quinta-feira, 15 de julho de 2010

Distribuidora de homevídeos LogOn desenvolve plataforma de vídeos online

Texto publicado em: Tela Viva News

A distribuição de conteúdos digitais começa a dar os primeiros passos no Brasil e deve ganhar uma nova proposta de modelo, a partir do ano que vem. Uma iniciativa da Log On (umas das maiores distribuidoras de homevideos brasileiras) e da ATV, de Nestor Amazonas, pretende levar a computadores e dispositivos conectados uma plataforma nova de distribuição e interação com conteúdos online. A plataforma, chamada DX, será anunciada ao público durante a ABTA 2010 (www.abta2010.com.br) e consiste, em essência, em um browser de vídeo associado a uma sofisticada interface de usuário e plataforma de distribuição.

A proposta da DX é fazer a distribuição de conteúdos sob demanda, mas sem o formato de "álbum de figurinhas", nas palavras de Eduardo Mace, diretor geral da Log On. Ele se refere aos formatos mais conhecidos de distribuição de vídeo online, como NetFlix e AppleTV, em que são apresentadas ao usuário imagens dos filmes e programas e ele escolhe dentro desse menu, faz o download e assiste. "O que queremos é misturar a experiência de consumo de vídeo online com a experiência da televisão", diz Mace. Na prática, o que o DX faz é dar ao usuário a possibilidade de escolher, de forma não-linear e sob demanda o conteúdo que quiser dentro de um catálogo, mas se não souber ou quiser escolher, existe um fluxo contínuo de programas que são exibidos, como se fosse um canal personalizado de TV. A definição dos conteúdos que são incluídos nesse fluxo contínuo de conteúdos e que são sugeridos ao usuário passa por um algoritmo de gerenciamento de preferências desenvolvido pela própria DX e que leva em conta características de cada usuário individualmente.

A plataforma para PC funciona em cima do Silverlight, da Microsoft, e sistemas desenvolvidos pela própria DX. Para a exibição do vídeo com qualidade, é necessário um fluxo garantido de 800 kbps, o que os desenvolvedores da plataforma acreditam ser possível com uma conexão de 2 Mbps, considerando que a maior parte do conteúdo rodará dentro da rede dos próprios parceiros.

Vários modelos

Esse é o segundo aspecto importante da DX: ela não pretende ser um player isolado do mercado de conteúdos online, mas sim uma provedora da plataforma para operadores de TV a cabo e portais de Internet. A ideia é que se cobre, pelos conteúdos, uma assinatura mensal com direito a consumo ilimitado. Já há parcerias de conteúdos com a Warner, BBC, NBC Universal, National Geographic, AETN, CBS, Fremantle Media, Lionsgate entre outras. Todo o conteúdo é distribuído por IP, protegido por DRM e só é possível acessá-lo pelo browser DX. As janelas de conteúdo a que a DX terá direito são as do video-on-demand e do home video na maior parte dos casos.

Outra grande aposta da DX são os dispositivos conectados, como televisores, set-tops de TV paga e aparelhos de DVD e Blu-Ray. Segundo Eduardo Mace, da LoOn, já há contratos com a Samsung e LG e a partir do começo do ano que vem o browser DX deve começar a ser embarcado nos dispositivos com conectividade à Internet dessas duas marcas. Nesse caso, a DX espera ter parcerias com provedores de conteúdos e parceiros locais que possam dar suporte para os clientes em cada cidade, e também conteúdos locais. Caso contrário, será a única situação em que a DX administrará diretamente os assinantes.

Outro modelo de distribuição que está sendo planejado é incluir a plataforma DX em HDs externos que contenham acervos específicos, como a coletânea de filmes de determinado diretor ou todos os episódios de uma série. O modelo que está sendo desenvolvido prevê que esses HDs, depois de ligados ao computador, possam ser operados por controle remoto. Vale destacar que a plataforma DX não servirá para rodar conteúdos de mídia que o usuário já tenha, ou seja, não é um player de vídeo convencional. "Optamos por isso porque o conceito por trás do DX é não apenas exibir o conteúdo digital, mas organizá-lo e apresentá-lo para o consumidor de uma maneira única, para que ele tenha a sensação de estar assistindo à TV, e isso seria impossível de ser feito se incluíssemos os conteúdos que o usuário já tem. Além disso, temos que proteger o conteúdo dos parceiros", diz Mace.

No entanto, a DX também promete converter conteúdos de Internet para a mesma interface de navegação de vídeo, além de se integrar com redes sociais. Segundo os idealizadores da plataforma, a ideia é começar com o usuário das classes A e B, mas rapidamente avançar para camadas de baixa renda, o que será possível com a massificação da banda larga. "Hoje, muitos usuários de banda larga não têm opções de conteúdo e o modelo de TV por assinatura não serve a eles, seja pelo preço, seja pelo empacotamento", diz Nestor Amazonas, ex-executivo da Abril e da TVA.

Patentes requeridas

A aposta da LogOn nos diferenciais de sua plataforma é tão grande que a empresa está em processo de registro de patente, nos EUA, de três aspectos centrais da plataforma DX: o browser e a interface de usuário; o sistema de recomendação e; sistema de conversão de conteúdos online para a interface de vídeo.

Por: Samuel Possebon.

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