residência está prestes a chegar ao Brasil

Texto publicado em: FNDC

Redação
Tele Síntese
Ilustração: Portal R7

O crescimento do mercado de TV paga no Brasil trouxe ao país o consórcio que reúne diversas empresas para o desenvolvimento de um padrão aberto para redes de entretenimento em residências, a Multimidia over Coax Alliance (MoCA), presente na feira da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). A tecnologia MoCA permite que o sinal de TV, que chega às residências por cabo coaxial, seja transmitido para os ambientes sem fios, permitindo o uso do conteúdo em notebooks, tablets e smartphones, além de uma série de outras funcionalidades como gravador (DVR) em multiplos ambientes.

Nos Estados Unidos, onde o MoCa foi criado, a tecnologia foi adotada por praticamente todos os operadores de TV, com exceção de um, explica Charles Cerino, presidente da MoCA. "Colaboração para desenvolvimento de um único padrão tecnologico garante um custo baixo para as operadoras", explica. Segundo ele, o grande diferencial da MoCa, além do baixo custo, é sua confiabilidade e segurança. "Quando um assinante está assistindo um vídeo em alta definição em seu tablet, ele não quer interrupção. Nós podemos garantir isso. Temos um erro de pacote em 100 milhões de pacotes". Agora a entidade discute a adoção do padrão tecnológico com as operadoras presentes na América Latina. "Estamos conversando com todas", diz. De acordo com Cerino, uma operadora de TV a cabo está prestes a adotar a tecnologia e lançar soluções com base nela no Brasil. "Nos disseram que começariam a oferta ainda este mês. Claro que não dirão que é, por exemplo, um DVR MoCA. Usarão sua própria marca", declarou a este noticiário. A tecnologia MoCA pode ser adotada por empresas de DTH, cabo e IPTV.

No Brasil, segundo o presidente do consórcio, uma empresa de cabo deve inaugurar a adoção da plataforma. Com o acirramento da concorrência a partir da nova regulamentação pelo Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) e em que a programação já não garante diferencial, soluções que ampliam a experiência do usuário podem garantir a fidelidade do assinante. É nisto que acredita os representantes do consórcio. "A integração de produtos com tecnologia MoCA faz com que o operador de serviço se mantenha competitivo, ao oferecer uma série de serviços de alto valor como DVR multi-ambiente, over-the-top, além de extensão de serviços de internet utilizando o cabo coaxial existente", afirma Cerino.
 

Velozes e potentes

Texto publicado em: Carta Capital

Por:
Felipe Marra Mendonça
Foto: Photos.com



Entre as principais frustrações dos consumidores com as tecnologias ao seu redor está a conexão com a internet. As provedoras frequentemente oferecem velocidades que não conseguem entregar. Ou a rede cai com frequência, e aí o usuário precisa entrar na ciranda das ligações para o atendimento ao consumidor. O problema é corriqueiro no Brasil e também comum no exterior. O Google quer chacoalhar esse mercado: lançou o Google Fiber nos Estados Unidos, com velocidades de até 1.000 megabits por segundo. Para efeitos de comparação, a conexão mais rápida disponível nos Estados Unidos antes do lançamento do Google Fiber era a vendida pela Verizon, com 300 megabits por segundo.

A maior velocidade disponível no Brasil é de 100 megabits por segundo. Outra faceta da oferta do Google é um serviço de TV a cabo, o Fiber TV. O Fiber e o Fiber TV estão disponíveis no momento somente em Kansas City, no Missouri, onde a companhia investiu 500 milhões de dólares para construir uma rede de fibra óptica pela cidade. A ideia da empresa é testar o mercado e ver se existe demanda suficiente para justificar um investimento em outras cidades. Esse teste da demanda fica explícito no modo com que o Google oferece o serviço. Embora existam áreas de Kansas City já prontas com cabos de fibra óptica, principalmente o centro da cidade, outros bairros precisam votar em conjunto no site do Google Fiber para conseguir o serviço.

