segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Criação da Telebrás fez o custo da banda larga cair à metade

Texto publicado em: FNDC

15/08/2011 |
Rosa Leal
Instituto Telecom

Quem garantiu isso foi o presidente da Telebrás, Caio Bonilha, no painel sobre as Perspectivas das Telecom e do PNBL, no Seminário O Futuro das Telecomunicações no Brasil, dia 12 de agosto, no Rio.

Depois de ouvir as palestras dos representantes das indústrias, em especial do SindiTelebrasil, elogiosas à Telebrás, Bonilha iniciou sua exposição com um comentário irônico – “já deram o direito da Telebrás existir”, disse ele que mostrou o tamanho da desigualdade na exploração do serviço de banda larga. Apenas 5% de grandes provedores atendem a 91% do mercado, enquanto 1576 pequenos e médios provedores atendem os 9% restantes.

Bonilha destacou o papel da Telebrás, “que não é uma operadora qualquer, é uma operadora do governo federal”, na expansão e democratização da banda larga. Conforme ele, o que assusta segmentos do setor privado é o fato de que a Telebrás vai prover infraestrutura de rede para operadores de qualquer tamanho, com igualdade de condições e de preço – “hoje, a competição é desigual para os pequenos provedores”, destacou.

O presidente da Telebrás garantiu que a empresa chegará a 77% dos municípios e até o ano que vem estará operando do Amapá ao Rio Grande do Sul. Segundo ele, o governo não está pagando mais para ampliar a rede com tecnologia de ponta nacional e, em alguns casos, está pagando até menos. Para ele, o que falta no Custo Brasil é oportunidade. “Não somos xenófobos em capital, somos xenófobos em tecnologia”. Essa posição do governo brasileiro, destacou Bonilha, está fazendo com que multinacionais que deixaram o país estejam voltando. “É o que eu chamo de Efeito Telebrás. Um resultado extremamente saudável e quem ganha é a população brasileira”, disse ele.

O secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão, lembrou que o Brasil é hoje o quarto mercado mundial de computadores, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. Apesar disso, parcela considerável desses proprietários de computadores não tem acesso à internet. Para mudar esse quadro, o governo federal está implantando ações que vão desde a implementação da rede Telebrás até a licitação de posições orbitais e novas faixas de frequência, além da modernização do Marco Regulatório.

Representante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Schroeder criticou duramente a posição do governo em relação à comunicação. Ele acusou o governo de se render à lógica do mercado de radiodifusão e de fazer a mesma coisa no setor de telecom. Para Celso, embora o mundo esteja sob um novo paradigma, o da digitalização e da convergência tecnológica, no caso da TV digital o governo optou pelo modelo menos convergente. “O debate que chega agora, da banda larga, traz os mesmos cacoetes, prolongando um debate que a tecnologia já está resolvendo na marra”, constatou. Ele cobrou um novo Marco Regulatório da comunicação que dê conta dessa convergência.

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