terça-feira, 28 de agosto de 2012

Além da TV - o que vem por aí?


Esta pode ser uma daquelas perguntas na qual a resposta vale um milhão de Dólares. O que vem depois da televisão? Qual o futuro da televisão em rede? Ela irá acabar? Por certo não, mas evidentemente ela terá que se adaptar ao novo cenário que está se formando na sociedade globalizada e em rede.

Na sessão Convergência Broadcast/Broadband, presidida por Roberto Franco (SET - SBT - Fórum SBTVD) estas perguntas foram feitas, mas é claro que ainda não foram respondidas. Tendências foram apresentadas, indicando que estas duas plataformas de distribuição de vídeo irão mesmo se convergir devido a crescente demanda do consumo online de vídeo, mas esta nova realidade ainda levará algum tempo para que venha realmente influenciar o mercado broadcast. Isto porque, no Brasil, a TV aberta vai muito bem. A boa fase econômica brasileira, frente aos mercados internacionais, trouxe para a faixa de consumo de produtos eletroeletrônicos uma boa parcela da população. É a chamada "nova classe C". Mas a desigualdade social ainda é muito grande no país. Somos o 4º colocado na América Latina, o que limita o consumo de aparelhos e dispositivos que permitem ao indivíduo receber e compartilhar conteúdo audiovisual na Web.

Mas todos os membros da mesa e a plateia presente concordaram que esta situação não irá perdurar por muito tempo e que para migrar para esta nova realidade com relativa segurança e estabilidade financeira é preciso compreender as demandas do usuário. O comportamento do telespectador que tem acesso aos diversos dispositivos de conexão com a internet mudou muito. Além da audiência estar se fragmentando a cada dia, ela constrói novos hábitos e novos comportamentos no consumo de vídeos.

A grande questão é que no Brasil estão convivendo duas parcelas muito distintas: uma pequena parte que possui acesso aos dispositivos e uma grande maioria que ainda não. Para piorar a situação, para a parcela que possui acesso, a velocidade das mudanças e ofertas de novas tecnologias é incrivelmente rápida. Ao se pensar que os Tablets surgiram a pouco mais de quatro anos e que já estão sendo integrados como dispositivo de segunda tela, demonstra a velocidade dessas transformações. Esta situação aflige os radiodifusores, pois economicamente é muito difícil que televisão Broadcasting consiga atender de forma plena essas duas parcelas da sociedade ao mesmo tempo. A TV aberta é por natureza generalista, e por conta desta natureza implementou um modelo de negócio que tem garantido a viabilidade econômica das emissoras até o presente e que certamente ainda irá garantir por um certo tempo, pelo menos no Brasil.

Mas, como todo gestor sabe bem, os cenários se modificam e que ele vai mudar no Brasil já é ponto pacífico para todos os envolvidos desde a produção até a transmissão de conteúdo. Então qual o caminho? Qual é o futuro da televisão aberta no Brasil? Ainda é cedo para responder essa pergunta diretamente, mas já está claro que qualquer que seja esse futuro ele deverá trilhar três caminhos: uma regulamentação que proteja o radiodifusor da pressão das empresas de Telecom, inovação na gestão e nos modelos de negócios e a adesão à nova realidade e demanda de uma sociedade pós Era Industrial. 

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