terça-feira, 17 de novembro de 2009

Marx está mais atual do que nunca

Em novembro comemoramos 20 anos da queda do muro de Berlin. Para muitos esse é o marco da vitória do Capitalismo conta o Comunismo. Entretanto, isso é um erro, pois a Alemanha não era comunista e sim Nazista. Um regime de extrema direita que tinha como base o sistema capitalista. O comunismo, como regime, acabou antes da queda do muro. O Comunismo perdeu. O Capitalismo venceu. Este é o discurso corrente. O curioso é que tanto a derrota de um e a vitoria do outro, se deram pela mesma razão: o individualismo do ser humano.

Em toda a história do homem houve uma hierarquia. Sempre alguém dominava alguém e sempre com um único propósito: possuir mais. Por isso, sempre houve escravos, dominantes e dominados, guerras, vencedor e vencido. Mas, em uma determinada época da história humana percebeu-se que havia uma possibilidade maior de dominação. Dominaria aquele que possuísse mais dinheiro. A igreja medieval tinha bastante. Depois, com o fim do feudalismo e a revolução protestante, surgiu uma classe que não era nem do clero, nem monarquia, mas tinha bastante dinheiro: a classe dos donos de banco.

Eles são a verdadeira classe dominante hoje. Os bancos e seu sistema de cobrança de juros. Quem deve ao banco sabe o que estou falando. Eles dominam o mundo, porque são donos das dívidas e quem controla a divida controla tudo, até países (leia-se FMI). Por isso Marx é atual, pois sua ideologia vai de encontro à “filosofia” bancária. Para Marx, o sistema capitalista transforma as classes sociais em proletários, para assegurar a quantidade de população ativa necessária ao funcionamento da produção de bens. Além disso, o sistema cria outra parcela de desempregados, para substituir a mão-de-obra ocupada quando se torna obsoleta, sujeitando-os a níveis salariais apenas para subsistência. Ou seja, o sistema é criado para que poucos ganhem com o trabalho de muitos. Por isso, para Marx, somente com o fim da iniciativa privada o proletariado teria alguma chance. Mas não deu certo, todo mundo quer sua iniciativa privada, até mesmo o proletariado. Mesmo a criança, do chão de fábrica, explorada na China, quer um dia ser dono da Nike.
 Para nós, que estamos do lado de cá do muro, esse parece um bom sistema. Só achamos ruim, quando o governo promove qualquer tentativa de se burlar esse esquema. Somos contrários ao bolsa família, à cota para negros nas universidades, ao Prouni e etc. Afinal, não são eles a massa de trabalhadores? Quem vai limpar o nosso quintal?

Marx esta mais atual do que nunca porque suas idéias foram as únicas a contrapor este modelo e ainda são, pois qual é a outra ideologia de nosso tempo sem o viés capitalista?  A cada dia, um grupo cada vez menor é o dominante e em pouco tempo não serão os governos que zelarão pelos seus cidadãos, os bancos decidirão. E como todos conhecemos a lógica bancária...

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