sábado, 2 de outubro de 2010

O fim da Espiral do Silêncio

Durante o desenvolvimento dos veículos de comunicação, muitas teorias tentaram compreender e explicar o impacto que as mensagens produzidas e veiculadas dentro da estrutura midiática poderiam causar na opinião pública.

A Teoria Hipodérmica foi a primeira a estruturar uma linha de raciocínio que pretendia explicar o comportamento da “massa” (um conjunto de indivíduos isolados de suas referências sociais) frente às mensagens veiculadas pela mídia e entendia que as pessoas eram passivas e passíveis de manipulação.

Este pensamento ainda está presente no senso comum sobre a mídia e sua influência na sociedade. Mas, durante os anos de 70, duas hipóteses surgiram nos EUA que tentaram medir o verdadeiro impacto da mídia sobre a sociedade. As duas hipóteses não utilizam o conceito de “massa”, no qual, seria formada por indivíduos isolados e que não se relacionam. Pelo contrário, as hipóteses observam que é exatamente essa inter-relação que possibilita que as mensagens da mídia impactem de alguma forma a sociedade.

A Hipótese do agendamento, ou agenda Setting, afirma que a mídia, por destacar determinados temas e preterir outros, ofuscar ou ignorar outros tantos, determina os assuntos que as pessoas irão discutir e sob qual ângulo. Para isso, os Gatekeepers (aqueles que escolhem os assuntos que serão veiculados nos jornais, revista, etc.) selecionam as notícias e a forma como elas serão noticiadas.

Com isso, Elisabeth Noelle-Neumann, estruturou uma hipótese complementar a esta ação do agendamento. Como a mídia diz ao povo sobre o quê pensar e sobre como pensar as pessoas tendem aceitar a opinião da maioria com receio de serem excluídas ou discriminadas pelo grupo a que pertencem. Este fenômeno Noelle-Neumann chamou de Espiral do Silêncio. Uma notícia veiculada pela mídia tende a crescer em uma espiral atingindo mais e mais pessoas e impondo a opinião da maioria àqueles que não possuem uma opinião formada.

Essas duas hipóteses se estruturaram a partir de 1972 e até pouco tempo atrás, eram as duas linhas de raciocínio que conseguiam explicar a relação entre a mídia e os indivíduos. Mas, a partir de 1990, com o surgimento da World Wide Web, ou simplesmente, da rede, está se configurando uma nova relação entre a mídia e os indivíduos.

Castells em seu mais recente livro, Comunicação e Poder analisa as novas relações que estão se configurando entre a mídia, o Estado e a opinião pública devido à comunicação em rede. O conceito de “massa” muda radicalmente nessa nova fase da comunicação humana. Ela deixa de ser um grupo formado por indivíduos interagindo dentro de regras morais estabelecidas pelos seus pares e passa a ser formada por vários grupos que agora deixam de ser apenas receptores de mensagem, mas também exercem a função de emissores de mensagem. Além disto, se inter-relacionam de forma muito mais constante e em um intenso fluxo de informações do que com a mídia tradicional. Castells chama esta nova forma de comunicação de auto-comunicação de massas. Esta nova configuração está explícita nas redes sociais que inundam a Internet. E mesmo que muitos ainda estejam excluídos digitalmente, essas pessoas são atingidas pela contra-informação gerada por blogues, sites, Twitters e etc.

A Espiral do Silêncio não cresce mais na mesma velocidade de antes, e as pessoas agora encontram novos grupos dentro do conforto de suas casas, no trabalho ou pelas Lan Houses espalhadas por todo país para se relacionarem.

O Agendamento também perde sua eficácia, pois os assuntos ganham novos ângulos, novas interpretações e novos dados, além de muitas vezes, os assuntos preteridos pela mídia encontram espaço para discussões na rede.

E esta nova configuração possibilitada pela comunicação em rede tende a aumentar cada vez mais com a adesão de mais e mais pessoas à rede. Por isso, um Plano Nacional de Banda Larga é tão importante para o país. Como diz a “twitteira” maria_fro: “o governo faz o PNBL e a gente faz o resto”.

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