sexta-feira, 29 de março de 2019

O vídeo xxx de Bolsonaro

Não se engane,,, Bolsonaro saiu mais forte depois da postagem do vídeo do carnaval. Pelo menos para um público específico.

Bolsonaro sabe perfeitamente quem o ajudou a ganhar as eleições: os militares e os moralistas. Fazem parte deste segundo grupo a grande maioria dos evangélicos. Por isso o presidente não pode se dar ao luxo de perder o apoio de nenhum deles.

A questão é que as trapalhadas que a família Bolsonaro faz acabam se voltando contra eles mesmos. No dia do falecimento do neto de Lula, o filho Eduardo Bolsonaro fez uma postagem no Twitter chamando Lula de "larápio" e que "iria posar de coitado".

A repercussão foi muito negativa até ao ponto de que uma das lideranças mais atuantes nas redes sociais e no meio evangélico também reprovou a atitude do Eduardo.

Esta puxada de orelha não pode passar desapercebida por Bolsonaro e na tentativa de recuperar o apoio dos evangélicos o presidente fala mal do carnaval. Festa impopular para este público. Carnaval é a festa da carne, onde a depravação e a libertinagem correm solta. Isto é o que é pregado em todas as igrejas desde sempre. Ao expor isso de forma generalista Bolsonaro somente reafirmou este sentimento nos moralistas. Basta ver a repercussão da Hastag #bolsonarotemrazao. Milhares apoiaram o presidente e a forma corajosa que ele teve de expor o que o carnaval realmente é.

Não deu outra. Malafaia, desta vez, não apenas tuitou, mas gravou um vídeo em total apoio ao presidente.

A fidelidade do público evangélico aos salvadores da pátria contrários ao Comunismo, Socialismo e ao PT é muito forte. Somente um fato (ou boato) contrário e proporcional ao tamanho de sua fé é que podem abalar esta relação.

Isto já aconteceu antes, quando Fernando Henrique Cardoso se recusou a responder a pergunta se acreditava em Deus e acabou perdendo a eleição para a prefeitura de São Paulo em 1985 e também com Collor de Melo, que começou a perder apoio dos evangélicos quando surgiu o boato de que a Esposa de Collor à época fazia rituais de macumba nos porões do palácio.

Bolsonaro já demostrou que se preocupa muito com a opinião dos evangélicos. No período de transição de seu governo a bancada evangélica vetou o nome de Mozart Ramos para o ministério da Educação.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Para CEO da Netflix, TV acaba em 2030

Para Reed Hastings, CEO Netflix, a TV acaba em 2030. No Brasil também? Não é bem assim



É realmente muito tentador apregoar o fim de uma indústria baseado no desenvolvimento de tecnologias que oferecem um serviço melhor ou uma experiência mais significativa para o usuário. Ainda mais se você for o CEO de uma empresa quem vem impactando tanto o mercado de TV quanto cinematográfico. Foi o que afirmou Reed Hastings, o CEO da Netflix (Leia aqui). Para o executivo a TV acaba em 2030.

Se a continuidade da indústria televisiva dependesse apenas da questão tecnológica seria fácil concordar com Hastings, contudo é um equívoco e um perigo muito grande para as emissoras, traçar estratégias focadas na questão tecnológica. O futuro da TV não se dará pelo viés da tecnologia. Ele será definido pelo contexto econômico e político de cada país. A tecnologia será o gatilho que impulsionará a necessidade de se estruturar um novo modelo de negócios para a televisão aberta, inclusive no Brasil.

O discurso de Hastings, firma-se na possibilidade da escolha dos usuários em utilizar um serviço concorrente na entrega de conteúdo audiovisual. Fato que pouco tempo atrás não existia. Assim, para ele, basta dar tempo ao tempo e usuários irão optar por esta nova possibilidade. Talvez isto seria mesmo assim caso houvesse uma uniformidade de condições entre os diferentes públicos da cada país. Mas mesmo assim, ele se esquece que as regras do jogo são definidas no campo político. Basta uma lei, uma regulamentação ou a imposição de taxas para que a televisão aberta continue à frente de seus concorrentes. E no Brasil esta é uma opção bem plausível. Alás já aconteceu várias vezes.

