sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Pequenos provedores de internet vão disputar a TV paga

Empresários do setor de telecomunicações especializados em banda larga que atuam em regiões distantes dos grandes centros querem disputar um novo mercado: o de tevê por assinatura. A Unotel, empresa criada a partir da associação de diversos pequenos provedores de internet no País, que hoje possui mais de 200 sócios, aposta em um novo nicho: priorizar regiões distantes, que até pouco tempo estavam fora do radar das gigantes do setor.

Publicado por: FNDC
Fonte: ABINEE


Sustentada pelo acordo com uma gigante peruana do ramo de satélites, a ideia é atuar onde as líderes do segmento optaram por não estar e, caso a meta audaciosa seja alcançada, a empresa pode virar a quinta maior no ramo em cerca de 36 meses.

O negócio vai funcionar como uma espécie de cooperativa lucrativa, onde o empresário que quiser levar tevê por assinatura a qualquer ponto do País vai poder contar com os serviços da companhia, como explica Alessandro Peciauskas, diretor de programação e produtos do novo projeto. "A Unotel vai negociar com todos os fornecedores de conteúdo e também vamos fazer compras significativas. Vamos trabalhar em grande escala e baixar custos para esses empresários".

O executivo ainda afirmou não terem cooperados ou associados, mas sim clientes. "Os empresários vão nos pagar uma cota para atuar nas regiões que eles escolherem. Eles vão apontar para o satélite e, desta maneira, poderão receber todo o conteúdo que estamos negociando", conta.

O produto tem um nome provisório de Unotel TV, mas, de acordo com Peciauskas o nome definitivo será revelado já no próximo mês. O executivo explica que o serviço de TV por assinatura é via satélite e deve chegar na casa da população em breve. "O serviço de TV é via satélite, chamado DTH. A data que temos como meta para o lançamento oficial do produto é junho de 2014", revela.

A Unotel tem acordo com a peruana Media Networks, que vai fornecer seu satélite. "A Media Networks também fornece serviços para outras empresas no Brasil, como Oi, Vivo e CTBC. Eles já atuam no Brasil, seu satélite tem cobertura de grande parte do território nacional", conta.

Papel vital

As pequenas companhias de telecom têm um papel vital na difusão de conteúdo para regiões distantes do País. De acordo com Marcelo Barbosa de Couto, diretor da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), estas empresas acumulariam mais de 2 milhões de assinantes de banda larga. Se tivessem um único CNPJ, seriam a 4ª maior empresa do setor no Brasil. "As pequenas empresas têm feito um belo trabalho ao levar conteúdo a regiões distantes do Brasil".

E o alvo da Unotel é justamente o provedor local de internet. A ideia é que essa companhia complemente o serviço oferecido - como banda larga e voz, por exemplo - com tevê por assinatura. "Será uma marca nacional. Independente da marca que este empresário usa para disponibilizar voz ou banda larga, ele vai usar o nome da nossa empresa de tevê por assinatura", diz o executivo.

E os dados do setor de tevê por assinatura no Brasil são animadores. De acordo com números divulgados recentemente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a base de assinantes do serviço fechou novembro do ano passado com 17,9 milhões de assinantes, número 12,24% maior que o alcançado no mesmo período de 2012.

Para Oscar Simões, presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), o mercado deve manter em 2014 o crescimento obtido ano passado. "Esperamos crescer na casa dos dois dígitos". Na visão do executivo, um novo player só conseguirá abrangência se atuar em um mercado alternativo, já que em grandes cidades como São Paulo o cliente já tem até nove opções de serviço. "Vejo a iniciativa da Unotel com bons olhos. Eles vão se unir para ganhar escala. É um caminho interessante, inovador".

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