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O Futuro da TV aberta no Brasil

Por: Kiko Machado on quinta-feira, 22 de abril de 2010 | 06:05

Por certo a televisão não irá acabar, mas está ficando cada vez mais óbvio, que ela terá que encontrar novos modelos de negócios para se manter, principalmente as emissoras de TV Aberta. O professor Dr. Walter Teixeira postou o seguinte comentário em sua página no Facebook:

Leia mais em: O futuro da TV aberta no Brasil: ainda incerto


“Os grupos de mídia brasileiros, notadamente a Rede Globo de Televisâo, fizeram um trabalho de lobby (que no Brasil pode chamar-se de "cooptação") perante as autoridades do governo federal. Apesar da tecnologia do SBTVD ter sido produzida com competência por um pool de universidades brasileiras, o lobby decidiu adiar a implantação da TV Digital no Brasil e adotar o padrão de transmissão japonês, visando unicamente a manutenção do modelo de negócio, que alguns teóricos chamam de TV Digital broadcasting (?), ou seja, boa imagem e áudio e baixíssima interatividade. Desde o ano passado, o EUA não assistem mais televisão com sinal analógico. O analógico morreu lá. Aqui a nossa penetração não chegou na casa 5%. Agora, a Internet (para quem tem condições e a curva de adoção aumenta), coloca vídeos no computador com uma qualidade bem aceitável, portanto, está aculturando o consumidor a saber que terá o que desejar na hora que quiser. Se a TV Digital tivesse sido adotada antes no Brasil, as emissoras de TV aberta teriam agora um atributo importante para lutar contra o poder das redes: a qualidade da imagem. Mas agora, tudo está no mesmo patamar de percepçcão. A imagem na Internet está se aproximando muito da qualidade da imagem analógica da TV. Acredito que os grupos de mídia estão apostando que a Internet baterá no teto nas assinaturas de conexões de 2 Mega, que permitem entrega de vídeo de qualidade, portanto a gritaria geral contra o Plano Nacional de Banda Larga. Entretanto, acredito que já era... Sempre que tentaram apostar contra a Internet, os grupos perderam.. mas não aprendem... é como criança que insiste brincar com fogo... portanto vão se queimar, no caso das emissoras, a imagem".
 
Valdecir Becker, pesquisador da interatividade para TV Digital, comentou o post acrescentando que: “Sem considerar o broadband TV, que é uma ameaça muito maior porque não depende do computador e entra direto no zapping”.

Penso que o futuro da televisão aberta no Brasil passará pelas seguintes etapas:

1 – Fusões e aquisições - É possível que emissoras concorrentes até pouco tempo se unam ou se fundam ou tenham parte de seu capital comprado por empresas estrangeiras. Nos EUA essa foi a fase que marcou o início das mobilizações que as três grandes redes, NBC, ABC e CBS encontraram para enfrentar a fragmentação da audiência e significativa perda de publicidade. A ABC foi comprada pela Capital Cities Comunications, proprietária do maior conglomerado de TVs avulsas do país. A NBC, tornou-se uma divisão da General Eletrics e a CBS foi comprada através de controle acionário por um conglomerado ligado ao ramo do tabaco (DZARD Jr. 2000, pág. 132). Em 1995 a Disney comprou a Capital Cities e se tornou o maior grupo de mídia do mundo. Em matéria publicada pelo site Carta Capital, (leia matéria) o grupo português Ongoing, começou esta investida no Brasil adquirindo o jornal O Dia, no Rio de Janeiro, montou uma redação em São Paulo, também em Brasília e não será surpresa se a investida alcançar a televisão.

Em Tempo: Leia Aqui! - Grupo Ongoing está estuda entrada no mercado brasilileiro de TV

2 – Cortar custos - Algumas das mais famosas séries da TV americana foram cortadas devido ao alto custo de produção. Seinfeld, em 1998 e Friends, em 2004 foram cancelados. Mais recentemente, o comediante e apresentador de Talk Show, Jay Leno teve o horário de seu programa alterado após 17 anos no ar. Leno, a partir de maio de 2009, ocupa o horário das 20h que anteriormente pertencia à série CSI. A mudança de Leno das 23h para as 20h equivale aqui no Brasil à TV Globo colocar o Programa do Jô no lugar das novelas das 21:00 horas.

3 – TV Digital – digitalizar o sistema e investir no sinal em Alta Definição foi uma estratégia que não trouxe ainda os resultados esperados aqui no Brasil. Mas, todo o mercado mundial de televisão apostou neste segmento e agora é um caminho sem volta. O jogo de interesse brasileiro agora e que pelos menos países da América do Sul e outros de língua portuguesa adotem o mesmo padrão de TV Digital que o nosso, o que traria bastante compensação financeira para emissoras e fabricantes de eletro-eletrônicos. A África está na pauta do governo brasileiro para adoção do nosso sistema.

4 – Integração com a Internet – todas as redes de TV americana deram passos significativos nesta área. A Disney comprou 43% de uma empresa que controla um mecanismo de busca popular da rede nos EUA. No Brasil, não há notícias de que as emissoras estejam investindo ou fazendo parcerias para atuarem neste setor dessa mesma forma. O que existe são apenas portais onde as emissoras reproduzem o conteúdo jornalístico e de entretenimento.

5 - Maior autonomia para as emissoras locais – com a digitalização do sistema e a possibilidade de transmissão de conteúdo pela Internet os conceitos de grade de programação e de rede se tornam obsoletos. Uma maior participação das emissoras na oferta de programas reduz muito o custo de produção dos programas e abre oportunidade de empregos para os profissionais dispensados ou recém formados.

Esses são aspectos estruturais que as emissoras de TV aberta podem observar com mais cuidado como alternativa para o modelo atual. É bem certo que outras ações deverão ser pensadas. O importante é que o momento requer alternativas. É preciso fazer alguma coisa antes que a situação se complique ainda mais, o que geralmente leva a situações drásticas de rompimento com o modelo antigo.


Fonte: DIZARD Jr., Wilson. A nova mídia. Trad. Antonio Queiroga e Edmond Jorge. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

Site: Carta Capital
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