As políticas de comunicação adotadas pelo governo brasileiro vem determinando a manutenção do modelo de negócios praticados na TV analógica, também na TV Digital e uma série de medidas foram impostas favorecendo a continuidade da supremacia da televisão no mercado publicitário.


  1. 20 de dezembro 2002, foi aprovada a lei 10.610 permitindo a participação de 30% do capital estrangeiro nas empresas de comunicação. Até esta data, a legislação brasileira proibia qualquer participação do capital estrangeiro em empresas de radiodifusão. 
  2. 13 de novembro 2005 – O Ministro Hélio Costa apresenta o padrão ISDB-T que favorece os radiodifusores brasileiros na utilização da mobilidade
  3. 06 de agosto de 2010 – Por 7X1 o STF julgou improcedente a Ação de Inconstitucionalidade (ADI) 3944 ajuizada pelo PSOL principalmente contra as regras para a multiprogramação mantendo as mesmas ofertas de espaço publicitário nos canais existentes
  4. 04 de Junho de 2012 foi aprovada a Lei 12.485/2011 que passou a vigorar a partir de 02 de setembro/12 e estabelece cotas de produção nacional nos canais pagos e, principalmente, define regras entre distribuição e produção de conteúdo. O que impediu que as empresas de telefonia produzissem conteúdo.
  5. 23 de abril de 2014 Presidenta Dilma sancionou o “Marco Civil da Internet no Brasil” – que estabelece, entre outros, a Neutralidade da Rede, que tem como questão principal, a proibição para as operadoras de internet cobrar preços diferenciados na utilização da banda de internet.
Fazendo essa simples linha histórica, pode-se perceber que as políticas de comunicação estão sendo traçadas para que se perpetue o atual modelo de negócios. Caso empresas como a Netflix ou Google ofereçam realmente um risco à manutenção deste modelo, não será surpresa nenhuma que o congresso novamente tome partido das emissoras, até porque, muito políticos são proprietários de emissoras de televisão no Brasil. 

A TV aberta no Brasil possuí um momento privilegiado em relação ao mercado internacional. Há um tempo ainda considerável (maior do que 16 anos, como afirma Hastings) para que sejam tomadas as decisões necessárias capazes de atenuar os impactos que as tecnologias da informação sejam um risco sério para a indústria televisa brasileira. Pelo menos enquanto o lobby das operadoras de Telecom e empresas de tecnologia não suplantarem o poder político da radiodifusão brasileira. 

No campo econômico, a situação não é muito diferente. Como afirma Arlindo Machado, "a televisão é e será aquilo que quisermos que ela seja". A televisão é reflexo direto da sociedade. O modelo de negócios atual foi estabelecido para uma uma sociedade industrial que vem sendo transformado pela sociedade da informação e as novas condições de emprego e divisão do trabalho. É muito mais importante induzir como a será a sociedade brasileira no futuro do que nossa televisão, pois a TV será uma consequência da estrutura econômica do Brasil e não o contrário.  

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Forrester: investimento em digital deve superar TV em 2 anos (nos EUA)

Em 2019, orçamento de publicidade destinado a canais digitais vai representar 36% dos gastos publicitários totais norte-americanos
Texto publicado em: ProXXima

Os investimentos em publicidade digital nos Estados Unidos vão superar os destinados à TV em 2016. Os gastos devem atingir US$ 103 bilhões em 2019, representando 36% do orçamento publicitário total, segundo estimativa da Forrester com base em seu modelo ForecastView. Anunciantes norte-americanos devem investir US$ 85,8 bilhões em comerciais televisivos em 2019, o que vai equivaler a 30% dos gastos com publicidade totais do ano, de acordo com a pesquisa.

