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AOL Time Warner de novo

Texto publicado em: Link - Estadão -

Por: Renato Cruz -

A AOL Time Warner pode ser considerada o símbolo dos excessos da primeira bolha da internet. Em 10 de janeiro de 2000, a America Online (AOL), então maior provedor de acesso do mundo, comprou a gigante das comunicações Time Warner por US$ 166 bilhões em ações. Jornais do mundo todo publicaram fotos de Steve Case, da AOL, abraçando com entusiasmo Gerald Levin, da Time Warner.

A nova empresa tinha valor de mercado de US$ 350 bilhões. Na época, a AOL valia duas vezes mais que a Time Warner. A ideia era combinar a força da distribuição digital da AOL ao conteúdo de qualidade da Time Warner. Não funcionou. Três meses depois, a bolha estourou e as ações da AOL caíram 75%.

A decadência da AOL não parou por aí. Ela não conseguiu fazer bem a transição da internet discada para a banda larga, perdeu mercado e acabou se transformando numa divisão da Time Warner, a companhia que havia comprado. Depois, foi cindida numa empresa independente de novo, e até hoje tenta recuperar a relevância. O último lance foi a compra do site The Huffington Post.

O Wall Street Journal, citando “rumores da Califórnia”, aponta que a indústria talvez esteja pronta para tentar de novo unir um gigante da internet a uma empresa tradicional de comunicação. “Não é piada”, escreve Dennis K. Berman. Ele argumenta que serviços maduros de distribuição digital como Netflix ou YouTube precisam se diferenciar com “melhores filmes, melhores séries de televisão, melhores clipes de comédia e ainda melhores notícias”.

Não dá para esquecer que Steve Jobs, da Apple, já é o maior acionista individual da Disney, depois da incorporação da Pixar. “Imagine o Google assumindo o New York Times, ou o Facebook comprando sua própria divisão de entretenimento”, destaca o WSJ. As pessoas já começam a falar que, na época da AOL Time Warner, a tecnologia ainda não estava pronta, e que agora está. No setor de tecnologia, dinheiro para fusões e aqusições é o que não falta.

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