segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Teoria do Jornalismo

MELO, José Marques de. Teoria do Jornalismo: identidades brasileiras. São Paulo: Paulus, 2006.



Já não está claro qual seriam as características dessa identidade após anos e anos de prática jornalística e estudos dentro e fora da academia? Para Melo, ainda não.
Pesquisador influente, José Marques de Melo é Diretor-executivo da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação, presidente da Rede Alfredo de Carvalho, professor titular e emérito da ECA-USP e também no programa de Pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP. Foi o primeiro e é o atual presidente da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdiciplinares da comunicação - Atua ainda como Consultor Científico da Fundação CAPES - Ministério da Educação (Brasília), FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo e Conselheiro da EAS - Fundação Professor Edevaldo Alves da Silva de Amparo à Educação (São Paulo).
Seu livro Teoria do jornalismo: identidades brasileiras, muito mais do que nos apresentar teorias sobre o jornalismo praticado no Brasil atual, aponta questões históricas que levaram à prática que hoje permeia a maioria dos veículos de imprensa de nosso país e que ainda influenciam muitos cursos de graduação em jornalismo.
O capítulo 1 de seu livro, deveria ser leitura obrigatória de alunos e coordenadores de curso que hoje pensam estar na vanguarda dos novos tempos oferecendo cursos recheados de disciplinas que tentam acompanhar as mudanças tecnológicas e acalentam o sonho de formar alunos aptos a atuar nesse “novo” mercado em constante transformação. Fica evidente o engano quando Melo apresenta as correntes que alicerçaram os cursos de Comunicação Social desde suas primeiras formações nas faculdades e universidades brasileiras. Cada uma delas, a corrente Ético-social, Técnico-editorial, Político-ideológica e crítico-profissional estão diretamente ligadas ao contexto político, social e econômico da época na qual estavam inseridas e está a atual corrente, crítico-profissional. Sua análise nos alerta para o perigo de recair na mera formação de profissionais-técnicos para as empresas de comunicação. Fica evidente a necessidade de incultar na formação dos graduandos uma postura crítica sobre a própria profissão “alicerçados pelas ciências humanas (e não apenas por uma ciência em particular) para traçar os contornos da profissão e resgatar todas as suas dimensões sociais e políticas”.
Nos capítulos posteriores, Melo apresenta de forma clara e objetiva as matizes do pensamento jornalístico brasileiro e os fatores sócio-econômicos que moldaram este pensamento, resultando em uma prática jornalística estreitamente ligada à uma elite burguesa e com um viés monopolítico. Seu texto assume uma postura quase didática, como preparando o leitor para os proximos capítulos onde a questão dos Gêneros em jornalismo e analisada e as identidades brasileira no jornalismo são buscadas.
Ao apresentar a teoria do jornalismo, objetivando identificar as características particulares do jornalismo brasileiro, Marques de Melo deixa claro a importância, a necessidade e o papel das universidade e faculdades de comunicação da pesquisa acadêmica na construção dessa identidade. Muita coisa já foi feita, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido e a tarefa é árdua. Somente por este caminho, a pesquisa, é que o jornalista poderá aproximar-se cada vez mais do seu verdadeiro papel e as diferenças entre a teoria e a prática, ou entre a academia e o mercado, serão reduzidas ou minimizadas.
Portanto, não espere encontrar no livro Teoria do jornalismo: identidades brasileiras, fórmulas ou receitas, ou quem sabe uma teoria que busque resolver os problemas da imprensa brasileira. Porém, se o leitor procura um entendimento, um pensamento norteador que irá auxiliá-lo em suas pesquisas ou no entendimento da praxis jornalística brasileira, Melo nos fornece um rico material e uma leitura prazeirosa.


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