Entretanto, a causa dessa superação não será o fato de grandes anunciantes retirarem os investimentos da TV e redirecionarem ao YouTube e Facebook. Haverá uma espécie de “canibalização” dos orçamentos de TV, mas o maior fator de contribuição será um influxo de novos investimentos dedicados ao digital devido à capacidade dos profissionais de marketing em provar a eficiência desse segmento, segundo Shar VanBoskirk, analista da Forrester.

Por enquanto, os profissionais de marketing não estão aumentando os investimentos no digital em razão da publicidade nativa ou processos de compra de mídia programática. Isso acontece porque a economia se recuperou. Agora, os anunciantes têm mais dinheiro para gastar do que nos últimos anos e a diversidade do inventário de anúncios online oferece inúmeras opções. Além disso, eles estão confortáveis em se dedicar ao online porque os anos de teste e aprendizado mostraram que o dinheiro aplicado no digital é eficaz.

Ainda haverão experimentações, mas elas serão melhor calculadas. Profissionais de marketing digital mais experientes, por exemplo, vão movimentar seus orçamentos online. Eles estão começando a limitar os investimentos em pesquisa comprovada e investir mais em áreas emergentes do digital, como o mobile e inventários que podem ser comprados de forma programática, afirma VanBoskirk. Enquanto isso, novos anunciantes, como marcas B2B, estão limitando seus orçamentos inicialmente a canais mais eficientes em termos de custo, como pesquisa.

Em razão dessa preocupação dos profissionais de marketing em relação aos investimentos no digital, a Forrester prevê que o crescimento na área inicie lentamente.

A capacidade de mensurar a eficiência de anúncios é o motivo de a hierarquia dos canais publicitários digitais não se alterar nos próximos cinco anos, mesmo com o crescimento do mobile. A expectativa da Forrester é que os gastos com anúncios em dispositivos móveis atinjam US$ 46 bilhões em 2019. Esse segmento será responsável por 66% do aumento do orçamento publicitário nos próximos cinco anos, mas o dinheiro aplicado nessas pequenas telas será distribuído, em larga escala, aos mesmos canais digitais que os investimentos em desktop.

Busca ainda lidera

Search advertising deve permanecer na liderança pelo fato de permitir aos anunciantes mensurar os seus benefícios de forma mais direta. A publicidade display, que inclui anúncios em vídeos digitais, ocupará a segunda posição por atrair anunciantes de marca. Os investimentos em social advertising, como anúncios in-streams do Facebook e Twitter, apresentarão um crescimento maior do que qualquer outro canal digital nos próximos cinco anos, mas a Forrester não acredita que eles vão superar os líderes, search e display, porque a mensuração desses anúncios ainda precisa amadurecer.


Apesar de os investimentos em digital ultrapassarem US$ 100 bilhões, representando um importante marco histórico, esse número poderia ser ainda maior se a categoria não canibalizasse a si mesma. As marcas vão investir mais em publicidade digital, mas também gastarão com a produção de conteúdo, um custo que a Forrester não inclui em suas estimativas. Além disso, algumas marcas encontrarão uma maneira de economizar e distribuir o conteúdo de graça em plataformas como Facebook, Twitter e YouTube, além das propriedades da marca.

Com informações do Advertising Age

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

16 milhões de brasileiros acessam Internet enquanto assistem TV, diz IBOPE

Escrito por: IDG Now
Fonte: Instituto Telecom

Segundo novo estudo Social TV, quase 40% dessas pessoas realizam comentários em redes sociais ao assistir televisão.

Mais de 16 milhões de brasileiros já utilizam um aparelho para acessar a Internet enquanto assistem televisão, de acordo com o mais recente estudo Social TV, do IBOPE Media.

Segundo a pesquisa, a troca de mensagens é a principal atividade online dessas pessoas ao assistirem TV. Aproximadamente 38% deles comentam em redes sociais durante programas que estão vendo na TV, o que representa um aumento absoluto de 136% em relação a 2012, quando o IBOPE Media publicou o primeiro estudo sobre o assunto.

