quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O professor do futuro


Geralmente quando associamos a palavra futuro a uma profissão, a um aparelho eletrônico ou a um novo tempo, pensamos em algo melhorado, mas capaz, mais eficiente, apto a lidar com os problemas de uma maneira muito melhor. Mas, infelizmente esse não é o caso. O professor do futuro, pelo menos no Brasil, é o mau aluno de hoje e provavelmente será um mau professor no futuro.
Dados apresentados pelo MEC mostram que apenas 5,2% dos participantes do ENEM de 2007 declararam a intenção de se tornarem professor. Esta pequena porcentagem é em sua maioria, mulher, tirou nota menor que 20 (numa escala de 0 a 100), possuí renda familiar de 02 salários mínimos e a mãe nunca estudou. O INEP conclui que com esse perfil é pouco provável que o país esteja selecionando nossos futuros professores dentre os alunos com melhor formação.  As causas para o desinteresse dos alunos de melhor formação para a carreira do magistério são muitas e conhecidas, mas o que fazer com este aluno mal formado e que quer ser professor quando ele já está em um curso de graduação?
É muito difícil que um curso de licenciatura consiga recuperar o conhecimento e a base cultural perdida por nossas crianças durante o ensino médio. Seria preciso que a carga horária do curso fosse elevada para cinco ou seis anos. Impraticável. Também é muito difícil que os cursos consigam dar uma formação de alto nível com tão pouco tempo e tamanho problema. Então o que fazer?
Eu faço um apelo. Apelo para que os alunos que estão fazendo um curso de licenciatura não matem aula, usem e abusem da biblioteca, aprendam a “mexer” no computador, busquem informação na internet e não apenas relacionamentos, leiam muito, exijam o máximo de seu professor, da faculdade, dos governos. Corram atrás do prejuízo. Ainda há tempo.
Também apelo para as faculdades. Não é culpa de vocês que os alunos cheguem mal formados, mas é culpa de vocês permitirem que saiam da mesma maneira que chegaram.

Um comentário:

Paulo disse...

Eu concordo plenamente com o raciocínio. Ele demonstra clareza e coragem de exposição. Haja vista que você é professor e tem amigos professores. A situação, contudo, não deve nos agrilhoar. É preciso lembrar - também - que o conteúdo dos currículos, caso seja reformulado, colocaria um número bem maior de pessoas na carreira de docente. O cenário está assim, também porque está repleto de assuntos que não revelam a realidade do Brasil. Precisamos de professores ousados o suficiente para fazer surgir um currículo que tenha sentido para nós. Estas avaliações e estatísticas, então, perderiam um pouco o poder de persuasão.