segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O futuro das mídias é móvel, interativo e compartilhado

Em palestra no 22º Congresso da Agert, Martha Gabriel - um dos mais influentes nomes do marketing de relacionamento na era digital - afirma que o bem mais valioso do futuro será a atenção e para isso é preciso ser relevante.

Escrito por: Redação FNDC
Fonte: Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão



"O futuro já chegou". Se antes a mídia de massa controlava a informação, agora são as pessoas que controlam as mídias. "A mídia de massa nos transformou em consumidores, a digital em ´interatores´, isso significa produtores e compartilhadores de conteúdo", resumiu Martha Gabriel, engenheira e pós-graduada em Marketing e Design e um dos mais influentes nomes do marketing de relacionamento na era digital - em palestra no 22º Congresso da Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e TV, nesta segunda-feira, 14/10, em Gramado/RS.
Segundo Martha, estamos vivendo o momento da internet "das coisas", em que "tudo conversa com tudo": Casa, carro, internet.. São os produtos smarts. "No futuro até o vaso sanitário será smart. E quem catalisa tudo isso, é a tecnologia. É preciso estar preparado", alertou. Neste cenário, diz Martha, as pessoas têm a vida fragmentada, sendo cada vez mais difícil saber onde elas estão. "79% das pessoas são impactadas com as mídias tradicionais, mas buscam na internet e nas redes sociais, mais informações sobre aquela notícia. Se você não estiver integrado com essa mídia, você perdeu o elo com o consumidor e é capaz de mandá-lo para o concorrente". Ela complementa: "hoje são as pessoas que buscam as empresas e é preciso ser encontrado. A intermediação está morrendo porque as pessoas vão direto à fonte". Para isso, ressalta, é preciso saber quem é o consumidor e onde ele está. "O digital sozinho não existe. O off-line sozinho é limitado, por isso a integração".

Para ela, o digital sabe o que a pessoa quer, mas quanto mais informação, menos atenção. "É o fenômeno da economia de atenção", diz. Por isso, segundo Martha, o bem mais valioso do futuro é a atenção e não a audiência. E a melhor maneira de ganhar a atenção é sendo relevante. "A relevância é o imã da atenção. Se você não é relevante, você é ruído e ruído atrapalha", adverte.

Outro fator importante trazido ao debate é a necessidade das emissoras de rádio e TV considerarem a possibilidade do usuário poder compartilhar seus conteúdos. "As pessoas querem interagir. Se tiver interação, mais chance de atenção". Para ilustrar, Martha usou exemplos de radiodifusores internacionais que sabem utilizar com sucesso a integração digital e a interação com os usuários, como a NPR, emissora de rádio que utiliza a rede de fotos Instagram para complementar suas matérias. A Blip.fm e a Last-FM, canais que possibilitam ao usuário montar sua própria programação e seguir outras pessoas de acordo com gosto pessoal; e a Sticher Radio, que mistura transmissões de rádios tradicionais com podcasts populares e deixa os usuários construírem uma experiência altamente personalizada. "Personalização. Essa é também é a cada vez mais a tendência de futuro".

No caso das televisões, ela usou os cases de canais que permitem ao telespectador montar ou transmitir a programação utilizando uma webcam, caso da Justin.TV, AllTV e MITPlaylist. "São as pessoas se apropriando do conteúdo". Outro exemplo utilizado sobre como será a TV do futuro foram os canais Netflix e Apple TV. "Tem que assinar para saber o que acontece no mundo", indicou.

Outra recomendação para quem faz TV é: "seja original". "Quem assiste TV quer conteúdo original. As séries americanas são exemplo dessa originalidade". A dica é pensar em conteúdo que faça diferença e que possa combinar com outras plataformas. "E isso vale para o rádio também". O desafio de tudo é transformar clientes em fãs. "Fãs vem por conta própria. Clientes precisam ser chamados".

Para finalizar, Martha faz uma analogia com "um corpo que recebe diversas almas". Recomendou, "pense em ser uma alma que pode entrar em qualquer forma. Não se prenda a uma só". Segundo Martha, a estética da informação não é corpo, é espírito.


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