O levantamento aponta ainda que o público feminino e os jovens se mostraram propenso a realizar as duas atividades ao mesmo tempo. Dados referentes a SP e RJ mostram que 65% das pessoas que realizam comentários enquanto assistem TV são mulheres e 66% tem idade entre 10 e 29 anos.

Os fatos engraçados costumam liderar os comentários, uma vez que 64% dos entrevistados paulistas e cariocas apostam que esse tipo de caso é o que mais gera repercussão. Em seguir, aparecem os eventos polêmicos, com 44%, e trágicos, com 25%.

Brasil, Europa, Ásia e Estados Unidos, mercados diferentes, mas com algo em comum: futuro do broadcast ainda incerto

Apesar de mercados diferentes, Américas, Europa e Ásia têm em comum a indefinição do que virá a ser o sistema broadcast no futuro. Representantes dos principais mercados de televisão mundial debateram sob várias perspectivas o futuro do broadcast, inclusive o padrão 8K

A Hot Session “Broadcasters: os desafios do futuro”, moderada por Fernando Bittencourt (SET/ FB Assessoria e Consultoria) debateu com Yasuto Hamada (NHK), Roland Beutler (EBU) e Hugo Gaggione (Sony) temas que estão impactando o sistema aberto de televisão em todo mundo.

Os representes dos mercados europeu, asiáticos e norte americano estão enfrentando, de forma diferente é claro, o momento transitório pelo qual passa a indústria televisiva em todo mundo. Momento não apenas tecnológico, mas também transitório no consumo e comercialização (modelo de negócio) das emissoras de televisão. “É muito difícil falar sobre o que vai vir, e mesmo que falemos, não é tudo, pois outros aspectos, além da engenharia é que estão definindo o futuro. O tempo é fundamental e sozinhos não conseguimos fazer, depende dos negócios e das pessoas”, afirmou Bittencourt na abertura da sessão.

Logo após, Yasuto Hamada (NHK) apresentou o estado da arte do sistema 8K em desenvolvimento nos laboratórios da emissora japonesa e o cronograma para a primeira transmissão via satélite em 8K, já para 2016. Este tema tomou grande parte do tempo do debate conduzido por Bittencourt. Muitas perguntas foram direcionadas a Hamada a respeito dos testes, custos de equipamentos e implantação, oportunidade de novos negócios e novas formas de consumo da programação televisiva. Questões que impactam fortemente a vida das pessoas em casa e das pessoas que fazem e, vão fazer, a televisão do futuro.

Contudo, não é apenas este novo padrão de TV que vem desafiando a televisão que nós conhecemos hoje. Bittencourt também convidou os participantes a discutirem questões como a utilização do vídeo sobre IP, a questão da luta pelo espectro, tanto aqui no Brasil como nos EUA e na Europa, segunda tela e TV Híbrida, dentre outros.

O que pode se perceber ao final da sessão, é que mesmo com características diferentes, os mercados mundiais de televisão estão enfrentando situações que ainda deixam o futuro do broadcast incerto e forçam que cada caso seja analisado dentro de inúmeras variáveis. O gap entre a adoção de uma tecnologia está cada vez menor e as consequências das inovações estão cada vez mais perceptíveis. O momento é de transição e adaptação.

O Congresso terá 44 sessões e 220 palestrantes distribuídos em 4 auditórios simultâneos, em um fórum que congrega um grupo seleto de mais de 1.600 profissionais que discutem as questões mais relevantes do setor intensamente durante um período de 4 dias.

O evento reúne de 24 a 27 de agosto de 2014 no Pavilhão Azul do Centro de Convenções e Exposições Expo Center Norte em São Paulo, especialistas do Brasil, Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, que discutem os principais aspectos da produção, transmissão e distribuição em TV, além de temas relacionados a vídeo, cinema, rádio e internet. Entre os temas destacados está o switch-off TV, as interações entre TV e Internet, os desenvolvimentos tecnológicos da Copa do Mundo e muitíssimos outros temas de atualidade da indústria.