O bairro que tiver mais votos assim demonstra para a empresa que instalar mais pontos da rede na área faz sentido comercial. Não é uma expansão geométrica, mas seletiva. O Google oferece três planos para os moradores de Kansas City. O primeiro é de internet gratuita, embora o consumidor precise pagar uma taxa única de instalação de 300 dólares, que pode ser parcelada em 25 dólares mensais. A partir daí, o Google entrega internet por pelo menos sete anos na velocidade média do mercado americano, ou seja, de até 5 megabits por segundo.

O segundo plano é o da conexão de 1.000 megabits por segundo. Ela custa 70 dólares por mês, sem limites de download, e o consumidor também leva 1 TB de armazenagem nas nuvens. O terceiro acrescenta ao plano anterior o Fiber TV, com centenas de canais, e o comprador também leva um Nexus 7 de controle remoto para todo o sistema. Tudo isso custa 120 dólares mensais, menos que os 210 mensais cobrados pela Verizon pela sua internet de 300 megabits por segundo.

Uma falha do serviço é que o Google não conseguiu fechar acordo com a Time Warner e a Disney para a inclusão de canais como o Discovery Channel, a ESPN, a CNN ou HBO. Parte disso é o temor delas pela entrada do Google no mercado. A Time Warner Cable oferece o mesmo serviço de internet e TV a cabo em Kansas City. E passou a premiar empregados das parceiras do Google que instalavam os cabos de fibra óptica por quaisquer informações que eles tivessem sobre os planos da empresa. Qualquer informação era premiada com 50 dólares. É só um exemplo de um competidor que tem muito medo da chegada do Google a esse mercado. Com razão.
 

Leilão de 4G em 2013 prejudica TV, diz Abert

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

10/08/2012 | Marina Gazzoni
Estadão

A possibilidade de antecipar o leilão da faixa de 700 mega-hertz (MHz) para as operadores de telefonia ampliarem a rede do serviço de 4G foi considerada “preocupante” pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A frequência é usada hoje para a transmissão do sinal analógico da TV aberta, e a devolução da faixa ao governo é prevista para 2016.

A Abert disse, em comunicado, que a medida pode deixar parte da população sem sinal de TV aberta. “Alertamos que a medida pode comprometer o acesso de uma grande parcela da população ao sinal dos canais de televisão aberta que chega a 96% dos domicílios brasileiros, com conteúdo livre e gratuito.” Nesta semana, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse à imprensa que poderá realizar o leilão da faixa em 2013.

A programação do governo é que as emissoras desocupem o espectro em 2016, prazo para a substituição das transmissões analógicas pelo sinal digital. A pressão das teles para ocupar a faixa é antiga. O motivo é que a frequência de 700 MHz tem um alcance maior que a de 2,5 giga-hertz (Ghz), leiloada em junho para suportar o serviço 4G. Assim, as operadoras conseguiriam atender mais pessoas com menos investimentos. “De forma surpreendente, as empresas de telefonia demonstram interesse em ocupar mais espectro no momento em que é notória sua dificuldade em atender o usuário de forma adequada”, disse o comunicado da Abert.

A recente cobrança por melhorias no serviço de telefonia móvel por parte do governo fez o pleito das teles ganhar força. No mês passado, Paulo Bernardo se reuniu com representantes de emissoras para solicitar um estudo detalhado sobre qual a utilização da faixa pelas empresas, segundo o Estado apurou com fontes próximas ao assunto. O estudo ainda está em elaboração e as emissoras foram surpreendidas pelas declarações do ministro sobre a possibilidade de antecipar o leilão da faixa de 700 MHz.

As teles têm argumentado com o governo que as emissoras não ocupam toda a frequência cedida para elas. Já as emissoras têm respondido que a “sobra” está em cidades pequenas e zonas rurais e não nas grandes cidades, onde deve se concentrar a demanda pelo 4G. Procurada, a Associação Brasileira de Telecomunicações (TeleBrasil) não localizou um porta-voz até o fechamento desta edição.
 

