segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O feitiço vira contra o feiticeiro?


Texto publicado em: Carta Capital
Por: Elizangela Grigoletti
Detentor da hegemonia de acessos nas redes, o Google virou sinônimo de pesquisas na internet e conquistou seu espaço principalmente com os serviços gratuitos e receita, quase exclusivamente baseada na venda de publicidade online através dos links patrocinados.
Essa amplitude de serviços disponíveis sem custo aos usuários e o faturamento obtido através da exploração de audiência com sua publicidade, despertou o interesse de gigantes como a Microsoft por esse mercado, agora prestes a concretizar a maior oferta de compra entre empresas do segmento de tecnologia, desde 2000.
A junção da líder no desenvolvimento de softwares, responsável pelo mecanismo de buscas Bing – Microsoft – com uma das pioneiras no mercado de buscas na internet – Yahoo, e com um dos maiores portais de conteúdo do mundo – AOL, realmente pode sacudir o mercado online e abalar as estruturas e soberania do Google, já que sua liderança de audiência passa a ser ameaçada pela compra.
Ou seja, o feitiço lançado pelo Google a partir de seu monopólio de buscas é agora responsável pela cobiça da Microsoft em superar as duas principais atuações do concorrente – desenvolvimento de softwares voltados para search e serviços online -, ultrapassando inclusive o faturamento do então rival, o feiticeiro de Mountain View, com a compra do Yahoo.
A crise do Yahoo, já decretada há alguns anos pela estagnação em inovar em sua atuação na web e o surgimento e fortalecimento das redes sociais, levou à perda de usuários e à desvalorização da marca, se intensificando agora com a demissão de Carol Bartz, ex-executiva-chefe.  Uma possível fusão com a AOL, ano passado, já havia sido aventada e rejeitada por Bartz. A AOL, que também já vivenciou uma queda drástica de posicionamento desde que se separou da Time Warner, em 2009, perdeu quase 800 milhões de dólares.
Agora, com a saída de Bartz do Yahoo, o CEO da AOL, Tim Armstrong, retomou o processo. A Microsoft, que também já tinha feito uma oferta pelo Yahoo em 2008, mas por considerar os valores propostos inadequados, não teve a aquisição concretizada na ocasião.
Agora, neste novo cenário de possibilidades, se a transação se confirmar, as previsões apontam que Yahoo!, AOL e Microsoft juntasalcançarão faturamento de 2,7 bilhões de dólares no setor. Com isso, as buscas na internet que, em abril, apontavam para o Google um resultado de 62% de todas as realizadas nos EUA, poderá sofrer uma queda significativa.
A junção vai possibilitar principalmente novos caminhos: para os produtos Yahoo, que poderão se reciclar através das inovações; o AOL se fortalecendo na disponibilização de conteúdo, a partir da audiência que a junção trará; por sua vez, a Microsoft poderá oferecer sua tecnologia com muito mais eficácia, já que contará com uma interface mais dinâmica e envolvente, gerada através do contato com as redes – a internet, por sua velocidade, oferece condições de compreensão dos anseios e expectativas dos usuários em tempo real.
O futuro realmente dirá se a política de Carol Bartz, de pulso firme e cortes drásticos, agora substituída pela visão reestrutural de Timothy Morse, CFO da companhia que está pronto para a preparação do Yahoo para a venda, será uma estratégia mais assertiva. Em suma, o Yahoo, uma velha estrela da web, poderá ganhar nova roupagem, como em seus dourados anos virtuais.

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