*Especial para a Revista da SET

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Disputa por espectro é um problema global

Demanda inflacionada nos Estados Unidos, congestionamento no Japão, indefinições na Europa. Todos aguardam a conferência da UIT em 2015 em relação ao uso do espectro para a televisão terrestre.

A palestra “Transmissão e distribuição – SPECTRUM: panorama mundial”, moderada por Ana Eliza Faria e Silva (SET/TV GLOBO) movimentou o terceiro dia da 26ª edição do Congresso SET, realizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET).

Eliza iniciou a sessão lembrando que de um importante acontecimento que irá ocorrer em 2015 e que impactará todo o mercado de radiodifusão mundial: a conferência da UIT. A demanda por espectro para oferta de banda larga móvel tem levado a indústria Broadcast e as Telecom a disputarem a já congestionada faixa destinada aos serviços de radiodifusão. Esta decisão da UIT é muito importante, pois poderá afetar até mesmo os serviços de satélite da Banda-C

Masahiko Fujimoto, Vice diretor geral da ARIB (Association of radio industries e businesses) entidade responsável pelos relatórios e padrões técnicos no Japão demostrou sua preocupação no atual momento da radiodifusão do Japão no que diz respeito às demandas do espectro. Fujimoto apresentou uma extensa gama de dados que comprovam a situação delicada de seu país. A faixa de 470-698 possui hoje 1200 transmissores e o espectro está congestionado, esta faixa está destinada a TV terrestre e pode ser destinada ao serviço móvel, em especial as faixas de baixa frequência”, disse.

A Faixa 698-710 também está aloca para DTTB, que segundo Fujimoro é necessária, principalmente no fornecimento do serviço On-seg. O palestrante relatou um acontecimento ocorrido durante o Tsunami de 2011 que salvou 40 mil vidas durante o desastre. Policiais que estavam acompanhando as informações pelo sistema On-seg retiraram os passageiros das composições dos trens de uma estação antes que as ondas chegasses. O sistema terrestre em países com essas características é essencial para a população.

Logo após, Roland Beutler (EBU) apresentou um panorama histórico do que está se passando na Europa, a partir de 2006 tratando dos dividendos digitais e a visão dos radiodifusores sobre as demandas do espectro em território europeu. Bleutler chamou a atenção para que as discussões iniciais não contemplaram a oferta de 4G na faixa destinada a TV terrestre, porque naquele tempo o sistema ainda não estava disponível, o que gerou novas normas posteriores. Atualmente, muitos países que já adotaram a faixa de 8MHz com canais alocados para a TV terrestre entre em conflito com a oferta do LTE. A EBU espera a conferência em 2015 e não sabe o que virá.

Tim Farrar, analisou os dados que serviram de base para as tomadas de decisão nos Estados Unidos. Dados inflacionados, segundo Farrar, que estão permitindo que as empresas de Telecom justifiquem a necessidade cada vez maior de faixas, o que resultou na tentativa de uso compartilhado pelos dois setores que afirmou ser impossível de ser operado. Mesma opinião de Bleuter e Paulo Balduino (SET/Abert), que tratou do cenário brasileiro. Balduino lembrou que o plano de compartilhamento é na verdade uma armadilha, pois cada vez mais as empresas de Telecom vão pressionando a radiodifusão até que acabe por vez com o uso pelo setor. “Essa decisão dos Estados Unidos e Canada na verdade se trata de uma readequação do uso da faixa. Uma política pública e já anunciada específica do caso americano”, afirmou Balduino.

Ao final da sessão a moderadora Ana Eliza, afirmou que de tudo que foi dito o setor “precisa se envolver mais e estar mais ativo nessas discussões que envolve o espectro, pois decisões importantes serão tomadas em apenas 1 ano.

O Congresso terá 44 sessões e 220 palestrantes distribuídos em 4 auditórios simultâneos, em um fórum que congrega um grupo seleto de mais de 1.600 profissionais que discutem as questões mais relevantes do setor intensamente durante um período de 4 dias.

