segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Doutor quer ser Gari

Concurso público no Rio de Janeiro para Gari atraiu 124 mil candidatos, dos quais 1,2 mil têm nível superior completo; 86 têm pós-graduação; 24 mestrado e 50 doutorado. Quando um doutor quer ser Gari, alguma coisa está muito errada. E são duas as hipóteses.

A primeira é que alguns espertalhões prestam esse tipo de concurso, onde a exigência de escolaridade é baixa, e depois de aprovados entram com pedidos e recursos e tem o cargo e salário modificados. Nem chegam a exercer a profissão para qual prestaram o concurso. A segunda é que a vida está muito dura mesmo e, para muitos, não há outra esperança a não ser descartar sua qualificação acadêmica e tentar um sustento seguro e digno.

Quanto primeira, o problema é de falta de caráter. A segunda hipótese é a mais preocupante. Se esses 50 doutores prestaram o concurso por não conseguirem uma colocação depois de anos de estudos e preparação, expõe um problema grave no país. Doutor é para fazer pesquisa e não varrer rua. Nada contra a profissão de Gari, muito pelo contrário, mas o desenvolvimento e a produção de conhecimento de qualquer país são realizados pelas pesquisas de doutores. E mais, e se esses doutores se formaram com o auxílio financeiro do Governo Federal através de bolsas de pesquisa como CAPES e CNPq? Dinheiro público gasto na formação acadêmica de pessoas que deveriam devolver o auxílio na forma de pesquisas e conhecimento.

Como instigar alunos para uma formação continuada? Que país pode esperar que seus alunos almejem o mestrado ou doutorado com exemplos como este? Algo está muito errado, muito errado.

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