sábado, 13 de novembro de 2010

As diferenças entre Brasil e EUA na oferta do conteúdo Broadband TV

Los Angeles - Só mesmo vindo aos EUA para compreender as reais diferenças na oferta de conteúdo nas novas plataformas digitais entre nós é eles. E também, só vindo aos EUA para visualizar o que espera nossa televisão aberta, caso as emissoras brasileiras não se posicionem de maneira diferente do que vem ocorrendo até agora.

Em diversas entrevistas, executivos das principais redes de TV do Brasil afirmam que durante muito tempo a TV aberta no Brasil não sofrerá com a concorrência das novas plataformas. Mas, se isto é verdade (o que não creio ser) e quando este futuro chegar, as emissoras estarão preparadas? Parece ser uma pergunta com uma resposta óbvia. É claro que elas estarão preparadas. As emissoras americanas ao que parece não estavam.

Acompanhando durante alguns dias a programação das emissoras do EUA, três pontos nos chamam a atenção: o número reduzido de comerciais dos intervalos, a pouca, ou quase nenhuma, presença das grandes marcas que tradicionalmente anunciavam na televisão e a programação voltada para uma população de baixo poder aquisitivo.
Na sexta-feira, às 19 horas e 30 minutos, no Brasil estaríamos vendo ao capítulo de uma novela, um telejornal, um programa de esportes, etc. Mas aqui nos EUA, no mesmo horário, acredite se quiser o que é apresentado pela ABC, uma das três grandes emissoras do país, é um programa muito conhecido no Brasil: o Roletrando. Isso mesmo, nosso velho programa dominical, apresentado no SBT aos domingos. É claro que o Sr. Silvio Santos não apresenta este programa, mas a estrutura é a mesma, o cenário é o mesmo, só não tem a música disparada quando a roleta avança na versão brasileira. Durante o dia a emissora apresenta em sua programação inúmeros Talk Shows ou programas apresentados por celebridades de Hollywood, como Woopi Goldberg e seu programa The View, programas policialescos à Datena e vários telejornais, cada um com um editoria de notícias; há os telejornais com notícias locais, com notícias nacionais e os de conteúdo internacional. No horário nobre são exibidas as séries de TV também famosas no Brasil, como Tho and Half Man, Big Band Theory, CSI, realities shows de baixo custo e outros. Algumas vezes ocorrem transmissões de eventos ao vivo como entrega de prêmios e cobertura de tragédias, perseguições, etc. Filmes, novelas, desenhos, mini-séries como no Brasil, em horários alternativos ou somente na TV por assinatura. Até mesmo os realities shows de maior faturamento, que deram um suspiro à TV aberta americana já estão preferindo a TV por assinatura para realizar a ponte entre anunciante e consumidor.
A TV aberta nos EUA vem perdendo audiência e anunciantes de uma forma avassaladora nos últimos anos. Somente 10% da população assistem TV pelo ar. Aliás, é uma dificuldade encontrar um americano comum que saiba distinguir TV Broadcast e TV por assinatura e agora TV Broadband. Está tudo “junto e misturado” nas novas plataformas de distribuição de conteúdo. E a mais recente plataforma é a Google TV. (Acompanhe vídeo ao lado).

Como as pessoas estão consumindo programas de televisão, fora da televisão, os anunciantes procuram diversas formas para atingir seu público. Na verdade estão ainda procurando novas formas de negócios. Ao que parece a TV aberta já não é a aposta de muitas marcas importantes e os comerciais de trinta segundos, que foi a base de toda a indústria televisiva comercial nos EUA e em boa parte do mundo, agora está na UTI do planejamento de mídia das grandes marcas. Somente alguns programas nacionais atraem empresas globais para veiculação de anúncios ou patrocínios. É preciso uma estratégia muito equilibrada para se utilizar a TV juntamente com outras plataformas e mídias e a TV vêm perdendo espaço para a publicidade segmentada que a Internet oferece. O telefone celular é a nova fronteira entre os anunciantes e os consumidores, só não sabemos ainda como atravessar esta fronteira.

Um comentário:

Eduardo castellani disse...

AQUI NO BRASIL A ANATEL MANTÉM A TV FECHADA, TANTO A ABERTA QUANTO A POR ASSINATURA, É CARO A LICENÇA PARA DTH 470 MIL.


ASSIM NÃO DÁ PARA O CONSUMIDOR.