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Mais um desafio à interativdade na TV Digital: o grátis

A interatividade na TV Digital está em fase final de pesquisa e mais um desafio se impõe a ela. O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital está preparando uma campanha para ser veiculada entre abril e maio deste ano para divulgar os benefícios da interatividade e do Ginga (software que permite a interatividade nos aparelhos de TV Digital).

O grande problema da interatividade na TV Digital é que ela é um desejo mais governamental (inclusão digital) do que das emissoras de televisão. As emissoras demonstram não ter nenhuma pressa para que o sistema seja oferecido aos telespectadores. E qual a razão disso? Dinheiro, claro. Sempre é dinheiro.

Durante esta semana, o Ministério das Comunicações e a Caixa Econômica Federal promoveram uma demonstração da interatividade na TV digital. Os usuários podiam experimentar o aplicativo com conteúdo interativo em tarefas de rotina, como consultas bancárias. Era possível simular diversas consultas por meio da TV, como pedir crédito imobiliário, ver os resultados de sorteios e acessar informações sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o programa Minha Casa Minha Vida.

Muito bem, não teria problema nenhum se, para isso, o cidadão não deixasse de ver o que sustenta toda a indústria televisiva no país, ou seja, a propaganda. Qualquer uso do aparelho de TV que não seja para acompanhar a programação das emissoras (vídeo games, DVD, vídeo doméstico e etc.), significa queda na audiência e, conseqüentemente, queda no valor dos espaços publicitários dos programas. Como esperar que as emissoras de televisão apóiem um sistema que irá prejudicá-las. Há quem tenha a solução: é so cobrar por isso. O problema de se cobrar pelos serviços interativos na TV Digital é que isto está indo de encontro à tendência do mundo virtual. A moda agora é o grátis.

Chris Anderson, editor da revista Wired, traz uma idéia polêmica em seu novo livro. No mundo virtual, pagaremos cada vez menos por produtos e serviços.

Free: grátis: o futuro dos preços. Elsevier, 2009.
O autor argumenta que, em muitos casos, as empresas lucrarão mais oferecendo produtos e serviços gratuitos do que cobrando por eles. Não que este sistema não exista hoje, mas, mais do que brindes ou bônus, oferecer produtos gratuitamente será parte do sistema produtivo. Isto se deve as transformações e avanços da tecnologia na manufatura e distribuição dos insumos primários da cadeia produtiva.

"Os custos associados à crescente economia on-line se aproximam de zero em uma velocidade incrível. Nunca no decorrer da história humana, os insumos primários em uma economia industrial tiveram preços reduzidos tão rapidamente e por tanto tempo".

Empiricamente, podemos afirmar que a Internet se tornou popular quando os preços do acesso e dos computadores caíram e continuam caindo. Será possível que os telespectadores, acostumados com a gratuidade da TV Aberta analógica, irão aceitar pagar qualquer que seja o preço para assistirem ao seu programa preferido? Como a interatividade dará lucro às emissoras? São questões importantes, pois estão diretamente ligadas à gestão das empresas de comunicação.

O livro de Anderson não trata das questões relativas à TV Digital, mas sua leitura nos mostra um futuro possível na economia virtual. E como estamos caminhando para ela a passos largos, vale muito a pena uma leitura.

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