10 tecnologias que revolucionarão a educação

terça-feira, 7 de agosto de 2012

06/08/2012 |
Rafael Ferrer
Exame

Especialistas indicaram jogos online, redes sociais e até ferramentas de colaboração como as tecnologias que vão mudar a forma de aprender.

São Paulo - Especialistas ouvidos por INFO Online indicam dez tecnologias que vão mudar a forma como crianças, jovens e adultos aprendem.

Saiba como ferramentas de colaboração, jogos online e até redes sociais vão ajudar a qualificar mão de obra, formar cientistas e espalhar o conhecimento. Veja abaixo a lista de indicações criada pelos professores e especialistas Luli Radfahrer e Gil Giardelli.

1 Videogames – Os consoles PlayStation 3 e Xbox 360 são compatíveis com sensores e possuem conexão à internet. Eles permitem também fazer videoconferência e acessar o conteúdo de parceiros comerciais. O ponto forte destes dispositivos é o uso dos ambientes didáticos virtuais que permitem rápidas decisões, segundo Radfahrer.

2 Sensores – Além do Kinect, da Microsoft, a Nike comercializa a pulseira FuelBand, que permite acompanhar o histórico de atividades e rastrear os praticantes de atividades físicas. De acordo com o especialista, os profissionais da área de saúde podem usufruir desta tecnologia para estimular alunos e pacientes.

3 GPS – O dispositivo de posição global ajuda no ensino da geografia e disciplinas como dinâmica populacional ao informar as referências de latitude, longitude e altitude. “Eles também mensuram alterações físicas no ambiente e podem ser usados em atividades correlacionadas com ciência”, diz Radfahrer. Hoje, há carros, telefones e relógios com receptores embutidos.

4 Circuitos abertos – O Arduino possui enfoque nos estudantes e permite compreender a eletrônica e o funcionamento de máquinas. Além disso, atrai curiosos que desejam criar os seus próprios circuitos usando uma biblioteca pública de comandos.

5 Tablets – Além dos videogames, os tablets serão cada vez mais usados durante as rotinas escolares. De acordo com Radfahrer, estes dispositivos agregam conteúdos interativos às aulas e substituem livros didáticos e vídeos. As tarefas de campo, seminários e visitas técnicas também podem usufruir desta tecnologia.

6 Cloud services – Os serviços na nuvem facilitam a sincronia de trabalhos em equipe e a organização de repositórios coletivos. Hoje, é possível criar contas em serviços de hospedagem de arquivos e pacotes de escritório, por exemplo, e acompanhar o andamento de projetos de qualquer computador ou tablet com acesso à web.

7 Fim dos espaços concretos e aulas cronometradas – Hoje, os sites Coursera, Academicearth e Einztein permitem lecionar a partir de qualquer região com acesso à internet assuntos sobre ciências da computação, genoma e ciência das máquinas. “Sua universidade está em greve? Continue estudando em rede”, comenta Giardelli. Já Radfahrer comenta que este sistema de ensino ajuda a acompanhar o aluno individualmente, esclarecer e monitorar as dúvidas e criar avaliações. Há também os grupos de estudos Inovadores ESPM, LibraryThing e PaperBackSwap. Geralmente, estes sites contam com bibliotecas virtuais com documentários, vídeos e apostilas.

8 Simulador – Esta tecnologia pode ajudar na compreensão de situações complexas e dinâmicas que poderia levar dias com cálculos humanos. Os simuladores também ajudam a compreender os relacionamentos pessoais, intervenções cirúrgicas e administração de empresas ou cidades.

9 Robôs – Na Coréia do Sul, os alunos de algumas escolas lidam com um robô durante as aulas. Na área de saúde, estas máquinas conseguem simular sintomas e ajudam médicos durante treinamentos. Há também o software chamado Robo Ticot, um projeto europeu que, de acordo com os desenvolvedores, possui grande facilidade em interagir com as pessoas e pode ser usado em áreas educacionais, governamentais e empresariais.