O evento reúne de 24 a 27 de agosto de 2014 no Pavilhão Azul do Centro de Convenções e Exposições Expo Center Norte em São Paulo, especialistas do Brasil, Estados Unidos, Japão, Europa e América Latina, que discutem os principais aspectos da produção, transmissão e distribuição em TV, além de temas relacionados a vídeo, cinema, rádio e internet. Entre os temas destacados está o switch-off TV, as interações entre TV e Internet, os desenvolvimentos tecnológicos da Copa do Mundo e muitíssimos outros temas de atualidade da indústria.

*Especial para a Revista da SET

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Verdades e mitos sobre o consumo de mídia no Brasil e na América Latina

Ao contrário do que vem se propagando pela imprensa especializada, a queda da audiência de alguns programas não reflete a verdadeiro momento da TV aberta no Brasil e na América Latina que vem obtendo crescimento não apenas na audiência, mas também nos investimentos em publicidade.

Aqueles que estiveram presentes na sessão: “Cenários & Tendências: Hot Session. O Futuro da mídia. Hábitos de consumo”, moderada por Roberto Franco (SET/SBT/Fórum SBTVD) puderam sentir um alívio em relação ao consumo da mídia para o futuro frente ao grande volume de notícias pessimistas que são divulgas baseadas no comportamento das novas gerações e da concorrência com dispositivos conectados à internet e serviços de distribuição de conteúdo audiovisual fora das emissoras de televisão. Os dados apresentados mostram um cenário muito promissor para a TV aberta no futuro próximo, basta que o ecossistema conheça cada vez mais seu público, que está deixando de ser aquele formado no início da história televisiva brasileira.

A sessão teve início com Roberto Franco, apresentado os dados do Painel Nacional de Televisão e a forma como são obtidos. São quinze mercados divididos pelo país criando uma amostra que representa 21 milhões de lares no Brasil. Os números da audiência nacional vêm aumentando de 2008 até o momento, reflexo do aumento da população, dos números de televisores nos lares e, consequentemente, dos aparelhos ligados. “É o que chamamos de bônus demográfico”, ressaltou Franco. Corrobora este cenário o grande consumo da mídia TV frente a outras plataformas. 93% da população assiste TV apenas no formato tradicional.

Contudo, Franco reconhece que o momento é de seriedade e que é preciso olhar para o comportamento e hábitos de consumo das futuras gerações para entregar um conteúdo cada vez mais relevante para a audiência.

Não por acaso, Estela Vieira (PWC) um estudo que já está em sua 15ª edição e que abrange gastos de consumidores e investimentos em publicidade na indústria de entretenimento e mídia, contemplando projeções para os próximos cinco anos e que deverá crescer 10,2% até 2018, enquanto o mercado global é de 5%. Já a publicidade na TV deverá crescer 9.1%. Maior que o mercado latino-americano e o mercado global.

Mark Green (Simulmedia) fez sua explanação sobre o mercado americano e porque as transformações naquele país ocorrem mais rapidamente do que em outros mercados. Lá o acesso à tecnologia (tabletes, smartphones, TV conectada, banda larga) está obrigando os produtores de conteúdo a formular estratégias e novas oportunidades de negócios que atendam a audiência que vem sendo formada por meio destes dispositivos. “A penetração da internet é mais importante hoje do que a do cabo. 40% dos aparelhos de TV nos Estados Unidos são Smart TV”, ressaltou Green.

No mercado latino-americano, Otavio Bocchino (Centro Internacional de TV aberta) apresentou estudos que comprovam o crescimento da audiência e dos investimentos publicitários. O mercado da AL é muito parecido com o brasileiro. A TV aberta possui grande relevância em países como Equador, Bolívia, dentre outros. Estima-se que 40 milhões de pessoas serão incluídas na audiência da TV até 2015. 74% da população assiste televisão ao vivo.

Por fim, Ricardo Monteiro (GFK TVAM) apresentou as novas ferramentas de medição da audiência que a empresa alemã está desenvolvendo e trazendo para o Brasil. Ferramentas que irão mudar o foco da medição atual, medindo o comportamento do indivíduo e não do lar como um todo. Monteiro acredita que este novo foco irá trazer dados mais concretos para anunciantes e emissoras e que resultará em estratégias muito mais elaboradas e eficientes. “O modo como os anunciantes lidam como o comercial aqui no brasil é igual para online e off-line”, afirmou Monteiro.

