quarta-feira, 21 de julho de 2010

Band e Record entram na briga da PLC 116

Há até pouco tempo atrás, a guerra dos lobistas pelo mercado de TV paga no Brasil estava restrita aos bastidores do Congresso Nacional. Mas com a aprovação do PL 29 na Câmara dos Deputados, o tema vem ganhando destaque nos telejornais da Band e da Record e agora tenta envolver a opinião pública.

No dia 17 de junho, o Jornal da Record apresentou uma matéria favorável a iniciativa do Governo em abrir a oferta de operadoras de TV paga. O texto focava a possibilidade de queda nos preços das assinaturas dos pacotes. Atacava diretamente as duas principais operadoras de TV paga: a Net e a Sky. A reportagem afirma que as duas empresas são campeãs em reclamações no serviço de atendimento ao setor da Anatel e ainda chama a atenção para a cota de programas nacionais que as operadoras serão obrigadas a cumprir.

Veja a reportagem do Jornal da Record



Já o Jornal da Band entrou com tudo na briga. Apresentou duas reportagens nos dias 19 e 20 de julho. O principal ataque é na arrecadação de impostos. A reportagem afirma que os brasileiros serão lesados caso a medida seja colocada em prática. Afirma que o governo quer beneficiar as Teles e trás uma preocupação de que o setor fique sobrecarregado com muitas operadoras. Em nenhum momento, a reportagem da Band trata do assunto das cotas de produção nacional e nem sobre a possibilidade da redução no preço da mensalidade.

Veja reportagem do Jornal da Band



A Anatel publicou nota rebatendo as acusações do Jornal da Band. Informou que os consumidores e a sociedade serão beneficiados pela medida. Citou que a decisão deve ampliar a competição no mercado de TV por assinatura, gerar uma maior arrecadação de tributos, criar empregos, reduzir as desigualdades regionais, ampliar a infraestrutura de suporte à banda larga e incentivar a indústria de entretenimento.

Sobre o interesse das operadoras de telefonia, a nota de esclarecimento rebate: “Importante deixar claro que a decisão da Anatel não tratou da entrada de concessionárias de telefonia no mercado de TV a Cabo, tema que se mantém regido pela legislação e pelos contratos vigentes e que têm sido objeto de debate no Congresso Nacional, cabendo à Anatel regular o setor de telecomunicações nos estritos termos constitucionais e legais.” (Fonte IDG Now).

O interessante neste caso é tentar compreender a posição de cada uma das emissoras. A Record apóia o projeto, enquanto a Band e totalmente contra. Qual o interesse de cada uma delas nesta questão?

Alguém arrisca um palpite?

A Record talvez veja nesta ação uma oportunidade para entrar no negócio e minar a audiência da Globo, inclusive na TV aberta.

Já a Band, o texto abaixo publicado na Tela Viva News, pode dar a resposta:

Grupo Bandeirantes já se opôs a outras mudanças no setor de TV paga
Da Redação do Tela Viva News

O tom crítico do grupo Bandeirantes explicitado na reportagem sobre o processo de abertura do mercado de TV a cabo que está sendo conduzido pela Anatel não é inédito. O grupo já se manifestou, em outros momentos, de maneira contrária a mudanças que considerava ameaçadoras ao mercado de TV paga. Em 2001, a Band foi o grupo de comunicação que mais se opôs a uma proposta de alteração da Lei do Cabo que previa a abertura do setor ao capital estrangeiro. Era o PL 175/01, de autoria do senador Ney Suassuna. Depois das manifestações de oposição da Band, o projeto foi engavetado.

Outro momento em que o grupo confrontou a Anatel foi durante o processo de licitação iniciado no final de 1997. O grupo questionou judicialmente diversos itens no edital de TV a cabo, o que fez com que a licitação atrasasse quase um ano. Em função do atraso, boa parte dos consórcios saíram da disputa, devido ao agravamento das condições macroeconômicas. A Band acabou se tornando vencedora em algumas cidades como parte do consórcio TV Cidade, e até hoje a empresa controla operações de cabo em cidades importantes como Salvador, Niterói e Recife.

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