quinta-feira, 24 de junho de 2010

Globo Broadband?

Ao que parece a Rede Globo de Televisão começou a se mobilizar para a construção de um novo modelo de negócios na distribuição de conteúdo. Em vários post neste mesmo Blog, discutimos esta questão que não é um problema isolado da TV Globo e de nenhuma emissora de TV aberta no Brasil. O problema é mundial. A internet e as gigantes da Web (Microsoft, Yahoo, Google, etc.)estão colocando em cheque a supremacia das emissoras de TV aberta como maior distribuidor de conteúdo audiovisual. Abaixo, reproduzo matéria do site IDGNOW que relata as iniciatívias que a Rede Globo de Televisão está começando a traçar.


Matéria publicada em Circuito de Luca via IDGNOW
Por: Cristina De Luca

Já não é mais uma intenção. É algo que se pode ver na prática, como bem disse nessa quarta-feira, 23/6, Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia.

Em resposta aos movimentos do mercado em direção à digitalização, à fragmentação da audiência, e à concorrência com conteúdos gerados inicialmente em outras mídias, a Globo mudou. Assumiu, definitivamente, um modelo de produção convergente, a ponto de se auto proclamar uma “media station”, e não mais uma “TV station”.

Isso significa estar plenamente atuante hoje como produtora e transmissora de imagens em vídeo, de alta qualidade, enriquecidas com tudo o mais o que for possível (vídeos extras, textos e imagens, entregues ao telespectador pelo ar ou via internet), a qualquer hora, em qualquer lugar, em diferentes dispositivos, fixos ou móveis.





Trocando em miúdos, levar o sinal digital HDTV às principais cidades brasileiras e também às áreas rurais, via broadcast, incluindo a interatividade em todas as suas formas, inclusive com canal de retorno presente no celular ou no televisor. Trabalhar mobilidade com modelos de negócio híbridos, que contemplem TV aberta combinada a TV on demand, em parceria com as operadoras, ou tradicionais, via aplicativos para smartphones. E fazer muitos testes com modelos de negócio baseados na distribuição de conteúdo on demand no modelo broadband TV, via conexão Internet banda larga através do cabo ou de tecnologia wireless.

Portanto, já hoje o modelo de trabalho da Rede Globo aponta para uma cenário no qual haverá realmente cada vez menos diferença entre as telas do computador e do televisor. O conteúdo e os hábitos de cada um dos telespectadores serão determinantes para a escolha da plataforma a qual dedicaremos mais tempo ao longo do dia. Avanços tecnológicos, também já disponíveis, permitirão fazer isso de forma simples e natural. Os entraves para massificação continuam relacionados aos modelos de negócio possíveis e à falta de padronização de plataformas para broadband TV. Cada fabricante tem a sua plataforma proprietária. A Globo vem trabalhando em fóruns internacionais para estabelecimento de um padrão aberto que permita a produção de conteúdo para todos os modelos de broadband TV. O que a Globo quer? produzir uma única vez e distribuir para todas.

Está empenhada também em um esforço, no Fórum SBTVD, para harmonização do middleware aberto Ginga, que serve interatividade na TV broadcast, com os middlewares proprietários disponíveis hoje na TV paga. O que proporcionaria a combinação dos dois modelos de forma mais harmônica em muitos televisores que já oferecem os recursos tecnológicos necessários (conexões, middlewares, etc).

Apesar do modelo broadband TV afetar fortemente o modelo de negócio das TVs abertas, a Globo não o vê como ameaça direta, e sim como oportunidade de novos negócios, no melhor estilo “se não pode com eles, junte-se a eles”. E, até o momento, o modelo incial do negócio pode ser mesmo o chamado catch up TV, no qual o telespectador pode assistir a programação que deixou de ver no horário em que é transmitida na grade da TV aberta, a qualquer momento, sem que precise lembrar de programar a gravação desse conteúdo. Exatamente como no caso dos vídeos disponíveis na Internet hoje, no portal Globo.com, mas com qualidade HD. Gratuitos, remunerados por propaganda? Pagos? A Globo ainda não sabe a resposta.

“Claramente, já funcionamos como uma produtora de conteúdo para diversas mídias, não apenas a TV aberta”, reafirmou Fernando Bittencourt, durante evento realizado hoje em São Paulo.

Um bom exemplo disso é o investimento da emissora em uma unidade de produção móvel só para a Internet, com tudo o que é necessário para transmissões ao vivo, com a qualidade da TV, direto para a Globo.com. A unidade tem o tamanho de um computador de mesa e é complementada com um kit de produção que cabe, inteiro, na mochila do repórter.

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MOBILIDADE - Durante as demonstrações das tecnologias de distribuição já em uso pela empresa, a Globo exibiu, funcionando, três modelos de celulares com interatividade, explorando canal de retorno via SMS: o da LG, recém lançado; um da Nokia, em teste, previsto para entrar no mercado nos próximos meses; e um da Samsung.

COBERTURA - No fim deste ano, 50 emissoras estarão transmitindo digitalmente o sinal da Globo em todo o pais. Hoje são 30 e poucas, que já cobrem mais de 50% da população de domicílios com TV. A Globo já começa a fazer também a investir na cobertura de pequenas áreas de sombra, com a instalação de micro transmissores, os chamados ‘gap-fillers’. O bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, é um bom exemplo do uso desses micro transmissores, recém instalados.

RECEPTORES DIGITAIS – Dados da Eletros mencionados pela Globo dão conta de até o fim do ano, 7 milhões de aparelhos de TV, dos 11 milhões vendidos no ano, terão capacidade para recepção de sinal digital. Em dois anos, a previsão é a de que já não existam mais para venda no mercado televisores que não sejam digitais.

INTERATIVIDADE – Apesar de a Globo estar hoje apenas com a aplicação interativa da Copa do Mundo no ar, a emissora tem planos de oferecer, ainda este ano, novos conteúdos interativos, sempre casados com a grade de programação. A primeira aplicação a ir para ar, logo depois da Copa, segundo Raimundo Barros, diretor de engenharia da Globo São Paulo, será a da novela Passione.

PRODUÇÃO HD - A Globo pretende ter todo o horário nobre produzido em HDTV até o fim do ano. A próxima novela das sete já será gravada em alta resolução.

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