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Inteligência Artificial pode mudar modo como assistimos televisão


Por: Francisco Machado Filho e Rosiene Cristine Tondelli Cazale 
Texto apresentado no Congresso da INTERCOM 2019. 

Vivemos em um mundo em que as mudanças sociais, econômicas e tecnológicas estão gerando complexas transformações e ocasionando grandes desafios de negócios em todos os segmentos; sendo assim, é de fundamental importância acompanhar o comportamento dos consumidores para que as organizações possam traçar estratégias mais assertivas para atrair o seu público e fortalecer seus produtos ou serviços no mercado. A indústria televisiva brasileira é forte e influente, mas está perdendo a audiência do público jovem, de acordo com estudo realizado pela produtora de conteúdo Fullscreen e pela consultoria Leflein Associates, intitulado “A TV, os milennials e o comportamento da geração Z” , em março de 2017. Tal estudo aponta que o modelo atual da TV aberta não irá resistir nas próximas décadas, e mostra que 35% dos jovens da geração dos Nativos Digitais afirmam ter diminuído o consumo de televisão.

São inúmeras fontes que apontam que a IA é hoje um caminho a ser utilizado na automação para produção e distribuição de conteúdo audiovisual, seja em plataformas sob demanda ou mesmo em emissoras abertas de televisão. Contudo, o presente texto foca o uso da IA no aparelho de televisão, pois esta passa a ser uma alternativa para as emissoras para aumentar o engajamento da audiência frente sua grade de programação e serviços e atrair a atenção dos jovens que estão encontrando nas plataformas móveis e sob demanda experiências mais significativa no consumo de produtos audiovisuais. 

A IA está sendo inserida nas mais diversas áreas, tornando as máquinas inteligentes, com características de raciocínio, percepção, adaptação e capacidade de evolução de acordo com as informações que recebe o que facilita as operações e o gerenciamento de processos de forma eficiente e contribui para a evolução de uma sociedade mais conectada e com possibilidades ilimitadas. Isso gera mudanças culturais e sociais, fascina a humanidade e faz que as pessoas, ao se apropriarem dessa tecnologia, reconfigurem seus hábitos cotidianos não apenas em termos da capacidade de uso, mas também da apropriação da tecnologia, aceitação e interação. Os resultados apontaram para um crescimento exponencial para a adoção da IA, com um mercado muito promissor para a sua implantação.

De acordo com Pontes (2011), a IA pode ser compreendida a partir de elementos que têm por objetivo a resolução de problemas, a construção de criaturas inteligentes que sejam capazes de compreender como pensam os seres humanos, podendo também ser classificada como uma área de pesquisa da Ciência da Computação, que busca métodos ou dispositivos computacionais que possam simular a capacidade racional humana para resolver problemas, tomar decisões ou, de forma ampla, ser inteligente.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO APARELHO DE TELEVISÃO


A IA no aparelho de TV possibilita novas relações com seus telespectadores , possibilitando o mapeamento de todo o mecanismo operacional da televisão com os recursos da IA, suas novas ferramentas, softwares, os depoimentos e as perspectivas futuras. 
De acordo com o diagrama da figura abaixo, é possível demonstrar os aspectos que envolvem o funcionamento da IoT (Internet das Coisas) e IA na televisão, detalhando o que compete a cada uma das partes. 
  
Figura - Diagrama da TV com IA
 
Fonte: própria autora

No centro temos a TV. Partindo do princípio de que o televisor possui um sensor de IoT, o qual estará vinte e quatro horas ligado (muitos modelos hoje estão sendo utilizados como painéis decorativos, com molduras que se adaptam ao ambiente das residências, exibindo pinturas famosas como se fossem um quadro e também transmitindo informações de data, hora e temperatura ambiente).
 Enquanto o CONSUMIDOR assiste à TV ou transita pela casa, vai fornecendo dados através dos diversos aparelhos da residência (mesmo sem saber), para que a IoT capte esses dados, em relação a qual programa de televisão que está assistindo, qual a emissora, registra a programação mais assistida, horário de mais acesso, assim como seus hábitos e dinâmicas de consumo, inclusive sobre aquilo que ele acessa e compra na Internet. Através do sensor de IoT no aparelho de TV, os dados do consumidor são captados e armazenados no CLOUD COMPUTING (computação na nuvem), que é um local seguro que fornece serviços de computação em servidores, para armazenar grandes quantidades de dados coletados do consumidor. 
O BIG DATA, por sua vez, é um banco de dados de grandes proporções, formado pelos dados armazenados na “nuvem”, os quais foram captados e servem de “alimento” para a IA, a qual tem capacidade para interpretar um infindável número de dados não estruturados, em forma de vídeos, áudios, animações e textos. 