10 Personalização – Tecnologias lançadas recentemente permitem gerar bases de dados complexas, analisar métricas e criar sistemas de recomendação. Estes serviços podem ser usados para auxiliar programas de ensino individualizado com base no histórico e necessidades do aluno.
 

Governo vai leiloar faixa de uso de TVs para banda 4G

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

05/08/2012 |
Valdo Cruz e Julia Borba
Folha Online

A disputa entre as empresas de telecomunicações e as emissoras de TV vai ganhar um novo round com a decisão do governo de leiloar outra frequência para uso de banda larga móvel 4G (quarta geração) no país.

A faixa de 700 MHz é hoje de uso exclusivo das TVs abertas para transmissão de seus sinais (do canal 2 ao 69), mas será leiloada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para as teles explorarem banda larga com custo mais baixo.

Consumidor deve se beneficiar do duelo entre as teles, dizem especialistas

O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) revelou à Folha que o governo pretende colocar a banda de 700 MHz em leilão no próximo ano. Seu uso efetivo nos grandes centros urbanos, porém, será possível só em 2016, quando for completada a transição da TV analógica para a TV digital.

Em regiões metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro, a frequência está sendo totalmente utilizada para convivência conjunta de canais de TV nos sistemas analógicos e digital. Após o processo de transição, a faixa de 700 MHz terá vários espectros liberados por conta da desativação do sistema analógico, que ocupa mais espaço, permitindo seu uso para internet móvel. Nas demais regiões do país, já há espaço disponível para uso imediato de internet móvel.

EFICÁCIA

A banda larga de 700 MHz de 4G é mais eficaz que a leiloada pelo governo em junho, pois cobre maior área e demanda menos uso de antenas e já está sendo operada nos EUA e na Europa. O problema é que, hoje, 90% das residências do país têm aparelhos analógicos para recepção da chamada TV aberta, na faixa de 700 MHz.

Para dar espaço ao serviço de internet, o governo terá de apertar o passo da transição da tecnologia e também aumentar o número de pessoas com televisores preparados para receber TV digital. Quando a substituição do modelo antigo pelo digital for concluída, o governo terá condições de oferecer na cidade de São Paulo, por exemplo, quatro novas faixas para uso de banda larga.

Segundo Bernardo, a faixa de 700 MHz permitirá lançar um programa de universalização do serviço de banda larga em 2014. No fim do mandato de Dilma, o governo espera que 70% dos domicílios do país tenham internet. As teles têm grande interesse em que o projeto saia do papel o quanto antes.

Com alcance superior ao das demais frequências, a faixa de 700 MHz tem maior capacidade de atendimento, com custo menor para as empresas. A banda larga de 4G em 2,5 GHz precisa de 15 vezes mais antenas que na faixa de 700 MHz, e a do 3G (1,9 GHz), 7 vezes mais.

O LADO DAS EMISSORAS

As TVs, do seu lado, alertaram o governo para o fato de que é preciso cuidado na adoção da medida a fim de evitar perda não só para elas como para a população. Segundo um representante do setor, usar a faixa de 700 MHz para banda larga antes de o país estar totalmente preparado para a TV digital pode levar a uma situação de que parcelas da população não tenham condições de sintonizar a TV aberta.

A última disputa entre teles e emissoras de radiodifusão foi pelo controle da TV paga no país. As teles tinham restrições de operar o serviço no Brasil, derrubadas a partir deste ano depois de anos de resistências das TVs. As emissoras sempre pediram certa cautela ao governo nas regulações das atividades que envolvem os dois setores. Alegam que sua receita é só 10% da das teles, dominadas pelo capital estrangeiro.
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Suporte : Creating Website | Johny Template |
Copyright © 2011. Convergência Midiática - All Rights Reserved
Template Created by Creating Website Published by
Proudly powered by Premiun Blogger Themes