Ao final, Roberto Franco resumiu bem o que vem pela frente. “Temos um consenso: a mudança está acontecendo. As mídias de massa vão continuar existindo, a maneira como relacionamos com elas é que vai mudar, mas isso não quer dizer que um meio irá acabar com o outro”.

*Especial para a Revista da SET

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Cenas dos próximos capítulos: vem aí uma guerra contra a pirataria na Web


A primeira indústria de entretenimento atingida pela pirataria foi a indústria fonográfica. para evitar sua falência total, uma verdadeira guerra foi travada para se coibir o download de música entre usuários. Serviços como o iTunes, da Apple, criaram um novo modelo de negócios sustentável.

Com a experiência, a industria do cinema e TV nos EUA se prepararam e fazer um download de um programa de TV ou filme nos EUA é um risco muito grande que poucos querem correr. Por conta disto, inúmeros dispositivos capazes de reproduzir conteúdo de forma legal são disponibilizados no mercado americano, além dos serviços OTT como o NetFlix e sites na internet como Hulu ou Youtube.

Este novo contexto está mudando a indústria televisiva nos EUA e, certamente, chegará aqui no Brasil. Estes serviços e dispositivos que reproduzem conteúdo não "explodiram" no mercado nacional. O senso comum é dizer que a internet brasileira é de má qualidade, o que inibe a venda ou adoção dos consumidores brasileiros. A verdade aparenta ser outra. Não é a internet que é de má qualidade... É a pirataria que é gigantesca. Não há a necessidade de gastar comum um serviço de streaming de vídeo se é tão fácil e simples piratear séries e filmes no Brasil. Levantamento divulgado recentemente comprova que o Brasil lidera o ranking mundial em pirataria (ver matéria completa aqui) de séries e filmes.

Lista com as dez séries com maiores números de downloads ilícitos no segundo quarto de 2014

1 - Game of Thrones: 298,9 milhões de downloads

2 - The Big Bang Theory: 63,2 milhões

3 - Orange is The New Black: 60,8 milhões

4 - Mad Men: 55,7 milhões

5 - Arrow: 53,2 milhões
6 - How I Met Your Mother: 51,5 milhões

7 - The 100: 50,1 milhões

8 - Fargo: 46,8 milhões

9 - Modern Family: 44,7 milhões

10 - 24: Live Another Day: 43,8 milhões

O Brasil é um dos poucos mercados de TV aberta que possui volume de investimentos publicitários consideráveis. De acordo com o Grupo de Mídia São Paulo, a TV recebeu 66,5% dos investimentos publicitários em 2013. Mas como ficaria o mercado de TV se as autoridades brasileiras fechassem o cerco à pirataria?

Esta é uma resposta complexa. Os números dos downloads ilícitos são expressivos e impactariam a audiência das emissoras pagas se as pessoas fossem obrigadas a assistir seus programas preferidos pela TV paga. Se o lobby das operadoras de TV paga conseguir forçar as autoridades brasileiras a combater e punir exemplarmente a pirataria, isto poderia significar aumento nas receitas tanto de novas assinaturas, como de publicidade. Porém, muitos poderiam não aderir aos planos da TV paga e se voltar para os serviços de OTT. Se isso acontecer, é provável que as produtoras das séries autorizem a comercialização pelos dispositivos de streaming como Apple TV, Fire TV ou Roku. Em qualquer cenário, a TV aberta perde e caso eles venham a se confirmar, a TV será obrigada a investir em programas ou conteúdo ao vivo, formato que ela dificilmente será ameaçada.

A questão é que realmente chama a atenção a quantidade de downloads realizada no Brasil e a condescendência das empresas donas dos direitos autorais dessas obras. Por que isso acontece no Brasil? Quem ganha com a pirataria?