Em um primeiro momento, a IA necessita de uma curadoria, ou seja, alguém que a ensine detalhadamente sobre um determinado assunto ou área de interesse. Esse aprendizado é transmitido para as PLATAFORMAS DE COGNIÇÃO que têm capacidade de aprimorá-los e passa a enriquecer a IA ensinando, cuidando e monitorando a IA. As emissoras de televisão utilizam os recursos de IA para que possam ter uma visão midiática e de marketing sobre as preferências dos espectadores, passando a conhecer melhor a sua audiência e promover o engajamento desse público. 

Para entender porque a IA é a grande solução para a reinvenção da televisão é simples, basta entendermos qual é o maior desafio que as emissoras de televisão tem, que consiste no momento em que o consumidor desliga o aparelho. Nessa hora, por mais produtos, tecnologia e serviços que a emissora possua tudo perde o sentido na indústria da televisão. A IA, através das ferramentas, pode eliminar esse problema, simplesmente fazendo com que o telespectador mantenha a televisão ligada vinte e quatro horas por dia, realmente ligado, não em modo stand by. Com isso a televisão passa a intervir na vida do consumidor mesmo quando ele não está assistindo. Assim, os meios de radiodifusões, estão apostando na Inteligência Artificial junto com a Internet das Coisas, como uma possibilidade de oferecer algo que vai além do conteúdo televisivo, e até transformar aquela companhia que muitos costumam ter na televisão, em companheira de fato, que interage com o consumidor. A IA vai transformar a TV numa companhia virtual, física através do aparelho de TV para que o espectador tenha um relacionamento pessoal com a TV. Sem dúvida que é algo muito novo, o fato é que a IA cada vez mais estará envolvida no reconhecimento das pessoas, dos produtos e a percepção dos gostos de cada telespectador da casa. A propaganda veiculada será cada vez mais personalizada, e com a oferta de serviços baseados nos hábitos de consumo do telespectador e em seu cotidiano dentro de casa. A TV deixará de ser um aparelho que o consumidor liga e desliga e passa a ser um aparelho conectado, ligado vinte e quatro horas por dia, monitorando a vida do consumidor, e lhe oferecendo produtos e serviços que a TV vai aprender ao longo do tempo que ele gosta (com dados fornecidos pela IoT a IA). O grande diferencial da IA é que ela aprende por conta própria, sem que se programe para repetir uma função. Então, realmente é uma nova era que está se formando no broadcasting, em que a TV deixa de ser um veículo de um para muitos e passa a ser um veículo personalizado. As emissoras não precisarão mais recorrer a critérios de classificação socioeconômica e perfil psicográfico para oferecer produtos que se adequem aos seus diversos públicos: ela obterá os dados diretamente do consumidor, sem ele que ele os precise passar – serão captados automaticamente pelo aparelho. 

Conforme o exposto, a IA possibilita que a televisão, que hoje permite assistir a um filme, documentário ou o que quer que seja, traga maiores informações ou até mesmo permita a compra de passagens para aquela praia incrível que está sendo exibida na cena; comprar um colar semelhante ao usado pela atriz; ou saber onde encomendar um prato tão saboroso quando o servido no restaurante que acaba de passar no vídeo, por meio de uma experiência muito mais simples e gratificante do que apenas o T-commerce. Tudo indica que essa revolução, apesar de intensa, ainda está só no início: a tendência é que a IA e a IoT, juntas, revolucionarão o setor audiovisual transformando o hábito de assistir TV.

 

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