terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mau jornalismo

A Folha de S. Paulo deu um exemplo de "mau jornalismo" ao publicar uma notícia tendenciosa sobre a Telebrás e o Plano Nacional de Banda Larga que o Governo Federal espera lançar em meados de março deste ano.

Graças a Internet e a variedade de fontes, a notícia está perdendo força e ficando evidente que foi uma notícia plantada pelo referido jornal. O PNBL vai de encontro aos interesses das operadoras que prestam um serviço de banda larga deficitário e caro. O Brasil ocupa a 35ª colocação em um ranking de 45 países. Não interessa de forma alguma para as prestadoras brasileiras, um plano de governo que promete investir R$ 14 bilhoes no segmento, levando banda larga a grande parte do país a um preço acessível. Sem esquecer que o grupo UOL, dono do jornal, é também um provedor de acesso e não tem interesse nenhum em um plano como este.

Prova deste mau jornalismo praticado pelo jornal Folha de S. Paulo é o comentário publicado por Luis Nassif, que reproduzo aqui.

Eletronet: a denúncia não se sustenta

23/02/2010 - 16:12

Não estou conseguindo entender a matéria da Folha sobre a Eletronet. Os dados não batem com o que está acontecendo. O repórter Márcio Aith – que se tornou especialista em missões especiais – definiu uma tese e escondeu informações essenciais que a desmentiam. Mais uma jogada em que se misturam informações técnicas incompletas com conclusões que não se sustentam nos fatos.
A história é a seguinte.
Lá atrás, criou-se a Lightpar, para permitir investimentos em redes de fibras óticas. Montou-se a rede, a empresa não deu certo e faliu.
A partir dali, criou-se um imbróglio.
A AES repassou para o tal Nelson sua parte na Lightpar – equivalente a 51% das ações de uma empresa com capital negativo (tinha mais dívidas que ativos). A Eletrobras tem outros 49%.
Acontece que a Eletronet é uma concessão pública. Decretada sua falência, a Eletrobras retomou a rede de fibras óticas, sem pagar nada por ela. Simplesmente cassando a concessão. É uma confusão porque entram Aneel (que regula o setor elétrico) e Anatel (que regula as telecomunicações). Mas a intenção clara da ação do governo  foi tomar a empresa sem pagar nada aos demais acionistas.
O problema ocorreu com os credores, fornecedores das fibras óticas – Furukawa e Lucent – que têm R$ 800 milhões a receber. E querem saber como o governo, depois de retomar a empresa, vai fazer para quitar as dívidas. Essa ação corre na Justiça. A rigor, nesse imbróglio jurídico, não há o menor espaço para nenhuma espécie de pagamento ao tal Nelson, que não é credor de nada, apenas sócio de uma massa falida.
Aith é um repórter complicado. Desde que passou pela Veja, algo se quebrou no seu rigor de repórter.
Por exemplo, no texto ele fala em pagamento de R$ 200 milhões ao Nelson. Se a Eletrobras já retomou a empresa sem pagar um tostão, de onde ele tirou a história do pagamento de R$ 200 milhões?
No texto da matéria, tudo o que se tem é isso:
Com a reativação da Telebrás, Santos poderá sair do negócio com cerca de R$ 200 milhões.
Não diz quem vai pagar, de que forma, a troco de quê. Não informa que a Eletrobras já retomou as fibras óticas da empresa e vai tocar o projeto sem nenhum sócio privado. Esconde dados.
Pode ser que Aith tenha alguma informação adicional. Mas quem tem, publica. Se não publica, é porque inventou ou não apurou devidamente.
Outro ponto colocado é a questão da caução judicial. Para retomar a empresa, os credores (não o Nelson, que é devedor) exigiram uma caução, que garantisse o pagamento das dívidas. O governo tentou colocar títulos. O juiz não aceitou. Está se discutindo agora a caução em dinheiro. Só que a caução é para garantir os direitos dos credores de uma massa falida, não dos acionistas.
O que diz o Aith?
Outro ponto que espanta os observadores desse processo é que o governo decidiu arcar sozinho, sem nenhuma contrapartida de Santos, com a caução judicial necessária para resgatar a rede de fibras ópticas, hoje em poder dos credores.
Ora, mas se a ideia é o governo retomar a rede de fibras óticas sem pagar nada à Eletronet, qual a razão do sócio Santos depositar caução? Teria lógica se ele fosse ficar com um pedaço da Eletronet.
Aith vai mais longe. Pega uma fala de Lula:
“Nós estamos brigando há cinco anos para tomar conta da Eletronet, que é uma empresa pública que foi privatizada, que faliu, e que estamos querendo pegar de volta”, disse na ocasião.
E conclui, da própria cabeça, isso:
Lula não mencionou que, para isso, terá de entrar em acordo com as sócias privadas da Eletronet, entre elas a Star Overseas, de Nelson dos Santos, que contratou os serviços de Dirceu.
Não informa os leitores que a retomada já foi feita, sem nenhuma espécie de pagamento e há uma discussão na Justiça que nada tem a ver com as ações da massa falida.
Essa atividade de consultor, do José Dirceu, é polêmica, não combina com a atividade de articulador político. Mas não há nenhum dado objetivo que a ligue à questão da Eletronet.
A dúvida pertinente é sobre a motivação de tal matéria. Pode ser briga de credores insatisfeitos com o não pagamento de suas dívidas. Pode ser o próprio Nelson, sabendo que sua aposta na empresa micada não vai dar em nada. Pode ser uma tentativa de torpedear o projeto de banda larga do governo. Ou uma tentativa de atingir a Ministra-Chefe da Casa Civil., que está tocando o projeto da banda larga.
A única certeza: foi mais uma jogada da Folha e do Aith.

Artigo publicado por Luis Nassif no endereço:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/02/23/eletronet-a-denuncia-nao-se-sustenta/

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