quinta-feira, 25 de novembro de 2010

EUA discutem o futuro da Televisão

Nova York – Se no Brasil o futuro da televisão ainda parecer ser uma coisa distante, nos EUA a realidade já se materializou. As questões que estão sendo discutidas pelos americanos em torno da televisão, abordam agora, como tirar proveito das novas plataformas de distribuição de vídeo e não qual o impacto que elas poderão causar para a TV Broadcasting, pois elas já o impactaram sobremaneira. No dia 19 de novembro deste ano foi realizada na Universidade de Nova York uma conferência sobre o Futuro da Televisão com a presença dos mais importantes representantes das partes envolvidas nesta questão, tais como Frank Rose, Editor da revista Wired, Alan Seiffert, VIP da rede de televisão NBC Universal, Anthony Soohoo, VIP da rede CBS Interactive, dentre outros.

Dentre as palestras e mesas de discussão, as que mais se destacaram no evento tratavam sobre as possibilidades de negócios que a nova era do vídeo está por oferecer.

No painel 1 - A View from the Top (um olhar por cima), executivos de mídia digital discutiram o aumento da indústria de mídia digital e sua importância para o futuro da indústria da televisão. As discussões trataram sobre as tendências do espectador, a programação para plataformas não-tradicionais, incluindo vídeo on-line, VOD, HD, IPTV, banda larga e TV móvel, o impacto dos serviços online de vídeo, o futuro da publicidade, a democratização da produção de vídeo resultante da penetração de banda larga e os custos operacionais em queda nos novos modelos de negócio. O principal desafio para as emissoras é descobrir como construir novos fluxos de receita a partir de plataformas de mídia digital.

No painel 2 - Como criar franquias de sucesso Transmedia, especialistas no negócio de extensões de marca (transmedia) discutiram um tema que já está amplamente aceito e trabalhado pelas agências de publicidade nos EUA que é a publicidade transmidiática, aquela que integra as diferentes plataformas na distribuição das mensagens da marca. O painel discutiu como criar franquias de sucesso Transmedia maximizando o valor das marcas de TV e como utilizar a transmedia como extensão em múltiplas plataformas de mídia. A publicidade transmedia no Brasil ainda é vista como uma inovação e ousadia de algumas agências de publicidade e não uma ferramenta consolidada.

No painel 4 - A Evolução da Publicidade, os debates foram intensos, pois já é fato que a publicidade não pode ser a mesma na televisão. As agências estão se mobilizando na publicidade transmedia, os grupos sociais se tornaram uma nova espécie de opinião pública, o vídeo on-line, distribuído e produzido por pessoas comuns possibilita um mercado estimado em US $ 6 bilhões (hoje, é de apenas US $ 1 bilhão). Anunciantes estão percebendo que comprar espaço publicitário na TV se tornou caro e não trás os resultados esperados, são inflexíveis e sem meios eficazes de resultados de medição. Anunciantes importantes estão se movendo para o mundo online. O painel discutiu, sobretudo, o futuro da publicidade televisiva, incluindo a eficácia da publicidade na TV e as alternativas ao spot de 30 segundos, o impacto dos gravadores de vídeo digitais (DVRs), melhoria dos métodos de publicidade direcionada, entretenimento de marca e o papel das novas tecnologias interativas e vídeo online no futuro do negócio de televisão.

No painel 6 - Estratégias de Distribuição, abordou questões importantes e particulares do mercado americano, principalmente no que diz respeito à distribuição de conteúdo por cabo e sua alternativas. Enquanto no Brasil a TV Digital está ameaçada, nos EUA é o a televisão por cabo que agora vem enfrentanto concorrentes de peso como o Netflix. E muitos apocalípticos já afirmam que chegou a vez do Cabo morrer. Embora haja pouca evidência para mostrar que isso é realmente possa acontecer, de qualquer forma o mercado de conteúdo premium da Internet está crescendo e fez com quase todos os grandes estúdios e agregadores de conteúdo trabalhem para colocar alguns dos seus conteúdos mais valiosos disponíveis para o consumidor online. A principal discussão deste painel girou em torno da superação do fosso entre as ofertas de Internet e TV, incluindo consoles de video game, híbrido de set-top boxes gerenciado pelos prestadores de serviços de vídeo, Internet e caixas set-top (como o Apple TV e a Google TV).

Como se percebe, a tranqüilidade que muitos executivos e radiodifusores brasileiros tentam demonstrar ao tratar sobre os impactos sobre o modelo de negócios da televisão brasileira, afirmando que nosso caso é diferente do resto do mundo, que nossa televisão é de boa qualidade e nunca irá sofrer os mesmos impactos que a televisão nos mercados internacionais é preocupante.

O Brasil vem dando passos acertados na popularização da banda larga, com a economia estável o consumo vem crescendo, possibilitando a adesão de assinaturas de canais televisão, a compra de DVR, adesão à internet, e até mesmo, realização de outras atividades do que apenas ficar em frente à TV. A preocupação e mobilização dos EUA deveria ser um sinal de que aquela situação poderá nos atingir em breve e ao invés de dizer que está tudo bem, deveríamos nos mobilizar para tentar minimizar os efeitos dessa onda, porque evitá-la será praticamente impossível.

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