quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Brasileiros não rejeitam propaganda em vídeos online, mostra pesquisa

Por Renato Rodrigues, do IDG Now!
Publicada em 19 de agosto de 2010 às 08h00

Estudo divulgado no Digital Age 2.0 também mostra que internautas no país preferem vídeos curtos, horário "nobre" é das 22h a 1h.
Uma pesquisa realizada pelas empresas Havas Digital, Qualibest e Globosat, com quase 1 300 internautas revela que o internauta brasileiro é um grande consumidor de vídeos online e que a rejeição à publicidade nesse tipo de conteúdo é baixa.

O estudo, divulgado pela primeira vez durante o Digital Age 2.0, mostrou que 96% dos brasileiros que acessam a rede assistem a vídeos, seja no YouTube ou em sites de notícias e entretenimento. Prova disso é que 13 dos 23 vídeos mais vistos no serviço do Google são em português.

No país, os sites de vídeo recebem 310 milhões de visitas por mês, com mais de 3 bilhões de minutos em tempo dedicado.

Como já era de se esperar, a preferência é por vídeos curtos (seis em cada 10), e o pico de acessos é entre 22h e 1h da manhã, após o horário "premium" das TVs. A pesquisa também descobriu que, enquanto os jovens preferem videoclipes e entretenimento, os mais velhos (acima de 35) assistem mais a noticiários. Na divisão por sexo, nada de surpresas: homens preferem vídeos de esportes, e as mulheres, gastronomia.

De acordo com André Zimmermann, diretor geral da Havas Digital,  o consumo de conteúdo online é simultâneo com outras atividades, como assistir à TV. “Os vídeos on-line não canibalizam a TV aberta ou paga”, afirmou.

Na classe A, no entanto, mais internautas acessam a web (96%) do que assistem à TV (87%), uma tendência que deve se refletir nas outras camadas da população com a disseminação da banda larga.

A comodidade e a liberdade de ver o conteúdo a qualquer hora foi a razão apontada por 56% dos entrevistados para assistir a vídeos online. Um terço deu como razão o fato de aquele conteúdo só estar disponível na web, e 18% por falta de vontade de procurar na TV.

Entre os jovens, aliás, mais gente assiste à séries de TV na web (31%) do que na TV (27%).

E o que fazem os internautas após ver o vídeo? 44% responderam que assistiram a mais conteúdo relacionado, enquanto 37% leram comentários e 34% recomendaram.

Publicidade

Outra surpresa da pesquisa foi a baixa rejeição à propaganda. Embora 50% não tenha prestado qualquer atenção ao anúncio exibido antes ou depois do vídeo, 44% disse que não se importa de ver publicidade, desde que o conteúdo que permaneça gratuito. E a reação aos anúncios pode até ser considerada positiva – embora 60% não tenham feito nada, 34% acessaram o site da marca ou clicaram na propaganda.
No entanto, o que mais irrita os internautas é o fato de o anúncio não ter qualquer relação com o conteúdo do vídeo – 62% disseram preferir que houvesse alguma ligação. "Os usuários aceitam propaganda se ela tem a ver", disse Fábio Gomes, gerente de projetos da Qualibes. Outra coisa rejeita é a repetição das peças publicitárias.

O desafio, no entanto, é encontrar um modelo que remunere todo esse sistema. Regina Chamna, gerente de projetos especiais do Google para a América Latina, deu o exemplo do sistema da empresa que paga ao internauta por vídeos que interessarem a anunciantes. "Já há casos de videobloggers que são relativamente bem remunerados", disse, durante o debate após a palestra.

Ela também comentou que o YouTube está desenvolvendo uma ferramenta de análise de audiência parecida com o Google Analytics, usado pela maioria dos sites no país e no mundo.
"Ainda é um 'gap' entre o consumo de vídeo online e os investimentos publicitários nessa mídia", apontou Gomes.

Outro caso de sucesso, e apontado como modelo que "faz sentido", foi o do site Hulu.com, um serviço das TVs americanas Fox e NBC, e da operadora Comcast, que permite fazer assinaturas para acessar conteúdo da TV em alta definição no micro.

Nenhum comentário: