sábado, 10 de setembro de 2011

A cobertura da mídia sobre o 11 de setembro

Cobertura da grande mídia sobre o ataque tira o contexto político e inocenta os EUA de sua desastrada política internacional

Não é possível ficar imune a imagem de um avião com passageiros e tripulantes colidindo com um prédio. Ainda mais em uma cidade como Nova York, repleta de imigrantes, onde a diversidade e pluralidade de idéias convivem dentro de uma tolerância aceitável. A imagem dos aviões explodindo nas torres gêmeas do World Trade Center e consequentemente o desabamento das torres talvez sejam as imagens mais marcantes da insensatez e selvageria da história do homem. Nem mesmo as imagens da destruição de Nagasaki e Hiroxima fornecem tamanho impacto.

Quem sabe isto se deva à televisão. O ataque às torres gêmeas foi transmitido ao vivo, repórteres se transformaram em narradores da história. Fotos, vídeos amadores, depoimentos em rádios, percorreram o mundo instantes depois do atentado. Alguém conseguiria imaginar um noticiário de TV qualquer narrando os acontecimentos no Japão? Já imaginaram um âncora de um telejornal narrando o vôo do Enola Gay (bombardeiro B-29 que levou as bombas atômicas) e a queda das bombas? Seria mais ou menos assim:

“amigos espectadores, este é o bombardeiro B-29 a fortaleza voadora. Dentro dele está o artefato mais poderoso já construído pela mão do homem. A bomba atômica que em breve irá matar mais de 150 mil pessoas em segundos...”

Com certeza, veríamos logo depois da destruição o depoimento de dezenas de japoneses que perderam tudo. E os alertas sobre as doenças que iriam adquiriram com a chuva radioativa.
Mas, claro que não foi assim. Hoje, Hiroxima e Nagasaki são lembranças distantes de uma tragédia.

No caso do atentado às torres gêmeas não é tempo que irá descontextualizar o fato em si, mas a cobertura midiática. A mídia mundial se rendeu ao drama pessoal dos envolvidos e aos arquivos em vídeo, foto e áudio. Pergunte a um adolescente qual foi o motivo do ataque?

Horas e horas de especiais em programas na TV paga e matérias e cobertura jornalísticas estão inundando a programação televisa com homenagens às vítimas e aos parentes das vítimas WTC.
Chega a impressionar a parcialidade na cobertura da mídia. Nenhuma rede de TV ou jornal se mobilizou para mostrar o sofrimento do povo iraquiano e as mais de 900 mil mortes entre soldados e civis iraquianos em conseqüência à invasão americana.

Os especiais de televisão sobre o 11 de setembro mostram uma certeza: que a mídia reproduz o discurso das grandes potências. Cercam as torres gêmeas como um símbolo da luta pela liberdade. A Biblioteca do Iraque, de mais de 2000 mil anos, um patrimônio da Humanidade foi destruída no bombardeio e isto nunca foi destaque.

Infelizmente, a mídia se comporta como papagaios de pirata, repetindo e repercutindo tudo que é do interesse das grandes potências. O 11/9 foi realmente uma tragédia, isto não se pode discutir, mas dar ênfase somente ao lado americano da história e ao drama pessoal dos envolvidos tira o contexto da tragédia. Daqui a mais 10 anos ninguém vai mais saber as causas do ataque, nem as consequências para o mundo e para o povo iraquiano. Será algo perdido na memória como é hoje o uso das duas bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki pelos EUA na Segunda Grande Guerra. Algo para se ver em documentários.

O tom alarmista da mídia na cobertura erigiu a frase que está presente em quase toda a cobertura. “Onze de setembro, o dia que mudou o mundo”.
Cabe a pergunta: mudou mesmo?

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