sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Dia da Televisão: O futuro da telinha terá como base o jornalismo informal e a dramaturgia

Texto publicado em: FNDC

11/08/2011 |
Anderson Scardoelli
Comunique-se

O 11 de agosto é considerado o Dia de Santa Clara, padroeira da televisão. Com a aclamação de ser a protetora dos profissionais que trabalham neste meio de comunicação, que segundo o Ibope é o de maior público no País, a data também é comemorada como o Dia da TV. Mas, além da celebração, como será a telinha daqui para frente? Para os críticos entrevistados pelo Comunique-se, a dramaturgia e o jornalismo mais solto serão a essência entre os canais.

Com quatro novelas produzidas de forma simultânea pela emissora de maior audiência no Brasil, a Rede Globo, duas na TV Record, segunda colocada na média do Ibope, e com uma no SBT, o terceiro canal em termos de telespectadores, a teledramaturgia terá uma produção ainda maior, avalia o jornalista da Rádio Jovem Pan e comentarista do Todo Seu, da TV Gazeta, José Armando Vannucci. “Telenovela sempre terá espaço, tanto que, no time to time do fim de noite, a Globo recorreu a mais uma faixa de novela”, diz, citando a estreia de O Astro, exibida por volta das 23h.

Quando o assunto é a produção de folhetins entre as emissoras de TV, quem concorda com a análise de Vannucci é a editora da coluna Outro Canal da Folha de S. Paulo, Keila Jimenez, que mantém um blog de mesmo nome na Folha.com. “A TV brasileira produz dramaturgia em grande quantidade. Não estou nem questionando a qualidade dessas produções, mas mesmo com os enlatados americanos, a televisão está resistindo fortemente e continua criando atrações próprias”, afirma.

A dramaturgia, além de ser produzida em grande escala, conforme contam Keila e Vannucci, também serve para usar o cotidiano na conscientização da massa, conforme considera o jornalista Silvio Barbosa, professor do curso de “Produção em Telejornalismo” do Comunique-se Educação Corporativa e autor do livro TV e Cidadania. Para ele, as novelas deixaram de exibir exclusivamente “o mocinho e a mocinha”.

Futuro do jornalismo
Gênero que permanecerá vivo na televisão brasileira, mas com mudanças no jeito de transmitir, será o jornalismo, aponta Barbosa. A grande alteração, prevê, será a diminuição de espaço da figura do âncora. “O profissional que fica atrás da mesa já deu lugar para a pessoa que fica em pé, interagindo com os telespectadores. E a ideia do curso que ministro no Comunique-se é justamente essa: aproximar o apresentador do público”.

Para o jornalismo ter sucesso na TV, o segredo parece ser mesmo a entrada de apresentadores interagindo com o público e a uso de uma linguagem de melhor entendimento para o grande público, conforme declara Vannucci. “Aquela coisa séria do jornalista anunciando a matéria vai acabar. As emissoras descobriram que o mais importante é a comunicação mais conversada, mais solta. E isso não tirará a credibilidade dos telejornais”.

Reality show
Mesmo avessa a reality shows, a titular da coluna Sem Intervalo, do Estadão, e blogueira da página Teleguiados, Cristina Padiglione, aposta que o formato não só continuará a existir no Brasil como terá novas produções. Para ela, o gênero será inserido no conteúdo jornalístico, o que a faz deixar um alerta: “Cada vez que os reality shows ganham espaço, eles se tornam mais show e menos reality. A realidade e a notícia ficam de lado”.

Sobre o tema, Keila Jimenez revela que errou ao imaginar que os realities iriam morrer, mas analisa que mudanças acontecerão, com produções sempre voltadas a encontrar talentos. “Os programas de confinamento estão perdendo espaço para os que buscam talentos. O Ídolos, da Record, e o The Voice, que a Globo comprou, indicam essa tendência. Agora, para ficar famosa por meio de um reality, a pessoa tem que mostrar ter talento. Até O Aprendiz vai nessa linha".

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